Ibovespa fecha quase estável com queda de Vale compensada por avanço em NY

Um dia de equilíbrio perfeito entre perdas e ganhos
Ibovespa fecha praticamente estável com Vale caindo 3,96% compensada por avanço de bancos e Petrobras.
Mark

Por que Vale caiu tanto se o resto do mercado estava subindo?

Mimi

Vale divulgou números ruins — lucro caiu 78% no trimestre — e o minério de ferro também recuou na Ásia. Quando uma empresa grande como essa tem resultado fraco, arrasta todo o setor de mineração e siderurgia com ela.

Mark

Mas Petrobras também tinha tido um dia ruim na quinta. Por que subiu na sexta?

Mimi

Petrobras estava esperando uma reunião do Conselho para definir a política de dividendos. Quando há incerteza assim, o mercado fica assustado. Na sexta, a expectativa de uma decisão trouxe alguma segurança de volta.

Mark

E os bancos? Por que tiveram dia bom?

Mimi

Os bancos sempre têm movimento contrário ao setor de commodities. Quando mineração e siderurgia caem, os bancos costumam subir. É uma dinâmica natural da bolsa brasileira.

Mark

O que Wall Street teve a ver com isso?

Mimi

Os mercados americanos subiram forte porque os dados de inflação foram melhores que o esperado. Isso aliviou o medo de mais aumentos de juros. Quando Nova York sobe, geralmente puxa os mercados emergentes para cima também.

Mark

Então o Ibovespa só não caiu porque os bancos compensaram Vale?

Mimi

Exatamente. Foi um dia de equilíbrio perfeito — perdas em um lado, ganhos no outro. O mercado estava esperando por definições: a reunião de Petrobras, a decisão do Banco Central sobre juros. Enquanto isso, ficou em compasso de espera.

Mark

E a próxima semana?

Mimi

Vai ser mais intensa. O Banco Central decide sobre a Selic, o Congresso volta, e mais balanços saem. Essas coisas devem mexer mais com o mercado.

  • Vale despencou quase 4% após revelar que seu lucro líquido encolheu 78,2% no segundo trimestre, arrastando toda a cadeia de mineração e siderurgia consigo.
  • Rumores sobre uma possível troca na presidência da Vale, com o nome de Guido Mantega circulando nos bastidores, amplificaram a pressão sobre o papel ao longo do pregão.
  • Petrobras tentou se recuperar do pior dia em sete meses, subindo 1,26%, enquanto o mercado aguardava ansioso a reunião do Conselho de Administração sobre dividendos e recompra de ações.
  • BRF disparou mais de 7% após acordo entre Brasil e Japão limitar a suspensão de exportações de frango apenas a municípios com focos de gripe aviária, aliviando o temor de um embargo nacional.
  • Wall Street avançou com força após dados de inflação americana dentro do esperado, oferecendo suporte externo a um mercado doméstico que encerrou a semana praticamente no zero a zero.

Em uma sexta-feira de forças que se cancelaram mutuamente, a bolsa brasileira encerrou o pregão quase exatamente onde o havia começado — um equilíbrio que, longe de ser indiferença, revelava a tensão entre setores em direções opostas. A queda expressiva da Vale, penalizada por resultados fracos e rumores de mudança na liderança, foi absorvida pelo avanço de bancos e Petrobras, enquanto o mercado aguardava, em compasso de espera, as decisões que a semana seguinte traria sobre juros e dividendos. É o retrato de um mercado que ainda não encontrou sua direção, mas que tampouco perdeu a compostura.

A bolsa brasileira encerrou a sexta-feira praticamente imóvel, com o Ibovespa subindo apenas 0,16% e fechando em 120.187 pontos. A sessão foi marcada por forças opostas que se equilibraram com precisão: de um lado, a forte queda da Vale; do outro, o avanço de bancos e Petrobras.

A Vale recuou 3,96% após divulgar, na véspera, um lucro líquido 78,2% menor no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, além de projeções de custos mais elevadas. A mineradora anunciou ainda a distribuição de juros sobre capital próprio e um acordo para vender 13% de sua divisão de metais básicos por 3,4 bilhões de dólares. O minério de ferro caiu mais de 2% na Ásia, e rumores sobre uma possível mudança na presidência da empresa — com o nome de Guido Mantega sendo mencionado — circulavam pelo mercado. Usiminas e CSN também recuaram, refletindo a pressão generalizada sobre o setor de commodities.

Petrobras, que havia registrado seu pior dia em cerca de sete meses na quinta-feira, recuperou parte das perdas e subiu 1,26%. O mercado aguardava a reunião do Conselho de Administração sobre a nova política de dividendos e um possível programa de recompra de ações — incerteza que havia pesado fortemente no papel na véspera.

Entre os destaques positivos, BRF disparou 7,11% após Brasil e Japão chegarem a um acordo que limitou a suspensão de exportações de frango apenas aos municípios com focos de gripe aviária. Multiplan avançou 2,14% com alta de 43,3% no lucro do segundo trimestre. Os grandes bancos também tiveram dia positivo, com Itaú e Bradesco subindo cerca de 1%.

No exterior, Wall Street ofereceu suporte com forte alta, impulsionada por dados de inflação americana em linha com as expectativas e pelos resultados da Intel, que animaram o setor de semicondutores.

Na semana, o Ibovespa acumulou queda de apenas 0,03%, apesar de ter atingido máximas históricas nos primeiros dias. A próxima semana promete mais movimento: o Banco Central deve anunciar sua decisão sobre a Selic — com o mercado dividido entre corte de 0,25 ou 0,50 ponto percentual — e Bradesco e Petrobras divulgam seus balanços.

A bolsa brasileira encerrou a sexta-feira praticamente imóvel, refletindo uma sessão de forças opostas que se equilibraram com precisão. O Ibovespa subiu apenas 0,16%, fechando em 120.187,11 pontos, depois de oscilar entre mínimas de 119.706,26 e máximas de 120.660,21 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro movimentado foi de 19,1 bilhões de reais — um dia típico de mercado dividido, onde ganhos em um setor compensavam perdas em outro.

A dinâmica do dia ficou clara nos números: Vale despencou 3,96%, arrastando consigo toda a cadeia de mineração e siderurgia, enquanto bancos e Petrobras avançavam. A mineradora havia divulgado na véspera resultados que explicavam a queda — lucro líquido 78,2% menor no segundo trimestre comparado ao mesmo período do ano anterior, além de projeções de custos mais altas. A empresa anunciou ainda a distribuição de juros sobre capital próprio de 8,28 bilhões de reais e um acordo para vender 13% de sua divisão de metais básicos por 3,4 bilhões de dólares. O minério de ferro caiu mais de 2% na Ásia durante a sessão, pressionando ainda mais o papel. Rumores sobre uma possível mudança na presidência da empresa — com o nome de Guido Mantega sendo mencionado — também circulavam nos corredores do mercado.

Petrobras, por sua vez, recuperou-se de um tombo de mais de 5% na quinta-feira, quando registrou seu pior dia em cerca de sete meses. A estatal subiu 1,26% nesta sexta, fechando a 29,76 reais. O mercado aguardava com atenção a reunião do Conselho de Administração marcada para o mesmo dia, onde seria discutida a nova política de dividendos da empresa e um possível programa de recompra de ações. Essa incerteza havia pesado fortemente no papel na véspera, mas a expectativa de definições trouxe alguma estabilidade.

Outras companhias do setor de mineração e siderurgia também sofreram. Usiminas caiu 5,34%, a 7,09 reais, após divulgar lucro líquido de 287 milhões de reais entre abril e junho — uma queda de 73% em relação ao mesmo trimestre de 2022. A empresa adiou ainda a conclusão das reformas do alto-forno 3 em Ipatinga de agosto para setembro. A Companhia Siderúrgica Nacional recuou 2,18%. Esses números refletiam a pressão contínua sobre o setor de commodities.

Nem tudo foi queda. BRF disparou 7,11%, a 9,19 reais, acelerada pela notícia de que autoridades brasileiras e japonesas haviam chegado a um acordo: a suspensão de exportações de frango e ovos para o Japão ficaria restrita apenas aos municípios onde houvesse detecção de focos de gripe aviária, não abrangendo todo o país. Multiplan, operadora de shoppings, ganhou 2,14%, a 26,7 reais, após divulgar alta de 43,3% no lucro líquido do segundo trimestre. O banco Citi destacou que os resultados foram fortes, com o desempenho de aluguel em lojas comparáveis sendo a principal surpresa positiva. Os bancos em geral tiveram dia positivo: Itaú Unibanco subiu 1,49%, a 28,54 reais, e Bradesco avançou 1,1%, a 16,51 reais.

No exterior, Wall Street oferecia suporte. Os principais índices americanos tiveram forte alta na sexta-feira após dados de inflação nos Estados Unidos virem em linha com as expectativas, reforçando a possibilidade de que o Federal Reserve não cortaria juros em setembro. Um avanço generalizado em ações de fabricantes de chips, alimentado pelos resultados da Intel, também deu impulso ao mercado. O S&P 500 subiu 1%.

Na semana, o Ibovespa acumulou variação negativa de apenas 0,03%, apesar de ter atingido máximas desde agosto de 2021 nos primeiros três dias. A forte correção na quinta-feira, pressionada por Petrobras e Vale, havia apagado esses ganhos. Operadores descreviam o dia como um "zero a zero" — uma pausa após a volatilidade anterior, com o mercado em compasso de espera.

A próxima semana promete ser mais movimentada. O Banco Central deve anunciar sua decisão sobre a taxa Selic, com o mercado dividido entre apostas em um corte de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 ponto. O Congresso Nacional retorna do recesso, e Bradesco e Petrobras estão entre os destaques da agenda de divulgação de balanços. Esses eventos devem definir o tom do mercado nos próximos dias.

Mercado hoje ficou olhando os balanços corporativos, então pega no setor de mineração e siderurgia, com peso no índice Ibovespa
— Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença
Esse zero a zero também é em função de uma parada em relação a ontem, quando bateram bastante em Petrobras. Hoje ficou mais em compasso de espera
— Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença
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