Guia gastronômico destaca 11 cantinas italianas tradicionais de São Paulo

Massas feitas na casa, receitas que atravessam gerações
O que diferencia as cantinas tradicionais de São Paulo é a prática de fabricar suas próprias massas e molhos, mantendo viva a tradição italiana.
Mark

Por que a Folha escolheu destacar especificamente cantinas italianas em um guia com mais de novecentos estabelecimentos?

Mimi

As cantinas italianas têm um lugar particular na história gastronômica de São Paulo. Muitas delas são negócios familiares que atravessaram gerações, como o Carlino desde mil oitocentos e oitenta e um. Elas representam uma tradição que se enraizou profundamente na cidade.

Mark

O que diferencia essas cantinas das outras casas de comida italiana que existem por aí?

Mimi

A maioria fabrica suas próprias massas e molhos. Não é apenas servir um prato — é manter viva uma receita, um método. O Don Carlini vende suas massas em um empório anexo. O Il Sogno di Anarello segue as receitas do fundador Giovanni Bruno. Isso não é marketing, é continuidade.

Mark

Há algo que une essas casas geograficamente?

Mimi

Elas estão espalhadas por toda a cidade, mas o Bexiga concentra várias delas. Historicamente, foi um bairro de imigração italiana, então faz sentido que várias cantinas tradicionais tenham se estabelecido lá. Mas você encontra essas casas em Pinheiros, Vila Madalena, Vila Mariana — em diferentes regiões.

Mark

Os preços parecem variar bastante. O que explica isso?

Mimi

Alguns fatores: o tamanho da porção, se é para uma ou duas pessoas, os ingredientes usados. O Gigio em Pinheiros cobra duzentos e dois reais por um filé à parmegiana para duas pessoas porque as porções são fartas. Já o Pasquale, que abre menos dias, tem preços um pouco menores. E há casas como a Lellis que oferecem opções mais premium, como a perna de cabrito por trezentos e dois reais.

Mark

Qual é o significado de um guia como esse em dois mil e vinte e seis?

Mimi

É um mapa de memória. Essas cantinas não são apenas restaurantes — são espaços onde gerações de paulistanos comem, celebram, se encontram. Um guia assim diz: essas casas importam, valem a pena ser visitadas, merecem ser lembradas. É um ato de preservação.

  • Com mais de novecentos estabelecimentos mapeados, o guia da Folha impõe um desafio real ao paulistano: como escolher onde sentar à mesa sem se perder na abundância?
  • As onze cantinas selecionadas disputam atenção não apenas pelo cardápio, mas pela autenticidade — massas e molhos feitos na casa são o critério tácito que separa a tradição da imitação.
  • Bairros como Bexiga, Pinheiros e Vila Madalena concentram parte dessas casas, tornando a geografia da cidade inseparável da sua identidade gastronômica italiana.
  • A seleção combina júri especializado e pesquisa Datafolha, tentando equilibrar o olhar técnico com o gosto popular — uma tensão produtiva que revela o quanto a comida é também política cultural.
  • O resultado é um retrato de gerações: do Carlino, fundado em 1881, ao Taormina, aberto em 2002, a cidade mostra que a tradição italiana em São Paulo não é museu — é mesa posta todo dia.

São Paulo carrega em suas cantinas italianas uma memória viva da imigração e do afeto que se transmite pela mesa. A Folha de S.Paulo reuniu onze desses lugares — alguns com mais de um século de história, outros ainda jovens, mas todos fiéis ao gesto artesanal de fazer a própria massa — como parte de um guia que mapeia mais de novecentos endereços gastronômicos da cidade. É um convite a reconhecer que comer bem, em São Paulo, é também um ato de pertencimento cultural.

A Folha de S.Paulo lançou um guia gastronômico que mapeia mais de novecentos endereços na cidade, organizados por especialidade e localização. Entre os destaques, onze cantinas italianas foram selecionadas por júri especializado e pela pesquisa Datafolha, representando diferentes gerações e regiões de São Paulo.

O Carlino, o mais antigo da lista, funciona desde 1881 na Vila Buarque e serve apenas almoço. Seus pratos toscanos — como o polpettone recheado de muçarela com nhoque ao pomodoro e o maccheroni ubriachi preparado em conhaque e vinho branco — definem o padrão da casa. No bairro do Bexiga, o Empório Roperto fabrica suas próprias massas e molhos, com filé à parmegiana e lasanha à bolonhesa entre os carros-chefes. O Gigio, em Pinheiros, é conhecido pelas porções generosas que servem duas pessoas.

A tradição familiar aparece em várias das casas. O Don Carlini, na Mooca, vende suas massas também em um empório anexo e tem no nhoque da bisa — servido com ragu de carne cozida até desmanchar — um dos pratos mais pedidos. A Dona Carmela, na região norte, oferece massas frescas ou recheadas combinadas com dezesseis molhos diferentes. O Il Sogno di Anarello, na Vila Mariana, segue as receitas do fundador e tem o cappelletti à romanesca como especialidade.

Outras casas ampliam o repertório: a Lellis Trattoria oferece menu-executivo com bufê de antepastos além do cardápio à la carte; a Nello's, desde 1974, permite que o cliente monte sua combinação de massa e molho; e o Pasquale, na Vila Madalena, usa farinha de grano duro importada da Itália. O Jardim de Napoli mantém o polpettone criado pelo chef Antonio Buonerba nos anos 1970, e o Taormina inclui entrada, principal e sobremesa no valor do prato. Juntas, essas cantinas mostram que a culinária italiana em São Paulo é uma tradição viva, reinventada a cada geração sem abrir mão do gesto essencial: fazer a massa com as próprias mãos.

A Folha de S.Paulo lançou um guia gastronômico abrangente que mapeia mais de novecentas casas onde comer e beber em São Paulo, organizadas por especialidade e localização. Dentro dessa seleção monumental, o jornal destacou onze cantinas italianas que representam a tradição culinária italiana na cidade, escolhidas tanto por um júri especializado quanto pela opinião dos próprios paulistanos, coletada através de pesquisa Datafolha.

O Carlino é o estabelecimento mais antigo da lista, funcionando desde 1881 com raízes profundas na culinária toscana. Localizado na Vila Buarque, região central, a casa serve apenas no almoço e é conhecida pelo polpettone recheado de muçarela acompanhado de nhoque de batata ao molho pomodoro, vendido por noventa e quatro reais. Outro destaque é o maccheroni ubriachi, uma penne preparada em conhaque e vinho branco com linguiça desfiada e molho rosé, por setenta e seis reais. A cantina também oferece opções veganas e sem glúten.

Várias das casas selecionadas mantêm a prática de fabricar suas próprias massas e molhos, preservando a autenticidade da tradição italiana. O Don Carlini, na Mooca, região leste, funciona como um negócio familiar que vende suas massas também em um pequeno empório anexo. Seus pratos mais procurados são o espaguete à carbonara por cento e dez reais e o nhoque da bisa, servido com ragu de carne bovina cozida até desmanchar, por oitenta e um reais. A Dona Carmela, aberta em dois mil e dois na região norte, oferece uma burrata com pesto e parma como entrada e permite que os clientes escolham entre massas frescas ou recheadas para combinar com dezesseis molhos diferentes.

O Bexiga, bairro tradicional da região central, concentra várias dessas cantinas. O Empório Roperto fica em uma das principais ruas do bairro e prepara suas próprias massas e molhos. O filé-mignon à parmegiana com arroz e batatas custa cento e trinta e quatro reais, enquanto a lasanha à bolonhesa sai por cento e dezenove reais para uma pessoa e cento e setenta e seis para duas. Já o Gigio, em Pinheiros, é conhecido pelas porções generosas que servem duas pessoas, com o filé à parmegiana com arroz e fritas custando duzentos e dois reais.

O Il Sogno di Anarello, na Vila Mariana, região sul, segue as receitas do fundador Giovanni Bruno e serve porções fartas para até duas pessoas. Seu carro-chefe é o cappelletti à romanesca, recheado de carne com molho de creme de leite, presunto, ervilhas e champinhom, por noventa e cinco reais. O Jardim de Napoli, também na Vila Buarque, mantém uma decoração característica com toalhas xadrez verdes e garrafas de vinho penduradas no teto. O prato mais famoso foi criado pelo chef Antonio Buonerba na década de mil novecentos e setenta: um polpettone recheado com queijo e servido com molho de tomate, por cento e vinte e três reais para duas pessoas.

Algumas casas oferecem maior variedade de opções. A Lellis Trattoria, na região central, possui extenso cardápio à la carte além de menu-executivo por oitenta e nove reais e noventa centavos, com bufê de antepastos, queijos e frios. O raviolone com cubos de filé-mignon, tomate seco, muçarela de búfala e rúcula custa cento e noventa e quatro reais para duas pessoas. A Nello's Cantina & Pizzaria, funcionando desde mil novecentos e setenta e quatro, permite que os clientes combinem massas e molhos feitos na casa, com destaque para o nhoque de ricota de búfala e espinafre gratinado com molho branco e toque de sugo, por sessenta e oito reais.

O Pasquale, na Vila Madalena, abre apenas de quinta a sábado para almoço e jantar, e aos domingos apenas para almoço. Suas massas são feitas com farinha de grano duro importada da Itália, e a pérola negra, uma penne com tomates, muçarela de búfala, pancetta, manjericão e azeitonas pretas, custa setenta e nove reais. Por fim, o Taormina, aberto em dois mil e dois, serve apenas almoço com um formato que inclui entrada, principal e sobremesa no valor do prato. O polpettone com nhoque ao sugo custa setenta e sete reais e noventa centavos, enquanto a pasta alla norma, opção vegetariana com rigatoni, berinjela frita, farofa de pão, uvas passas e ricota, sai por sessenta e nove reais e noventa centavos. Essas onze cantinas representam diferentes gerações de estabelecimentos italianos espalhados por toda a cidade, desde casas centenárias até as mais recentes, todas mantendo a tradição de preparar suas próprias massas e molhos.

O prato mais famoso foi criado pelo chef Antonio Buonerba na década de 1970: polpettone recheado com queijo e servido com molho de tomate
— Jardim de Napoli
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