Porta-voz militar Huthi confirmou ataque com mísseis e drones ao Aeroporto Internacional de Abha e alertou companhias aéreas a evitar espaço aéreo saudita. Incidente originou-se de disputa sobre voo iraniano transportando delegação Huthi; Governo iemenita afirma ter alvejado pista para impedir violação do espaço aéreo.
Huthis retaliam contra Arábia Saudita após ataque ao aeroporto de Sana
O fim do cessar-fogo e o início da guerra
Porque é que um avião iraniano a aterrar em Sana se tornou tão importante que justificou disparos contra a pista do aeroporto?
Porque viola um acordo tácito. O espaço aéreo iemenita está sob controlo da coligação internacional. Os voos devem ter autorização prévia. Os Huthis começaram a organizar voos diretos do Irão sem pedir permissão, e isso foi visto como uma provocação deliberada.
Mas quem controla realmente o espaço aéreo? Se os Huthis controlam Sana e conseguem fazer aterrar aviões lá, a autoridade da coligação é mais teórica do que real.
O Governo iemenita diz que tentou persuadir a delegação a usar um avião nacional. Porque é que isso importava?
Porque um avião iraniano é um símbolo de soberania iraniana. Deixar que pouse é deixar que o Irão demonstre influência direta no Iémen. O Governo, apoiado pela Arábia Saudita, não podia permitir isso.
Mas o avião aterrou na mesma, só que em Hodeida em vez de Sana. Então o tiro saiu pela culatra.
Os Huthis dizem que isto marca "o fim do cessar-fogo". Será que o cessar-fogo já estava realmente em vigor?
Tecnicamente sim, desde 2022. Mas era frágil. Havia tensões constantes, acusações de violações, ameaças. Este incidente é apenas o ponto de rutura.
A questão é se isto é realmente o fim ou apenas mais um episódio de escalada que depois arrefece. O Governo iemenita instruiu o seu lado a não intensificar. Isso sugere que ninguém quer guerra total.
Qual é o papel do Irão nisto tudo?
O Irão apoia os Huthis militarmente e diplomaticamente. Quando o Governo iemenita ataca um avião iraniano, o Irão vê-o como uma afronta. Condenou o ataque como violação da integridade territorial.
Mas o Irão não está a intervir militarmente. Está apenas a condenar. Isso é importante — mostra que mesmo com as tensões EUA-Irão a aumentar, ninguém quer escalar isto para um conflito regional aberto.
Der Puls
- Porta-voz militar Huthi Yahya Saree confirmou ataque com mísseis e drones ao Aeroporto Internacional de Abha
- Disputa originou-se de voo iraniano transportando delegação Huthi que regressava do funeral de Ali Khamenei em Teerão
- Governo iemenita alvejou pista de Sana para impedir violação do espaço aéreo; avião aterrou em Hodeida controlada pelos Huthis
- Incidente ameaça cessar-fogo mediado pela ONU desde 2022
- Guerra no Iémen ceifou centenas de milhares de vidas em mais de uma década
Porta-voz militar Huthi confirmou ataque com mísseis e drones ao Aeroporto Internacional de Abha e alertou companhias aéreas a evitar espaço aéreo saudita. Incidente originou-se de disputa sobre voo iraniano transportando delegação Huthi; Governo iemenita afirma ter alvejado pista para impedir violação do espaço aéreo.
Rebeldes Huthis do Iémen reivindicaram ataque ao Aeroporto de Abha na Arábia Saudita em retaliação por ofensiva contra o aeroporto de Sana, ameaçando cessar-fogo mediado pela ONU.
Yahya Saree, porta-voz militar dos Huthis, anunciou ontem em vídeo que as forças rebeldes do Iémen haviam lançado mísseis e drones contra o Aeroporto Internacional de Abha, no sul da Arábia Saudita. A ação, disse ele, era resposta direta a um ataque que os rebeldes atribuem a Riade contra o aeroporto de Sana, que controlam. Na mesma mensagem, Saree emitiu um aviso às companhias aéreas: não sobrevoem o espaço aéreo do Reino.
O que desencadeou esta escalada foi um incidente que revela as fraturas profundas no Iémen dividido. Uma delegação Huthi havia viajado a Teerão para participar no funeral do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei. Quando regressavam num avião iraniano, o Governo iemenita — reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita — decidiu agir. Segundo o Ministério da Defesa de Sana, as autoridades tentaram convencer a delegação a usar um voo da companhia aérea nacional iemenita. Falhada essa persuasão, ordenaram disparos contra a pista do aeroporto. "As milícias terroristas Huthis, apoiadas pelo regime iraniano, insistiram em permitir que um avião iraniano violasse o espaço aéreo iemenita. Como resultado, a pista do aeroporto foi alvejada", afirmou o Ministério em comunicado. O avião conseguiu aterrar em Hodeida, cidade costeira controlada pelos rebeldes.
Este é o incidente mais grave entre as duas partes em anos. O cessar-fogo mediado pela ONU em 2022 — frágil desde o início — agora parece estar à beira do colapso. O Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Huthis declarou que o ataque marcava "o fim da fase de desanuviamento e do cessar-fogo, e o início da guerra". Rashad al-Alimi, chefe do Conselho Presidencial do Iémen, tentou conter a situação, instruindo o seu lado a não intensificar o confronto. Mas as palavras dos Huthis sugerem que essa contenção pode ser ilusória.
O contexto regional amplifica o perigo. As tensões entre os Estados Unidos e o Irão ressurgiram recentemente, e o Irão — aliado dos Huthis — já condenou o ataque ao aeroporto de Sana como uma "agressão à integridade territorial do Iémen". Os rebeldes, por sua vez, já tinham acusado Riade de tentar atacar um avião iraniano que aterrou em Sana no início de julho, e nessa altura ameaçaram visar aeroportos e infraestruturas estratégicas sauditas.
O que está em jogo é maior do que um aeroporto. Os Huthis parecem ter minado o acordo que mantinha o espaço aéreo iemenita sob controlo da coligação internacional, organizando voos diretos entre o Irão e Sana sem autorização prévia. Isto provocou a ira tanto das autoridades iemenitas quanto da Arábia Saudita. Agora, com o ataque a Abha e a retaliação prometida, o risco é que o conflito se expanda para além das fronteiras do Iémen.
Hans Grundberg, enviado especial da ONU para o Iémen, manifestou "extrema preocupação" e apelou à "desescalada". Mas as palavras de alerta chegam num momento em que ambos os lados parecem determinados a responder à provocação do outro. O Iémen, já mergulhado numa das piores crises humanitárias do mundo — com centenas de milhares de mortos ao longo de mais de uma década de guerra — corre agora o risco de uma escalada que pode trazer ainda mais sofrimento.
Bemerkenswerte Zitate
As milícias terroristas Huthis, apoiadas pelo regime iraniano, insistiram em permitir que um avião iraniano violasse o espaço aéreo iemenita. Como resultado, a pista do aeroporto foi alvejada.— Ministério da Defesa do Governo iemenita
Marca o fim da fase de desanuviamento e do cessar-fogo, e o início da guerra.— Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Huthis