Enquanto Wall Street respirava aliviada após uma semana de perdas severas, a Bolsa brasileira seguiu um caminho próprio nesta terça-feira — recuando 0,17% e ficando presa ao peso da política doméstica. O risco político em torno das estatais, especialmente Petrobras e Banco do Brasil, impediu que o Ibovespa acompanhasse a recuperação global, lembrando que mercados, como nações, carregam suas próprias contradições internas.
Ibovespa cai 0,17% com pressão de estatais; dólar recua a R$ 5,15
Preocupações com Petrobras transbordavam para outras estatais
Por que o Ibovespa caiu enquanto os mercados americanos subiam? Não deveriam estar alinhados?
Não necessariamente. O Brasil tem seus próprios riscos. Neste dia, era principalmente político — preocupações com a Petrobras e combustíveis.
Mas qual era exatamente a notícia política? O ministro compareceu a uma comissão, mas o texto não deixa claro o que foi dito ou decidido.
Verdade. O texto menciona a presença dele, mas não detalha o conteúdo. O mercado estava reagindo à incerteza em torno da empresa, não a um anúncio específico.
E por que o Banco do Brasil caiu 4,10% se não é uma empresa de petróleo?
Porque as preocupações com uma estatal grande tendem a contaminar o apetite por outras estatais. É um efeito de contágio.
Mas o texto também menciona realização de lucros no setor financeiro. Então não era só política — havia também ganho sendo colhido.
Exato. Era uma combinação. Política pressionando, lucros sendo realizados. O dólar caiu, o que normalmente seria bom para ações, mas não foi suficiente.
E a curva de juros? O que ela estava dizendo?
Nada muito claro, na verdade. Taxas curtas caíram, taxas longas subiram. Sem tendência exata, como o texto diz. O mercado estava indeciso.
Isso reflete a incerteza geral. Recuperação global, mas risco político doméstico. Sinais mistos.
Il Polso
- O Ibovespa recuou para 99.684 pontos enquanto S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançavam entre 2,15% e 2,51%, criando um raro descolamento entre Brasil e o exterior.
- Petrobras e Banco do Brasil lideraram as perdas — com quedas de até 4,10% — em meio à presença do ministro de Minas e Energia na Câmara e ao temor sobre intervenções do governo nas estatais.
- A aversão ao risco político transbordou de uma empresa para outra, contaminando o apetite por estatais e somando-se a uma realização de lucros no setor financeiro.
- O dólar, na contramão da Bolsa, recuou 0,63% para R$ 5,15, sinalizando que o apetite global por risco voltava a beneficiar moedas emergentes — mas sem salvar as ações brasileiras.
- A curva de juros fechou sem direção clara, com taxas caindo nos vencimentos curtos e subindo nos longos, refletindo a incerteza dos investidores sobre o horizonte da política monetária.
Enquanto Wall Street respirava aliviada após uma semana de perdas severas, a Bolsa brasileira seguiu um caminho próprio nesta terça-feira — recuando 0,17% e ficando presa ao peso da política doméstica. O risco político em torno das estatais, especialmente Petrobras e Banco do Brasil, impediu que o Ibovespa acompanhasse a recuperação global, lembrando que mercados, como nações, carregam suas próprias contradições internas.
A Bolsa brasileira encerrou a terça-feira em queda de 0,17%, aos 99.684 pontos, num movimento que destoou completamente do exterior. Enquanto os mercados americanos viviam um dia de recuperação — com S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançando entre 2,15% e 2,51% após uma das piores semanas de Wall Street desde 2020 —, o Ibovespa ficou preso ao ruído político doméstico.
Nos Estados Unidos, o alívio vinha da combinação de um mercado respirando após quedas severas e de dados imobiliários que, sem serem animadores, tampouco sinalizavam colapso. As vendas de casas usadas desaceleraram em maio, num equilíbrio que o mercado interpretou como aceitável: nem queda livre, nem superaquecimento.
No Brasil, o cenário era outro. A presença do ministro de Minas e Energia numa comissão da Câmara coincidiu com um pregão marcado pela desconfiança em relação às estatais. As ações da Petrobras recuaram até 1,99%, e o Banco do Brasil caiu 4,10%. Os analistas observavam como a aversão ao risco político transbordava de uma empresa para outra, impedindo que o índice acompanhasse a recuperação global.
O dólar, porém, seguiu o movimento internacional e recuou 0,63%, fechando a R$ 5,15 — sinal de que o apetite por risco voltava globalmente e beneficiava moedas emergentes. A curva de juros futuros fechou sem tendência definida, com taxas caindo nos vencimentos curtos e subindo nos longos, espelhando a incerteza que dominava o mercado. Entre os destaques positivos do pregão, Qualicorp subiu 5,37% e Weg avançou 4,90%, mas não foram suficientes para compensar o peso das preocupações políticas.
A Bolsa brasileira fechou terça-feira em terreno negativo, recuando 0,17% para 99.684 pontos, com volume de negociação de R$ 22,6 bilhões. O movimento destoou completamente do que se via do outro lado do Atlântico, onde os mercados americanos viviam um dia de recuperação. O S&P 500 subiu 2,45%, o Dow Jones avançou 2,15% e o Nasdaq ganhou 2,51% — uma volta ao otimismo após uma semana que havia sido das piores para Wall Street desde 2020.
Nos Estados Unidos, o alívio vinha de dois lugares. Primeiro, era simplesmente o mercado respirando depois de uma semana de quedas severas. Segundo, dados do mercado imobiliário americano trouxeram um sinal que os investidores queriam ouvir: as vendas de casas usadas em maio desaceleraram de 5,6 milhões para 5,41 milhões de unidades na comparação mensal. O número não era bom, exatamente, mas também não era catastrófico. Significava que o mercado imobiliário não estava em queda livre — o que teria acirrado os temores de recessão — mas também não permanecia aquecido demais, o que poderia manter a pressão inflacionária elevada. Para o mercado, era um equilíbrio aceitável.
No Brasil, porém, a história era outra. Enquanto o mundo respirava, os investidores locais respiravam fundo de preocupação. O pregão foi marcado por um ruído político que não conseguia ser ignorado: o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, comparecia a uma comissão na Câmara dos Deputados justamente num dia em que as ações da Petrobras desabavam. As ordinárias recuaram 1,06% e as preferenciais caíram 1,99%. O Banco do Brasil também sofreu, com queda de 4,10%. Não era coincidência — era o mercado precificando incerteza sobre combustíveis e sobre o que o governo faria com suas empresas estatais.
Os analistas viam com clareza o que estava acontecendo. A aversão ao risco político no Brasil transbordava de uma empresa para outra. As preocupações com a Petrobras não ficavam isoladas; elas contaminavam o apetite por outras estatais. Além disso, havia também uma realização de lucros em andamento no setor financeiro, o que pressionava ainda mais. O resultado era que o Ibovespa não conseguia acompanhar a recuperação global — ficava preso em casa, preso na política doméstica.
O dólar, porém, ignorava esse ruído. A moeda americana recuou 0,63% frente ao real, fechando a R$ 5,153 na compra e R$ 5,154 na venda, acompanhando o movimento do índice DXY, que mede a força do dólar contra outras moedas. Era um sinal de que, globalmente, o apetite por risco estava voltando — e isso beneficiava moedas de economias emergentes como a brasileira.
A curva de juros futuros fechou sem direção clara. Os contratos de DI para 2023 e 2025 viram suas taxas caírem dois pontos-base, para 13,57% e 12,45% respectivamente. Mas na ponta longa, os DIs para 2027 e 2029 subiram um ponto, para 12,39% e 12,53%. Era um padrão que refletia a incerteza: o mercado não tinha uma visão consolidada sobre para onde os juros iriam.
Entre as ações que caíram além das estatais, a Cogna recuou 4,33% e a CPFL Energia caiu 3,69%. Do lado das altas, a Qualicorp subiu 5,37%, a Weg ganhou 4,90% e o IRB avançou 3,68%. Mas esses ganhos não foram suficientes para compensar o peso das preocupações políticas que dominavam o pregão.
Citazioni salienti
Investidores continuam mostrando certa aversão ao risco no Brasil, principalmente por conta da Petrobras— Caio Tonet, head de renda variável da W1 Capital
Parte das preocupações quanto a Petrobras ainda transborda para outras estatais e isso ajuda a dragar a performance do Ibovespa— Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset