Durante a COP30 em Belém, o IBGE inverteu séculos de cartografia ao lançar um mapa-múndi que coloca o hemisfério Sul acima do Norte e o Pará no centro do mundo. O gesto não é apenas geográfico — é uma provocação filosófica sobre quem define o centro, quem narra a história e quais territórios merecem protagonismo nas decisões que moldam o futuro coletivo. Ao reposicionar a Amazônia no coração da visão planetária, o instituto propõe que a descolonização começa, muitas vezes, pelo modo como aprendemos a ver.
IBGE lança mapa invertido na COP30 com Pará no centro do mundo
O olhar sobre o mundo pode e deve mudar
Por que o IBGE decidiu lançar um mapa invertido justamente agora, durante a COP30?
A COP30 em Belém é um momento em que o mundo está olhando para a Amazônia e para o Brasil. O mapa invertido reforça a ideia de que essa região não deveria ser vista como periférica nas discussões globais — ela é central.
Mas um mapa invertido é uma representação visual. Muda algo na prática das negociações climáticas ou nas políticas ambientais?
Não diretamente. Mas Pochmann fala em descolonização cognitiva — a forma como representamos o mundo molda como pensamos sobre ele. Se a Amazônia está no centro do mapa, talvez esteja mais fácil reconhecer sua importância.
A iniciativa menciona os nove estados da Amazônia Legal e os países vizinhos. Isso sugere uma visão de cooperação regional?
Sim. O mapa mostra que a floresta não é apenas brasileira — é compartilhada. Isso reforça a necessidade de ação conjunta.
O IBGE não forneceu números sobre alcance ou impacto dessa iniciativa. Quantas pessoas verão esse mapa? Será distribuído nas escolas?
Essas são perguntas válidas. O comunicado do IBGE foca no lançamento e na intenção simbólica, mas não detalha a estratégia de disseminação.
Pochmann usa a expressão "descolonização cognitiva". É um termo que vai além da geografia, não é?
Exatamente. Ele está sugerindo que a forma como o mundo é representado carrega uma história de poder — quem está no centro, quem está nas margens. Inverter o mapa é questionar essa hierarquia.
Mas a inversão é uma escolha estética. A realidade geográfica permanece a mesma. O que muda é apenas como olhamos para ela.
Verdade. Mas às vezes mudar como olhamos é o primeiro passo para mudar como agimos.
The Pulse
- O IBGE lança mapa-múndi invertido na COP30, desafiando a lógica cartográfica que há séculos marginaliza o hemisfério Sul.
- A iniciativa provoca desconforto simbólico: se o Norte sempre esteve 'acima', o que isso revela sobre como o mundo distribui poder e atenção?
- Belém passa a ocupar o centro literal do mapa, tornando visível a dimensão continental da Amazônia Legal e seus nove estados brasileiros.
- O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, enquadra a inversão como ato de descolonização cognitiva — uma tentativa de mudar não só o mapa, mas o imaginário global.
- A escolha do momento não é casual: com a COP30 em solo amazônico, o mapa reforça que a floresta não é periferia, mas centro das discussões sobre o futuro do planeta.
Durante a COP30 em Belém, o IBGE inverteu séculos de cartografia ao lançar um mapa-múndi que coloca o hemisfério Sul acima do Norte e o Pará no centro do mundo. O gesto não é apenas geográfico — é uma provocação filosófica sobre quem define o centro, quem narra a história e quais territórios merecem protagonismo nas decisões que moldam o futuro coletivo. Ao reposicionar a Amazônia no coração da visão planetária, o instituto propõe que a descolonização começa, muitas vezes, pelo modo como aprendemos a ver.
Belém ganhou, pela primeira vez, o centro do mundo — ao menos em um mapa. O IBGE lançou durante a COP30 um mapa-múndi invertido que posiciona o hemisfério Sul acima do Norte e coloca o Pará no coração da representação global. A iniciativa, desenvolvida pela Superintendência Estadual do instituto no Pará, vai além da curiosidade geográfica: é uma declaração sobre poder, visibilidade e narrativa.
A Amazônia Legal — que reúne nove estados brasileiros e países vizinhos em torno da maior floresta tropical do planeta — deixa de figurar como região distante e passa a ocupar o lugar de destaque que, segundo o IBGE, sempre lhe pertenceu. Marcio Pochmann, presidente do instituto, descreveu o gesto como um ato propositivo de descolonização cognitiva, argumentando que a forma como representamos o espaço revela muito sobre como pensamos poder e prioridade.
A escolha de Belém como palco não é acidental. Com a COP30 transformando a capital paraense em epicentro das discussões climáticas globais, o mapa invertido reforça uma mensagem: que o olhar sobre o mundo pode — e deve — mudar. Diferentes territórios e realidades têm importância fundamental na construção de um planeta mais equilibrado, e reconhecer isso começa, às vezes, por virar o mapa de cabeça para baixo.
Belém ganhou uma posição que nunca teve em um mapa-múndi: o centro do mundo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística lançou a iniciativa nesta quinta-feira (13) durante a COP30, na capital paraense, invertendo a lógica cartográfica tradicional que há séculos coloca o hemisfério Norte acima do Sul e a Europa no coração da representação global.
O mapa proposto pelo IBGE, por meio de sua Superintendência Estadual no Pará, não é apenas um exercício de curiosidade geográfica. Ele reposiciona o Brasil e a Amazônia no centro da visão planetária, trazendo o hemisfério Sul para a parte superior e o Norte para a inferior. A Amazônia Legal — que abrange nove estados brasileiros e os países vizinhos que compartilham a maior floresta tropical do planeta — deixa de ser uma região periférica na imaginação cartográfica e passa a ocupar o lugar de destaque.
Marcio Pochmann, presidente do IBGE, descreveu a iniciativa como um ato propositivo de descolonização cognitiva. Segundo ele, a forma como representamos o espaço está profundamente conectada ao modo como pensamos sobre poder, importância e prioridade global. Ao inverter o mapa durante a COP30, o instituto não apenas oferece uma perspectiva geográfica diferente, mas também simbólica — uma que reconhece o protagonismo da Amazônia e de seus povos nas discussões sobre o futuro do meio ambiente.
Pochmann argumentou que essa inversão nos convida a refletir sobre como o mundo é tradicionalmente representado e por quem. Ao colocar o Pará no centro, a iniciativa destaca não apenas uma nova perspectiva visual, mas também uma reafirmação: que diferentes territórios e realidades têm importância fundamental na construção de um planeta mais equilibrado e sustentável. O mapa, nesse sentido, é um lembrete de que o olhar sobre o mundo pode e deve mudar.
A escolha de lançar essa iniciativa em Belém, durante a COP30, não é acidental. A cidade se torna, simbolicamente, a capital do Brasil neste momento de discussões climáticas globais. O mapa invertido reforça essa posição, tornando visível aquilo que frequentemente permanece invisível nas representações convencionais: que a Amazônia não é uma região distante e periférica, mas central para o futuro do planeta.
Notable Quotes
A inversão do mapa-múndi com Belém e o Brasil no centro é um ato propositivo de descolonização cognitiva, simbolizando que o modo como se representa o espaço está profundamente conectado ao protagonismo da COP30— Marcio Pochmann, presidente do IBGE