Em meio a incertezas sobre a recuperação econômica americana e ao silêncio de catalisadores domésticos robustos, o Ibovespa encerrou a terça-feira com um avanço tímido de 0,31%, como quem respira fundo antes de decidir o próximo passo. O mercado brasileiro acompanhou Wall Street sem convicção própria, sustentado por indicadores técnicos favoráveis à compra, mas freado por um volume financeiro bem abaixo da média e pelo impasse político em Washington sobre novos estímulos fiscais. É o retrato de um mercado que ainda busca seu rumo após setembro começar no vermelho.
Ibovespa sobe 0,31% acompanhando Wall Street em sessão instável e sem volume
Mercado lateralizado, setores alternando, falta de velocidade
Por que um ganho de 0,31% importa se o volume estava tão fraco?
Porque mostra que o mercado não estava convencido. Quando o volume cai 30% abaixo da média, você está vendo menos gente disposta a fazer apostas grandes. O ganho é real, mas é feito com as mãos fracas.
Mas a gente sabe que Wall Street subiu 1,05% no S&P 500. Isso não deveria ter puxado o Ibovespa com mais força?
Deveria, sim. E é por isso que os analistas chamaram a sessão de instável. Havia sinais contraditórios — Powell dizendo que a recuperação é incerta, Evans alertando para risco de recessão se não houver novo pacote fiscal.
E o Congresso americano não aprovou nada?
Não. O impasse entre democratas e republicanos continua, e as expectativas de votação antes da eleição presidencial estão caindo.
Então o mercado brasileiro estava basicamente esperando para ver o que acontecia nos EUA, sem notícias próprias relevantes?
Exatamente. O Banco Central reafirmou que a Selic não subiria, o que é positivo, mas não foi suficiente para gerar movimento maior.
E os setores? Teve algo que se destacou?
IRB Brasil subiu 6,28% depois de tocar mínimas históricas. Construtoras como MRV e Cyrela subiram. CSN subiu com o anúncio do IPO de sua unidade de mineração. Mas Suzano caiu com a notícia de oferta de ações da BNDESPar.
Então era um dia de notícias específicas de empresas, não um movimento de mercado?
Isso. Cada ação reagia à sua própria história. O mercado como um todo estava lateralizado, sem direção clara.
Der Puls
- O Ibovespa vinha de seu pior fechamento desde julho na segunda-feira, carregando setembro com queda acumulada de 2% e pressionando investidores a buscar sinais de reversão.
- Autoridades do Federal Reserve, incluindo Jerome Powell e Charles Evans, lançaram alertas sobre uma recuperação americana incerta e o risco real de nova recessão sem aprovação de pacote fiscal — palavras que pesaram sobre o humor dos mercados globais.
- O impasse entre democratas e republicanos no Congresso americano reduzia a zero as expectativas de um acordo fiscal antes das eleições presidenciais, mantendo o cenário externo carregado de dúvidas.
- No Brasil, o Banco Central reafirmou que a Selic permaneceria estável, enquanto analistas observavam um mercado lateralizado, sem velocidade de queda nem força de alta, sustentado apenas por uma leve propensão técnica à compra.
- Destaques individuais como IRB Brasil (+6,28%), MRV (+3,73%) e CSN (+3,39%) animaram pontualmente o pregão, mas recuos em B2W (-3,80%), Suzano (-2,39%) e Petrobras PN (-0,48%) reforçaram a falta de direção clara do índice.
Em meio a incertezas sobre a recuperação econômica americana e ao silêncio de catalisadores domésticos robustos, o Ibovespa encerrou a terça-feira com um avanço tímido de 0,31%, como quem respira fundo antes de decidir o próximo passo. O mercado brasileiro acompanhou Wall Street sem convicção própria, sustentado por indicadores técnicos favoráveis à compra, mas freado por um volume financeiro bem abaixo da média e pelo impasse político em Washington sobre novos estímulos fiscais. É o retrato de um mercado que ainda busca seu rumo após setembro começar no vermelho.
O Ibovespa terminou a terça-feira com alta de 0,31%, fechando em 97.293,54 pontos, numa sessão marcada por oscilações constantes e volume financeiro de 20,1 bilhões de reais — bem abaixo da média anual de 29,26 bilhões. O avanço veio na esteira do desempenho positivo de Wall Street, mas sem força própria para sustentar um movimento mais expressivo, um dia após o índice registrar seu pior fechamento desde julho e acumular queda de 2% em setembro.
O tom cauteloso veio em grande parte dos Estados Unidos. Jerome Powell reafirmou ao Congresso americano que o caminho da recuperação econômica seguia incerto, enquanto Charles Evans, do Federal Reserve de Chicago, alertou para o risco de uma recuperação mais lenta ou até de nova recessão caso não houvesse aprovação de um pacote fiscal. O impasse entre democratas e republicanos continuava sem perspectiva de resolução antes das eleições presidenciais. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 1,05%, puxado principalmente pela Amazon.
No Brasil, a ata do Copom reafirmou que as condições para manter a Selic estável permaneciam intactas. Analistas descreveram o Ibovespa como lateralizado, sem definição clara de direção: os indicadores técnicos apontavam leve propensão à compra, o que explicava a ausência de velocidade tanto nas quedas quanto nas altas, com setores alternando entre os dois lados sem consistência.
Entre os destaques positivos, IRB Brasil subiu 6,28% após renovar mínimas históricas nos pregões anteriores. No setor imobiliário, MRV avançou 3,73% e Cyrela subiu 3,16%. A CSN ganhou 3,39%, beneficiada pela trégua no cenário externo e pelo anúncio do IPO de sua unidade de mineração. Os bancos fecharam todos em alta, com Itaú Unibanco subindo 0,87% e Bradesco avançando 0,61%.
Do lado negativo, B2W recuou 3,80% após forte valorização na véspera. Suzano cedeu 2,39% em meio a expectativas sobre a oferta de ações da BNDESPar, e Klabin caiu 1,82%. Petrobras PN recuou 0,48%, mesmo com o petróleo em alta no exterior e o anúncio de reajuste na gasolina — um sinal da complexidade do momento, em que boas notícias individuais nem sempre se traduzem em ganhos no pregão.
A bolsa brasileira encerrou terça-feira com ganho modesto de 0,31%, fechando em 97.293,54 pontos, acompanhando o desempenho positivo de Wall Street, mas sem a força que costuma sustentar movimentos mais robustos. O dia foi marcado por oscilações constantes — a máxima chegou a 97.684,16 pontos enquanto a mínima tocou 96.390,28 — e o volume financeiro de 20,1 bilhões de reais ficou bem abaixo da média diária do ano, que é de 29,26 bilhões. A recuperação acontecia após o índice ter fechado na segunda-feira em seu pior nível desde julho, deixando o desempenho de setembro ainda negativo em 2%.
O analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, descreveu a sessão como bastante instável, apontando como fator relevante os comentários de autoridades do banco central americano. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, discursou no Congresso dos EUA afirmando que o caminho para a recuperação da maior economia do mundo permanecia incerto, apesar da melhora acentuada desde que a pandemia provocou recessão. Simultaneamente, Charles Evans, presidente do Federal Reserve de Chicago, alertou que a economia americana corria risco de enfrentar uma recuperação mais lenta e prolongada, ou até mesmo outra recessão completa, caso o Congresso não aprovasse um novo pacote fiscal. O impasse entre democratas e republicanos sobre programas de ajuda continuava, com expectativas cada vez menores de que qualquer projeto de lei fosse votado antes da eleição presidencial.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 1,05%, impulsionado particularmente pelo avanço das ações da Amazon.com. No Brasil, o Banco Central reafirmou na ata do Copom que as condições para manter a sinalização de que a taxa Selic não subiria permaneciam em pé. Fernando Góes, analista da Clear Corretora, observou que o Ibovespa seguia sem definição clara mesmo após perder o suporte de 97 mil pontos na véspera. Os indicadores técnicos ainda mostravam uma propensão maior de compra do que de venda, o que explicava a falta de velocidade na queda. Os setores alternavam entre altas e quedas, mantendo o mercado em movimento lateral.
Entre os destaques individuais, a IRB Brasil valorizou-se 6,28% após renovar mínimas históricas nos pregões anteriores, ainda sofrendo ajustes de posições por investidores em razão de uma série de adversidades que afetavam a resseguradora desde o início do ano. No setor imobiliário, MRV avançou 3,73% e Cyrela subiu 3,16%, com o índice do setor fechando em alta de 0,89%. A CSN subiu 3,39%, beneficiada pela trégua no cenário externo, após anunciar o IPO de sua unidade de mineração e divulgar projeções melhores sobre dívida e Ebitda para o ano.
No varejo, B2W caiu 3,80% após forte valorização na véspera, enquanto suas concorrentes Via Varejo e Magazine Luiza avançaram 0,74% e 0,89%, respectivamente. Suzano recuou 2,39%, com o pano de fundo sendo as expectativas relacionadas à oferta de ações da fabricante de papel e celulose em poder da BNDESPar, anunciada na sexta-feira anterior. Klabin cedeu 1,82%. No setor financeiro, todos os papéis de bancos no índice fecharam em alta: Itaú Unibanco valorizou-se 0,87% e Bradesco avançou 0,61%. Vale teve acréscimo de apenas 0,12%, mesmo em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China. Petrobras PN caiu 0,48% enquanto Petrobras ON terminou com variação negativa de 0,05%, apesar da alta das cotações do petróleo no exterior e do anúncio de aumento do preço da gasolina pela companhia.
Bemerkenswerte Zitate
O Ibovespa teve um pregão bastante instável— Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos
Indicadores técnicos ainda mostram um movimento mais propenso de compra do que de venda, por isso estamos vendo uma falta de velocidade nesta queda— Fernando Góes, analista da Clear Corretora