Um jovem trabalhador migrante cingalês de 24 anos enfrenta a pena de morte na Arábia Saudita após um comentário apagado no Facebook ter sido capturado e denunciado às autoridades. O caso de Anojan Sivarasa revela como a fronteira digital entre países pode transformar um impulso humano — a resposta raivosa numa discussão religiosa — numa sentença irreversível. Enquanto sua mãe implora misericórdia e diplomatas negociam em silêncio, a família perdeu até mesmo o contato com ele, suspensa entre a esperança e o desconhecido.
Imigrante cingalês condenado à morte na Arábia Saudita por comentário no Facebook
Imploro misericórdia pelos erros cometidos pelo meu filho
Como um comentário em uma rede social levou a uma condenação à morte?
Anojan respondeu a uma discussão religiosa com uma mensagem ofensiva contra o profeta Maomé. Ele apagou rapidamente e pediu desculpas, mas alguém capturou uma screenshot e a compartilhou. Pessoas no Sri Lanka a enviaram para sua empresa, que levou às autoridades sauditas.
Mas quem exatamente enviou? O irmão disse que não quer mencionar os nomes. Isso importa — precisamos saber se foi uma denúncia organizada ou espontânea.
E a pena inicial não era morte?
Não. Ele foi condenado a cinco anos de prisão e multa. Mas os promotores recorreram pedindo que o caso fosse julgado pela Sharia em vez da lei de crimes cibernéticos. O tribunal aceitou e elevou para pena de morte.
Então a mudança não foi automática — foi uma decisão deliberada dos promotores de recorrer. Isso é importante notar.
Qual é a situação agora?
Sua família perdeu contato com ele desde 28 de setembro. Uma equipe jurídica do Sri Lanka viajaria para a Arábia Saudita para negociar clemência com advogados locais. Nenhuma data de execução foi anunciada.
Mas "nenhuma data anunciada" não significa que não há data. Pode haver um processo em andamento que simplesmente não foi divulgado publicamente. Não sabemos.
Isso é comum na Arábia Saudita?
Não é raro. Mohammed Al Ghamdi, um professor aposentado, recebeu pena de morte em 2023 por comentários em redes sociais. A Anistia Internacional chamou de absurdo.
Mas quantos casos como esse existem? Dois casos não estabelecem um padrão. Precisaríamos de dados mais amplos para dizer se isso é sistemático ou excepcional.
Il Polso
- Um único comentário em tâmil, apagado minutos depois, foi capturado em screenshot e enviado por pessoas no Sri Lanka à empresa saudita onde Anojan trabalhava — desencadeando uma cadeia que o levou ao corredor da morte.
- O que começou como condenação a cinco anos de prisão foi transformado em pena de morte em setembro, quando promotores recorreram pedindo julgamento pela Sharia em vez da legislação sobre crimes cibernéticos.
- Desde 28 de setembro, a família perdeu todo contato com Anojan; presos no corredor da morte na Arábia Saudita normalmente perdem acesso ao celular, e ninguém sabe ao certo onde ele está.
- O governo do Sri Lanka mobilizou canais diplomáticos, líderes religiosos entregaram petições à Presidência e uma equipe jurídica viajou à Arábia Saudita — mas nenhuma data de execução foi anunciada e nenhum perdão foi confirmado.
- Organizações como a Anistia Internacional denunciam um padrão: o caso ecoa o de um professor saudita condenado à morte em 2023 por opiniões publicadas online, evidenciando o alcance letal das leis de blasfêmia aplicadas às redes sociais.
Um jovem trabalhador migrante cingalês de 24 anos enfrenta a pena de morte na Arábia Saudita após um comentário apagado no Facebook ter sido capturado e denunciado às autoridades. O caso de Anojan Sivarasa revela como a fronteira digital entre países pode transformar um impulso humano — a resposta raivosa numa discussão religiosa — numa sentença irreversível. Enquanto sua mãe implora misericórdia e diplomatas negociam em silêncio, a família perdeu até mesmo o contato com ele, suspensa entre a esperança e o desconhecido.
Anojan Sivarasa tinha 24 anos quando um comentário no Facebook o colocou numa cela de morte na Arábia Saudita. O jovem trabalhador migrante do Sri Lanka havia respondido a uma discussão religiosa nas redes sociais com uma mensagem em tâmil ofensiva ao profeta Maomé. Apagou o texto rapidamente e gravou um vídeo pedindo desculpas — mas alguém já havia tirado um screenshot. A imagem circulou, chegou à empresa onde ele trabalhava e, depois, às autoridades sauditas.
O contexto era uma onda de debates virtuais desencadeada por um vídeo viral no Sri Lanka. Durante as trocas acaloradas, ofensas contra divindades hindus foram publicadas, e Anojan respondeu com sua própria mensagem ofensiva, desta vez contra o Islã. Seu irmão Hamsidan revelou à BBC que foram pessoas no Sri Lanka — não sauditas — que enviaram e-mails denunciando o comentário à empresa onde Anojan trabalhava.
Preso em julho, Anojan teve seus dispositivos apreendidos e suas contas deletadas. O Tribunal Criminal de Al-Ahsa o condenou inicialmente a cinco anos de prisão e multa equivalente a cerca de 4 milhões de reais. Em setembro, porém, os promotores recorreram pedindo julgamento pela Sharia. O tribunal de apelação aceitou e elevou a pena para morte. Nenhuma data de execução foi fixada.
O governo do Sri Lanka reagiu com mobilização diplomática. O presidente se reuniu com a família, líderes religiosos budistas e hindus entregaram petições à Presidência e uma equipe jurídica de quatro integrantes viajou à Arábia Saudita para negociar com advogados locais. Mas em 28 de setembro, a família perdeu contato com Anojan — presos no corredor da morte normalmente perdem acesso ao celular. A mãe dele fez um apelo público: "Imploro misericórdia pelos erros do meu filho. Por favor, perdoem-no e mandem-no de volta para nós".
O caso não é isolado. Em 2023, um professor saudita aposentado foi condenado à morte por comentários em redes sociais. A Anistia Internacional classificou aquela decisão como absurda. Agora, enquanto diplomatas negociam em silêncio e a família aguarda notícias, ninguém sabe ao certo onde Anojan está — nem se ainda há tempo.
Anojan Sivarasa tinha 24 anos quando um comentário que escreveu no Facebook o levou a uma cela de morte na Arábia Saudita. O jovem trabalhador migrante do Sri Lanka respondeu a uma discussão religiosa nas redes sociais com uma mensagem em tâmil que insultava o profeta Maomé. Ele apagou a publicação rapidamente e gravou um vídeo pedindo desculpas, mas alguém já havia capturado uma screenshot. Essa imagem circulou, chegou à empresa onde ele trabalhava e, eventualmente, às autoridades sauditas.
Tudo começou em junho, quando imagens de um jovem muçulmano chutando um cachorro após a passagem de peregrinos hindus no Sri Lanka viralizaram e desencadearam um debate virtual sobre religião. Durante essa discussão, comentários ofensivos contra uma divindade hindu foram publicados. Anojan respondeu com sua própria mensagem ofensiva, desta vez contra o Islã. Seu irmão, Hamsidan Sivarasa, revelou à BBC que pessoas no Sri Lanka enviaram mensagens para a empresa onde Anojan trabalhava, denunciando o comentário. "As pessoas na Arábia Saudita não sabiam nada sobre esse assunto. Foram pessoas no Sri Lanka que enviaram e-mails para a empresa onde meu irmão trabalhava", disse Hamsidan.
Anojan foi preso em julho. Seus dispositivos pessoais foram apreendidos e suas contas nas redes sociais foram deletadas pelas autoridades. O Tribunal Criminal de Al-Ahsa o condenou inicialmente a cinco anos de prisão e uma multa de 3 milhões de riais sauditas, aproximadamente 4 milhões de reais. Mas em 17 de setembro, os promotores recorreram da sentença, pedindo que o caso fosse julgado sob a Sharia em vez da legislação saudita sobre crimes cibernéticos. O tribunal de apelação aceitou o pedido e elevou a punição para pena de morte. Nenhuma data de execução foi anunciada.
O governo do Sri Lanka mobilizou esforços diplomáticos para obter clemência. O presidente Anura Kumara Dissanayake se reuniu com a família de Anojan em 21 de setembro e prometeu mobilizar canais diplomáticos para negociar com as autoridades sauditas. Líderes religiosos budistas e hindus entregaram um documento à Secretaria Presidencial pedindo intervenção urgente. Uma equipe jurídica de quatro integrantes, incluindo o advogado Upul Kumarapperuma, viajaria para a Arábia Saudita naquela semana para se reunir com os advogados locais responsáveis pela defesa de Anojan.
Mas a comunicação entre Anojan e sua família foi interrompida. Em 28 de setembro, Hamsidan afirmou que seu irmão não ligava há dois dias. A família procurou a embaixada pedindo que verificassem o que estava acontecendo. Presos no corredor da morte na Arábia Saudita normalmente perdem acesso aos seus celulares, e qualquer contato passa a depender da intermediação das autoridades penitenciárias. A mãe de Anojan, Rasamanickam Yogalakshmi, fez um apelo público: "Imploro misericórdia pelos erros cometidos pelo meu filho. Por favor, perdoem-no e mandem-no de volta para nós".
O caso provocou mobilização no Sri Lanka e críticas de organizações de direitos humanos à aplicação de penas severas na Arábia Saudita por manifestações na internet. Não é um caso isolado. Mohammed Al Ghamdi, professor saudita aposentado, recebeu pena de morte em julho de 2023 por comentários publicados em redes sociais. Philip Luther, diretor de Pesquisa e Advocacia da Anistia Internacional para o Oriente Médio e o Norte da África, classificou aquela decisão como absurda, afirmando que o homem era acusado simplesmente de expressar suas opiniões online.
O governo do Sri Lanka pediu aos parentes de Anojan que evitem novas declarações públicas enquanto os esforços diplomáticos continuam. Não há clareza sobre se a execução ocorrerá ou quando. A família e o governo continuam tentando obter um perdão, mas desde 28 de setembro, ninguém sabe exatamente onde Anojan está ou como ele está.
Citazioni salienti
As pessoas na Arábia Saudita não sabiam nada sobre esse assunto. Foram pessoas no Sri Lanka que enviaram e-mails para a empresa onde meu irmão trabalhava— Hamsidan Sivarasa, irmão de Anojan, à BBC Sinhala
Imploro misericórdia pelos erros cometidos pelo meu filho. Por favor, perdoem-no e mandem-no de volta para nós— Rasamanickam Yogalakshmi, mãe de Anojan