Em uma segunda-feira marcada por otimismo global e dados domésticos positivos de emprego, o Ibovespa não encontrou chão firme: as preocupações com a saúde fiscal do Brasil — alimentadas pela crise dos combustíveis e pelas promessas eleitorais de revogar reformas — pesaram mais do que qualquer vento favorável vindo de fora. É um momento em que o futuro político do país lança sombra sobre o presente econômico, lembrando que mercados não vivem apenas de números, mas também de confiança.
Ibovespa cai 0,82% com preocupações fiscais; dólar sobe para R$ 4,80
Risco fiscal no radar dos investidores, juros futuros em alta
Por que a bolsa caiu se os dados de emprego foram positivos e os mercados globais subiram?
O mercado estava preso em duas preocupações maiores: como o governo vai lidar com a crise dos combustíveis e o que significa o plano de Lula para as contas públicas. Quando você promete revogar reformas e acabar com o teto de gastos, isso assusta quem investe em renda fixa.
Mas espera — o plano foi divulgado quando? E quanto dessa queda é realmente sobre o plano versus apenas o clima geral de incerteza fiscal?
O plano foi divulgado nessa semana. É difícil separar uma coisa da outra porque o mercado estava já nervoso com a possibilidade de calamidade pública.
E o dólar subiu mesmo com risco global melhorando?
Sim, subiu para R$ 4,796. A flexibilização na China deveria ter puxado o dólar para baixo, mas o risco fiscal local foi mais forte.
Então o risco fiscal brasileiro está superando o otimismo global. Isso é o sinal mais importante do dia?
Provavelmente. A curva de juros subiu em todos os prazos, o que afeta especialmente empresas de consumo e crescimento.
Qual foi o tamanho da queda em pontos?
O Ibovespa caiu 0,82%, fechando em 110.185 pontos. Oscilou entre 110.015 e 111.102 durante o dia.
E quanto de volume? Isso foi uma queda com convicção ou apenas movimento técnico?
R$ 16,9 bilhões de volume — é um número normal, não indica pânico.
O que vem pela frente?
A reunião do Banco Central Europeu, dados de inflação nos EUA e Brasil, e principalmente como o governo vai responder à crise dos combustíveis.
El Pulso
- O Ibovespa abriu em alta, mas virou no meio do pregão e fechou em queda de 0,82%, incapaz de resistir à pressão fiscal que se acumulava ao longo do dia.
- O plano de governo de Lula, prometendo revogar reformas e extinguir o teto de gastos, agitou o mercado financeiro e reforçou o temor de um descontrole nas contas públicas.
- A crise dos combustíveis colocou Paulo Guedes sob pressão por uma solução imediata, enquanto a possibilidade de declaração de calamidade pública ameaçava ampliar os gastos do governo a apenas quatro meses das eleições.
- Mesmo com Wall Street em alta, lockdowns sendo flexibilizados na China e quase 200 mil empregos criados em abril no Brasil, o otimismo externo não conseguiu atravessar o ruído interno.
- O dólar subiu para R$ 4,796 e os juros futuros avançaram em todos os vencimentos, sinalizando que o mercado precifica um risco fiscal crescente no horizonte.
Em uma segunda-feira marcada por otimismo global e dados domésticos positivos de emprego, o Ibovespa não encontrou chão firme: as preocupações com a saúde fiscal do Brasil — alimentadas pela crise dos combustíveis e pelas promessas eleitorais de revogar reformas — pesaram mais do que qualquer vento favorável vindo de fora. É um momento em que o futuro político do país lança sombra sobre o presente econômico, lembrando que mercados não vivem apenas de números, mas também de confiança.
A bolsa brasileira começou a semana tentando seguir o ritmo positivo dos mercados globais, mas não sustentou o fôlego. O Ibovespa fechou em queda de 0,82%, aos 110.185 pontos, depois de oscilar ao longo do pregão com volume financeiro de R$ 16,9 bilhões. O que derrubou o índice não foram os dados do exterior — foram as sombras lançadas pelo cenário político e fiscal doméstico.
Dois temas dominaram o humor dos investidores. O primeiro foi a crise dos combustíveis, que pressionava o Ministro Paulo Guedes a apresentar uma resposta nos próximos dias. O segundo foi a repercussão do plano de governo do ex-presidente Lula, líder nas pesquisas, que promete revogar reformas e acabar com o teto de gastos — proposta recebida com desconforto pelo mercado financeiro. A possibilidade de uma declaração de calamidade pública, que elevaria os gastos governamentais em pleno período pré-eleitoral, também estava no radar.
Lá fora, o cenário era outro. Nova York, Europa e Ásia subiram, animadas pela reabertura da China e pela esperança de maior demanda por commodities. No Brasil, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostrou a criação de quase 197 mil vagas em abril — um número robusto que, mesmo assim, não foi suficiente para reverter a tendência de baixa.
Entre as ações, o desempenho foi dividido: Raia Drogasil e CSN Mineração figuraram entre as maiores altas, enquanto Hapvida, Positivo e Méliuz lideraram as perdas. O analista Felipe Moura, da Finacap, apontou que a curva de juros em alta penalizou especialmente empresas de consumo e crescimento. O dólar fechou em R$ 4,796, pressionado pelo risco fiscal mesmo diante de um apetite global por risco mais favorável. Nos juros futuros, a alta foi generalizada — mais um sinal de que o mercado está, por ora, cobrando um prêmio pela incerteza brasileira.
A bolsa brasileira começou segunda-feira em terreno positivo, mas não conseguiu sustentar os ganhos. Ao longo do pregão, o Ibovespa inverteu a direção e fechou em queda de 0,82%, terminando em 110.185 pontos, depois de oscilar entre 110.015 e 111.102 pontos. O volume financeiro movimentado foi de R$ 16,9 bilhões. O recuo refletiu uma mudança de humor entre investidores, que começaram a segunda-feira com cautela diante de questões que afetam diretamente a saúde fiscal do país.
Dois temas dominaram as preocupações dos operadores. O primeiro era a crise dos combustíveis e a pressão sobre o Ministro da Economia, Paulo Guedes, para encontrar uma solução nos próximos dias. O segundo era a repercussão do plano de governo divulgado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas eleitorais. O documento promete revogar reformas e acabar com o teto de gastos — propostas que desagradaram o mercado financeiro. Além disso, analistas monitoravam a possibilidade de uma declaração de estado de calamidade pública, que aumentaria os gastos governamentais em um momento em que faltam apenas quatro meses para as eleições.
O cenário internacional, porém, era bem diferente. Os principais índices de Nova York, Europa e Ásia subiram durante o dia, impulsionados pela flexibilização dos lockdowns na China, o que alimentava esperança de maior demanda por commodities. Mesmo assim, esse otimismo global não foi suficiente para sustentar o Ibovespa. Um dado positivo doméstico — a criação de 196.966 empregos em abril, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados — também não conseguiu reverter a tendência de baixa.
Entre as ações, o desempenho foi misto. Raia Drogasil subiu 2,68%, CSN Mineração avançou 1,94% e Locaweb ganhou 1,69%. Do lado oposto, Hapvida recuou 6,15%, Positivo caiu 6,13% e Méliuz perdeu 6,11%. Segundo Felipe Moura, analista financeiro da Finacap, a curva de juros em alta afetou especialmente as empresas de consumo e de crescimento, independentemente dos dados econômicos positivos do dia.
O dólar também pressionou para cima. A moeda americana subiu 0,37%, fechando em R$ 4,796, após oscilar entre R$ 4,749 e R$ 4,807. Apesar da melhora no apetite por risco global, o dólar não acompanhou a tendência de queda esperada. A semana se desenrola com a reunião de política monetária do Banco Central Europeu e dados de inflação nos EUA e Brasil no horizonte.
No mercado de juros futuros, operando no aftermarket às 17h04, a alta era generalizada com o risco fiscal no radar dos investidores. O contrato DIF23 subiu 0,07 ponto percentual para 13,45%; DIF25 avançou 0,64 pp para 12,50%; DIF27 ganhou 0,81 pp para 12,40%; e DIF29 subiu 0,81 pp para 12,48%. Nos EUA, Wall Street tentava se recuperar de uma semana de perdas: o Dow Jones subiu 0,04% para 32.914 pontos, o S&P 500 avançou 0,31% para 4.121 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,40% para 12.061 pontos.
Citas Notables
A curva de juros para cima afetou o desempenho das empresas de consumo e de crescimento— Felipe Moura, Analista Financeiro da Finacap