Ibovespa cai 0,88% e fecha abaixo de 109 mil pontos, pressionado por commodities

Petrobras e siderúrgicas arrastadas pela queda das matérias-primas
O Ibovespa recuou 0,88% pressionado pela queda do petróleo e lockdowns na China que afetaram a demanda por minério.
Mark

Por que a bolsa brasileira caiu quando os mercados americanos subiram? Isso não deveria estar correlacionado?

Mimi

Estava, mas a correlação se quebrou por causa das commodities. O Brasil tem muito peso em petróleo e minério, então quando esses preços caem, o índice sofre independentemente do que acontece em Nova York.

Luke

Mas espera — os preços de commodities caem porque há notícias de possível acordo entre Rússia e Ucrânia. Isso deveria ser bom para o Brasil também, não?

Mimi

Deveria, mas o mercado brasileiro reagiu mais à queda imediata do petróleo do que à perspectiva de paz. A Petrobras e as siderúrgicas têm peso demais no Ibovespa.

Mark

E as ações que subiram — Azul, Petz, Cielo — elas também se beneficiaram da queda do petróleo?

Mimi

Azul sim, porque combustível é custo para companhia aérea. Mas Petz e Cielo subiram por outro motivo: alívio na curva de juros. Investidores em varejo e tecnologia respiraram.

Luke

Quanto de alívio estamos falando? A curva recuou, mas os juros futuros ainda estão em dois dígitos.

Mimi

Verdade. O contrato de janeiro de 2023 está em 13,12%. Não é exatamente um alívio dramático, é mais um respiro em relação ao que vinha antes.

Mark

E o dólar subiu mesmo com essa queda de juros futuros?

Mimi

Subiu porque a correção de commodities foi maior que o alívio de juros. O dólar sobe quando há fuga de risco global.

Luke

Então o Brasil está preso entre dois movimentos: commodities caindo globalmente, e juros ainda altos localmente. Não é um bom lugar para estar.

Mimi

Exatamente. E enquanto isso, os EUA estão celebrando inflação mais baixa. O Brasil segue em outro filme.

  • O Ibovespa recuou 0,88% para 108.959 pontos, descolado da recuperação americana, enquanto Petrobras e mineradoras sangravam com a queda do petróleo e o temor de menor demanda chinesa.
  • Magazine Luiza despencou 8,63% após resultados decepcionantes no quarto trimestre, adicionando pressão individual a um índice já fragilizado pelas commodities.
  • Lockdowns em cidades chinesas por novos casos de Covid-19 ameaçaram a demanda por aço e minério, arrastando CSN Mineração e Gerdau para perdas superiores a 4%.
  • No contraponto, ações de varejo, tecnologia e aviação avançaram com o alívio na curva de juros — Azul subiu 6,91% beneficiada pela queda do petróleo, mas seu peso no índice foi insuficiente para reverter o tombo.
  • O dólar subiu 0,76% para R$ 5,159, refletindo a correção nas commodities e a expectativa de altas de juros simultâneas no Brasil e nos Estados Unidos nos dias seguintes.

Em mais um capítulo da tensão entre forças globais e realidades locais, a bolsa brasileira fechou em queda na terça-feira enquanto Wall Street subia — uma divergência que revela o quanto o destino do Ibovespa ainda está atado ao ciclo das commodities e aos ventos geopolíticos. A perspectiva de negociações entre Rússia e Ucrânia derrubou o petróleo, e os lockdowns chineses pesaram sobre o minério de ferro, penalizando justamente as empresas de maior peso no índice. O mercado brasileiro navegou, assim, entre a esperança de alívio nos juros e a pressão estrutural de um portfólio concentrado em matérias-primas.

A bolsa brasileira fechou a terça-feira em queda de 0,88%, aos 108.959 pontos, num movimento que contrastou com a recuperação observada em Nova York. Enquanto investidores americanos celebravam dados de inflação no atacado mais brandos que o esperado e a queda do petróleo abaixo de US$ 100 o barril, São Paulo enfrentava pressões específicas ligadas à composição do próprio índice.

O principal vetor de queda foi o desempenho das commodities. Sinais de possíveis negociações entre Rússia e Ucrânia derrubaram o petróleo, penalizando Petrobras e outras petrolíferas. Ao mesmo tempo, lockdowns em cidades chinesas por novos surtos de Covid-19 pressionaram a demanda por minério de ferro e aço, levando Vale e as siderúrgicas ao vermelho. CSN Mineração e Gerdau recuaram mais de 4%, enquanto Magazine Luiza liderou as perdas com queda de 8,63% após resultados trimestrais abaixo das estimativas.

Nem tudo, porém, foi negativo. Ações ligadas a varejo, crescimento e tecnologia avançaram com o alívio na curva de juros. Azul subiu 6,91%, beneficiada pela queda do combustível, seguida por Petz e Cielo. Analistas, contudo, ressaltaram que o peso dessas empresas no índice é pequeno demais para compensar o tombo das gigantes de commodities.

O dólar encerrou o dia a R$ 5,159, alta de 0,76%, pressionado pela correção nas matérias-primas e pela expectativa de elevação de juros tanto pelo Banco Central brasileiro quanto pelo Federal Reserve americano. No mercado de futuros, a curva de juros recuou em bloco, sinalizando algum alívio nas apostas para os contratos mais curtos. O cenário que se desenhava para os dias seguintes combinava guerra na Ucrânia, Covid-19 na China e decisões cruciais de política monetária em dois continentes.

A bolsa brasileira fechou o pregão de terça-feira em queda, descolada da recuperação que se via nos mercados americanos. O Ibovespa recuou 0,88%, encerrando aos 108.959 pontos, após oscilar entre 107.780 e 109.924 pontos ao longo do dia. O volume financeiro movimentado foi de R$ 30,6 bilhões. A sessão refletiu mais um capítulo na história recente dos mercados: enquanto investidores em Nova York celebravam dados de inflação no atacado mais leves que o esperado e preços de petróleo em queda, São Paulo enfrentava pressões específicas que fizeram pesar sobre as ações de maior capitalização.

O culpado principal foi o desempenho das commodities no exterior. Notícias de possíveis negociações entre Rússia e Ucrânia derrubaram o preço do petróleo, levando a Petrobras e outras petrolíferas a fecharem no vermelho. Simultaneamente, os lockdowns em cidades chinesas por conta de novos casos de Covid-19 pressionaram a demanda por minério de ferro e aço, penalizando Vale e as siderúrgicas. Fernando Bresciani, analista de investimentos do Anbank, resumiu o movimento: a queda do petróleo lá fora arrastou consigo as maiores empresas do índice.

Entre os perdedores do dia, Magazine Luiza liderou a queda com recuo de 8,63%, impactada por resultados do quarto trimestre abaixo das estimativas dos analistas. CSN Mineração e Gerdau também sofreram, recuando 5,30% e 4,54% respectivamente, vítimas da correção contínua nos preços das matérias-primas. Mas nem tudo foi vermelho. Ações ligadas a varejo, crescimento e tecnologia avançaram com o alívio na curva de juros, segundo analistas da Ativa Investimentos. Azul liderou os ganhos com alta de 6,91%, seguida por Petz e Cielo, que subiram 5,87% e 5,33%. Bresciani observou que as companhias aéreas se beneficiaram da queda do petróleo, mas seu peso no índice é pequeno demais para compensar o tombo das petrolíferas e mineradoras.

O dólar, por sua vez, continuou sua trajetória de alta. A moeda americana subiu 0,76%, fechando a R$ 5,159 na compra e na venda, após oscilar entre R$ 5,094 e R$ 5,169. A valorização refletiu a grande correção nos preços das commodities e a expectativa de elevação dos juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No mercado de futuros de juros, a curva recuou em bloco no aftermarket: o contrato de janeiro de 2023 caiu 0,12 ponto percentual para 13,12%, enquanto os contratos mais longos também registraram quedas.

Nos Estados Unidos, o cenário foi bem diferente. O Dow Jones subiu 1,82%, aos 32.545 pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq avançaram 2,15% e 2,92% respectivamente. Os investidores americanos celebravam a leitura de inflação no atacado mais fraca que o esperado e a continuação da queda do petróleo abaixo de US$ 100 o barril. Para os investidores brasileiros, porém, o dia foi de monitoramento contínuo dos riscos: a guerra na Ucrânia, o ressurgimento da Covid-19 na China e as decisões sobre política de juros que viriam nos próximos dias tanto de Brasília quanto de Washington.

A expectativa de um possível acordo entre Rússia e Ucrânia jogou o preço do petróleo para baixo, levando a Petrobras e outras petrolíferas a fechar no vermelho
— Fernando Bresciani, analista de investimentos do Anbank
As ações ligadas ao varejo, crescimento e tecnologia avançam com alívio na curva de juros
— Analistas da Ativa Investimentos
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