Em um dia em que Wall Street celebrava o retorno do apetite por tecnologia, o Brasil seguiu um ritmo próprio: o Ibovespa recuou modestamente, pressionado pela incerteza sobre o futuro da Petrobras, enquanto o dólar afundou ao menor nível em mais de dois anos, atraído pelo diferencial de juros que faz do país um destino rentável para o capital estrangeiro. É o retrato de uma economia que oscila entre vulnerabilidades internas e atrativos estruturais — dois pesos numa mesma balança.
Ibovespa cai enquanto dólar atinge menor cotação em dois anos; Petrobras pressiona
Dois executivos desistiram em dois dias, e o governo tem até 13 de abril para decidir
Por que a Petrobras caiu se o petróleo estava subindo lá fora?
Porque o mercado não estava olhando para o preço do barril. Estava olhando para a incerteza sobre quem vai comandar a empresa. Dois executivos desistiram em dois dias, e o governo tem até 13 de abril para definir os novos nomes. Isso gera volatilidade.
Mas a gente sabe se essa volatilidade é temporária ou se há problemas estruturais na companhia?
O especialista Juan Espinhel disse que a volatilidade deve continuar até o dia 13. Depois disso, provavelmente as coisas se acalmam — ou não, dependendo de quem for escolhido.
E o dólar caindo tão forte — isso é bom ou ruim?
Nesse momento, foi bom para quem tem dívida em dólar ou precisa importar. Capital estrangeiro entrou no país porque os juros brasileiros estão atraentes comparados aos juros lá fora.
Mas a gente não sabe se esse capital vai ficar ou se é só especulação de curto prazo?
Não. A gente só sabe que entrou e que o dólar caiu para a menor cotação em mais de dois anos. O que vai acontecer depois depende de muitas coisas — a situação na Rússia, a inflação, as decisões do Banco Central.
Falando nisso, a greve dos servidores do Banco Central também afetou?
Sim, pesou sobre o índice. Mas não ficou claro no dia qual foi exatamente o impacto.
Então temos três coisas acontecendo ao mesmo tempo: incerteza na Petrobras, greve no Banco Central, e preocupações com a Rússia. É difícil saber qual pesou mais.
Exatamente. O mercado é uma coisa complexa. Não é um fator isolado que move tudo.
Der Puls
- A crise de liderança na Petrobras se aprofundou com a desistência de dois executivos em dois dias, derrubando as ações da estatal mesmo com o petróleo em alta no exterior.
- O governo tem até 13 de abril para nomear novos nomes para o comando da companhia, e a indefinição promete manter os papéis sob forte volatilidade.
- O dólar despencou a R$ 4,608, menor patamar em mais de dois anos, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro atraído pelos juros elevados no Brasil.
- Em Nova York, o Twitter disparou mais de 20% após Elon Musk revelar participação de 9,2% na empresa, puxando o Nasdaq para uma alta de 1,90%.
- Preocupações geopolíticas com novas sanções à Rússia, após imagens de civis mortos próximos a Kiev, seguiam no radar e limitavam o apetite por risco globalmente.
Em um dia em que Wall Street celebrava o retorno do apetite por tecnologia, o Brasil seguiu um ritmo próprio: o Ibovespa recuou modestamente, pressionado pela incerteza sobre o futuro da Petrobras, enquanto o dólar afundou ao menor nível em mais de dois anos, atraído pelo diferencial de juros que faz do país um destino rentável para o capital estrangeiro. É o retrato de uma economia que oscila entre vulnerabilidades internas e atrativos estruturais — dois pesos numa mesma balança.
A bolsa brasileira fechou em queda nesta segunda-feira, destoando do otimismo que dominou Wall Street. O Ibovespa recuou 0,24%, encerrando aos 121.279 pontos, com volume financeiro de R$ 21,6 bilhões. O principal peso sobre o índice foi a turbulência na Petrobras: Rodolfo Landim havia desistido da presidência do conselho na véspera, e nesta segunda-feira Adriano Pires também abriu mão do cargo de CEO. Com o governo tendo até 13 de abril para definir os novos nomes, especialistas alertam para dias de alta volatilidade nos papéis da estatal — um descompasso notável diante da alta do petróleo nos mercados internacionais.
Enquanto as ações sofriam, o câmbio contava outra história. O dólar à vista caiu 1,27%, chegando a R$ 4,608 — sua menor cotação em mais de dois anos —, beneficiado pelo diferencial de juros brasileiro, que atrai capital estrangeiro em busca de rentabilidade. A queda do dólar, por sua vez, foi vista como um fator desinflacionário, contribuindo para o recuo dos juros futuros ao longo da tarde. No radar dos investidores, permanecia a possibilidade de novas sanções contra a Rússia, após imagens de civis mortos em cidades próximas a Kiev reacenderem as tensões geopolíticas.
Do lado positivo, Minerva, Carrefour e Marfrig lideraram os ganhos do dia. Já CCR, Qualicorp e BRF figuraram entre as maiores quedas. Em Nova York, o cenário foi de euforia: o Nasdaq avançou 1,90%, puxado pelo Twitter — que disparou mais de 20% após a revelação de que Elon Musk adquiriu 9,2% da empresa — e pela Tesla, que subiu 5,7% após números de entrega acima do esperado. Analistas lembram que abril é historicamente um dos meses mais favoráveis para as ações americanas.
A bolsa brasileira fechou em queda nesta segunda-feira, destoando do otimismo que tomou conta de Wall Street. O Ibovespa recuou 0,24%, encerrando o pregão aos 121.279 pontos, após oscilar entre 120.753 e 121.570 pontos, com volume financeiro de R$ 21,6 bilhões. Enquanto isso, o dólar à vista desabou 1,27%, chegando a R$ 4,608 — sua menor cotação em mais de dois anos — impulsionado pela entrada de capital estrangeiro que busca aproveitar o diferencial de juros entre Brasil e exterior.
O que pesou sobre o índice foi principalmente a turbulência na Petrobras. As ações da estatal caíram apesar da alta do petróleo nos mercados internacionais, um descompasso que reflete a incerteza sobre quem comandará a companhia. Rodolfo Landim desistiu do cargo de presidente do conselho de administração na véspera, e nesta segunda-feira os jornais noticiaram que Adriano Pires também abriu mão da posição de CEO. O governo tem até o dia 13 de abril para definir os novos nomes, e segundo Juan Espinhel, especialista em investimentos da Invest Consultoria, os papéis da estatal devem sofrer com muita volatilidade nos próximos dias enquanto essa questão não se resolve. Os grandes bancos também contribuíram para empurrar o índice para baixo.
Outro fator que permanecia no radar dos investidores era a possibilidade de novas sanções contra a Rússia. O tema voltou à discussão após imagens divulgadas no fim de semana mostrarem centenas de civis executados em cidades próximas a Kiev, alimentando preocupações geopolíticas que afetam o apetite por risco.
Entre os destaques positivos do dia, as ações da Minerva subiram 3,05%, seguidas pela Carrefour, com ganho de 2,84%, e Marfrig, que avançou 2,77%. No lado oposto, CCR recuou 3,09%, Qualicorp caiu 2,89%, e BRF perdeu 2,49%.
Nos mercados futuros após o fechamento, os juros recuaram em sua maioria, beneficiados pela forte queda do dólar, um movimento considerado desinflacionário. O DIF23 fechou a 12,63%, o DIF25 a 11,10%, o DIF27 a 11,20% e o DIF29 a 10,99%.
Em Nova York, o cenário foi bem diferente. Os investidores se livraram dos temores de recessão e voltaram a comprar ações de tecnologia que haviam caído no primeiro trimestre. O Nasdaq subiu 1,90%, aos 14.532 pontos, impulsionado principalmente pelas ações do Twitter, que explodiram mais de 20% após a notícia de que Elon Musk havia comprado uma participação de 9,2% na empresa. As ações da Tesla também ganharam 5,7%, beneficiadas pelos números trimestrais de entrega de veículos elétricos divulgados no sábado, que superaram o mesmo período do ano anterior. O S&P 500 avançou 0,81%, aos 4.582 pontos, enquanto o Dow Jones subiu 0,30%, aos 34.922 pontos. Analistas apontam que Wall Street entrou em um período sazonalmente forte, com abril sendo tipicamente um dos melhores meses para as ações.
Bemerkenswerte Zitate
Os papéis da estatal ainda devem sofrer com muita volatilidade nos próximos dias, porque o governo precisa decidir os novos nomes até o dia 13— Juan Espinhel, especialista em investimentos da Invest Consultoria