Ibovespa fecha melhor mês desde 2020 com alta de 6,98% em janeiro

O Brasil não virou a última bolacha do pacote, estava descontado demais
Economista explica por que investidores estrangeiros voltaram a olhar para o mercado brasileiro em janeiro.
Mark

Por que o mercado brasileiro se saiu tão melhor que Wall Street em janeiro?

Mimi

Porque investidores estrangeiros viram o Brasil operando com preços muito descontados. Enquanto o mundo inteiro fugia de tecnologia por medo de juros mais altos, aqui havia oportunidade genuína em ações de valor — especialmente bancos.

Mark

Mas o Brasil tem problemas econômicos reais, certo? Desemprego, inflação crescente?

Mimi

Tem, sim. E isso é o paradoxo. Os dados ruins saíram no mesmo dia. Mas o mercado de capitais estava olhando para frente, vendo múltiplos baratos demais para ignorar.

Mark

Então essa alta em janeiro é sustentável?

Mimi

Depende do que acontecer com os juros americanos e com a inflação aqui. A agenda das próximas semanas — decisão do Banco Central, balanços das empresas — vai dizer se essa entrada de estrangeiro continua ou se recua.

Mark

E a Vale caindo 3,3% no último dia? Isso não é um sinal de alerta?

Mimi

A Vale é sensível ao ciclo global. Caiu porque o mercado respirou fundo. Mas a CSN Mineração já anunciava que a barragem voltava ao normal. É mais volatilidade do que ruptura.

Mark

Qual foi o setor que mais ganhou?

Mimi

Financeiro, sem dúvida. B3, Itaú, Bradesco — todos surfando a onda de investidores que abandonaram tecnologia. Enquanto isso, Locaweb despencou 26%.

Mark

Então quem entrou em tecnologia em janeiro perdeu dinheiro?

Mimi

Quem estava em tecnologia perdeu. Quem saiu de tecnologia e entrou em banco ganhou. Foi uma rotação clara, não um mercado em alta geral.

  • A iminência de alta de juros nos EUA provocou uma fuga em massa de ações de tecnologia, redirecionando capital global para mercados emergentes com múltiplos historicamente baratos — e o Brasil foi um dos principais destinos.
  • Enquanto o Nasdaq recuava 9% no mês, o Ibovespa subia 6,98% em reais e impressionantes 12,4% em dólares, expondo a profundidade do contraste entre os dois mercados.
  • O setor financeiro brasileiro foi o grande beneficiado da rotação: B3 ON disparou 31,8%, Itaú Unibanco PN subiu 21% e Bradesco PN avançou 18,8%, enquanto a Locaweb ON despencou 26,3%, símbolo do castigo imposto às empresas de tecnologia.
  • Na última sessão do mês, a Vale pressionou o índice com queda de 3,3%, mas companhias aéreas e varejistas compensaram, sinalizando que o apetite por recuperação interna ainda persiste.
  • A semana que se abre traz decisão de política monetária, retorno do Congresso e início da temporada de balanços — uma confluência de eventos capaz de reescrever rapidamente o humor que sustentou janeiro.

Em janeiro de 2022, o Ibovespa concluiu seu melhor mês em mais de um ano, acumulando 6,98% de valorização — um desempenho que, visto de longe, revela menos uma virada estrutural do que uma reconfiguração global de prioridades: investidores estrangeiros, antecipando juros mais altos nos Estados Unidos, abandonaram o crescimento especulativo e buscaram refúgio no valor descontado que o mercado brasileiro oferecia. O Brasil não mudou; o olhar sobre ele é que se deslocou.

A bolsa brasileira encerrou janeiro de 2022 com seu melhor desempenho mensal desde dezembro de 2020, acumulando 6,98% de valorização. Na última sessão do período, o Ibovespa avançou 0,21%, fechando em 112.143,51 pontos com volume de 30,9 bilhões de reais. O resultado ganhou ainda mais relevo diante do cenário externo: o Nasdaq recuou 9% no mesmo período, e em dólares a alta brasileira chegou a 12,4%.

O principal motor do rali foi a entrada de capital estrangeiro atraído por múltiplos descontados. Alexandre Espirito Santo, da Órama, destacou que o Brasil não se tornou atrativo por acaso — o mercado simplesmente operava abaixo do seu potencial percebido. Somou-se a isso uma rotação global de portfólios: com a perspectiva de juros mais altos nos EUA, investidores migraram de ações de crescimento, sobretudo tecnologia, para papéis de valor, especialmente bancos.

Essa dinâmica ficou clara nos números do mês. A B3 ON liderou as altas com 31,8%, seguida pela Hapvida ON com 22% — beneficiada pela incorporação da Intermédica. Itaú Unibanco PN subiu 21% e Bradesco PN avançou 18,8%. No lado oposto, a Locaweb ON caiu 26,3%, emblema do impacto sobre empresas de tecnologia, e a Alpargatas recuou 21,1%, pressionada por fatores macro e pela polêmica aquisição de participação na Rothy's.

Na sessão de encerramento, a Vale pesou com queda de 3,3%, sua maior retração diária desde novembro. Em sentido contrário, companhias aéreas e de turismo se recuperaram — Azul PN subiu 8%, Gol PN avançou 7,5% — e o varejo também contribuiu positivamente, com Magazine Luiza ON em alta de 4,3%.

O otimismo do mercado, porém, conviveu com sinais econômicos adversos: geração de empregos formais abaixo do esperado em dezembro, superávit primário do setor público aquém das estimativas e elevação nas projeções de inflação para 2022 e 2023 na pesquisa Focus. A agenda dos próximos dias — decisão de política monetária, retorno do Congresso, início da temporada de balanços — tem potencial para redefinir o sentimento que sustentou o melhor janeiro da bolsa em mais de um ano.

A bolsa brasileira encerrou janeiro com seu melhor desempenho mensal em mais de um ano, acumulando ganhos de 6,98% — a maior valorização para um mês desde dezembro de 2020, quando havia subido 9,3%. Na segunda-feira que fechou o período, o Ibovespa avançou 0,21%, atingindo 112.143,51 pontos, com volume financeiro de 30,9 bilhões de reais. O resultado contrasta com os principais mercados norte-americanos, que terminaram janeiro em queda, com o Nasdaq recuando 9%. Em termos de dólar, a performance brasileira foi ainda mais expressiva: 12,4% de valorização no mês.

O motor do desempenho foi a entrada de investidores estrangeiros que identificaram oportunidades no mercado local. Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama, explicou que o Brasil não se tornou subitamente atrativo por acaso — o mercado estava operando com múltiplos significativamente descontados em relação ao seu potencial. Essa percepção abriu espaço para ganhos adicionais, segundo sua avaliação. O movimento refletiu uma reconfiguração global de portfólios: com a perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos nos próximos meses, investidores migraram de ações de crescimento, particularmente do setor de tecnologia, para papéis de valor, especialmente bancos. O setor financeiro brasileiro colheu os frutos dessa rotação, registrando algumas das maiores altas do índice durante janeiro.

Os números do mês revelam essa dinâmica com clareza. A B3 ON liderou as altas com 31,8%, surpreendentemente sem grandes novidades corporativas — o desempenho refletiu puramente a migração setorial. O Itaú Unibanco PN subiu 21%, ficando em terceiro lugar, enquanto o Bradesco PN avançou 18,8%, em quinto. A Hapvida ON, beneficiada pela incorporação da Intermédica ON, subiu 22%, ficando em segundo lugar. No lado oposto, a Locaweb ON despencou 26,3%, simbolizando o impacto que empresas de tecnologia sofreram com a reversão de apetite por risco. A Alpargatas cedeu 21,1%, segunda maior queda, pressionada tanto por fatores macroeconômicos quanto pela polêmica em torno de sua aquisição de participação na Rothy's, anunciada em dezembro.

Na sessão de segunda-feira, a Vale pesou negativamente com queda de 3,3%, sua maior retração diária desde meados de novembro. A CSN Mineração recuou 2,4%, embora tenha anunciado a volta da barragem da mina de Fernandinho, em Minas Gerais, ao nível zero de emergência e o restabelecimento gradual da produção de minério de ferro. Companhias aéreas e de turismo se recuperaram: Azul PN avançou 8%, Gol PN subiu 7,5% e CVC ON teve alta de 5,9%. No varejo, Magazine Luiza ON avançou 4,3%, Via ON subiu 3,3% e Americanas ON teve ganho de 1%. A Petrobras PN caiu 0,6% e ON recuou 1,7%, apesar da alta do preço do petróleo, que fechou janeiro com seus maiores ganhos desde fevereiro de 2021.

O otimismo do mercado de capitais contrastou com dados econômicos negativos divulgados no mesmo dia. O Brasil criou menos vagas formais de trabalho em dezembro do que o mercado esperava. O setor público consolidado registrou um superávit primário muito abaixo das estimativas de analistas. Mais preocupante, a pesquisa Focus do Banco Central mostrou elevação nas projeções de inflação tanto para 2022 quanto para 2023. A agenda doméstica para os próximos dias promete ser intensa: decisão sobre política monetária, retorno dos trabalhos no Congresso Nacional, início da temporada de divulgação de balanços do quarto trimestre de 2021 e novos indicadores econômicos. Esses eventos terão potencial para reconfigurar o sentimento do mercado nos próximos dias.

O Brasil realmente estava com múltiplo muito descontado, e há espaço para ganhos adicionais
— Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama
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