Guia reúne 29 restaurantes de carnes em São Paulo para todos os paladares

A obsessão pelo corte e pelo preparo une esses lugares
Dos fornos a 1.100 graus do Beefbar às câmaras de vidro do Cór, cada restaurante tem sua própria filosofia.
Mark

Por que São Paulo precisa de um guia com 29 restaurantes de carnes? Não é muita coisa parecida?

Mimi

À primeira vista parece, mas cada casa tem uma história diferente. Tem o Rei do Filet, que abriu em 1914 e quase não mudou. Tem o Beefbar, que é de Mônaco e trabalha com forno a 1.100 graus. Tem o Low BBQ, que defuma por 14 horas. São tradições diferentes dentro da mesma cidade.

Mark

E quanto aos preços? Parece haver um abismo entre uma fraldinha por R$ 118 e um baby beef de wagyu por R$ 656.

Mimi

Exatamente. O guia não é para um único tipo de pessoa. Tem o executivo que paga R$ 65 no Chango Assador e sai satisfeito. Tem o cliente que quer investir R$ 690 no omakassê da carne do Varanda Grill. A cidade comporta os dois.

Mark

Qual é a diferença entre uma churrascaria tradicional e esses novos lugares que falam de dry aged e maturação?

Mimi

É a diferença entre comer carne e estudar carne. No Cór, você vê a câmara de vidro com as peças envelhecendo. No Osso Carnicería, o chef peruano escolhe os cortes pela raça. Não é só servir; é contar uma história sobre o que você está comendo.

Mark

Tem alguma casa que representa bem o que São Paulo é?

Mimi

O Dinho's, talvez. Funciona há 66 anos, oferece bufês temáticos — feijoada, frutos do mar, grelhados — e está em um hotel. É prático, é tradicional, é a São Paulo que trabalha e come rápido, mas bem.

Mark

E as casas argentinas? Por que tantas?

Mimi

A Argentina tem uma cultura de carne que é diferente. Não é só o corte; é a forma de preparar, de servir, de acompanhar com chimichurri e farofa. São Paulo absorveu isso. O Corrientes 348, o Pobre Juan, o Chango Assador — elas trazem uma coisa que a cidade quer.

Mark

O que faz um restaurante de carnes valer a visita?

Mimi

Obsessão. Seja pelo corte, pelo tempo de maturação, pela temperatura do forno, pela receita secreta do tempero. O Brazeiro tosta o galeto com tempero secreto há décadas. O Martin Fierro mantém a mesma receita desde 1980. Quando você vê isso, você entende que não é só comida.

  • A cidade tem mais de 900 restaurantes mapeados, e escolher onde comer carne virou uma decisão que exige orientação — daí a urgência de um guia criterioso.
  • A tensão entre tradição e inovação é real: o Rei do Filet serve o mesmo filé desde 1914, enquanto o Osso Carnicería traz pela primeira vez a São Paulo o chef peruano Renzo Garibaldi.
  • Os preços variam de R$ 35 a R$ 656 por prato, criando um mapa de acesso desigual a uma experiência que a cidade trata como patrimônio cultural.
  • A seleção combina avaliação de júri especializado com pesquisa Datafolha junto a moradores, tentando equilibrar expertise técnica e gosto popular.
  • O resultado é um retrato em movimento: churrascarias argentinas, defumadores americanos, câmaras de maturação à vista e bufês temáticos coexistem na mesma cidade, cada um disputando o que significa comer bem.

São Paulo carrega na carne uma memória coletiva que atravessa gerações: ela é ritual de encontro, marcador de identidade e palco de inovação. A Folha de S.Paulo, ao mapear 29 restaurantes especializados dentro de um projeto que catalogou mais de 900 endereços gastronômicos, não apenas orienta o comensal — ela documenta como uma cidade come e o que isso revela sobre quem ela é. De casas centenárias a novidades de chefs internacionais, o guia traça o arco entre a tradição que resiste e a modernidade que a desafia, lembrando que uma boa refeição raramente é só sobre comida.

São Paulo tem uma relação antiga com a carne — não como simples alimento, mas como ritual, celebração e conversa. A Folha de S.Paulo formalizou essa relação ao reunir 29 restaurantes especializados em carnes, parte de um projeto maior que catalogou mais de 900 endereços gastronômicos classificados por especialidade e bairro.

O guia equilibra casas históricas e novidades recentes. O Rei do Filet, aberto em 1914 no Centro, mantém quase tudo como era: o filé-mignon ainda se corta com colher. O Rodeio, desde 1958 no Jardim Paulista, preserva picanha e bife ancho na brasa ao lado de pratos de cozinha como picadinho com ovo poché. Ao mesmo tempo, a Cabaña Argentina estreou no terraço do Shopping Pátio Higienópolis pelas mãos dos donos do Pobre Juan, e o Osso Carnicería y Salumeria marca a primeira incursão fora do Peru do chef Renzo Garibaldi.

A diversidade de preços é expressiva. Uma fraldinha no Brazeiro custa R$ 118; um baby beef de wagyu no Rubaiyat chega a R$ 656. O Urus oferece um t-bone de 900 gramas por R$ 618, e o Varanda Grill propõe um omakassê de carnes por R$ 690 por pessoa. Para o almoço executivo, combos partem de R$ 65.

A obsessão pelo preparo une casas muito diferentes. No Beefbar, um forno a 1.100 graus Celsius antecede a finalização na brasa. No Cór, câmaras de vidro expõem carnes maturadas por até 60 dias. O Low BBQ e o Cadillac BBQ defumam cortes por até 14 horas no pit smoker americano. A tradição argentina aparece no Corrientes 348 e no Pobre Juan, com parrillas, tapa de cuadril e gran vacío.

Algumas casas funcionam como instituições afetivas. O Dinho's mantém bufês temáticos semanais; o Martin Fierro, conduzido por Ana Maria Massochi desde 1980, ganhou nova carta de vinhos focada em malbec; o Sujinho, na Consolação, abre até as 4 da manhã com cardápio imutável. O projeto da Folha combinou júri especializado e pesquisa Datafolha com moradores para compor esse mapa — um retrato de como São Paulo come carne: com tradição, inovação, preços para todos os bolsos e a convicção de que uma boa refeição é sempre mais do que nutrição.

São Paulo tem uma relação antiga com a carne. Não é só comida; é ritual, conversa, celebração. A Folha de S.Paulo mapeou essa tradição e a modernidade que a cerca, reunindo 29 restaurantes especializados em carnes pela cidade — parte de um projeto maior que catalogou mais de 900 estabelecimentos gastronômicos, cada um classificado por especialidade e bairro.

O guia traz casas que funcionam há décadas ao lado de novidades que chegaram nos últimos anos. O Rei do Filet, no Centro, abriu em 1914 e quase nada mudou: o filé-mignon continua tão macio que se corta com colher, acompanhado de brócolis ao alho e óleo. Já o Rodeio, desde 1958 no Jardim Paulista, mantém um cardápio extenso de carnes tostadas na brasa — picanha e bife ancho — além de pratos preparados na cozinha como picadinho com arroz, farofa, milho, banana e ovo poché. Essas casas antigas convivem com estabelecimentos recentes: a Cabaña Argentina, que abriu no terraço do Shopping Pátio Higienópolis, traz a mão dos donos do Pobre Juan; o Osso Carnicería y Salumeria é a primeira casa do chef peruano Renzo Garibaldi fora do Peru.

Os preços refletem a diversidade. Uma fraldinha no Brazeiro sai por R$ 118, enquanto um baby beef de wagyu no Rubaiyat custa R$ 656. Há opções para o executivo — combos que começam em R$ 65 no Chango Assador e chegam a R$ 149 no Rubaiyat — e há experiências de alto investimento. O Urus oferece um t-bone com 900 gramas por R$ 618; o Varanda Grill serve um omakassê da carne por R$ 690 por pessoa.

O que une esses lugares é a obsessão pelo corte e pelo preparo. No Beefbar, o chef Diego Porto trabalha com um forno que atinge 1.100 graus Celsius e finaliza as carnes na brasa — um tomahawk de um quilo sai por R$ 376. No Cór, as carnes são maturadas por até 60 dias em câmara de vidro à vista dos clientes, com preços de R$ 35 a R$ 62 por 100 gramas dependendo do corte e do tempo de envelhecimento. O Low BBQ e o Cadillac BBQ trazem a tradição americana do pit smoker, defumando carnes por até 14 horas.

Há também a especialidade argentina. O Corrientes 348 opera com três unidades e oferece a tapa de cuadril — versão portenha da picanha — por R$ 228, além de um corte nobre chamado cejas 348, retirado do ojo de bife, por R$ 320 ou R$ 398. O Pobre Juan, com seis unidades na Grande São Paulo, tosta na parrilla cortes como o flat iron e o ancho, e oferece o gran vacío — similar à fraldinha brasileira — com 500 gramas por R$ 362.

Algumas casas funcionam como instituições. O Dinho's, conduzido há anos por Paulo Zegaib, filho do fundador, oferece bufês temáticos — feijoada às quartas e sábados, frutos do mar às sextas, grelhados nos outros dias. O Martin Fierro, mantido por Ana Maria Massochi desde 1980, serve sanduíches como o choripan e carnes na grelha, com uma nova carta de vinhos assinada por sommelières especializadas em malbec. O Sujinho, na Consolação, abre até as 4 da manhã para os notívagos, com um cardápio que não muda há anos.

O projeto da Folha combina essa seleção com avaliações de um júri especializado e uma pesquisa Datafolha com moradores da cidade, traçando um mapa dos melhores endereços segundo o paulistano. É um retrato de como São Paulo come carne — com tradição, com inovação, com preços para todos os bolsos, e sempre com a seriedade de quem sabe que uma boa refeição é mais que nutrição.

O chef Diego Porto prepara carnes em forno que atinge 1.100°C e as finaliza na brasa
— Descrição do Beefbar
Ana Maria Massochi mantém clientela fiel desde 1980
— Sobre o Martin Fierro
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