HUOP realiza primeira cirurgia de aneurisma de aorta torácica e abdominal pelo SUS

Paciente de 72 anos submetido a procedimento cirúrgico de alto risco com potencial de morte em sala de cirurgia, mas realizado com sucesso.
Cirurgia extremamente complexa que no passado era aberta, hoje feita por cateterismo
Dr. Walter explicando como a técnica moderna transformou um procedimento historicamente invasivo em intervenção minimamente invasiva.
Mark

Por que essa cirurgia específica — aneurisma de aorta torácica e abdominal — é tão complexa?

Mimi

Porque você está lidando com a artéria mais importante do corpo. Uma dilatação grave nela significa risco iminente de ruptura ou dissecção. Historicamente, corrigir isso exigia abrir o paciente completamente. Hoje, com cateterismo, conseguimos trabalhar por dentro, mas ainda assim é extremamente delicado.

Mark

E por que dividir em duas etapas?

Mimi

Segurança. Quando você substitui a aorta e suas ramificações, fazer tudo de uma vez expõe o paciente a um tempo cirúrgico muito longo. Dividir em duas etapas reduz esse tempo, diminui complicações, permite que o corpo se recupere entre os procedimentos.

Mark

O custo é realmente um obstáculo tão grande?

Mimi

Absolutamente. Na rede privada, apenas os materiais — as próteses, os cateteres especializados — custam mais de 200 mil reais. Isso coloca a cirurgia fora do alcance da maioria das pessoas. O SUS viabilizou isso aqui porque a direção do hospital decidiu que era prioridade.

Mark

Qual é o significado real disso para a região?

Mimi

Significa que pessoas do interior do Paraná não precisam mais sair de suas cidades para procedimentos de altíssima complexidade. Significa que o hospital deixa de ser apenas um lugar onde você vai para casos simples. Significa que a expertise técnica existe aqui, agora.

Mark

E para o paciente, especificamente?

Mimi

Para Rafael Falenski, significa que ele sobreviveu a um procedimento que tinha risco real de morte em sala de cirurgia. Para sua família, significa que não precisaram viajar, não precisaram gastar com hospedagem, não precisaram lidar com a burocracia de encaminhamento para outro estado. Significa que ele está vivo e em recuperação em sua própria região.

  • Paciente de 72 anos de Santa Helena submetido a cirurgia endovascular em duas etapas
  • Procedimento custaria mais de R$ 200 mil em insumos na rede privada
  • Primeira cirurgia de aneurisma de aorta torácica e abdominal 100% SUS no HUOP
  • Hospital atende 94 municípios no oeste do Paraná

Paciente de 72 anos de Santa Helena foi submetido a procedimento endovascular em duas etapas, evitando riscos de ruptura ou dissecção da aorta. Cirurgia de alto custo (até R$ 200 mil em insumos) foi viabilizada pelo SUS com apoio da direção hospitalar e equipe multidisciplinar especializada.

Hospital Universitário do Oeste do Paraná realiza pela primeira vez cirurgia de aneurisma de aorta torácica e abdominal 100% SUS, consolidando capacidade técnica regional e ampliando acesso a procedimentos de alta complexidade.

O relógio parecia marcar um tempo diferente naquele dia. Na porta da Hemodinâmica do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, os olhos de Rafael Antônio Falenski estavam fixos, esperando notícias que reescreveriam a história de sua família e, simultaneamente, marcariam um ponto de virada para a instituição.

Falenski, um homem de 72 anos morador de Santa Helena, no oeste paranaense, não imaginava que seu corpo se tornaria palco de um feito inédito. Ele foi o primeiro paciente a passar por uma cirurgia de aneurisma de aorta torácica e abdominal integralmente financiada pelo SUS dentro das paredes do HUOP. O procedimento, dividido em duas etapas — a primeira em 26 de novembro, mais delicada, e a segunda em 25 de fevereiro, menos complexa — exigiu que sua família convivesse com a realidade de um risco elevado. "Recebemos a informação que era uma cirurgia bem complexa, bem complicada mesmo, que tinha alto risco de ele ficar na sala de cirurgia", explicou seu filho, único herdeiro da família.

A intervenção representa muito mais que um caso bem-sucedido. Trata-se de um procedimento de altíssima complexidade e custo expressivo, realizado em uma sala de Hemodinâmica equipada com tecnologia de imagem de precisão cirúrgica. Os dois cirurgiões vasculares responsáveis — Dr. Walter Zavem Gomes de Oliveira Karakhanian e Dr. Gustavo Antônio Giolo — conduziram uma técnica endovascular que, décadas atrás, exigia incisões abertas e recuperação prolongada. Hoje, por meio de cateterismo e próteses especializadas, conseguem corrigir a dilatação grave da aorta, a principal artéria do corpo humano, reduzindo drasticamente os riscos de ruptura ou dissecção — ambas condições potencialmente fatais.

"Trata-se de uma cirurgia extremamente complexa, que no passado era realizada de forma aberta. Hoje, com técnicas modernas, conseguimos executar o procedimento por meio de cateterismo, utilizando próteses específicas", explicou Dr. Walter. A divisão em duas etapas não foi escolha estética, mas necessidade clínica: permitiu maior segurança na substituição da aorta e de suas ramificações, reduzindo o tempo de exposição do paciente aos riscos inerentes ao procedimento.

O custo dessa cirurgia, quando realizada na rede privada, ultrapassa facilmente os 200 mil reais apenas em materiais e insumos. Viabilizá-la pelo SUS exigiu mais que competência técnica: demandou decisão institucional, planejamento rigoroso e coordenação de uma equipe multidisciplinar que trabalhou integrada desde o diagnóstico até a recuperação. A direção do hospital, com apoio do Governo do Estado, garantiu a estrutura, os profissionais e os materiais necessários.

Rafael Muniz, diretor-geral do HUOP, vê nesse procedimento a materialização de uma missão. "A missão do Hospital Universitário é ser referência regional. Mesmo sendo um hospital 100% SUS e enfrentando desafios burocráticos, buscamos constantemente avançar. Esse procedimento demonstra a capacidade técnica da nossa equipe e reforça o compromisso com a vida", afirmou. O hospital atende 94 municípios da região, e até recentemente, pacientes com aneurismas de aorta torácica e abdominal precisavam ser encaminhados para grandes centros urbanos — São Paulo, Curitiba, centros que concentravam a expertise e a tecnologia.

Agora, o sucesso de Falenski abre uma porta. A Hemodinâmica do HUOP consolida-se como setor estratégico para procedimentos de altíssima complexidade. Novos casos semelhantes poderão ser tratados localmente, sem necessidade de deslocamento, sem custos adicionais de transporte e hospedagem para famílias já fragilizadas pela doença. É um avanço que reposiciona o hospital não apenas como instituição de saúde, mas como centro de referência capaz de oferecer à população do interior do Paraná o que antes era privilégio de quem tinha acesso aos grandes centros ou recursos privados.

Recebemos a informação que era uma cirurgia bem complexa, bem complicada mesmo, que tinha alto risco de ele ficar na sala de cirurgia
— Filho do paciente Rafael Antônio Falenski
Trata-se de uma cirurgia extremamente complexa, que no passado era realizada de forma aberta. Hoje, com técnicas modernas, conseguimos executar o procedimento por meio de cateterismo, utilizando próteses específicas
— Dr. Walter Zavem Gomes de Oliveira Karakhanian
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