Ibovespa fecha setembro em queda de 0,11%; Bolsa cede 12,47% no terceiro trimestre

Terceiro trimestre como o segundo pior da pandemia
O Ibovespa acumulou queda de 12,47% entre julho e setembro, superado apenas pela queda de 36,86% em janeiro-março de 2020.
Mark

Por que setembro foi tão ruim para o Ibovespa se a pandemia já estava recuando?

Mimi

Não era a pandemia em si. Era o que vinha depois dela — a inflação global, o Fed começando a falar em reduzir estímulos, e aqui no Brasil, uma crise fiscal que ninguém sabia como resolver.

Mark

A crise fiscal — era sobre o Auxílio Brasil?

Mimi

Não só. Era sobre tudo junto: o teto de gastos, o Auxílio Brasil, a PEC dos Precatórios. E um secretário do Tesouro dizendo em reuniões fechadas que não havia jeito de pagar mais. Isso assusta investidor.

Mark

Mas as commodities ajudaram?

Mimi

Ajudaram, sim. A China estava comprando ferro, aço. Gerdau, CSN, Usiminas subiram. Sem isso, a queda teria sido pior.

Mark

E o dólar? Ficou forte?

Mimi

Ficou. Começou a manhã fraco, mas virou. Isso pressiona tudo aqui — juros, câmbio, confiança. É um círculo.

Mark

Então o terceiro trimestre foi o pior desde quando?

Mimi

Desde janeiro a março de 2020, quando tudo desabou. Mas esse foi o segundo pior. Doze por cento de queda em três meses.

Mark

E agora? O que muda em outubro?

Mimi

Tudo depende do Fed, da inflação americana, e se o governo consegue aprovar algo sobre gastos. Enquanto isso ficar incerto, o mercado fica nervoso.

  • O Ibovespa fechou setembro em queda de 0,11%, encerrando o trimestre com perda acumulada de 12,47% — o pior desempenho trimestral desde o colapso de março de 2020.
  • Rumores sobre avaliações pessimistas do secretário do Tesouro em reuniões fechadas com bancos derrubaram o índice no meio do dia, reacendendo o temor sobre a fragilidade fiscal do país.
  • A disputa em torno da PEC dos Precatórios e da prorrogação do Auxílio Brasil manteve investidores em alerta, enquanto o dólar reverteu queda e os juros futuros seguiram pressionados.
  • O setor de siderurgia funcionou como âncora positiva, com Gerdau, CSN e Usiminas em alta após recuperação do PMI industrial chinês, amenizando perdas mais severas.
  • Nos Estados Unidos, Powell reafirmou vigilância sobre a inflação e o mercado global fechou em queda, somando pressão externa ao já turbulento cenário doméstico.
  • O índice termina o trimestre negativo também em dólar, longe da máxima histórica de junho, sinalizando que a volatilidade ainda não encontrou seu ponto de exaustão.

Ao encerrar setembro de 2021, o Ibovespa concluiu seu segundo pior trimestre desde o início da pandemia, acumulando perdas de 12,47% entre julho e setembro — um reflexo da dificuldade coletiva de precificar, ao mesmo tempo, a recuperação econômica, a inflação global e as incertezas fiscais brasileiras. O índice oscilou entre esperança e recuo durante a última sessão, incapaz de sustentar ganhos diante de rumores sobre gastos públicos, pressão cambial e juros futuros. É o retrato de um mercado que tenta encontrar equilíbrio em meio a forças que puxam em direções opostas — dentro e fora do país.

Na última sessão de setembro, o Ibovespa tentou sustentar ganhos durante a tarde, mas cedeu ao peso de um cenário adverso e fechou em queda de 0,11%, aos 110.979,10 pontos, com giro financeiro de R$ 42,1 bilhões. O resultado consolidou o terceiro trimestre de 2021 como o segundo pior da pandemia: queda acumulada de 12,47% entre julho e setembro, superada em devastação apenas pelo primeiro trimestre de 2020, quando o índice despencou 36,86%.

O mês de setembro, por si só, registrou perda de 6,57% — o terceiro pior desempenho mensal desde o início da crise sanitária. No acumulado do ano, o saldo virou negativo: queda de 6,75% até o fim do trimestre, apagando os ganhos do semestre anterior.

O cenário doméstico foi o principal vetor de pressão. No meio do dia, rumores de que o secretário especial do Tesouro, Bruno Funchal, havia feito avaliações pessimistas sobre gastos públicos em reuniões com bancos e fundos derrubaram os ativos. Nos bastidores, integrantes do governo discutiam incluir a prorrogação do auxílio emergencial na PEC dos Precatórios, estratégia para contornar resistências técnicas do Ministério da Economia. O câmbio e os juros futuros reagiram, ampliando a pressão sobre o índice.

O setor de commodities ofereceu algum alívio. A interrupção da queda do PMI industrial chinês animou a siderurgia: Gerdau PN subiu 3,95%, CSN ON avançou 3,05% e Usiminas PNA ganhou 2,68%. PetroRio liderou as altas do dia com 9,50%. No lado oposto, Banco Inter acumulou perdas pelo terceiro dia consecutivo, e Cielo e CVC também recuaram com força.

Lá fora, o ambiente também era desfavorável. Dow Jones caiu 1,59% e S&P 500 recuou 1,19%, enquanto Jerome Powell reiterou ao Congresso americano que o Fed acompanha de perto as expectativas de inflação e usará todos os instrumentos disponíveis para conduzir os preços à meta. O debate sobre o tapering — a retirada gradual de estímulos — seguiu no radar dos investidores, somando incerteza ao já conturbado fechamento de trimestre.

Na última sessão de setembro, o Ibovespa oscilou para o vermelho, encerrando o mês e o trimestre com sinais de fraqueza. O índice havia flertado com ganhos durante boa parte da tarde, mas não conseguiu sustentar a recuperação. Fechou em queda de 0,11%, aos 110.979,10 pontos, com giro financeiro de R$ 42,1 bilhões. A sessão refletia um cenário externo majoritariamente negativo, alimentado por impasses sobre o teto de gastos americano, enquanto no Brasil a pressão adicional vinha do câmbio e dos juros futuros, ambos pressionados pelo retorno de preocupações com a saúde fiscal do país.

O terceiro trimestre de 2021 terminou como o segundo pior da pandemia. O Ibovespa acumulou queda de 12,47% entre julho e setembro, perdendo 15.822,56 pontos no período. Apenas o intervalo de janeiro a março de 2020 foi mais devastador, quando o índice cedeu 36,86%. Setembro sozinho registrou perda de 6,57%, vindo após quedas de 2,48% em agosto e 3,94% em julho. O mês foi o terceiro pior desde o início da crise sanitária, atrás apenas de março e fevereiro de 2020, quando o índice caiu 29,90% e 8,43%, respectivamente. No ano, o saldo virou negativo: queda acumulada de 6,75% até o fim do terceiro trimestre.

O cenário doméstico foi particularmente turbulento. Ao meio do dia, circulou rumor de que Bruno Funchal, secretário especial do Tesouro e do Orçamento, havia feito avaliação pessimista sobre gastos públicos em reuniões fechadas promovidas por BTG e XP com bancos e fundos. Funchal teria reiterado que não participaria de iniciativas para gastos adicionais com auxílio emergencial. A notícia pressionou os ativos, com o Ibovespa oscilando para o negativo. Nos bastidores do governo, integrantes da administração discutem incluir a prorrogação do auxílio emergencial na PEC dos Precatórios em tramitação no Congresso, estratégia que contornaria resistências do Ministério da Economia ao derrubar o argumento técnico de falta de fundamento legal para nova rodada de ajuda aos vulneráveis.

O setor de commodities funcionou como amortecedor das perdas. Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, destacou que o PMI industrial chinês interrompeu seu movimento de queda recente, oferecendo alívio. A siderurgia se destacou: Gerdau PN subiu 3,95%, CSN ON avançou 3,05% e Usiminas PNA ganhou 2,68%, recuperando-se de correção anterior ligada ao ajuste nos preços do minério de ferro. Vale ON fechou em leve alta de 0,58%, enquanto Petrobras ON e PN cederam 0,07% e 0,58%, respectivamente. Na ponta positiva do índice, PetroRio liderou com alta de 9,50%, seguido por Locaweb (4,86%) e Gerdau PN (3,95%). No lado oposto, Banco Inter (Unit -7,26%, PN -5,83%) liderou as quedas pelo terceiro dia consecutivo, acompanhado por Cielo (-4,58%) e CVC (-3,93%). Os grandes bancos tiveram desempenho misto, com Santander Unit caindo 2,91% e Bradesco PN ganhando 0,14%.

O contexto internacional também pesou. Nos Estados Unidos, Dow Jones caiu 1,59% e S&P 500 recuou 1,19%, pressionados por preocupações com a economia e a trajetória da inflação. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, reiterou durante audiência na Câmara dos Representantes que o Fed monitora com cuidado as expectativas de inflação, afirmando que no médio e longo prazo elas coincidem com a meta de 2%. Simultaneamente, repetiu que o banco central usará todos os instrumentos disponíveis para levar os preços rumo à meta, caso necessário. João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos, observou que o fechamento de setembro foi particularmente negativo após uma manhã que sugeria melhor desempenho, com disputa pelo fechamento da Ptax no meio do dia. O dólar ameaçou ceder bastante mas reverteu a queda a partir das 9h40-9h50, logo antes da primeira janela da Ptax. Além das questões de auxílio emergencial e teto de gastos, o mercado digeriu o relatório trimestral de inflação e o debate sobre o tapering do Fed — a retirada gradual de estímulos quando a economia americana caminhar com suas próprias pernas.

Em dólar, o Ibovespa fechou setembro a 20.377,34 pontos, em queda desde 22.966,61 pontos no fim de agosto e 23.378,71 pontos no encerramento de julho. O índice havia atingido máxima histórica de 131.190,30 pontos no intradia de 7 de junho, quando a moeda americana estava a R$ 5,0324. No segundo trimestre, o Ibovespa havia acumulado ganho de 8,01%, recuperando-se da perda de 2,00% no primeiro trimestre e deixando o semestre com ganho de 6,54%. A volatilidade do período reflete a dificuldade dos investidores em precificar simultaneamente a recuperação econômica pós-pandemia, as pressões inflacionárias globais e as incertezas fiscais domésticas.

O PMI industrial chinês interrompeu o movimento de queda recente, oferecendo alívio ao índice
— Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora
O fechamento de setembro foi bem negativo, após uma manhã que sugeria algo melhor, com disputa pelo fechamento da Ptax e o mercado digerindo o relatório trimestral de inflação
— João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Portal Mix Vale ↗
Nous contacter FAQ