Em meio a sinais de que o ciclo de aperto monetário americano pode estar se encerrando, o Ibovespa registrou sua terceira alta consecutiva nesta terça-feira, avançando 1,37% para 116.736,95 pontos. A queda nos rendimentos dos Treasuries — alimentada por falas mais brandas de autoridades do Federal Reserve e pela busca por segurança diante da violência no Oriente Médio — reabriu o apetite global por risco e direcionou capital de volta aos mercados emergentes. É o eterno movimento dos fluxos financeiros: quando o centro hesita, a periferia respira.
Ibovespa sobe 1,37% com alívio nos Treasuries; Alpargatas cai 4,34%
O apetite internacional por risco havia voltado
Por que exatamente a queda nos Treasuries americanos puxa o Ibovespa para cima?
Quando os juros nos EUA caem, o retorno relativo de investimentos em mercados emergentes fica mais atraente. Se você pode ganhar menos nos Treasuries, o Brasil começa a parecer mais interessante.
Mas isso assume que o capital vai realmente vir. A gente viu a queda nos Treasuries, mas quanto disso virou compra efetiva de ações brasileiras?
O volume de 20,1 bilhões de reais sugere movimento real, não só especulação. E setores sensíveis a juros — consumo, imóveis — subiram juntos, o que é consistente.
E a Alpargatas? Por que caiu quando tudo mais subia?
Porque o Citi cortou o preço-alvo e espera que os resultados do terceiro trimestre ainda mostrem dificuldades. É uma história de empresa específica, não do mercado geral.
Mas a gente não sabe ainda se o terceiro trimestre foi realmente ruim. Isso é projeção do Citi. Quando o balanço sair, pode surpreender.
E quanto aos sinais do Fed? Eles realmente indicam que os juros vão parar?
Os comentários foram mais brandos, mas ninguém disse explicitamente que não há mais aumentos. É interpretação do mercado, não confirmação.
Exatamente. Raphael Bostic disse que não precisa aumentar ainda mais, mas isso não é a mesma coisa que dizer que não vai aumentar. O mercado está lendo esperança onde há apenas abertura.
Então a gente está em um momento de alívio temporário, não de certeza?
Sim. E a geopolítica — Gaza, Hamas — está reforçando a busca por segurança. Quando isso mudar, o quadro muda também.
O Pulso
- Autoridades do Fed sinalizaram que novos aumentos de juros podem ser desnecessários, derrubando os rendimentos do Treasury de dez anos de 4,782% para 4,653% em um único pregão.
- A violência no Oriente Médio e as expectativas de estímulos na China criaram uma combinação incomum: fuga para a segurança dos Treasuries e, ao mesmo tempo, otimismo com ativos de risco em mercados emergentes.
- Setores sensíveis a juros lideraram a recuperação — consumo subiu 2,7%, imóveis avançaram 2,67%, e ações de varejo e aviação dispararam, com Gol saltando 7,26% e CVC Brasil surpreendendo com alta de 16,48%.
- Alpargatas nadou contra a maré, recuando 4,34% após o Citi cortar seu preço-alvo e revisar para baixo as projeções de lucro da dona das Havaianas até 2025.
- Com volume de 20,1 bilhões de reais e Wall Street também em alta, o mercado global parece estar começando a precificar o fim do ciclo de aperto — mas a cautela permanece enquanto os dados confirmam ou contradizem essa leitura.
Em meio a sinais de que o ciclo de aperto monetário americano pode estar se encerrando, o Ibovespa registrou sua terceira alta consecutiva nesta terça-feira, avançando 1,37% para 116.736,95 pontos. A queda nos rendimentos dos Treasuries — alimentada por falas mais brandas de autoridades do Federal Reserve e pela busca por segurança diante da violência no Oriente Médio — reabriu o apetite global por risco e direcionou capital de volta aos mercados emergentes. É o eterno movimento dos fluxos financeiros: quando o centro hesita, a periferia respira.
A bolsa brasileira encerrou a terça-feira em alta pelo terceiro dia consecutivo, com o Ibovespa avançando 1,37% para 116.736,95 pontos. O motor do movimento estava em Washington: autoridades do Federal Reserve começaram a sinalizar que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos poderia estar chegando ao fim, o que derrubou os rendimentos dos Treasuries de forma expressiva. O título de dez anos recuou de 4,782% para 4,653%, e o de trinta anos também cedeu. Para mercados emergentes como o Brasil, juros mais baixos nos EUA significam retorno relativo mais atraente — e capital voltando a fluir.
O cenário geopolítico também contribuiu de forma indireta. A violência contínua no Oriente Médio impulsionou a demanda por ativos de refúgio, reforçando a queda nos rendimentos americanos. Ao mesmo tempo, expectativas de novos estímulos na China e preços do petróleo ainda elevados completavam um quadro que favorecia o apetite por risco. O resultado foi visível nos setores mais sensíveis a juros: consumo avançou 2,7%, imóveis subiram 2,67%, e empresas como Gol, Azul, CVC Brasil e Magazine Luiza registraram altas expressivas. Vale e Petrobras também fecharam no positivo.
A exceção ficou por conta da Alpargatas, que caiu 4,34% após o Citi cortar o preço-alvo das ações de 10 para 8,70 reais e reiterar recomendação neutra. Os analistas projetam que o balanço do terceiro trimestre ainda refletirá um período difícil para a dona das Havaianas, com revisões para baixo nas estimativas de lucro e margem até 2025. Enquanto o mercado respirava aliviado com a perspectiva de juros americanos próximos do pico, a empresa enfrentava desafios próprios de rentabilidade — um lembrete de que nem todo alívio macroeconômico chega igualmente a todos os papéis.
A bolsa brasileira fechou terça-feira em terreno positivo, com o Ibovespa avançando 1,37% para 116.736,95 pontos. Era a terceira sessão consecutiva de ganhos, e o movimento refletia uma mudança de tom vindo de Washington. Autoridades do Federal Reserve começavam a sinalizar que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos poderia estar chegando ao fim — comentários que fizeram os rendimentos dos Treasuries recuarem de forma significativa.
O Treasury de dez anos caiu para 4,653% de yield, ante 4,782% na sexta-feira anterior. Não havia negociação na segunda por causa do Dia de Colombo, então a queda foi ainda mais notável quando os mercados reabrirão. O vencimento de trinta anos também recuou, marcando 4,8325% contra 4,942% no pregão anterior. Esses números importam porque juros mais baixos nos EUA tendem a atrair capital de volta para mercados emergentes como o Brasil, onde o retorno relativo fica mais atraente. Dennis Esteves, sócio e especialista da Blue3 Investimentos, resumiu o dia de forma direta: o apetite internacional por risco havia voltado, e isso puxava o Ibovespa para cima.
O movimento nos Treasuries foi alimentado por sinais mais brandos saindo do Fed. O vice-presidente do banco central americano e a presidente do Fed de Dallas sugeriram que a recente alta nos rendimentos poderia reduzir a necessidade de novos aumentos na taxa de juros. Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, foi ainda mais direto: o banco central dos EUA não precisava aumentar ainda mais os custos dos empréstimos. Essas falas abriram espaço para que investidores começassem a precificar o fim do ciclo de aperto.
Havia também questões geopolíticas em jogo. A violência contínua no Oriente Médio — com Israel bombardeando a Faixa de Gaza e militantes do Hamas ameaçando executar prisioneiros — criava demanda por ativos considerados mais seguros. Isso reforçava a queda nos rendimentos dos Treasuries, já que títulos do governo americano são vistos como refúgio em momentos de tensão. Além disso, noticiário sobre possíveis novos estímulos na China e preços do petróleo ainda em níveis elevados completavam o quadro que favorecia o risco.
Os setores mais sensíveis a juros lideraram os ganhos. O índice de consumo avançou 2,7%, enquanto o setor imobiliário subiu 2,67%. Gol disparou 7,26%, favorecida pelo alívio na curva de DI e pela alta de 6,7% na demanda total por voos em setembro ante o ano anterior. CVC Brasil saltou 16,48% e Azul avançou 7,41%. Magazine Luiza fechou em alta de 6,99%, com o varejo alimentar também em destaque — GPA subiu 9,33%. Vale ON avançou 0,60%, mesmo com queda nos futuros do minério de ferro, porque expectativas de estímulos na China sustentavam o otimismo. Petrobras PN subiu 0,74%, renovando máximas históricas, enquanto o barril de petróleo caía apenas 0,57% para 87,65 dólares.
Mas nem tudo foi ganho. Alpargatas caiu 4,34%, a contracorrente do clima mais positivo. Analistas do Citi reiteraram recomendação neutra para as ações e cortaram o preço-alvo de 10 reais para 8,70 reais. Esperavam que o balanço do terceiro trimestre ainda mostraria um período difícil para a dona da Havaianas, e revisaram para baixo as projeções de lucros e margens para 2023 a 2025. Enquanto o mercado respirava aliviado com sinais de que os juros americanos poderiam estar perto do pico, a empresa enfrentava seus próprios desafios de rentabilidade.
O volume financeiro do dia somou 20,1 bilhões de reais. Na máxima, o Ibovespa chegou a 116.899,51 pontos; na mínima, a 115.157,9 pontos. Wall Street também fechou em alta, com o S&P 500 subindo 0,52%. O que se via era um mercado global recalibrando suas expectativas sobre o futuro dos juros, com investidores começando a precificar um cenário em que o Federal Reserve poderia estar próximo do fim de seu ciclo de aperto — e isso, por enquanto, era bom para ativos de risco em mercados emergentes.
Citações Notáveis
O apetite a risco internacional impulsionou o Ibovespa— Dennis Esteves, sócio e especialista da Blue3 Investimentos
O banco central dos EUA não precisa aumentar ainda mais os custos dos empréstimos— Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta