Ibovespa sobe 2,41% com recompra de títulos dos EUA após 11 quedas

Qualquer notícia positiva gera alívio após onze pregões de queda
O Ibovespa recuperou-se brevemente, mas analistas alertam que a alta pode ser temporária diante de incertezas macroeconômicas.
Mark

Por que a recompra de títulos americanos move o mercado brasileiro?

Mimi

Porque quando o Tesouro americano compra ativamente seus próprios títulos, força os rendimentos para baixo. Com juros menores nos EUA, o dólar fica menos atraente, e o capital estrangeiro volta a procurar retornos em outros lugares — como aqui.

Mark

Mas isso não deveria ser bom para o Brasil?

Mimi

Deveria, em tese. E foi, por algumas horas. Mas o mercado sabe que essa demanda é artificial, temporária. O que realmente importa é se o Fed vai cortar ou subir juros, e isso segue incerto.

Mark

Então por que o índice subiu se o cenário é tão ruim?

Mimi

Porque onze pregões de queda criam uma situação extrema. Qualquer notícia positiva, mesmo pequena, gera alívio. É como respirar depois de estar preso — você respira fundo, mas ainda está em perigo.

Mark

O que preocupa mais os investidores agora?

Mimi

Três coisas: a geopolítica no Oriente Médio, que afasta risco; a inflação desancorada no Brasil; e a incerteza sobre o que o governo fará após as eleições do próximo ano.

Mark

Então essa alta pode desaparecer rapidamente?

Mimi

Muito provavelmente. A menos que algo mude fundamentalmente — juros caindo de verdade, ou sinais claros de que a inflação brasileira está sob controle — o mercado voltará a vender.

  • O Ibovespa acumulava queda de 6,55% em onze pregões seguidos, a pior sequência desde 2023, com saída de 18,1 bilhões de reais em capital estrangeiro só em agosto.
  • A recompra de títulos pelo Tesouro dos EUA derrubou os yields americanos e fez o dólar recuar, invertendo momentaneamente o fluxo negativo de investidores externos para o Brasil.
  • Vale subiu mais de 2,5% e Petrobras e bancos acompanharam, puxando o índice até a máxima de 170 mil pontos antes de recuar ao fechamento de 167.830.
  • A ata do Fed sinalizou possibilidade de alta de juros se a inflação persistir, mas analistas como Luis Ferreira, do EFG, descartam movimentos antes de dezembro diante de dados econômicos fracos.
  • Gustavo Bertotti, da Fami Capital, foi categórico: a alta de hoje não representa reversão de tendência, com geopolítica, risco fiscal e incerteza eleitoral brasileira ainda afastando capital de risco.

Após onze pregões consecutivos de queda — a maior sequência de perdas diárias desde 2023 — o Ibovespa encontrou fôlego nesta quarta-feira, fechando em alta de 0,90% aos 167.830 pontos. O impulso veio de fora: a recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro americano reduziu os yields, enfraqueceu o dólar e reabriu, ainda que brevemente, a porta para o capital estrangeiro retornar ao Brasil. É o tipo de alívio que os mercados reconhecem como necessário, mas que os analistas mais experientes tratam com cautela — pois as forças que pressionam o país, do cenário fiscal ao eleitoral, permanecem intactas.

O Ibovespa respirou nesta quarta-feira após onze pregões seguidos no vermelho. O índice fechou em alta de 0,90%, aos 167.830 pontos, com giro de cerca de 18 bilhões de reais. Na máxima do dia, chegou aos 170 mil pontos, puxado por Vale, que valorizou mais de 2,5%, e pelo avanço de Petrobras e do setor bancário.

O gatilho veio de Washington. O Tesouro americano anunciou a recompra de títulos de longo prazo, mecanismo que força os preços desses papéis para cima e, consequentemente, derruba seus rendimentos. Com os yields americanos em queda, o dólar recuou frente ao real, reabrindo espaço para o retorno do capital estrangeiro — que havia deixado o Brasil em 18,1 bilhões de reais só em agosto. Rebecca Nossig, da Nomad, explicou a lógica: preço e taxa de retorno caminham em direções opostas.

A tarde, porém, trouxe complexidade. A ata do Federal Open Market Committee manteve aberta a possibilidade de alta de juros caso a inflação persista. Luis Ferreira, do banco suíço EFG, leu o documento com ceticismo: dados mais fracos de emprego, inflação contida e varejo fraco limitam o peso real das minutas. Sua leitura é que o Fed não agirá antes de dezembro.

A dúvida central permanece: a alta durará? Gustavo Bertotti, da Fami Capital, foi direto ao ponto — o movimento de hoje está longe de sinalizar reversão de tendência. O ambiente geopolítico segue hostil, e o Brasil carrega seus próprios fardos: expectativas de inflação desancoradas, agenda fiscal sob pressão e incerteza sobre os juros no horizonte pós-eleitoral. Gabriel Mollo, da Daycoval, resumiu o impasse: a desaceleração da atividade favorece cortes na Selic, mas o prêmio de risco elevado joga na direção contrária. Nesta quarta, o alívio venceu — mas por quanto tempo, ninguém sabe responder.

O Ibovespa respirou fundo nesta quarta-feira após onze pregões seguidos de queda. O índice fechou em alta de 0,90%, alcançando 167.830 pontos, com giro de cerca de 18 bilhões de reais — um movimento modesto em volume, mas significativo em direção. Na máxima do dia, chegou aos 170 mil pontos.

A recuperação foi puxada pelos pesos pesados do mercado. Vale valorizou-se mais de 2,5%, enquanto Petrobras e o setor bancário também subiram, carregando o índice para cima. Mas o que realmente moveu o pregão veio de fora — especificamente, de Washington. O Tesouro americano anunciou uma recompra ativa de títulos de longo prazo, um movimento que funciona como uma injeção de demanda artificial no mercado de renda fixa dos EUA. Quando o governo compra esses papéis, força os preços para cima e, consequentemente, os rendimentos para baixo. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, explicou o mecanismo: preço e taxa de retorno caminham em direções opostas, então a recompra pressiona os yields para baixo.

Com os rendimentos americanos caindo, o dólar recuou frente ao real e a outras moedas globais. Isso abriu a porta para o capital estrangeiro voltar ao Brasil. Nas últimas semanas, o fluxo de investidores externos tinha sido negativo — em agosto, até a última sexta-feira, a saída acumulada era de 18,1 bilhões de reais. Nesta quarta, a maré virou, ainda que temporariamente.

Mas a tarde trouxe nuances. A ata da última reunião do Federal Open Market Committee mostrou que membros do comitê mantêm a possibilidade de alta de juros se a inflação persistir. Quando o chairman do Fed, Kevin Warsh, não fez comentários adicionais, os títulos mais longos voltaram a acelerar. Luis Ferreira, diretor de investimentos do private banking suíço EFG, leu a situação com ceticismo: apesar do tom hawkish das minutas, dados mais fracos de emprego, inflação contida e vendas no varejo fracas limitam o peso prospectivo do documento. Sua conclusão: o Fed não subirá taxas em setembro nem outubro, apenas em dezembro.

A questão que paira é se essa alta durará. Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, foi direto: o movimento de hoje está longe de representar uma reversão de tendência. O ambiente geopolítico segue desfavorável — os conflitos inacabados entre EUA e Irã no Oriente Médio continuam afastando investidores de mercados mais arriscados. E há o fator Brasil. A renda variável brasileira permanece refém das decisões de política monetária que virão após as eleições do próximo ano, enquanto o cenário macroeconômico se deteriora: expectativas de inflação desancoradas, preocupações com a agenda fiscal e incerteza sobre a trajetória dos juros.

Os números recentes pintam o contexto. Nos últimos onze pregões, o Ibovespa acumulou queda de 6,55% — a maior série de perdas diárias consecutivas desde 2023. A saída de capital externo, as incertezas eleitorais e as dúvidas sobre os juros futuros formaram a tempestade. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, resumiu a divisão do mercado: de um lado, a desaceleração da atividade que favoreceria novos cortes da Selic; do outro, o prêmio de risco elevado provocado pelo cenário fiscal e eleitoral. Nesta quarta, o primeiro lado venceu — mas por quanto tempo é a pergunta que ninguém consegue responder com segurança.

Quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos. Como o preço e a taxa de retorno caminham em direções opostas, essa recompra força os yields para baixo.
— Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad
Apesar de considerarmos o tom hawkish das minutas, o documento antecede dados mais fracos de emprego, leituras de inflação mais contidas e vendas no varejo fracas, o que limita sua relevância prospectiva. Seguimos com a opinião que o Fed não subirá taxas nas reuniões de setembro nem outubro, somente em dezembro.
— Luis Ferreira, diretor de investimentos do private banking suíço EFG
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