Maricarmen Abascal, símbolo da luta contra despejos na Espanha, morre aos 87 anos

Maricarmen Abascal faleceu aos 87 anos duas semanas após despejo forçado, após deterioração de saúde causada por anos de disputa judicial e perda de residência de sete décadas.
Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês
Frase que Maricarmen repetia aos manifestantes e que a família relembrou após sua morte.
Mark

Por que o caso de uma idosa despejada de seu apartamento se tornou tão importante na Espanha?

Mimi

Porque Maricarmen não era apenas uma vítima isolada. Ela representava algo maior — sete décadas de estabilidade, de cumprir suas obrigações, e ainda assim perder tudo. Isso tocou um nervo nacional sobre a crise habitacional.

Luke

Mas precisamos ser claros: o que sabemos é que ela foi despejada e morreu duas semanas depois. A causa da morte não foi divulgada. Não podemos afirmar com certeza que o despejo a matou.

Mark

Entendo. Mas os protestos que surgiram — eles eram apenas sobre ela, ou havia algo mais?

Mimi

Muito mais. Os manifestantes começaram a falar sobre aluguéis crescentes, despejos em massa, a falta de moradia acessível. Maricarmen se tornou o rosto de um problema sistêmico.

Luke

E é importante notar que a empresa proprietária ofereceu um novo contrato enquanto ela estava no hospital. Isso mostra que a pressão funcionou, mas também que a solução veio tarde demais.

Mark

Ela sabia que havia uma chance de voltar para casa?

Mimi

Sim. Mesmo internada, ela acompanhava os protestos e enviava mensagens. Mas sua saúde já havia se deteriorado muito — usava cadeira de rodas, tinha dificuldades para se alimentar.

Luke

O jornal El País documentou isso, mas novamente: não temos a causa oficial da morte. Podemos inferir uma conexão entre o trauma e a deterioração de saúde, mas não é um fato confirmado.

Mark

Qual foi a última coisa que ela disse?

Mimi

Pediu coragem aos manifestantes. "Lutem, defendam o que é de vocês." Mesmo no hospital, ela pensava nos outros, não em si mesma.

Luke

E a família confirmou que ela continuou acompanhando a mobilização até o fim. Isso é documentado e importante para entender quem ela era.

  • Maricarmen Abascal viveu no mesmo apartamento em Madri por 70 anos
  • Foi despejada em 23 de setembro de 2026 e morreu em 7 de outubro, aos 87 anos
  • Disputa judicial durou seis anos; enfrentou quatro tentativas de despejo
  • Recebia aposentadoria de 1.400 euros mensais; aluguel era aproximadamente 500 euros
  • Seu caso desencadeou protestos em Madri e outras cidades espanholas sobre crise habitacional

Maricarmen vivia no mesmo imóvel há sete décadas, pagava aluguel regularmente, mas foi despejada após empresa comprar o apartamento e iniciar disputa judicial de seis anos. Seu caso provocou onda de protestos em Madri e outras cidades espanholas, ampliando debate sobre crise habitacional, aumento de aluguéis e direito à moradia no país.

Maricarmen Abascal, 87 anos, morreu duas semanas após ser despejada do apartamento onde viveu 70 anos em Madri, tornando-se símbolo da crise habitacional espanhola e desencadeando protestos nacionais.

Maricarmen Abascal morreu na quarta-feira, 7 de outubro, aos 87 anos, internada no Hospital Gregorio Marañón em Madri. Duas semanas antes, no dia 23 de setembro, ela havia sido despejada do apartamento onde viveu durante sete décadas. A morte foi confirmada pela família e pelo Sindicato de Inquilinos da Espanha, embora a causa não tenha sido divulgada.

O apartamento havia sido sua casa por 70 anos. Maricarmen nunca deixou de pagar o aluguel — recebia uma aposentadoria de 1.400 euros mensais e gastava aproximadamente 500 euros com aluguel e despesas relacionadas ao imóvel. Seis anos antes do despejo, uma empresa comprou o apartamento por um valor abaixo do preço de mercado, justamente porque a idosa o ocupava. Em 2020, os proprietários informaram que ela precisaria sair. A justificativa era que o contrato antigo havia sido transferido duas vezes — primeiro para a mãe de Maricarmen, depois para ela própria. O que se seguiu foi uma longa batalha nos tribunais. Ao longo dos anos, a idosa enfrentou quatro tentativas de despejo. Lhe ofereceram propostas para comprar o apartamento ou assinar um novo contrato, mas uma das opções exigia aluguel mensal de 1.600 euros — valor superior ao que recebia de aposentadoria.

O caso de Maricarmen transformou-se em símbolo nacional. Quando foi retirada do apartamento em 23 de setembro, manifestantes organizaram atos e acampamentos em Madri, pressionando por uma solução que lhe permitisse retornar. Os protestos se expandiram para outras cidades espanholas e passaram a abordar questões mais amplas: o aumento dos aluguéis, os despejos em massa e a crise habitacional que assola o país. A mobilização ganhou força e chegou às redes sociais. Mesmo internada, Maricarmen acompanhava os manifestantes e enviava mensagens de encorajamento. Em um vídeo gravado no hospital, ela disse: "Eu gostaria de estar aí com vocês, acompanhando o acampamento e a luta. Mas não tenho essa sorte. Por isso, peço coragem a todos. Lutem, defendam o que é de vocês e, por favor, tenham cuidado".

Os anos de disputa judicial e a saída forçada do apartamento deterioraram sua saúde. Segundo o jornal El País, ela utilizava cadeira de rodas e precisava de ajuda para atividades cotidianas. Perdeu massa muscular e passou a ter dificuldades para se alimentar. Dois dias antes de deixar o imóvel, Maricarmen falou sobre o impacto emocional: "Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu".

Em meio à pressão dos protestos, a empresa proprietária do apartamento aceitou oferecer um novo contrato para que Maricarmen pudesse retornar. O acordo foi fechado enquanto ela estava hospitalizada. Mas chegou tarde demais. A idosa morreu antes de conseguir voltar para casa.

A família relembrou uma frase que Maricarmen costumava repetir aos manifestantes: "Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês". Sua morte reforçou a urgência do debate sobre políticas habitacionais na Espanha e consolidou seu legado como símbolo da luta pelo direito à moradia.

Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu
— Maricarmen Abascal, dois dias antes de deixar o apartamento
Eu gostaria de estar aí com vocês, acompanhando o acampamento e a luta. Mas não tenho essa sorte. Por isso, peço coragem a todos. Lutem, defendam o que é de vocês e, por favor, tenham cuidado
— Maricarmen Abascal, em vídeo gravado no hospital
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su A Tarde ↗
Contattaci Domande frequenti