Ibovespa fecha em alta pela primeira vez no ano, mas pressão externa limita ganhos

O estrangeiro domina, e o tom hawkish atrapalha
Especialista explica por que a recuperação do Ibovespa foi limitada apesar de ganhos domésticos.
Mark

Por que um dia de alta no Ibovespa é notícia se foi só 0,55%?

Mimi

Porque foram três dias seguidos de queda antes disso. Qualquer recuperação depois de uma sequência assim importa — mostra que o mercado conseguiu respirar, mesmo que brevemente.

Luke

Mas o índice perdeu força das máximas do dia. Subiu acima de 102 mil e caiu para 101.561. Isso não é exatamente uma vitória.

Mimi

Verdade. É mais um alívio técnico do que uma reversão de tendência. O mercado externo ainda domina.

Mark

O que o Federal Reserve fez de tão grave?

Mimi

Sinalizou que vai começar a subir juros em março, mais cedo do que se esperava. Com inflação nos maiores patamares em 40 anos, a autoridade americana está mudando de tom.

Luke

E isso afeta o Brasil como?

Mimi

Investidores estrangeiros têm grande participação na Bolsa brasileira. Quando juros americanos sobem, eles tendem a sair de mercados emergentes e voltar para casa, onde o retorno fica mais atrativo.

Mark

A Vale salvou o dia?

Mimi

Ajudou. Fechou em alta de 2,02% e foi o papel mais negociado. Mas outras ações de commodities perderam fôlego nas últimas horas.

Luke

E os fundamentos brasileiros? Estão bons?

Mimi

Segundo o especialista, sim. Mas a produção industrial caiu 0,2% em novembro, quando esperavam avanço. Não é um sinal forte.

Mark

Qual é o risco daqui para frente?

Mimi

Perder os 100 mil pontos. Juros externos altos e a eleição de 2022 aqui no Brasil criam incerteza.

Luke

Mas se a Bolsa está barata, não deveria ser oportunidade de compra?

Mimi

Depende do horizonte do investidor. Fundamentos são bons, mas a volatilidade pode ser alta nos próximos meses.

  • O Federal Reserve surpreendeu os mercados com um tom mais agressivo do que o esperado, abrindo caminho para alta de juros já em março e derrubando bolsas em Nova York e na Europa.
  • O Ibovespa chegou a superar 102 mil pontos durante o pregão, mas cedeu à pressão externa e terminou em 101.561 pontos — uma vitória incompleta após três quedas consecutivas.
  • No Brasil, a prorrogação da desoneração da folha para 17 setores e a queda inesperada da produção industrial em novembro alimentaram preocupações fiscais que limitaram o otimismo.
  • A Vale foi o grande sustentáculo do dia, subindo 2,02% com o maior volume negociado, enquanto o dólar recuou para R$ 5,68 e os juros futuros sinalizaram postura menos agressiva do Banco Central.
  • Especialistas alertam: apesar dos fundamentos sólidos das empresas, o Ibovespa corre risco real de perder os 100 mil pontos diante da pressão de juros externos e da incerteza eleitoral de 2022.

Na primeira semana de janeiro de 2022, o Ibovespa encontrou um breve alívio após três dias de perdas, encerrando em alta modesta de 0,55% — um respiro que, no entanto, carrega o peso de forças maiores ao redor. O Federal Reserve americano sinalizou aperto monetário mais acelerado, lembrando ao mundo que o ciclo de dinheiro fácil se aproxima do fim, enquanto o Brasil navega entre fragilidades fiscais domésticas e a incerteza de um ano eleitoral. A recuperação de hoje é real, mas parcial: o mercado sabe que os 100 mil pontos podem ser testados, e que a solidez das empresas, por si só, nem sempre é suficiente quando a maré global muda de direção.

O Ibovespa encerrou esta quinta-feira em alta de 0,55%, aos 101.561 pontos, quebrando uma sequência de três pregões negativos desde o início do ano. A recuperação, porém, foi parcial: durante a sessão, o índice havia chegado a superar os 102 mil pontos antes de recuar sob pressão dos mercados internacionais.

O principal vetor negativo veio dos Estados Unidos. A ata da última reunião do Federal Reserve, divulgada na véspera, surpreendeu com um tom mais hawkish do que o esperado, sinalizando que a primeira alta de juros pode ocorrer já em março. O impacto foi imediato: Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones fecharam em queda, e o índice europeu Stoxx 600 recuou 1,3%, com as ações de tecnologia entre as mais penalizadas. Para Juan Espinhel, da Ivest Consultoria, o peso do investidor estrangeiro na bolsa brasileira faz com que esse tom mais restritivo do Fed se traduza diretamente em pressão sobre o Ibovespa.

No cenário doméstico, a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores gerou preocupações fiscais, enquanto a produção industrial de novembro recuou 0,2% — abaixo do esperado pelo mercado. Ainda assim, a Vale segurou o índice no azul, fechando em alta de 2,02% e liderando o volume negociado no dia, que totalizou R$ 26,2 bilhões.

No câmbio, o dólar recuou 0,56%, fechando próximo de R$ 5,68. Os juros futuros também aliviaram, com o DI para janeiro de 2023 caindo 14 pontos-base para 11,97%, sugerindo expectativa de postura menos agressiva do Banco Central nas próximas reuniões do Copom. No mercado de commodities, o petróleo subiu com a crise política no Cazaquistão, país produtor relevante, mesmo sem sinais de interrupção na produção.

O alívio de hoje não apaga os riscos à frente. Espinhel adverte que, apesar dos fundamentos sólidos das empresas e de uma bolsa considerada barata em termos de avaliação, o Ibovespa pode perder os 100 mil pontos caso a pressão de juros externos persista — e com a eleição presidencial de 2022 adicionando uma camada extra de incerteza ao horizonte.

O Ibovespa respirou fundo nesta quinta-feira e conseguiu fechar em alta pela primeira vez desde o início de janeiro, ainda que longe do topo que havia tocado durante o pregão. O índice subiu 0,55%, terminando em 101.561 pontos, depois de três dias seguidos de perdas. Mas a vitória foi parcial: durante a sessão, o índice havia saltado acima de 102 mil pontos, testando patamares mais altos, antes de ceder à pressão que vinha dos mercados internacionais.

O que pesou contra o Brasil veio principalmente de Nova York. O Federal Reserve havia divulgado a ata de sua última reunião de política monetária na véspera, e o tom foi mais agressivo do que o mercado esperava. A autoridade monetária americana sinalizou que o ciclo de aperto monetário começaria mais cedo do que se pensava, com possibilidade de primeira alta de juros já em março. Essa perspectiva derrubou as bolsas americanas: a Nasdaq caiu 0,13%, o S&P 500 recuou 0,1% e o Dow Jones cedeu 0,47%. Na Europa, onde as bolsas estavam fechadas quando a ata foi divulgada na véspera, o impacto foi ainda mais forte. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países, fechou em queda de 1,3%, com as ações de tecnologia sendo as mais atingidas — investidores enxergam juros mais altos como uma ameaça a empresas que dependem de financiamento barato.

No Brasil, o cenário doméstico também não ajudava. O governo havia prorrogado a desoneração da folha de pagamento para 17 setores, uma medida que gerou preocupações fiscais no mercado. Além disso, dados econômicos continuavam frágeis: a produção industrial de novembro havia caído 0,2% na comparação mensal, quando o mercado esperava um avanço. Segundo Juan Espinhel, especialista de investimentos da Ivest Consultoria, o mercado brasileiro começou o ano repercutindo essas questões fiscais, e a recuperação de hoje foi limitada justamente porque o exterior domina. "O estrangeiro tem grande representatividade na nossa Bolsa e o tom mais hawkish do Federal Reserve atrapalha", explicou.

As ações ligadas a commodities, que haviam sustentado o Ibovespa em alta durante boa parte do dia, também perderam fôlego nas últimas horas. A exceção foi a Vale, que fechou em alta de 2,02% e foi o papel com maior volume negociado no dia, ajudando a Bolsa a terminar no azul. O volume total negociado ficou em R$ 26,2 bilhões. O Ibovespa futuro para fevereiro subia 0,71%, aos 102.380 pontos, nos últimos negócios.

No mercado de câmbio, o dólar comercial recuou 0,56%, fechando a R$ 5,679 na compra e R$ 5,680 na venda, próximo das mínimas do dia. O dólar futuro para fevereiro era negociado em baixa de 0,33%, a R$ 5,716. Na sessão estendida, os juros futuros apontaram para uma postura menos agressiva do Banco Central brasileiro nas próximas reuniões do Copom: o DI para janeiro de 2023 recuou 14 pontos-base para 11,97%; o DI para janeiro de 2025 caiu 11 pontos-base para 11,32%; e o DI para janeiro de 2027 recuou dez pontos-base para 11,22%.

No segmento de commodities, o petróleo reagiu à crise política no Cazaquistão, país produtor importante. Embora não haja sinais de que a produção esteja sendo afetada, o barril do WTI para fevereiro fechou em alta de 1,82%, a US$ 79,27, enquanto o Brent, referência para a Petrobras, subiu 1,72%, a US$ 82,19.

Espinhel alertou para riscos à frente. Apesar de os fundamentos das empresas serem sólidos e a Bolsa estar barata em termos de avaliação, o Ibovespa corre o risco de perder os 100 mil pontos. A pressão de juros mais altos lá fora continua sendo uma ameaça, e há ainda a eleição presidencial brasileira marcada para 2022, que adiciona incerteza ao cenário.

Tentamos recuperar essa queda de três dias seguidos na sessão de hoje, mas o mercado lá fora domina, já que o estrangeiro tem grande representatividade na nossa Bolsa e o tom mais hawkish do Federal Reserve atrapalha
— Juan Espinhel, especialista de investimentos da Ivest Consultoria
Os fundamentos das empresas são bons, mas tem a perspectiva de alta de juros lá fora jogando contra e a eleição aqui no Brasil em 2022
— Juan Espinhel, especialista de investimentos da Ivest Consultoria
Quieres la nota completa? Lee el original en InfoMoney ↗
Contáctanos FAQ