Quando o câncer chega à infância, não atinge apenas uma criança — atravessa toda uma família e reordena o que significa estar vivo. No Brasil, mais de sete mil crianças recebem esse diagnóstico a cada ano, e dois pais — Eliton Júnior e Carlos Lopes — encontraram no percurso do tratamento de seus filhos uma transformação que nenhuma rotina comum poderia ter provocado. Suas histórias, vividas nos corredores do Hospital Santa Marcelina Saúde em São Paulo, lembram que a cura, quando acontece, raramente é só do corpo.
Histórias de transformação: pais aprendem resiliência no tratamento do câncer infantil
Aprendi a ser mais resistente e a dar outro significado a cada instante
O que você acha que muda primeiro quando uma criança recebe este diagnóstico — a rotina da família ou o que os pais acreditam que é importante?
Acho que muda tudo ao mesmo tempo, mas a rotina é só a superfície. O que realmente muda é o que você vê quando fecha os olhos à noite. De repente, estar vivo não é mais algo que você assume. É algo que você sente.
Eliton chorava enquanto sua filha era forte. Como ele processou isso?
Ele viu que a força não é a ausência de medo. Maitê tinha medo também, provavelmente. Mas ela seguia em frente. E quando você vê seu filho fazer isso, você não tem escolha a não ser aprender com ele.
Carlos era fechado, focado no trabalho. O câncer de Miguel o abriu?
Não foi o câncer que o abriu. Foi estar ao lado de Miguel enquanto ele lutava. Quando você vê alguém que você ama enfrentando algo tão grande, as prioridades que você construiu desabam. E você tem que reconstruir.
Sete mil e meio de casos por ano no Brasil. Isso é muito?
É muito para as famílias que vivem isso. Mas o que importa é que muitos desses casos podem ser curados se forem diagnosticados cedo. Não é sobre quantidade. É sobre oportunidade.
O que você acha que estes pais diriam para outro pai que acabou de receber um diagnóstico?
Provavelmente diriam para olhar para o filho. Não para o medo. Para o filho. Porque é ali que você encontra a razão para seguir em frente.
El Pulso
- O diagnóstico de câncer em crianças pequenas impõe às famílias uma ruptura imediata: rotinas desaparecem e o medo passa a ditar o ritmo dos dias.
- Eliton Júnior, motorista de aplicativo, viu-se dividido entre sustentar a casa e estar presente ao lado da filha de dois anos submetida a cirurgia e quimioterapia.
- Carlos Lopes, pai solo de cinco filhos, percebeu que anos de dedicação ao trabalho o haviam afastado de quem mais importava — e foi a doença do filho que o trouxe de volta.
- No Brasil, o câncer infantojuvenil é a principal causa de morte não acidental entre crianças, mas especialistas afirmam que o diagnóstico precoce e o acesso a centros especializados elevam significativamente as chances de cura.
- A TUCCA, em parceria com o SUS, oferece tratamento gratuito de alta complexidade na Zona Leste de São Paulo, sendo o ponto de convergência dessas histórias de resistência e recomeço.
Quando o câncer chega à infância, não atinge apenas uma criança — atravessa toda uma família e reordena o que significa estar vivo. No Brasil, mais de sete mil crianças recebem esse diagnóstico a cada ano, e dois pais — Eliton Júnior e Carlos Lopes — encontraram no percurso do tratamento de seus filhos uma transformação que nenhuma rotina comum poderia ter provocado. Suas histórias, vividas nos corredores do Hospital Santa Marcelina Saúde em São Paulo, lembram que a cura, quando acontece, raramente é só do corpo.
Quando uma criança é diagnosticada com câncer, a família inteira é arremessada para dentro de um mundo desconhecido. As contas, os compromissos, as pequenas urgências do cotidiano perdem sentido. No lugar deles entram internações, exames e sessões de quimioterapia — e uma exigência silenciosa de aprender a resistir.
Eliton Júnior tinha 26 anos quando sua filha Maitê, de apenas dois anos, recebeu o diagnóstico de hepatoblastoma, um tumor raro no fígado. Motorista de aplicativo, ele se viu dividido entre a necessidade de trabalhar e a de estar presente. Chorava. Acumulava dívidas e medos. Mas era Maitê quem o ensinava: ela enfrentava cirurgias e quimioterapia com uma coragem que ele mal conseguia nomear. Daquele hospital, Eliton saiu com uma compreensão nova — a de que a força não é a ausência do medo, mas o movimento apesar dele.
Carlos Lopes, 39 anos, pai solo de cinco filhos, acreditava ter a vida sob controle. Quando seu filho Miguel, de 11 anos, começou a apresentar sintomas e foi diagnosticado com um tumor cerebral, essa ilusão de controle desmoronou. Miguel curou-se. E nesse processo, Carlos percebeu que havia passado anos fisicamente presente, mas emocionalmente ausente. A doença do filho o devolveu à presença genuína.
Essas histórias não são exceções. No Brasil, o câncer infantojuvenil é a principal causa de morte por doença não acidental entre crianças e adolescentes, com cerca de 7.560 novos casos por ano. O oncologista pediátrico Sidnei Epelman, presidente da TUCCA, sublinha que o diagnóstico precoce e o acesso rápido a centros de alta complexidade são determinantes para a cura — não milagres, mas medicina, tempo e oportunidade. A TUCCA atua em parceria com o SUS no Hospital Santa Marcelina Saúde, na Zona Leste de São Paulo, oferecendo tratamento gratuito para crianças e adolescentes da capital e região metropolitana. É lá que histórias como as de Eliton e Carlos encontram seu desfecho — não porque o câncer seja redentor, mas porque quem o enfrenta descobre em si uma capacidade de transformação que não sabia possuir.
Quando uma criança recebe um diagnóstico de câncer, a família inteira é lançada em um novo mundo. As rotinas desaparecem. O que importava ontem — contas, compromissos, pequenas frustrações — perde peso. No lugar disso entram internações, exames, sessões de quimioterapia. E com tudo isso, uma exigência silenciosa: aprender a ser resiliente.
Eliton Júnior tinha 26 anos quando sua filha Maitê, então com 2 anos, foi diagnosticada com hepatoblastoma, um tumor raro no fígado. Ele trabalha como motorista de aplicativo — cada corrida é uma forma de manter a casa de pé. Mas agora havia algo maior que o trabalho. Havia as visitas diárias ao hospital, os procedimentos, a incerteza. Ele se viu dividido entre duas necessidades que pareciam incompatíveis: ganhar o sustento e estar presente. Naqueles dias, ele chorava. Pensava no medo, nas dívidas que se acumulavam. Mas então observava sua filha. Maitê era forte. Enquanto ele se desmoronava, ela enfrentava a cirurgia e as sessões de quimioterapia com uma coragem que ele não conseguia nomear. Eliton aprendeu algo naquele hospital que nenhum outro lugar lhe teria ensinado: que a força não vem de estar livre do medo, mas de seguir em frente apesar dele. Hoje, Maitê está em acompanhamento, e seu pai carrega uma perspectiva completamente diferente sobre o que significa estar vivo.
Carlos Lopes tinha uma vida estruturada, ou assim acreditava. Aos 39 anos, era pai solo de cinco filhos — uma responsabilidade que o mantinha focado, fechado em si mesmo, dedicado ao trabalho. Seu filho Miguel, de 11 anos, começou a apresentar sintomas que levaram a uma longa busca por respostas. O diagnóstico, quando veio, foi de um tumor cerebral. A jornada até a cura foi longa, mas Miguel conseguiu. E naquele processo, algo em Carlos também se transformou. Ele percebeu que havia passado anos ao lado de seus filhos sem realmente estar presente. O trabalho o havia consumido. A doença de Miguel o devolveu à vida. Agora, Carlos fala sobre valorizar a presença, sobre dar atenção genuína aos seus filhos. A cura do filho trouxe também a cura de uma forma de viver que o mantinha distante.
Estas não são histórias isoladas. No Brasil, o câncer infantojuvenil é a principal causa de morte por doença não acidental entre crianças e adolescentes. A cada ano, cerca de 7.560 novos casos são diagnosticados. Os números são pesados. Mas há algo importante neles: estes tumores crescem rapidamente, é verdade, mas também respondem bem ao tratamento quando identificados cedo e quando a criança tem acesso a centros médicos especializados. O oncologista pediátrico Sidnei Epelman, que preside a TUCCA, enfatiza que o diagnóstico precoce e o acesso rápido a tratamento de alta complexidade são as chaves. Não é sobre milagres. É sobre medicina, oportunidade e tempo.
A TUCCA funciona em parceria com o SUS no Hospital Santa Marcelina Saúde, na Zona Leste de São Paulo, oferecendo tratamento gratuito e de alta complexidade para crianças e adolescentes da capital e região metropolitana. É neste espaço que histórias como a de Eliton e Carlos se desenrolam — histórias que começam com medo e terminam com aprendizado. Não porque o câncer seja bom, mas porque as pessoas que o enfrentam descobrem em si mesmas uma capacidade de transformação que não sabiam que possuíam.
Citas Notables
Enquanto eu chorava e pensava no medo e nas dívidas, a Maitê era forte. Foi com ela que aprendi a ser mais resistente— Eliton Júnior, pai de Maitê
Eu era muito fechado e focado no trabalho. O Miguel me ensinou a dar mais atenção aos meus filhos e a valorizar a presença— Carlos Lopes, pai de Miguel