Maricarmen vivia no mesmo imóvel há sete décadas, pagava aluguel regularmente, mas foi despejada após empresa comprar o apartamento e iniciar disputa judicial de seis anos. Seu caso provocou onda de protestos em Madri e outras cidades espanholas, ampliando debate sobre crise habitacional, aumento de aluguéis e direito à moradia no país.
Maricarmen Abascal, símbolo da luta contra despejos na Espanha, morre aos 87 anos
Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês
Por que o caso de uma idosa despejada de seu apartamento se tornou tão importante na Espanha?
Porque Maricarmen não era apenas uma vítima isolada. Ela representava algo maior — sete décadas de estabilidade, de cumprir suas obrigações, e ainda assim perder tudo. Isso tocou um nervo nacional sobre a crise habitacional.
Mas precisamos ser claros: o que sabemos é que ela foi despejada e morreu duas semanas depois. A causa da morte não foi divulgada. Não podemos afirmar com certeza que o despejo a matou.
Entendo. Mas os protestos que surgiram — eles eram apenas sobre ela, ou havia algo mais?
Muito mais. Os manifestantes começaram a falar sobre aluguéis crescentes, despejos em massa, a falta de moradia acessível. Maricarmen se tornou o rosto de um problema sistêmico.
E é importante notar que a empresa proprietária ofereceu um novo contrato enquanto ela estava no hospital. Isso mostra que a pressão funcionou, mas também que a solução veio tarde demais.
Ela sabia que havia uma chance de voltar para casa?
Sim. Mesmo internada, ela acompanhava os protestos e enviava mensagens. Mas sua saúde já havia se deteriorado muito — usava cadeira de rodas, tinha dificuldades para se alimentar.
O jornal El País documentou isso, mas novamente: não temos a causa oficial da morte. Podemos inferir uma conexão entre o trauma e a deterioração de saúde, mas não é um fato confirmado.
Qual foi a última coisa que ela disse?
Pediu coragem aos manifestantes. "Lutem, defendam o que é de vocês." Mesmo no hospital, ela pensava nos outros, não em si mesma.
E a família confirmou que ela continuou acompanhando a mobilização até o fim. Isso é documentado e importante para entender quem ela era.
Il Polso
- Maricarmen Abascal viveu no mesmo apartamento em Madri por 70 anos
- Foi despejada em 23 de setembro de 2026 e morreu em 7 de outubro, aos 87 anos
- Disputa judicial durou seis anos; enfrentou quatro tentativas de despejo
- Recebia aposentadoria de 1.400 euros mensais; aluguel era aproximadamente 500 euros
- Seu caso desencadeou protestos em Madri e outras cidades espanholas sobre crise habitacional
Maricarmen vivia no mesmo imóvel há sete décadas, pagava aluguel regularmente, mas foi despejada após empresa comprar o apartamento e iniciar disputa judicial de seis anos. Seu caso provocou onda de protestos em Madri e outras cidades espanholas, ampliando debate sobre crise habitacional, aumento de aluguéis e direito à moradia no país.
Maricarmen Abascal, 87 anos, morreu duas semanas após ser despejada do apartamento onde viveu 70 anos em Madri, tornando-se símbolo da crise habitacional espanhola e desencadeando protestos nacionais.
Maricarmen Abascal morreu na quarta-feira, 7 de outubro, aos 87 anos, internada no Hospital Gregorio Marañón em Madri. Duas semanas antes, no dia 23 de setembro, ela havia sido despejada do apartamento onde viveu durante sete décadas. A morte foi confirmada pela família e pelo Sindicato de Inquilinos da Espanha, embora a causa não tenha sido divulgada.
O apartamento havia sido sua casa por 70 anos. Maricarmen nunca deixou de pagar o aluguel — recebia uma aposentadoria de 1.400 euros mensais e gastava aproximadamente 500 euros com aluguel e despesas relacionadas ao imóvel. Seis anos antes do despejo, uma empresa comprou o apartamento por um valor abaixo do preço de mercado, justamente porque a idosa o ocupava. Em 2020, os proprietários informaram que ela precisaria sair. A justificativa era que o contrato antigo havia sido transferido duas vezes — primeiro para a mãe de Maricarmen, depois para ela própria. O que se seguiu foi uma longa batalha nos tribunais. Ao longo dos anos, a idosa enfrentou quatro tentativas de despejo. Lhe ofereceram propostas para comprar o apartamento ou assinar um novo contrato, mas uma das opções exigia aluguel mensal de 1.600 euros — valor superior ao que recebia de aposentadoria.
O caso de Maricarmen transformou-se em símbolo nacional. Quando foi retirada do apartamento em 23 de setembro, manifestantes organizaram atos e acampamentos em Madri, pressionando por uma solução que lhe permitisse retornar. Os protestos se expandiram para outras cidades espanholas e passaram a abordar questões mais amplas: o aumento dos aluguéis, os despejos em massa e a crise habitacional que assola o país. A mobilização ganhou força e chegou às redes sociais. Mesmo internada, Maricarmen acompanhava os manifestantes e enviava mensagens de encorajamento. Em um vídeo gravado no hospital, ela disse: "Eu gostaria de estar aí com vocês, acompanhando o acampamento e a luta. Mas não tenho essa sorte. Por isso, peço coragem a todos. Lutem, defendam o que é de vocês e, por favor, tenham cuidado".
Os anos de disputa judicial e a saída forçada do apartamento deterioraram sua saúde. Segundo o jornal El País, ela utilizava cadeira de rodas e precisava de ajuda para atividades cotidianas. Perdeu massa muscular e passou a ter dificuldades para se alimentar. Dois dias antes de deixar o imóvel, Maricarmen falou sobre o impacto emocional: "Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu".
Em meio à pressão dos protestos, a empresa proprietária do apartamento aceitou oferecer um novo contrato para que Maricarmen pudesse retornar. O acordo foi fechado enquanto ela estava hospitalizada. Mas chegou tarde demais. A idosa morreu antes de conseguir voltar para casa.
A família relembrou uma frase que Maricarmen costumava repetir aos manifestantes: "Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês". Sua morte reforçou a urgência do debate sobre políticas habitacionais na Espanha e consolidou seu legado como símbolo da luta pelo direito à moradia.
Citazioni salienti
Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu— Maricarmen Abascal, dois dias antes de deixar o apartamento
Eu gostaria de estar aí com vocês, acompanhando o acampamento e a luta. Mas não tenho essa sorte. Por isso, peço coragem a todos. Lutem, defendam o que é de vocês e, por favor, tenham cuidado— Maricarmen Abascal, em vídeo gravado no hospital