Ibovespa fecha com queda marginal em dia de balanços corporativos

O índice tocou máxima desde agosto, mas balanços decepcionantes o puxaram para baixo
A bolsa brasileira viveu um dia de volatilidade, com ganhos intradiários apagados por resultados corporativos negativos.
Mark

Por que o índice subiu tanto durante o dia mas não conseguiu manter os ganhos?

Mimi

A bolsa brasileira tem um padrão comum: quando há muitos balanços sendo divulgados simultaneamente, o mercado fica dividido. Alguns resultados agradam, outros decepcionam. Neste dia, as más notícias — Minerva, Casas Bahia, Banco do Brasil — pesaram mais que as boas, como Braskem.

Mark

Casas Bahia caiu 12%, mas o texto diz que a ação tinha subido 26% em novembro. Como isso é possível?

Mimi

Isso mostra volatilidade extrema em ações de varejo. A empresa estava em recuperação, mas o prejuízo de 836 milhões de reais no trimestre foi um choque. Quando uma empresa muda sua estratégia de negócios, há incerteza. Os investidores que entraram na alta de 26% saíram na queda.

Mark

A reforma tributária foi aprovada, o que deveria ser positivo. Por que não impulsionou mais a bolsa?

Mimi

Porque a aprovação no Senado é apenas o primeiro passo. O texto vai para a Câmara, onde pode sofrer novas mudanças. Além disso, analistas já apontavam que os benefícios seriam diluídos por concessões a setores específicos. É uma boa notícia de longo prazo, mas não resolve problemas imediatos.

Mark

Braskem subiu 15% mesmo com prejuízo de 2,4 bilhões. Como isso faz sentido?

Mimi

A oferta da Adnoc é o que importa aqui. Quando há uma proposta de compra de uma empresa, o preço da ação tende a subir em direção ao valor ofertado. Os investidores estão precificando a possibilidade de saída com ganho, não o resultado operacional atual.

Mark

E o que significa que Petrobras ainda não tinha divulgado seu balanço?

Mimi

Significa que havia incerteza no ar. Petrobras é a maior empresa da bolsa. Seu balanço pode mover significativamente o índice. Neste dia, a ação subiu porque o petróleo estava em alta lá fora, mas o mercado esperava ansiosamente pelos números reais.

Mark

Wall Street caiu e interrompeu ganhos de dois anos. Isso afeta o Brasil?

Mimi

Afeta bastante. Quando mercados globais caem, investidores estrangeiros tendem a reduzir exposição em mercados emergentes como o Brasil. Além disso, comentários do Federal Reserve sobre taxas de juros influenciam fluxos de capital internacionais.

  • Ibovespa fechou em queda de 0,12%, a 119.034,14 pontos
  • Índice atingiu máxima de 120.256,62 pontos, maior nível desde agosto
  • Braskem disparou 15,63% com oferta de controle da Adnoc
  • Minerva caiu 13,45% e Casas Bahia desabou 12,28% após balanços
  • Senado aprovou PEC da reforma tributária

Índice atingiu máxima de 120.256,62 pontos, maior nível desde agosto, mas encerrou com leve recuo após divulgação de resultados de grandes empresas. Braskem disparou 15,63% com nova proposta de controle, enquanto Minerva desabou 13,45% e Casas Bahia caiu 12,28% após resultados decepcionantes.

O Ibovespa fechou em queda marginal de 0,12% nesta quinta-feira, atingindo 119.034,14 pontos, em dia marcado por uma bateria de balanços corporativos que geraram volatilidade entre as ações.

A bolsa brasileira fechou quinta-feira com um recuo praticamente imperceptível, caindo apenas 0,12% e encerrando em 119.034,14 pontos. O movimento refletia uma sessão dividida: o índice havia tocado 120.256,62 pontos durante o pregão — seu melhor nível desde agosto — mas terminou pressionado pela enxurrada de balanços corporativos que chegaram ao mercado ao longo do dia. O volume financeiro movimentado somou 25,1 bilhões de reais.

O cenário internacional oferecia pouco suporte. Em Wall Street, os índices fecharam em queda, interrompendo sequências de ganhos que duravam dois anos. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram após um leilão decepcionante de papéis de 30 anos e comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que reforçaram preocupações sobre a trajetória das taxas de juros.

No front doméstico, uma notícia positiva ganhou espaço: o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição da reforma tributária, que prevê a unificação de tributos e estabelece um limite para o crescimento da carga tributária. A equipe da XP Investimento avaliou a aprovação como benéfica, destacando que a reforma reduz a complexidade do sistema tributário brasileiro. Mas a cautela predominava — analistas apontavam que os ganhos positivos tenderiam a ser diluídos por concessões especiais que legisladores concedem a múltiplos setores. O texto segue agora para a Câmara dos Deputados, após modificações introduzidas pelos senadores.

Entre os destaques negativos, Minerva despencou 13,45%, pressionada por balanço que mostrou queda de 11,5% no Ebitda e aumento da alavancagem. Casas Bahia sofreu queda ainda mais severa de 12,28%, após divulgar prejuízo líquido de 836 milhões de reais no terceiro trimestre — uma perda 311,8% maior que a do ano anterior, refletindo queda de vendas e impactos de sua nova estratégia de negócios. Banco do Brasil recuou 4,18%, apesar de ter reportado aumento de 4,5% no lucro líquido ajustado para 8,79 bilhões de reais, com expansão da carteira de crédito. O resultado foi ofuscado por uma provisão adicional relacionada ao caso Americanas.

No lado positivo, Braskem disparou 15,63%, alcançando 21,26 reais na máxima do dia, após o grupo petrolífero Adnoc, de Abu Dhabi, fazer uma nova oferta não vinculante de 10,5 bilhões de reais pela participação da Novonor na petroquímica — equivalente a 37,29 reais por ação. O movimento ocorreu apesar de a companhia ter reportado prejuízo líquido de 2,4 bilhões de reais e aumento significativo do endividamento. Petrobras avançou 2,08%, buscando recuperação após três quedas consecutivas, apoiada pela alta do petróleo no exterior e com balanço trimestral ainda por vir.

Outras ações tiveram desempenho misto. Vale subiu 0,48%, beneficiada pela alta dos futuros de minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado encerrou em alta de 1,79%, atingindo 939 iuans por tonelada — o maior valor desde junho de 2022. Grupo Soma saltou 6,54%, com balanço mostrando lucro líquido ajustado de 96,1 milhões de reais, queda de 6,7% na base anual, mas receita líquida em alta de 5% e vendas em mesmas lojas crescendo 3,7%. MRV&CO subiu 2,48% apesar de prejuízo de 136,5 milhões de reais no trimestre, com o CFO sinalizando expectativa de geração de caixa no quarto trimestre. Cogna valorizou-se 3,82%, após divulgar prejuízo ajustado menor que o esperado, com expansão de receitas e captação de alunos compensando pressões no resultado financeiro.

O dia deixou claro que o mercado permanecia atento a cada detalhe dos resultados corporativos, com investidores ainda aguardando balanços de Bradesco, B3, Cemig, Lojas Renner, Rumo, Sabesp, Cyrela e Eztec. A aprovação da reforma tributária oferecia perspectiva de longo prazo, mas a volatilidade imediata continuava sendo ditada pelos números trimestrais das grandes empresas.

A aprovação é uma boa notícia, pois a reforma reduz a complexidade do sistema tributário brasileiro
— Equipe da XP Investimento
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