Grupo Névoa analisa três ou quatro ativos de retalho, com dois a necessitarem construção em 2026, enquanto inaugura o Beja Jardim com procura acima da capacidade. Setor de retalho cresceu 20% em afluência e 20-30% em faturação anual, atingindo quase 20 milhões de euros, com 90 novas lojas abertas no ano anterior.
Grupo Névoa planeia nova aquisição no retalho antes do final do ano
Voltamos a pôr o ativo no mapa, e é aí que marcamos a diferença
O Névoa compra ativos já existentes e depois revitaliza-os. Porquê não construir de raiz?
Porque há muito imobiliário no mercado que está adormecido, subutilizado. Quando compram, conseguem transformar algo que já existe e que as pessoas conhecem. É mais rápido, menos risco, e o impacto é visível.
Mas se estão a crescer 20-30% em faturação, porque é que as projeções para 2026 caem para 15%?
O conflito no Médio Oriente trouxe incerteza real. As pessoas gastam menos, os investidores hesitam. É uma retração que sentem nos números.
Taxas de ocupação acima de 90% parecem excelentes. Onde está o risco?
Não há risco imediato. Mas o crescimento está a abrandar. Ainda têm lojas vazias, ainda não atingiram o pico. Precisam de continuar a expandir para manter o ritmo.
Porque é que gerem alguns centros e deixam outros a terceiros?
Depende da estratégia. Os que gerem diretamente, controlam tudo — montras, campanhas, experiência. Os outros são ativos de rendimento puro. Diferentes modelos para diferentes objetivos.
O Beja Jardim tem overbooking. Isso significa que o mercado quer mais?
Exatamente. Há procura reprimida. Mais espaço comercial bem localizado e bem gerido encontra inquilinos. É um sinal de que o modelo funciona.
O Pulso
- Grupo Névoa analisa três ou quatro ativos de retalho, com dois a necessitarem construção em 2026
- Setor de retalho cresceu 20% em afluência e 20-30% em faturação, atingindo quase 20 milhões de euros
- 90 novas lojas abertas no ano anterior; taxas de ocupação acima de 90%
- Projeções para 2026 apontam crescimento de 15%, moderado pela incerteza do Médio Oriente
Grupo Névoa analisa três ou quatro ativos de retalho, com dois a necessitarem construção em 2026, enquanto inaugura o Beja Jardim com procura acima da capacidade. Setor de retalho cresceu 20% em afluência e 20-30% em faturação anual, atingindo quase 20 milhões de euros, com 90 novas lojas abertas no ano anterior.
O grupo Névoa, com forte presença em Portugal, pretende concluir uma nova aquisição no setor de retalho ainda este ano, após crescimento de 20-30% na faturação anual.
O Grupo Névoa, nascido em Braga e hoje com uma pegada multissetorial em Portugal, está a preparar mais um movimento no retalho antes de dezembro. A empresa, que trabalha em construção, promoção imobiliária e gestão de ativos, tem feito da discrição uma estratégia — compra negócios já estabelecidos no mercado e depois os revitaliza. A mais recente aquisição foi o negócio da SGS Car em Palmela, mas o apetite por crescimento no setor de retalho está longe de saciado.
Mónica Paiva, diretora de retail do grupo, explicou ao Jornal Económico como funciona esta abordagem. Quando o Névoa adquire um ativo, o objetivo é colocá-lo de novo no mapa — melhorar a sua visibilidade, a sua performance, a forma como se apresenta ao mercado. "Voltamos a pôr o ativo no mapa, e é aí que marcamos a diferença como player", disse. Neste momento, o grupo está a analisar três ou quatro ativos semelhantes aos que já possui, e dois deles exigirão construção ainda este ano. A empresa gere diretamente alguns dos seus centros comerciais — Shopping Cidade do Porto, Mira Maia Shopping, Campera Outlet, Ferrara Plaza e Braga Retail — enquanto outros funcionam como ativos de rendimento, geridos por terceiros.
Os números do setor de retalho do Névoa falam por si. No ano passado, a empresa abriu 90 novas lojas. A afluência aos seus ativos cresceu 20% anualmente, enquanto a faturação disparou entre 20% e 30% por ano, atingindo quase 20 milhões de euros. Estes resultados refletem um negócio em expansão acelerada, ainda longe de estabilizar. "A performance dos nossos ativos ainda está a crescer, portanto ainda não estamos em velocidade cruzeiro, ainda estamos em crescimento até estabilizarmos", afirmou Paiva.
Antes de avançar com novas aquisições, o grupo vai inaugurar o Beja Jardim, um projeto que já enfrenta um problema de sucesso: tem mais operadores interessados em ocupar espaço do que lojas disponíveis. O overbooking é um sinal de que a estratégia está a funcionar. Mas o contexto macroeconómico está a pesar. Para 2026, as projeções apontam para um crescimento de 15% — uma desaceleração face aos anos anteriores. A incerteza trazida pelo conflito do Médio Oriente tem causado retração no negócio, afetando o comportamento dos consumidores e a confiança dos investidores.
Apesar destes ventos contrários, o Névoa mantém taxas de ocupação acima de 90% nos seus centros comerciais. Ainda assim, há espaço vazio para preencher. A empresa trabalha de perto com os seus lojistas — acompanhando a forma como apresentam as montras, ajudando a desenhar campanhas, investindo nas redes sociais. Cada ativo que o grupo adquire recebe atenção e investimento contínuo, o que explica por que razão os seus centros comerciais estão bem cotados no mercado. Paiva foi clara: este ano, o Névoa vai fazer mais uma aquisição. Não há data, mas há intenção.
Citações Notáveis
Voltamos a pôr o ativo no mapa, e é aí que marcamos a diferença como player— Mónica Paiva, diretora de retail do Grupo Névoa
A performance dos nossos ativos ainda está a crescer, portanto ainda não estamos em velocidade cruzeiro, ainda estamos em crescimento até estabilizarmos— Mónica Paiva