ICTSI aciona reguladores após saída da MSC do Tecon Suape

Elevar artificialmente os custos do concorrente público para consolidar monopólio privado
A acusação central da ICTSI contra a Maersk, protocolada nos órgãos reguladores.
Mark

Por que a ICTSI aciona três órgãos diferentes ao mesmo tempo? Não seria mais eficaz focar em um?

Mimi

Cada órgão tem jurisdição sobre um aspecto diferente. O TCU fiscaliza a gestão de recursos públicos, a Antaq regula contratos portuários, o Cade investiga práticas anticompetitivas. A estratégia é cercar o problema por todos os ângulos legais disponíveis.

Mark

A Maersk realmente tem poder de monopólio em Suape, ou a ICTSI está exagerando?

Mimi

Essa é a questão central. A ICTSI controla o terminal público, a Maersk agora controla o privado. Se a Maersk conseguir atrair todos os grandes armadores, o terminal público fica inviável. Mas os concorrentes da ICTSI dizem que o terminal público é caro demais — então talvez a saída da MSC seja racional, não predatória.

Mark

E se a ICTSI estiver certa? Qual seria o dano?

Mimi

Um porto público esvaziado, controlado por uma empresa estrangeira que não consegue competir. Suape deixaria de ser uma alternativa ao setor privado. A região perderia redundância portuária.

Mark

Por que MSC e Maersk não comentam?

Mimi

Porque qualquer palavra pode ser usada contra elas nos processos. O silêncio é tática defensiva. Deixam a ICTSI falar sozinha enquanto aguardam as decisões regulatórias.

Mark

Quanto tempo leva para o Cade investigar algo assim?

Mimi

Meses, talvez anos. Nesse meio tempo, a Maersk continua operando, a MSC já saiu. A ICTSI pediu medida cautelar justamente para congelar a situação enquanto se investiga.

  • A saída da MSC do terminal público Tecon Suape, em Pernambuco, ameaça a viabilidade econômica da operação controlada pela ICTSI, que pode perder volume histórico de carga de forma irreversível.
  • A ICTSI acusa a Maersk de elevar artificialmente os custos do concorrente público e de fazer ofertas agressivas a outros armadores, como a Hapag-Lloyd, para capturar cargas e consolidar um monopólio privado na região.
  • O fato de MSC e Maersk serem sócias no terminal BTP, em Santos, alimenta a suspeita de uma estratégia coordenada de concentração — o que a ICTSI apresenta como evidência central de conduta anticompetitiva.
  • Maersk e MSC permanecem em silêncio, enquanto concorrentes do setor defendem que a mudança é apenas uma decisão comercial racional, citando estudo da FGV que classifica o Tecon Suape como o terminal mais caro do Brasil.
  • A ICTSI pede cautelar à Antaq para congelar o volume histórico de carga, revisão das autorizações do TUP no TCU e abertura de investigação por abuso de posição dominante no Cade.

No litoral pernambucano, uma disputa entre terminais portuários revela tensões mais profundas sobre os limites entre concorrência legítima e abuso de posição dominante. A ICTSI, operadora filipina do terminal público Tecon Suape, acionou o TCU, a Antaq e o Cade após a MSC anunciar que migrará suas cargas para o terminal privado da Maersk — movimento que, para a empresa, não é uma escolha comercial, mas uma estratégia coordenada de exclusão. O que está em julgamento não é apenas um contrato portuário, mas a pergunta perene sobre quem, afinal, controla o acesso às infraestruturas essenciais de um país.

Na sexta-feira 21 de agosto, a ICTSI — empresa filipina que opera o terminal público Tecon Suape, em Pernambuco — protocolou representações simultâneas no TCU, na Antaq e no Cade. O gatilho foi uma comunicação da TiL, braço brasileiro da MSC, informando que a armadora suíça deixaria de operar no porto público para transferir suas cargas ao terminal privado da Maersk, a APM Terminals, instalada na área do antigo Estaleiro Atlântico Sul.

Para a ICTSI, a decisão não tem explicação puramente comercial. A empresa sustenta que não havia demanda reprimida em Suape que justificasse a criação de um novo terminal privado, e que o verdadeiro objetivo da Maersk seria encarecer artificialmente a operação do concorrente público até torná-la inviável. A empresa também aponta que MSC e Maersk são sócias no terminal BTP, em Santos, o que reforçaria uma estratégia coordenada de concentração — e acusa a Maersk de fazer ofertas agressivas a outros armadores, como a Hapag-Lloyd, para capturar volume de carga.

Os adversários da ICTSI narram os fatos de outra forma: citam um levantamento da FGV Transportes de 2019 que classifica o Tecon Suape como o terminal mais caro do país e defendem que a saída da MSC é simplesmente racional do ponto de vista econômico. A ICTSI rejeita o estudo, considerando-o equivocado e desatualizado. Maersk e MSC não se manifestaram.

Os pedidos da empresa filipina são abrangentes: à Antaq, solicita revisão do contrato do terminal privado, processo sancionador e medida cautelar para preservar o volume histórico de carga da MSC no terminal público; ao TCU, pede revisão das autorizações concedidas à APM Terminals; ao Cade, requer investigação por abuso de posição dominante. O desfecho dos processos definirá se a Maersk consolida sua presença privada em Suape ou se os órgãos reguladores impõem limites a essa expansão.

Na sexta-feira 21 de agosto, a ICTSI — empresa filipina que controla o terminal Tecon Suape em Pernambuco — protocolou representações junto a três órgãos reguladores brasileiros: o Tribunal de Contas da União, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O gatilho foi uma comunicação recebida da TiL, braço brasileiro da armadora suíça MSC, informando que a empresa deixaria de operar no porto público e transferiria suas cargas para um novo terminal privado operado pela Maersk, armadora dinamarquesa.

A mudança representa uma reconfiguração significativa no porto de Suape. A MSC, que já movimentava contêineres no terminal público, passará a usar exclusivamente as instalações privadas da Maersk — especificamente o TUP, Terminal de Uso Privado, operado pela subsidiária brasileira APM Terminals, localizado dentro da área do antigo Estaleiro Atlântico Sul. Para a ICTSI, essa decisão não é meramente comercial. A empresa argumenta que não havia demanda reprimida em Suape que justificasse a criação de um novo terminal, e que o verdadeiro objetivo da Maersk seria elevar artificialmente os custos do concorrente público para expulsá-lo do mercado e consolidar um monopólio privado na região.

Nas três petições protocoladas, a ICTSI sustenta essa tese com vigor. Além disso, acusa a Maersk de fazer ofertas comerciais agressivas a outros armadores, como a Hapag-Lloyd, na tentativa de capturar volume de carga. A empresa também aponta que MSC e Maersk são sócias no terminal BTP, localizado em Santos, o que reforçaria, segundo a ICTSI, uma estratégia coordenada de concentração.

Os concorrentes da ICTSI, porém, contam uma história diferente. Outros terminais reclamam da eficiência operacional do Tecon Suape e citam um levantamento da FGV Transportes de 2019 para sustentar que se trata do terminal mais caro do país. Para eles, a saída da MSC seria simplesmente uma decisão comercial racional, não um movimento anticompetitivo. A ICTSI rejeita esse diagnóstico, considerando o estudo equivocado e desatualizado.

Quando procuradas para comentar, a Maersk recusou-se a falar. A MSC não respondeu até o momento da publicação. O silêncio das duas empresas contrasta com a agressividade das ações regulatórias da ICTSI.

Os pedidos específicos da empresa filipina são claros e abrangentes. À Antaq, solicita revisão do contrato de adesão do terminal privado, abertura de processo sancionador e uma medida cautelar que impeça a Maersk de retirar do Tecon Suape o volume histórico de carga que a MSC movimentava. Ao TCU, pede revisão das autorizações concedidas à APM Terminals para instalar o TUP. Ao Cade, peticionam pela instauração de processo investigativo por abuso de posição dominante.

O que está em jogo é a viabilidade econômica do porto público de Suape. Para a ICTSI, as mudanças anunciadas inviabilizam a operação. O resultado dos processos regulatórios pode determinar se a Maersk consegue consolidar sua presença privada na região ou se será obrigada a recuar diante de restrições impostas pelos órgãos de defesa da concorrência.

O real objetivo da Maersk seria elevar artificialmente os custos do concorrente público para excluí-lo do mercado e consolidar monopólio privado na região
— ICTSI, nas representações protocoladas
A mudança seria meramente uma decisão comercial, não concorrencial
— Outros terminais, nos bastidores
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