Às vésperas da COP30 em Belém, o IBGE apresentou um mapa-múndi que inverte a orientação convencional dos hemisférios, colocando o Pará — e a Amazônia — no centro simbólico do planeta. O gesto cartográfico não é apenas técnico: é uma declaração sobre quais territórios e quais vozes devem ocupar o centro do debate climático global. Num momento em que o mundo negocia o futuro da temperatura da Terra, o instituto reposiciona o Sul Global não como periferia, mas como protagonista.
IBGE divulga mapa com Pará no centro do mundo para COP30
No espaço não existe acima nem abaixo, apenas convenção
Por que o IBGE decidiu fazer isso agora, especificamente para a COP30?
É uma forma de destacar Belém e o Brasil como atores centrais na discussão climática global. O mapa reforça a ideia de que a Amazônia e a região não estão à margem — estão no centro das negociações.
Mas isso é comunicação, não cartografia. O mapa é tão correto quanto o tradicional?
Sim. Tecnicamente, ambos são válidos. Não existe um "acima" ou "abaixo" no espaço. A convenção que colocou a Europa no topo é histórica, não científica.
Então por que isso gerou tanta polêmica em 2024?
Porque questiona uma ordem visual que as pessoas cresceram vendo. Muitos sentiram que era ideológico.
E é? O IBGE está fazendo ciência ou política?
O presidente do IBGE argumenta que a própria escolha de centralizar o Norte Global é política — é eurocentrismo. Reposicionar o Brasil é reconhecer que essa centralidade é uma convenção, não uma verdade.
Outros países fazem o mesmo?
Sim. Austrália e Nova Zelândia produzem mapas com seus territórios no centro.
Então a novidade não é a técnica. É que o IBGE está usando uma ferramenta conhecida para fazer uma afirmação política num momento específico.
E qual é essa afirmação?
Que o Brasil, e especialmente a Amazônia, é central para o futuro do planeta — não periférico.
The Pulse
- A COP30 chega ao Brasil pela primeira vez, trazendo consigo a pressão de acordos que podem definir se o aquecimento global será contido em 1,5°C — e Belém está no epicentro dessa responsabilidade.
- O IBGE inverteu o mapa-múndi tradicional, pondo o hemisfério sul no topo e o Pará no centro, num ato que desafia séculos de representação cartográfica eurocêntrica.
- A iniciativa repete e aprofunda uma decisão de 2024, quando o Brasil foi centralizado no Atlas Geográfico Escolar, gerando acusações de viés ideológico nas redes sociais.
- O presidente do IBGE rebateu as críticas argumentando que a centralidade do Norte Global nos mapas tradicionais é ela própria uma escolha política — não uma verdade geográfica.
- Tecnicamente, qualquer ponto da Terra pode ser o centro de um mapa; o que muda é a narrativa de poder que cada projeção carrega consigo.
Às vésperas da COP30 em Belém, o IBGE apresentou um mapa-múndi que inverte a orientação convencional dos hemisférios, colocando o Pará — e a Amazônia — no centro simbólico do planeta. O gesto cartográfico não é apenas técnico: é uma declaração sobre quais territórios e quais vozes devem ocupar o centro do debate climático global. Num momento em que o mundo negocia o futuro da temperatura da Terra, o instituto reposiciona o Sul Global não como periferia, mas como protagonista.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística lançou nesta terça-feira um mapa-múndi incomum: o Pará ocupa o centro, o hemisfério sul aparece na parte superior e o norte, abaixo. A inversão é deliberada e simbólica — um gesto de posicionamento às vésperas da COP30, a conferência climática da ONU que acontece em Belém e reúne nações para negociar ações contra as mudanças climáticas.
O mapa destaca não apenas o estado do Pará, mas também a Amazônia, os países que compartilham a maior floresta tropical do mundo e a chamada Amazônia Azul — a faixa do Atlântico sob exploração econômica exclusiva do Brasil. Ao centralizar Belém, o IBGE reforça a cidade como ponto focal do país num momento de atenção climática internacional.
Não é a primeira vez que o instituto revisa a geografia convencional. Em 2024, o Atlas Geográfico Escolar foi atualizado com o Brasil no centro do mapa-múndi, provocando debate nas redes sociais sobre suposto viés ideológico. Márcio Pochmann, presidente do IBGE, respondeu que a centralidade histórica do Norte Global nas projeções cartográficas é, ela mesma, uma expressão do eurocentrismo — e que reposicionar o Brasil representa a emergência do Sul Global.
Do ponto de vista técnico, ambas as representações são igualmente válidas: no espaço, não existe cima nem baixo, e qualquer ponto da Terra pode ser o centro de um mapa. Austrália e Nova Zelândia já fazem isso há décadas. O que muda, em cada escolha cartográfica, é a narrativa de quem importa — e, na véspera da COP30, o IBGE deixou claro onde acredita que essa resposta deve ser buscada.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apresentou nesta terça-feira um mapa-múndi que coloca o Pará no centro do planeta. A projeção inverte a orientação convencional: o hemisfério sul fica na parte superior, o hemisfério norte na inferior. É um gesto simbólico para a COP30, a conferência climática das Nações Unidas que acontece em Belém e que reúne países para negociar ações contra as mudanças climáticas.
O mapa não é apenas uma curiosidade cartográfica. Ele marca o território brasileiro, a Amazônia, os países que compartilham a maior floresta tropical do mundo, e também a chamada Amazônia Azul — a faixa do Oceano Atlântico que se estende do litoral até o limite exterior da Plataforma Continental, sob exploração econômica exclusiva do Brasil. Ao centralizar Belém, o IBGE busca reforçar a importância da cidade como ponto focal do Brasil durante a conferência, num mês em que o compromisso com uma transição ecológica justa e sustentável ganha destaque internacional.
Esta não é a primeira vez que o instituto mexe na geografia tradicional. Em 2024, o IBGE publicou uma versão atualizada do Atlas Geográfico Escolar com o Brasil no centro do mapa-múndi. A mudança provocou reações nas redes sociais, com críticas de que refletiria uma visão ideológica do ensino de geografia. Márcio Pochmann, presidente do IBGE, respondeu aos questionamentos argumentando que a centralidade dos países do Norte Global nas projeções cartográficas é uma expressão do projeto eurocentrista de modernidade ocidental. Para ele, o reposicionamento do Brasil no mapa representa a emergência do Sul Global.
Tecnicamente, ambas as representações — tanto a que coloca Belém no centro quanto a que centraliza o Brasil — são tão precisas quanto possível para converter uma superfície esférica numa imagem plana. No espaço, não existe acima nem abaixo. Os hemisférios norte e sul foram definidos apenas por convenção. Qualquer ponto do planeta pode ser considerado o centro de um mapa. Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, também produzem mapas nos quais seus territórios aparecem centralizados.
A COP30 é a trigésima edição da Conferência entre as Partes, um evento anual realizado pela ONU para debater estratégias contra as mudanças climáticas. É a primeira vez que uma conferência dessa magnitude ocorre no Brasil. O objetivo principal é chegar a acordos entre os países para evitar que a temperatura média da Terra suba mais de 1,5 graus Celsius em relação à média anterior ao início da Revolução Industrial. O mapa do IBGE, portanto, não é apenas um exercício de perspectiva — é um posicionamento sobre quem e o quê importa quando se fala em futuro climático do planeta.
Notable Quotes
A centralidade dos países do Norte Global nas projeções cartográficas é expressão do projeto eurocentrista de modernidade Ocidental. A emergência do Sul Global acompanha o reposicionamento do Brasil no mapa-múndi.— Márcio Pochmann, presidente do IBGE