O Ibovespa abriu 2024 com um ganho modesto, mas revelador: não foi a euforia que moveu o mercado brasileiro nesta quinta-feira, e sim a busca por clareza num ambiente em que as principais autoridades monetárias do mundo — o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve — deixaram mais perguntas do que respostas. Sustentado pelo vigor da Petrobras e pelo humor favorável de Wall Street, o índice fechou em 128.481 pontos, carregando consigo a cautela de quem aguarda sinais mais nítidos sobre o futuro dos juros antes de dar passos mais largos.
Ibovespa fecha em alta com suporte de Petrobras e endosso de Wall Street
O mercado operou sob cautela, preso a uma perspectiva incerta
Por que o Ibovespa subiu tão pouco se a Petrobras avançou 2%? Não deveria ter sido maior?
O ganho da Petrobras foi o que sustentou o índice. Sem ela, o mercado teria fechado em queda. Mas o resto da bolsa operou com cautela porque os investidores não conseguiram clareza sobre os juros.
Clareza sobre quais juros? Os brasileiros ou os americanos?
Os dois. O Banco Central divulgou sua decisão na véspera, mas o comunicado foi praticamente idêntico ao anterior. Enquanto isso, o Federal Reserve também se pronunciou, e os dados do mercado de trabalho americano não deixaram claro quando os juros cairão lá.
E isso afeta o Brasil como?
Quando há incerteza sobre juros nos EUA, investidores estrangeiros ficam em dúvida se mantêm dinheiro em ações brasileiras ou se buscam segurança em títulos americanos. Isso cria cautela.
Mas Wall Street fechou em alta. Por que o Brasil não acompanhou com mais força?
Porque o mercado brasileiro seguiu Wall Street, mas sem convicção própria. A Petrobras foi o âncora. Sem ela, seria diferente.
E os bancos? Caíram antes dos balanços?
Sim, pequenas quedas. Itaú e Bradesco recuaram porque investidores preferem esperar os números antes de tomar posição.
A Vale caiu pela terceira vez seguida. Há algo estrutural ali ou é só incerteza sobre demanda chinesa?
A fonte não deixa claro. Os futuros subiram em Cingapura mas caíram na China, então o mercado ainda está avaliando. Não há confirmação de um movimento estrutural.
El Pulso
- A 'superquarta' monetária — com decisões simultâneas do Banco Central brasileiro e do Fed — terminou sem dissipar a névoa: os comunicados vieram parecidos com os anteriores, deixando o mercado sem nova bússola.
- A Petrobras funcionou como âncora do dia, renovando máximas históricas e puxando o índice para cima enquanto outros setores oscilavam sem direção definida.
- Dados do mercado de trabalho americano alimentaram a narrativa de que o Fed ainda tem espaço para manter juros elevados, adiando as apostas em cortes e segurando o apetite por risco.
- Rumores falsos de cessar-fogo em Gaza derrubaram o petróleo no exterior, penalizando empresas como Prio e 3R Petroleum e mostrando como a geopolítica pode inverter movimentos em minutos.
- O mercado brasileiro entra em 2024 num compasso de espera: os grandes bancos ainda não divulgaram seus balanços, e investidores calibram posições antes de ter mais peças desse quebra-cabeça.
O Ibovespa abriu 2024 com um ganho modesto, mas revelador: não foi a euforia que moveu o mercado brasileiro nesta quinta-feira, e sim a busca por clareza num ambiente em que as principais autoridades monetárias do mundo — o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve — deixaram mais perguntas do que respostas. Sustentado pelo vigor da Petrobras e pelo humor favorável de Wall Street, o índice fechou em 128.481 pontos, carregando consigo a cautela de quem aguarda sinais mais nítidos sobre o futuro dos juros antes de dar passos mais largos.
O Ibovespa encerrou a primeira sessão de 2024 em alta de 0,57%, chegando a 128.481,02 pontos com volume de 23,7 bilhões de reais. O ganho, porém, dizia menos sobre confiança e mais sobre ausência de razões para vender: o mercado operava cauteloso, ainda digerindo a chamada 'superquarta', quando Banco Central brasileiro e Federal Reserve divulgaram suas decisões de política monetária sem oferecer a clareza que muitos esperavam. Analistas notaram que o comunicado do BC chegou muito semelhante ao anterior, sem sinalizar uma trajetória diferente para os juros.
A Petrobras foi o grande motor do dia. A ação preferencial avançou 2,77%, para 41,57 reais, renovando máximas históricas e sustentando o índice enquanto outros papéis oscilavam. A perspectiva de que a empresa seguiria como boa distribuidora de dividendos reforçava o interesse dos investidores. Já os preços do petróleo no exterior reverteram ganhos após rumores falsos de um cessar-fogo em Gaza, penalizando Prio, que recuou 1,78%, e a 3R Petroleum, que caiu 2,45% após anunciar avaliação de proposta envolvendo a PetroReconcavo.
Nos Estados Unidos, dados de produtividade e pedidos de seguro-desemprego acima do esperado reforçaram a narrativa de que o Fed ainda tem munição para manter juros elevados. Para os investidores brasileiros, isso significava continuar esperando: sem clareza sobre quando começariam os cortes americanos, o ritmo das decisões locais permanecia travado.
Entre os destaques positivos, o Pão de Açúcar disparou 6,91% e a CVC Brasil saltou 5,15%, beneficiada indiretamente pela operação policial contra o Grupo 123 Milhas. O Carrefour subiu 3,36% e o Banco do Brasil avançou 2,29%. Do lado negativo, a Vale recuou 0,46%, acumulando queda de 2,5% em quatro sessões, enquanto Itaú Unibanco e Bradesco cederam levemente às vésperas da divulgação de seus balanços. A Azul perdeu 1,12% após o cancelamento de uma reunião entre aéreas, Petrobras e governo sobre o querosene de aviação — mesmo dia em que a estatal anunciou seu quarto corte consecutivo no preço do combustível.
O Ibovespa começou 2024 em terreno positivo, fechando a quinta-feira com ganho de 0,57%, alcançando 128.481,02 pontos. O índice de referência da bolsa brasileira operou sustentado principalmente pelo avanço de cerca de 2% nas ações da Petrobras, que renovava máximas históricas, e pelo desempenho favorável observado simultaneamente em Wall Street. O volume financeiro movimentado chegou a 23,7 bilhões de reais.
O que chamava atenção, porém, era menos o tamanho do ganho e mais o que o mercado não conseguia fazer: encontrar clareza. Na véspera, tanto o Banco Central brasileiro quanto o Federal Reserve haviam divulgado suas decisões de política monetária — o que analistas chamam de "superquarta" — mas a comunicação das autoridades não dissipou a incerteza que pairava sobre a trajetória dos juros. Luis Novaes, analista da Terra Investimentos, observava que o mercado operava sob sentimento de cautela, preso a uma perspectiva incerta para os juros básicos. Sidney Lima, da Preto Investimentos, era mais direto: o comunicado do Banco Central havia chegado muito parecido com o anterior, sem oferecer a precificação diferente que alguns esperavam.
Sem grandes fatores determinantes próprios, o mercado brasileiro seguiu em grande medida o sentimento de Wall Street. Dados do mercado de trabalho americano — alta na produtividade dos trabalhadores e crescimento nos pedidos de seguro-desemprego acima do esperado — deram novo impulso ao Federal Reserve em sua luta contra a inflação. Para Renato Nobile, analista da Buena Vista Capital, os investidores aguardavam dados mais claros para o início da queda de juros nos EUA, e essa espera definia o ritmo das decisões.
Entre os destaques, a Petrobras foi o motor do dia. A ação ordinária avançou 1,90% para 42,96 reais, enquanto a preferencial subiu 2,77% para 41,57 reais. Para Lima, o ganho refletia também a perspectiva de que a empresa continuaria sendo uma boa distribuidora de dividendos. Mas nem tudo no setor acompanhou: os preços do petróleo no exterior reverteram ganhos e fecharam em queda após especulações falsas de que Israel havia concordado com um cessar-fogo em Gaza. A 3R Petroleum caiu 2,45% após anunciar a contratação do Itaú BBA para avaliar proposta da sueca Maha Energy envolvendo a PetroReconcavo, enquanto a Prio recuou 1,78%.
Entre as maiores altas percentuais do dia, o Pão de Açúcar disparou 6,91% para 4,18 reais. A CVC Brasil saltou 5,15% para 3,06 reais, com pano de fundo uma ação do Ministério Público de Minas Gerais e da Polícia Civil que cumpriu 17 mandados de busca e apreensão contra o Grupo 123 Milhas — movimento que lembrava o salto de 17% que a ação havia registrado em 30 de agosto, dia seguinte ao pedido de recuperação judicial da concorrente plataforma de viagens. O Carrefour subiu 3,36% para 10,76 reais.
A Vale, por sua vez, continuava seu trajeto de queda, recuando 0,46% para 67,45 reais após três quedas seguidas que acumulavam declínio de 2,5%. No exterior, os futuros do minério recuavam na China, mas subiam em Cingapura, deixando agentes financeiros ainda avaliando as perspectivas de demanda no mercado chinês. Entre os bancos, o Itaú Unibanco cedeu 0,23% para 32,69 reais e o Bradesco caiu 0,20% para 15,32 reais, ambos antes de divulgarem seus balanços na semana seguinte — BTG Pactual abriria a agenda na segunda-feira pela manhã, Itaú divulgaria no mesmo dia após o fechamento, Bradesco reportaria na quarta-feira cedo e Banco do Brasil apresentaria seu desempenho no final da quinta-feira. O Banco do Brasil, porém, avançou 2,29%, e BTG Pactual Unit teve acréscimo de 1,83%.
A Azul recuou 1,12% para 13,25 reais após uma reunião entre companhias aéreas, Petrobras e governo federal ser cancelada. O encontro, marcado para aquela quinta-feira, discutiria eventuais mudanças nas condições do querosene de aviação. Mais cedo, a Petrobras havia reduzido o preço médio de venda do querosene de aviação a distribuidoras em 0,4% ante o valor de janeiro, seu quarto corte mensal consecutivo. A Gol, que não fazia mais parte do Ibovespa, perdeu 5,30% para 2,68 reais. No varejo de moda, o Grupo Soma registrou queda de 1,64% para 7,79 reais, enquanto a Arezzo avançou 0,42% para 62,85 reais, conforme agentes financeiros continuavam analisando tratativas entre os grupos para uma eventual fusão de suas bases acionárias. A Eletrobras fechou em alta de 1,94% para 41,60 reais, apesar de estrategistas do BTG Pactual terem excluído os papéis de sua carteira recomendada para fevereiro, colocando em seu lugar a Equatorial, que valorizou-se 1,13%.
Citas Notables
A gente até tinha uma esperança que ocorresse alguma precificação diferente, mediante o comunicado que veio junto com a divulgação da taxa de juros... mas veio muito 'copia e cola' do comunicado anterior— Sidney Lima, analista da Preto Investimentos
Os investidores, no geral, estão aguardando dados mais claros para o início da queda de juros nos EUA— Renato Nobile, analista da Buena Vista Capital