Ibovespa subiu 0,42% a 125.929,25 pontos, ultrapassando 126 mil pontos no melhor momento, com volume financeiro de 24,5 bilhões de reais. IRB Brasil saltou 8,5% após lucro líquido de 7,5 milhões em maio; Embraer subiu 3% com carteira de pedidos em alta de 12%; Petrobras valorizou 1,39% com petróleo em forte alta.
Ibovespa sobe 0,42% com Wall Street positivo e petróleo em alta; IRB dispara 8,5%
Riscos fiscais e políticos pesam desde junho, enfraquecendo a correlação com Wall Street
Por que o Ibovespa subiu apenas 0,42% quando Wall Street avançou 0,82%? Parece uma diferença pequena, mas há algo mais profundo aí.
Exatamente. O Brasil está enfrentando pressões que os EUA não têm — riscos fiscais e políticos que pesam desde junho. Mesmo com um ambiente global positivo, o mercado brasileiro está desacoplado.
Mas quanto dessa desconexão é real e quanto é apenas percepção? O Penteado fala em "riscos fiscais e políticos", mas o texto não especifica quais são.
É verdade. Ele menciona inflação acima do esperado e a variante Delta, mas não detalha as questões políticas específicas que estão afetando o índice.
E quanto aos números do ano? O S&P 500 está em 16% de alta enquanto o Ibovespa está em 5,8%. Isso é um abismo.
Sim, mas precisamos separar o que é estrutural do que é conjuntural. O Brasil teve uma recuperação mais lenta pós-pandemia, isso é fato. Mas o texto não nos diz se essa diferença é esperada ou alarmante.
A Ágora Investimentos aponta um nível técnico de resistência em 128.500 pontos. Se o índice não romper isso, o viés positivo não se consolida.
Então estamos em um momento de teste? O mercado está decidindo se sobe ou cai?
Mais ou menos. Mas note que a temporada de balanços pode mudar isso. Se as empresas continuarem surpreendendo positivamente, como vêm fazendo, isso pode dar o impulso que falta.
E há esperança. A economia está retomando gradualmente, a vacinação avança. Mas a incerteza ainda é grande — a variante Delta é uma ameaça real.
Então o mercado está preso entre otimismo corporativo e incerteza macroeconômica?
Exatamente. E isso explica por que ações como IRB, Embraer e Braskem subiram — são histórias corporativas positivas. Mas o índice como um todo não consegue decolar.
Il Polso
- Ibovespa subiu 0,42% para 125.929,25 pontos, com volume de 24,5 bilhões de reais
- IRB Brasil disparou 8,5% após lucro de 7,5 milhões em maio, revertendo prejuízo de 202,1 milhões um ano antes
- S&P 500 avançou 0,82%; no ano, EUA estão em 16% contra 5,8% do Brasil
- Vtex estreou em Nova York com alta de 16,74%, levantando 361 milhões de dólares
Ibovespa subiu 0,42% a 125.929,25 pontos, ultrapassando 126 mil pontos no melhor momento, com volume financeiro de 24,5 bilhões de reais. IRB Brasil saltou 8,5% após lucro líquido de 7,5 milhões em maio; Embraer subiu 3% com carteira de pedidos em alta de 12%; Petrobras valorizou 1,39% com petróleo em forte alta.
O Ibovespa fechou em alta de 0,42% nesta quarta-feira, impulsionado pela trajetória positiva em Wall Street e avanço dos preços do petróleo, com IRB Brasil liderando ganhos após reportar lucro em maio.
A bolsa brasileira fechou o pregão de quarta-feira em terreno positivo, impulsionada pela força de Wall Street e pela alta consistente dos preços do petróleo no mercado internacional. O Ibovespa subiu 0,42%, encerrando em 125.929,25 pontos, tendo tocado a marca dos 126 mil pontos no melhor momento do dia. O volume financeiro movimentado chegou a 24,5 bilhões de reais. Entre os destaques, a resseguradora IRB Brasil disparou 8,5% após divulgar lucro líquido de 7,5 milhões de reais em maio, revertendo um prejuízo de 202,1 milhões registrado no mesmo mês do ano anterior.
Em Nova York, o S&P 500 avançou 0,82%, alimentado por balanços corporativos e projeções que renovaram o otimismo quanto à recuperação econômica norte-americana. Ainda assim, analistas apontam que o Brasil segue enfrentando pressões que não encontram paralelo nos mercados desenvolvidos. João Guilherme Penteado, presidente da Apollo Investimentos, observa que riscos fiscais e políticos têm pesado sobre o Ibovespa desde meados de junho, enfraquecendo a correlação que normalmente existe entre o índice brasileiro e o mercado americano. Desde o início do mês, enquanto o S&P 500 acumula alta de 1,4%, o Ibovespa ainda registra queda. No acumulado do ano, a diferença é ainda mais pronunciada: o índice norte-americano avança 16%, contra apenas 5,8% do brasileiro.
Penteado acrescenta que, apesar do ambiente global favorável, o Brasil enfrenta percepção crescente de riscos e inflação acima das expectativas. A Ágora Investimentos, em sua análise técnica, aponta que para o Ibovespa retomar um viés positivo consistente no curto prazo, precisaria romper a resistência técnica localizada em torno dos 128.500 pontos, nível que marca um topo histórico anterior.
A temporada de divulgação de resultados do segundo trimestre começa a ganhar força e deve ocupar ainda mais a atenção do mercado nas próximas semanas. Penteado observa que os números divulgados recentemente surpreenderam positivamente, e há expectativa de que esse bom desempenho se mantenha conforme a economia retoma seu ritmo gradualmente. Esse cenário poderia servir como um alento para reduzir as incertezas que cercam o mercado neste momento. Entre essas incertezas está a evolução da variante Delta da Covid-19 no Brasil e seus possíveis impactos econômicos de curto prazo, enquanto o país avança na vacinação e se aproxima do retorno à normalidade.
Entre as ações que mais se destacaram, a Embraer subiu 3% após divulgar que sua carteira de pedidos firmes cresceu 12% no segundo trimestre, atingindo 15,9 bilhões de dólares e retornando aos patamares anteriores à pandemia. A Braskem avançou 4,59%, beneficiada pelas expectativas em torno da venda da participação da Novonor, ex-Odebrecht, na petroquímica. A Petrobras valorizou-se 1,39%, impulsionada pela forte alta do petróleo no mercado externo, onde o barril saltou mais de 4%. A Vale subiu 1,15%, mesmo com a queda dos preços futuros do minério de ferro na China, enquanto o setor de mineração e siderurgia como um todo apresentou ganhos, com destaque para a Usiminas, que avançou 2,5%.
No setor financeiro, o Itaú Unibanco registrou acréscimo de 0,41%, reforçando o sinal positivo do índice, enquanto o Bradesco fechou praticamente estável. O destaque entre os bancos foi o Banco Inter, com alta de 2,5%. Por outro lado, o setor de saúde apresentou fraqueza. A Fleury recuou 2,87% e a Hapvida caiu 1,97%, ambas pressionadas pela expectativa de resultados ainda fracos no segundo trimestre, reflexo dos efeitos da segunda onda de Covid-19. A Cogna e a Yduqs perderam 2,46% e 1,62%, respectivamente, diante da perspectiva de números fracos para o setor educacional, particularmente pela dinâmica ainda difícil no segmento presencial e provisões em níveis elevados.
Dois destaques de estreias marcaram o pregão. A Desktop, provedora de internet por fibra óptica, estreou na B3 avançando 3,19% para 24,25 reais, após precificar seu IPO a 23,50 reais no início da semana, tendo tocado máxima de 25,90 reais durante o dia. Já a Vtex, plataforma de comércio eletrônico, saltou 16,74% em sua estreia em Nova York, após precificar seu IPO a 19 dólares por ação, acima da faixa estimada de 15 a 17 dólares, levantando 361 milhões de dólares e assegurando um valor de mercado de 4,7 bilhões. A Renova Energia disparou 7,42% após o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, conquistar o direito de igualar ofertas de outros interessados em alguns ativos da companhia, que está em recuperação judicial.
Citazioni salienti
Riscos fiscais e políticos têm pesado no Ibovespa desde meados de junho, afetando a correlação com o mercado norte-americano— João Guilherme Penteado, presidente da Apollo Investimentos
O cenário de curto prazo ainda é bastante incerto— João Guilherme Penteado, sobre a evolução da variante Delta e seus impactos econômicos