No primeiro pregão de 2021, os mercados brasileiros encontraram fôlego após uma sexta-feira de perdas expressivas: o Ibovespa avançou 2,13% e o dólar recuou ante o real, num movimento que refletia tanto alívio técnico quanto a esperança de que reformas estruturais pudessem finalmente ganhar tração. A Eletrobras liderou os ganhos com quase 9%, enquanto Brasília se preparava para eleições legislativas que, aos olhos dos investidores, definiriam o ritmo e a seriedade da agenda econômica do país. Entre a pandemia ainda presente, a incerteza sobre o auxílio emergencial e a sinalização do Banco Cent
Bolsa sobe 2,13% e dólar cai para R$ 5,450 em dia de otimismo nos mercados
O mercado respirava aliviado, mas com os olhos bem abertos
Por que o mercado reagiu tão positivamente naquele dia, se havia tantas incertezas?
Porque havia dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo. Primeiro, um alívio técnico depois de uma queda brusca na sexta. Segundo, e mais importante, sinais de que a moeda poderia se fortalecer se os juros subissem. Isso dava esperança.
E as eleições do Congresso? Por que isso importava tanto para os investidores?
Porque reformas estruturais — tributária, administrativa, previdenciária — só saem com apoio do Congresso. Se houvesse um comando mais alinhado com a agenda de reformas, o mercado acreditava que o Brasil poderia se mexer.
Mas havia essa questão do auxílio emergencial. Como o mercado via isso?
Com nervosismo. Se o auxílio voltasse sem cortes em outras despesas, o teto de gastos poderia ser furado. Isso assustava porque significaria mais inflação, mais pressão no dólar, mais incerteza.
Então o otimismo era condicional?
Totalmente. Era um alívio momentâneo, mas com os olhos bem abertos para o que viria. O mercado estava dizendo: tudo bem, vamos respirar, mas vocês em Brasília precisam resolver isso.
E o que a remoção do "forward guidance" pelo Banco Central significava?
Significava que a porta estava aberta. O BC estava sinalizando que poderia subir juros se necessário. Para o mercado, isso era música aos ouvidos — juros mais altos atraem investimento estrangeiro e fortalecem a moeda.
Havia alguma coisa que pudesse estragar esse otimismo?
Muita coisa. A pandemia ainda estava longe de controlada. E em Brasília, havia uma tensão real entre a necessidade de ajuda social e a necessidade de responsabilidade fiscal. Aquele equilíbrio era frágil.
El Pulso
- Após a pior queda do Ibovespa desde meados de dezembro, o mercado abriu 2021 buscando recuperar o terreno perdido — e conseguiu, com alta de 2,13% e o dólar recuando para R$ 5,450.
- A Eletrobras disparou quase 9%, mas a Via Varejo caiu mais de 2%, revelando que o otimismo era seletivo e que nem todos os setores acreditavam igualmente na virada.
- O Banco Central removeu o 'forward guidance' de sua comunicação, abrindo a porta para alta da Selic — um sinal que os investidores leram como compromisso com a responsabilidade monetária.
- As eleições para as presidências da Câmara e do Senado dominavam o horizonte político: o mercado apostava que Arthur Lira e Rodrigo Pacheco poderiam destravar reformas há muito represadas.
- O retorno do auxílio emergencial pairava como uma ameaça ao teto de gastos, com Bolsonaro alertando para riscos fiscais e Guedes exigindo compensações — a tensão entre proteção social e equilíbrio das contas públicas estava longe de ser resolvida.
No primeiro pregão de 2021, os mercados brasileiros encontraram fôlego após uma sexta-feira de perdas expressivas: o Ibovespa avançou 2,13% e o dólar recuou ante o real, num movimento que refletia tanto alívio técnico quanto a esperança de que reformas estruturais pudessem finalmente ganhar tração. A Eletrobras liderou os ganhos com quase 9%, enquanto Brasília se preparava para eleições legislativas que, aos olhos dos investidores, definiriam o ritmo e a seriedade da agenda econômica do país. Entre a pandemia ainda presente, a incerteza sobre o auxílio emergencial e a sinalização do Banco Central de que os juros poderiam subir, o mercado navegava, como sempre, entre o medo e a esperança.
Os mercados brasileiros abriram 2021 com um suspiro de alívio. O Ibovespa fechou em alta de 2,13%, aos 117.517,57 pontos, revertendo parte das perdas de uma sexta-feira que havia sido a pior para o índice desde meados de dezembro. O dólar também recuou, sendo cotado a R$ 5,450 na venda. O movimento foi descrito por analistas como um reajuste técnico, impulsionado por expectativas de alta da taxa Selic ainda no primeiro semestre — perspectiva reforçada pela decisão do Banco Central de remover o chamado 'forward guidance' de sua última comunicação, sinalizando que a era dos juros na mínima histórica de 2% poderia estar chegando ao fim.
A recuperação, porém, não foi homogênea. As ações da Eletrobras lideraram os ganhos com alta de 8,98%, enquanto Via Varejo recuou 2,11%, lembrando que o otimismo tem endereço certo. Alejandro Ortiz, da Guide Investimentos, apontou que as eleições para as presidências da Câmara e do Senado eram o verdadeiro catalisador político do momento: Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, apontados como favoritos, carregavam consigo a promessa — ou ao menos a esperança — de destravar uma agenda de reformas que o mercado aguardava há anos.
Por trás do entusiasmo com reformas, havia uma questão mais imediata e politicamente explosiva: o auxílio emergencial. Encerrado em dezembro, o programa já sinalizava retorno à pauta assim que o Congresso voltasse ao trabalho. Bolsonaro alertava que sua continuidade 'quebraria o Brasil'; Guedes aceitava a possibilidade, desde que outras despesas fossem travadas. Os investidores observavam tudo isso com atenção, cientes de que o teto de gastos — e a credibilidade fiscal do país — estava em jogo. Naquele primeiro dia do ano, o mercado encontrou razões para acreditar. Mas sabia que as respostas verdadeiras ainda estavam por vir.
Os mercados brasileiros respiraram fundo naquele sábado. O Ibovespa, o termômetro da saúde econômica do país, fechou em alta de 2,13%, alcançando 117.517,57 pontos. Era um alívio visível depois de uma sexta-feira desastrosa, quando o índice havia despencado 3,21% para 115.067,55 pontos — seu pior nível desde meados de dezembro. O dólar, por sua vez, recuou 0,45% ante o real, sendo cotado a R$ 5,450 na venda, depois de ter fechado o dia anterior com valorização de 0,71% a R$ 5,475.
A recuperação não foi uniforme. As ações da Eletrobras lideraram o movimento de alta com ganho de 8,98%, enquanto os papéis da Via Varejo caíram 2,11%, sinalizando que nem todos os setores compartilhavam do otimismo. Mas o tom geral era de alívio. Os operadores de mercado acompanhavam com atenção os números da pandemia de covid-19 no mundo, e a sensação era de que o pior talvez estivesse ficando para trás — ou pelo menos, que havia espaço para respirar.
Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos, explicou à Reuters que havia "um movimento de reajuste, muito por fatores técnicos". Ele apontava para as expectativas de aumento da taxa Selic ainda no primeiro semestre como um fator de apoio para a moeda brasileira. O Banco Central, em sua última reunião de política monetária, havia mantido a taxa na mínima histórica de 2%, mas fez algo significativo: removeu do comunicado o "forward guidance", aquele compromisso de não elevar os juros enquanto certas condições estivessem satisfeitas. Era um sinal de que a porta estava aberta para mudanças.
Mas havia mais do que números de covid-19 e expectativas de juros movimentando os mercados. Em Brasília, todos os olhares estavam fixos nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. Arthur Lira, do PP de Alagoas, e Rodrigo Pacheco, do DEM de Minas Gerais, eram apontados como favoritos para comandar as duas Casas. O resultado dessas eleições importava porque, segundo Ortiz, tinha "como principal promessa destravar a agenda de reformas". Os mercados queriam ver movimento, queriam saber se o governo estava disposto a enfrentar a sustentabilidade das contas públicas.
Por trás dessa preocupação com reformas havia uma questão mais urgente e política: o auxílio emergencial. O programa havia sido encerrado em dezembro, mas já havia sinais de que voltaria à agenda com força quando os parlamentares retornassem ao trabalho. Candidatos ao comando das duas Casas já discutiam sua retomada. O presidente Jair Bolsonaro havia afirmado que a continuidade do auxílio "quebraria o Brasil" e teria consequências desastrosas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, era mais pragmático: se o auxílio fosse reeditado, que houvesse travamento de outras despesas. A questão era delicada porque havia temores de que o teto de gastos brasileiro fosse furado em 2021, e os investidores queriam certeza de que o governo levaria a sustentabilidade fiscal a sério.
No exterior, o dólar operava em leve alta contra uma cesta de moedas, mas o clima entre os operadores estava mais ameno. A semana anterior havia sido marcada por um frenesi impulsionado por redes sociais que havia abalado Wall Street, mas aquele momento parecia ter passado. Os investidores globais continuavam acompanhando de perto a disseminação da covid-19 e o ritmo da imunização, mas havia espaço para que outros temas — como a possibilidade de reformas estruturais no Brasil — ganhassem atenção. O mercado, afinal, vive de esperança e de sinais. Naquele sábado, havia ambos.
Citas Notables
Há um movimento de reajuste, muito por fatores técnicos— Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos
O desfecho das eleições tem como principal promessa destravar a agenda de reformas— Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos