Ibovespa caiu 0,68% para 112.531,52 pontos, com volume financeiro de 18,4 bilhões de reais, afetado por incertezas sobre a meta fiscal zero de 2024. Declarações do presidente Lula sobre dificuldades em atingir a meta fiscal zero geraram desconforto, enquanto o ministro Haddad evitou confirmar comprometimento com o déficit zero.
Ibovespa cai 0,68% com preocupações fiscais e queda da Petrobras
O clima nas mesas de operação azedou quando o ministro evitou confirmar o compromisso
Por que a bolsa caiu se Wall Street subiu? Isso não deveria puxar o mercado brasileiro para cima?
Deveria, mas o que aconteceu foi que o mercado local ficou preso em uma questão fiscal muito mais urgente. As falas do Lula sobre a meta de déficit zero criaram uma incerteza que Wall Street não tinha.
Mas o Haddad tentou consertar isso, não? Por que não funcionou?
Funcionou parcialmente. Ele amenizou o tom, mas não confirmou o comprometimento com a meta. E ainda reconheceu que a arrecadação não está acompanhando o PIB.
Então o mercado está apostando em aumento de impostos?
Exatamente. Se não há contingenciamento de gastos, o equilíbrio vem por aumento tributário e fim de incentivos fiscais. Isso afeta bancos, varejo, petroquímica.
Mas Vale subiu, minério de ferro subiu. Nem tudo foi ruim.
Verdade. China anunciou estímulos, minério bateu máxima desde abril. Mas não foi o suficiente para compensar o sentimento negativo no resto do mercado.
E agora? O que muda na quarta-feira?
Fed e Banco Central decidem sobre juros. Selic deve cair 0,50 ponto, Fed deve manter. Mas o mercado quer ouvir sinais sobre o que vem depois.
A questão fiscal vai continuar pendente, não vai?
Sim. Terça e quarta vão ser dominadas por política monetária, mas a incerteza fiscal não desaparece.
Il Polso
- Ibovespa caiu 0,68% para 112.531,52 pontos, com volume de 18,4 bilhões de reais
- Lula declarou que meta de déficit primário zero em 2024 dificilmente será alcançada
- Haddad não confirmou comprometimento com déficit zero e reconheceu arrecadação abaixo do esperado
- Petrobras PN caiu 1,02%, pressionada por queda de 3,35% no preço do barril
- Minério de ferro atingiu 900 iuanes por tonelada, maior valor desde 3 de abril
Ibovespa caiu 0,68% para 112.531,52 pontos, com volume financeiro de 18,4 bilhões de reais, afetado por incertezas sobre a meta fiscal zero de 2024. Declarações do presidente Lula sobre dificuldades em atingir a meta fiscal zero geraram desconforto, enquanto o ministro Haddad evitou confirmar comprometimento com o déficit zero.
O Ibovespa fechou em queda de 0,68% nesta segunda-feira, pressionado por preocupações com o cenário fiscal brasileiro e queda das ações da Petrobras, apesar do desempenho positivo de Wall Street.
A bolsa brasileira fechou segunda-feira em território negativo, com o Ibovespa recuando 0,68% para 112.531,52 pontos. O volume financeiro movimentado foi de 18,4 bilhões de reais. A queda ocorreu em um dia que começou com esperança — o índice abriu em alta e chegou a ultrapassar a marca de 114 mil pontos nas primeiras horas de negociação, alimentado pelo desempenho robusto de Wall Street, onde o S&P 500 avançou 1,2%. Mas o otimismo não resistiu.
O ponto de inflexão veio das falas sobre a situação fiscal do país. No fim de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia declarado que a meta de déficit primário zero para 2024 dificilmente seria alcançada — uma afirmação que gerou desconforto nos mercados na sexta-feira anterior. Na segunda, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou amenizar a situação em coletiva de imprensa, argumentando que o presidente não estava "sabotando o país", mas simplesmente apontando problemas que precisavam ser "reformados e saneados". Ainda assim, Haddad não confirmou o comprometimento do governo com a meta de déficit zero, e reconheceu que a arrecadação federal não estava acompanhando o crescimento acima do esperado do PIB. O clima nas mesas de operação azedou.
Os agentes financeiros começaram a processar uma leitura menos otimista: se o governo não vai contingenciar gastos para atingir o déficit zero, o equilíbrio nas contas públicas viria por outro caminho — aumento da carga tributária e fim de programas de incentivo fiscal. Essa perspectiva pesou sobre setores sensíveis. As ações da Petrobras caíram 1,02%, pressionadas também pela queda de 3,35% no preço do barril de petróleo no mercado internacional. Os bancos foram contaminados pelo sentimento deteriorado: Itaú Unibanco PN recuou 0,81%, Bradesco PN perdeu 1,11%, e BTG Pactual Unit teve o pior desempenho do segmento, caindo 2,25%. No varejo, Casas Bahia ON despencou 6,25% e Magazine Luiza ON recuou 6,16%, afetadas pelo avanço das taxas futuras de juros.
Nem tudo foi negativo. A Vale ON subiu 0,90%, beneficiada pela alta do minério de ferro. O contrato futuro do minério na bolsa de Dalian atingiu o nível psicológico de 900 iuanes (122,98 dólares) por tonelada métrica, impulsionado por demanda sólida e pelo otimismo após a China anunciar estímulos fiscais. O minério para janeiro encerrou o dia em alta de 2,51%, o maior valor desde 3 de abril. Usiminas PNA valorizou-se 4,49%, após o BTG Pactual sugerir cobertura de posições vendidas, citando preço significativamente mais baixo e melhor geração de fluxo de caixa livre. CCR ON subiu 2,54% depois que o JPMorgan elevou a recomendação para "overweight" com preço-alvo de 16 reais para o final de 2024.
Outros destaques incluíram Braskem PNA, que caiu 5,47% após divulgar queda de 1% no volume de vendas de resinas no Brasil no terceiro trimestre, para 884 mil toneladas, com taxa de utilização de centrais petroquímicas em 68%, queda de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Natura&Co ON recuou 0,32% após anunciar acordo de exclusividade com a Aurelius Investment Advisory Limited para potencial venda da The Body Shop, com expectativa de avaliação inferior aos 400 a 500 milhões de libras sugeridos na mídia.
Analistas técnicos do Itaú BBA apontaram que o movimento de recuperação do Ibovespa após a queda de sexta-feira pode ter chegado ao fim, com expectativa de buscar suporte em 111.600 pontos. Se perder esse nível, o índice pode ganhar novo impulso em direção a 108.100 pontos. Do lado da alta, resistências estão em 115.400 e 117.100 pontos, patamar que mantém o índice em tendência de baixa no curto prazo.
O mercado agora aguarda as decisões de política monetária que virão na quarta-feira. O Federal Reserve deve manter a taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, mas investidores querem sinais sobre os próximos passos diante de uma economia americana ainda resiliente e inflação elevada, mesmo com sinais de acomodação. No Brasil, prevalece a expectativa de que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 12,25% ao ano. Essas decisões devem dominar as conversas nas mesas de operação na terça e quarta-feira.
Citazioni salienti
O presidente não está sabotando o país, mas constatando problemas que precisam ser reformados e saneados— Fernando Haddad, ministro da Fazenda
O movimento de repique do Ibovespa pode ter chegado ao seu fim e voltamos com a expectativa de buscar o suporte em 111.600 pontos— Analistas do Itaú BBA