Em pleno verão de 2026, Gianni Infantino convocou os líderes da FIFA para Marrocos numa tentativa de travar uma crise que ele próprio ajudou a semear. O plano FIFA Forward Enterprise — concebido para vender as operações comerciais e de eventos da organização — despertou uma oposição rara e coordenada, reunindo figuras tão distintas como Arsène Wenger e o Príncipe Ali da Jordânia. Quando as instituições que governam o desporto se fraturam por dentro, é sempre o futebol — e os seus adeptos — quem paga o preço mais imediato.
Infantino convoca reunião de emergência da FIFA após onda de críticas internas
Uma série de eventos tristes e reprováveis dentro da própria instituição
Porque é que Infantino insistiu tanto neste plano de venda de operações se sabia que enfrentaria tanta resistência?
Porque acreditava que era a forma de modernizar a FIFA e gerar receita de forma diferente. Mas subestimou quanto poder têm os dirigentes europeus e figuras como Wenger dentro da organização.
Wenger é uma figura respeitada. O que o levou a romper publicamente com Infantino?
Provavelmente a convicção de que o plano prejudicaria a integridade do futebol. Wenger tem uma reputação de integridade — não é alguém que fale levianamente. Quando fala, as pessoas ouvem.
E quanto ao Príncipe Ali? Ele tem poder real dentro da FIFA?
Tem influência, especialmente porque representa uma federação e porque já se candidatou à presidência. Mas o seu poder real vem de estar alinhado com a UEFA, que é quem está a fazer pressão legal.
A questão dos vistos jordanos — isso é um sintoma ou um problema separado?
É ambos. Mostra que as operações da FIFA estão caóticas, e também humaniza a crítica. Não é apenas sobre política interna — são adeptos reais que não conseguem ver o seu país jogar.
Infantino conseguirá sobreviver a isto até às eleições de 2027?
Provavelmente sim, porque não há candidato oficial contra ele. Mas a sua autoridade foi abalada. Pode ganhar as eleições mas perder o controlo real sobre a organização.
Le Pouls
- O plano de Infantino para comercializar as operações da FIFA gerou uma rebelião interna sem precedentes, com figuras históricas e dirigentes a romperem publicamente com a liderança.
- Arsène Wenger, voz respeitada dentro da organização, declarou que a anulação do projeto era 'absolutamente necessária e inquestionável', marcando uma rutura simbólica de peso.
- A UEFA escalou o conflito ao ameaçar com ação judicial, citando 18 dirigentes da FIFA numa carta formal que pressiona a organização a recuar.
- Adeptos jordanos com bilhetes para o Mundial foram impedidos de entrar nos EUA por negação de vistos — um dano humano concreto que expõe as falhas operacionais da FIFA.
- A reunião de emergência em Rabat é a resposta de Infantino à crise, mas com eleições presidenciais em março de 2027 e sem rivais declarados, o seu controlo sobre a organização está longe de ser garantido.
Em pleno verão de 2026, Gianni Infantino convocou os líderes da FIFA para Marrocos numa tentativa de travar uma crise que ele próprio ajudou a semear. O plano FIFA Forward Enterprise — concebido para vender as operações comerciais e de eventos da organização — despertou uma oposição rara e coordenada, reunindo figuras tão distintas como Arsène Wenger e o Príncipe Ali da Jordânia. Quando as instituições que governam o desporto se fraturam por dentro, é sempre o futebol — e os seus adeptos — quem paga o preço mais imediato.
Gianni Infantino reuniu os principais dirigentes da FIFA numa convocação de emergência em Rabat, Marrocos, numa quarta-feira de agosto, em resposta à crescente resistência ao seu plano de vender as operações comerciais e de eventos da organização — a iniciativa conhecida como FIFA Forward Enterprise.
A oposição tornou-se pública e coordenada. Arsène Wenger, responsável pelo desenvolvimento global do futebol desde 2019, rompeu com o projeto através de uma declaração oficial, afirmando que a sua anulação era «absolutamente necessária e inquestionável». Apesar de ter apoiado anteriormente outras propostas de Infantino, desta vez posicionou-se claramente contra. Wenger é um dos 18 dirigentes citados numa carta da UEFA que ameaça a FIFA com ação judicial.
O Príncipe Ali da Jordânia, antigo candidato à presidência da FIFA, juntou-se às críticas e denunciou ainda um problema humano concreto: adeptos jordanos com bilhetes para o Mundial viram os seus vistos para os EUA negados, ficando impedidos de assistir à estreia da sua seleção. Internamente, o secretário-geral Matthias Grafstrom descreveu os acontecimentos num memorando como «uma série de eventos tristes e reprováveis».
A reunião em Marrocos representa a tentativa de Infantino de recuperar o controlo. Com eleições presidenciais marcadas para março de 2027 e sem candidatos rivais declarados, a sua posição formal parece segura — mas a profundidade das divisões internas revela que o apoio ao presidente é muito mais frágil do que aparenta.
Gianni Infantino convocou os principais dirigentes da FIFA para uma reunião de emergência em Rabat, Marrocos, numa quarta-feira de agosto, segundo informações da imprensa inglesa. A convocação surge como resposta a uma onda crescente de críticas ao seu plano de vender as operações comerciais e de eventos da organização — uma iniciativa conhecida como FIFA Forward Enterprise que tem gerado resistência feroz tanto dentro quanto fora da instituição.
A oposição ao projeto de Infantino tornou-se pública e coordenada. Arsène Wenger, que dirige o departamento de desenvolvimento global de futebol desde 2019, rompeu publicamente com o plano através de uma declaração oficial da FIFA, afirmando que a sua anulação era «absolutamente necessária e inquestionável». O antigo treinador do Arsenal havia apoiado anteriormente outras propostas de Infantino, incluindo a realização de um Mundial a cada dois anos, mas desta vez posicionou-se de forma clara contra a iniciativa. Wenger é um dos 18 dirigentes da FIFA mencionados numa carta enviada pela UEFA que ameaça com ação judicial contra a organização.
O Príncipe Ali, presidente da Federação de Futebol da Jordânia e candidato anterior à presidência da FIFA, também se manifestou contra o plano. Além disso, denunciou um problema que afeta diretamente os adeptos: jordanos que possuíam bilhetes para o Mundial tiveram os seus vistos para os Estados Unidos negados, impedindo-os de assistir à estreia da sua seleção na competição. A situação ilustra como as decisões e operações da FIFA têm impacto direto na vida dos fãs de futebol.
Matthias Grafstrom, secretário-geral da FIFA desde 2024, descreveu os acontecimentos recentes num memorando interno dirigido aos funcionários, caracterizando-os como «uma série de eventos tristes e reprováveis». A linguagem utilizada por Grafstrom reflete a gravidade da situação dentro da organização e a profundidade da divisão que o plano de Infantino criou.
A reunião de emergência em Marrocos representa uma tentativa de Infantino de conter a crise e restaurar algum nível de consenso entre os líderes da FIFA. O contexto político é significativo: as eleições presidenciais da FIFA estão marcadas para março de 2027, e até ao momento não há nenhuma candidatura oficial oposta à de Infantino. No entanto, a intensidade das críticas internas sugere que o apoio ao presidente não é tão sólido quanto poderia parecer à superfície. A reunião será determinante para perceber se Infantino consegue manter o controlo sobre a organização ou se a pressão dos seus pares o forçará a recuar no plano que tem sido a sua prioridade estratégica.
Citations marquantes
A anulação do plano era absolutamente necessária e inquestionável— Arsène Wenger, chefe de desenvolvimento global de futebol da FIFA
Uma série de eventos tristes e reprováveis— Mattias Grafstrom, secretário-geral da FIFA, em memorando interno