IA amplia vagas e salários na advocacia de contencioso de massa

Profissionais do contencioso de massa enfrentavam sobrecarga com baixa saúde física e mental antes da adoção de IA, com 45% dos colaboradores atuando sem registro na OAB.
O advogado que trabalha com IA ganha mais e volta a pensar em estratégia
Profissionais que usam inteligência artificial recebem 19% a 43% mais de remuneração e saem do trabalho repetitivo.
Mark

Como a IA conseguiu aumentar vagas se a produtividade melhorou? Não deveria haver menos trabalho?

Mimi

O volume de processos cresce tão rápido que a IA não consegue acompanhar sozinha. Entre 2018 e 2025, o número de advogados em contencioso de massa cresceu 3% ao ano, mesmo com a tecnologia. A demanda é exponencial.

Luke

Mas esse crescimento de 3% ao ano é realmente atribuível à IA, ou seria esperado mesmo sem ela? O estudo compara com países que também adotaram IA, então há um padrão global, mas não está claro se a IA causou o crescimento ou apenas não impediu que ele acontecesse.

Mark

E quanto aos salários? 43% a mais para advogados plenos é um número grande.

Mimi

É. Antes da IA, esses profissionais trabalhavam em tarefas repetitivas e mecânicas, sem tempo para pensar em estratégia. Agora, com a IA fazendo o trabalho clericai, eles podem focar em análise e julgamento, que é mais valorizado no mercado.

Luke

Mas esses números vêm de quem? O texto menciona que a pesquisa foi feita por uma das maiores consultorias estratégicas do mundo, mas não diz qual. E os números de remuneração — 19%, 14%, 43% — parecem vir de um único fornecedor de IA, não de um levantamento independente do mercado.

Mark

Então não sabemos se esses aumentos são reais em todo o mercado?

Luke

Exatamente. Sabemos que profissionais que usam essa tecnologia específica ganham mais, mas não sabemos se isso é verdade para quem usa outras soluções ou se é um efeito de seleção — talvez empresas que investem em IA também investem mais em salários de forma geral.

Mimi

O ponto é que antes havia uma sobrecarga clara. 45% dos colaboradores nem tinham registro na OAB. Havia saúde mental ruim. A IA trouxe uma mudança qualitativa no trabalho, mesmo que os números exatos de crescimento sejam debatíveis.

Mark

E o exemplo do setor aéreo? Parece muito específico.

Mimi

É. A IA foi treinada para ler códigos meteorológicos METAR e entender por que um voo foi cancelado. Isso exige conhecimento técnico que advogados não têm. A IA acrescentou uma capacidade que antes não existia.

Luke

Mas o texto diz que 100% das grandes companhias aéreas usam essa tecnologia. Como sabemos disso? Quem mediu? E se é tão efetiva, por que o Brasil ainda tem 98,5% dos processos contra aéreas do mundo?

Mimi

Porque o volume é tão grande que mesmo com a IA funcionando bem, há ainda muita litigância. A tecnologia não elimina o problema, apenas o torna mais gerenciável e estratégico.

Mark

Então o consumidor realmente se beneficia?

Mimi

Sim. Se a IA ajuda a evitar derrotas judiciais indevidas, os custos de litigância abusiva caem, e isso reduz o preço da passagem. A ANAC disse que a judicialização excessiva responde por 5% a 10% do preço.

  • Volume de processos judiciais quadruplicou para 8% ao ano em 2022
  • Advogados de contencioso de massa representam 2% da classe mas lidam com 70% dos processos das maiores empresas
  • Profissionais que usam IA recebem 19% a 43% mais de remuneração
  • 45% dos colaboradores em escritórios de massa não possuem registro na OAB
  • Brasil concentra 98,5% dos processos contra companhias aéreas do mundo

Volume de processos judiciais quadruplicou para 8% ao ano em 2022, criando demanda crescente por profissionais especializados em contencioso de massa. Advogados que usam IA recebem 19% a 43% mais de remuneração, com melhoria na saúde mental e física dos profissionais do setor historicamente sobrecarregado.

Estudo independente mostra que inteligência artificial aumentou vagas e remuneração na advocacia de massa, enquanto volume de processos cresce exponencialmente no Brasil, transformando trabalho repetitivo em estratégico.

O Brasil enfrenta um problema jurídico que não para de crescer. O volume de processos judiciais saiu de um crescimento constante de 2% a 3% ao ano desde 2009 e quadruplicou para 8% ao ano em 2022, justamente quando o ChatGPT foi lançado. Para grandes empresas, o impacto foi ainda mais severo: processos cíveis aumentaram 16% ao ano. A cada ação encerrada, surgem duas novas para responder.

Esse peso recai sobre um grupo minúsculo de profissionais. Advogados que atuam em contencioso de massa representam aproximadamente 2% do 1,5 milhão de advogados registrados no país, mas lidam com mais de 70% do volume total de processos judiciais das maiores empresas brasileiras. Antes da inteligência artificial se disseminar, esses profissionais trabalhavam horas infinitas em tarefas repetitivas e mecânicas, sem tempo para pensar em estratégia ou analisar cada caso individualmente. A revista Exame, em 2011, descreveu os escritórios de advocacia de massa como a "salsicharia do Direito". O modelo de negócio que emergiu dessa pressão era precário: 45% dos colaboradores em escritórios de contencioso de massa nem sequer foram aprovados no exame da OAB e não possuem registro na entidade, muitas vezes executando atividades de cunho advocatício fora da regulação da classe. Esses profissionais operavam com recursos escassos e baixo grau de saúde física e mental.

Um estudo independente feito por uma das maiores consultorias estratégicas do mundo mapeou o impacto da inteligência artificial nesse cenário, reunindo dados públicos do Judiciário brasileiro, entrevistas com centenas de advogados e benchmarks globais. Os resultados desafiam a suposição inicial de que a tecnologia eliminaria postos de trabalho. Entre 2018 e 2025, o número de advogados em escritórios de contencioso de volume aumentou 3% ao ano. O mesmo movimento ocorre em países mais maduros na adoção de IA: nos Estados Unidos, Reino Unido e França, a quantidade de advogados cresce a um ritmo de 3%, 3% e 2% ao ano desde 2019, respectivamente. O volume de processos cresce tão rapidamente que, mesmo com a redução do trabalho mecanizado pela IA, os escritórios dessa vertical aumentaram sua quantidade de pessoas em agregado.

Mas a mudança mais significativa é qualitativa. Com a IA delegando tarefas clericais, sobra tempo para estratégia, julgamento e tomada de decisão. Como consequência, o advogado passa a ser melhor remunerado pelo seu tempo. Profissionais que utilizam inteligência artificial recebem mais: em média, 19% a mais em estagiários, 14% em advogados juniores e 43% no caso dos advogados plenos, em comparação com pares que não usam a tecnologia. O efeito imediato dessa maior remuneração é trazer saúde física e mental para profissionais desse setor, que antes se viam desvalorizados e sobrecarregados.

A aplicação prática da IA vai além de organizar documentos. No setor aéreo, por exemplo, um modelo de inteligência artificial foi treinado para ler códigos METAR de meteorologia e trazer contexto sobre condições climáticas que impossibilitaram voos. Uma chuva de granizo que impediu uma decolagem de Congonhas para Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por motivos de segurança, é uma análise que exigiria conhecimento técnico aeronáutico ensinado apenas para pilotos de avião. A IA acrescentou uma interpretação de dados que antes não era feita. O advogado então toma a decisão final com estratégia e julgamento humano, decidindo se inclui ou não essa evidência na peça de contestação, aumentando as chances de a empresa aérea evitar uma derrota judicial indevida. Essa tecnologia foi tão efetiva que hoje é utilizada por 100% das grandes empresas de aviação do Brasil.

O Brasil concentra 98,5% dos processos judiciais contra companhias aéreas no mundo, apesar de ter apenas 3% do tráfego aéreo global. Em setembro de 2025, o presidente da ANAC afirmou que a judicialização excessiva responde por 5% a 10% do preço da passagem aérea — gastos com indenizações, acordos e equipes jurídicas que acabam embutidos no preço final cobrado do consumidor. Uma análise mais cuidadosa dos fatos, potencializada pela IA, pode ajudar a reconhecer falhas, antecipar acordos e fundamentar defesas quando a cobrança é indevida, beneficiando diretamente quem compra a passagem.

O Superior Tribunal de Justiça reconheceu, no ano passado, o direito fundamental da parte autora de utilizar IA para acessar a justiça. O raciocínio é o mesmo para as demandadas se defenderem com qualidade na escala do contencioso brasileiro, que não tem precedente na história do mundo. Quando a inteligência artificial antecipa o trabalho repetitivo, o profissional volta a olhar para aquilo que realmente exige julgamento intelectual. O sistema de justiça vence com um contraditório substantivo e menos mecânico. O consumidor tem respostas mais rápidas e justas às suas demandas e serviços menos onerados pelos custos da litigância abusiva.

Antes da IA, profissionais trabalhavam horas infinitas em tarefas repetitivas, sem tempo para pensar em estratégia ou analisar cada caso individualmente
— Estudo independente de consultoria estratégica
A judicialização excessiva responde por 5% a 10% do preço da passagem aérea
— Presidente da ANAC, setembro de 2025
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