Grupo Primo incorpora Oikos e atinge R$ 34 bi sob custódia

Independência é um dos pilares do nosso negócio
Thiago Nigro explica por que o Primo escolheu o modelo fee-based multi-custódia em vez de concentrar ativos em uma única instituição.
Mark

Por que essa fusão importa agora? O Primo já não estava crescendo?

Mimi

Estava crescendo, mas havia um teto invisível. Você tem 44 mil clientes com R$ 860 mil em média — é um segmento saudável, mas o Primo sabia que tinha acesso a famílias muito mais ricas através de suas redes. A Oikos era a ponte que faltava.

Luke

Mas espera — o Primo tinha R$ 2 bilhões em ativos de clientes ultra high net worth antes dessa fusão. Por que não conseguiu crescer nesse segmento sozinho?

Mimi

Porque expertise é diferente de acesso. O Primo tinha o acesso, mas não tinha a operação especializada. A Oikos tem 40 famílias, cada uma com R$ 200 milhões em média. Isso é um nível de complexidade completamente diferente.

Mark

E a Oikos por que aceitou? Ela era independente, tinha seus clientes.

Mimi

Ela queria crescer para baixo — reduzir o tíquete mínimo de R$ 100 milhões para R$ 20 milhões. Sozinha, isso seria muito difícil. Com o Primo, ganha acesso a tecnologia, a uma base de clientes potenciais e a uma máquina de comunicação que fala com 40 milhões de pessoas por mês.

Luke

Mas isso não é um risco? A Oikos perde sua identidade em uma operação muito maior?

Mimi

Renato Mendes foi bem claro: eles só aceitaram porque garantiram que não perderiam independência. Os sócios da Oikos viraram acionistas do Primo, não foram absorvidos.

Mark

E quanto à XP? Ela é acionista. Isso não cria conflito?

Luke

Boa pergunta. Nigro diz que a XP é minoritária, sem voto no conselho e sem poder de veto. Mas é uma informação que só temos pela boca dele.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que a XP aumentou sua participação no final de 2024, pouco antes dessa fusão ser anunciada. Pode ser coincidência, pode ser que ela tenha visto valor na operação.

Mark

Qual é a meta agora?

Mimi

R$ 100 bilhões em ativos sob custódia até 2028. Hoje têm R$ 34 bilhões. Nigro diz que pode envolver outros M&As, mas que não é a estratégia principal.

Luke

Isso é um número muito grande. Quanto tempo levou para chegar aos R$ 34 bilhões?

Mimi

Não temos essa informação no que foi divulgado. Mas o crescimento acelerou quando a consultoria de investimentos começou, em 2023.

Mark

E a receita? Como fica?

Mimi

Metade dos R$ 500 milhões de receita esperados este ano vem de consultoria e gestora. A outra metade vem de educação e redes sociais. É uma diversificação interessante — não depende só de gestão de patrimônio.

  • Grupo Primo incorpora Oikos, multi-family office com R$ 8 bilhões em ativos
  • Primo atende 44 mil clientes com tíquete médio de R$ 860 mil; Oikos serve 40 famílias com tíquete mínimo de R$ 100 milhões
  • Grupo Primo atinge R$ 34 bilhões em ativos sob custódia; meta é R$ 100 bilhões até 2028
  • Transação foi troca de ações; acionistas da Oikos viraram acionistas do Primo

A transação foi uma troca de ações que combina a educação financeira em massa do Primo com a expertise em ultra high net worth da Oikos. O Primo atende 44 mil clientes com tíquete médio de R$ 860 mil, enquanto Oikos serve apenas 40 famílias com tíquete mínimo de R$ 100 milhões.

O Grupo Primo, controlado pelo influenciador Thiago Nigro, incorporou a Oikos, um multi-family office com R$ 8 bi em ativos, em sua maior operação de M&A, atingindo R$ 34 bi sob custódia.

Thiago Nigro, o influenciador que construiu um império de educação financeira nas redes sociais, acaba de fazer o maior negócio de sua carreira. O Grupo Primo, que ele controla, incorporou a Oikos, um multi-family office que gerencia R$ 8 bilhões em ativos para algumas das famílias mais ricas do Brasil. A operação foi estruturada como uma troca de ações, transformando os donos da Oikos em acionistas do Primo — um movimento que une dois mundos muito diferentes do mercado financeiro.

O Primo nasceu como um canal nas redes sociais e evoluiu de forma orgânica. Começou vendendo cursos para seguidores, depois entrou em educação para profissionais do mercado financeiro, e finalmente lançou sua vertical de consultoria de investimentos em fevereiro de 2023, quando adquiriu a marca Portfel. Hoje o grupo atende 44 mil clientes, mas com um tíquete médio de apenas R$ 860 mil — um número relativamente modesto para os padrões da indústria de gestão de patrimônio. A Oikos, por outro lado, é o oposto: atende apenas 40 famílias, mas cada uma delas tem um patrimônio mínimo de R$ 100 milhões, com tíquete médio de R$ 200 milhões. Essa complementaridade é o coração da transação.

Nigro explicou ao Brazil Journal que o negócio preenche um vazio estratégico. "Temos o maior ecossistema de educação financeira e financial advisory do Brasil," disse ele. "Falamos com mais de 40 milhões de pessoas todos os meses e temos conexões todos os dias com famílias muito tradicionais e empresários muito bem sucedidos. Mas faltava uma Oikos para atender melhor esse perfil de cliente." O Primo já tinha cerca de R$ 2 bilhões dos seus R$ 26 bilhões em ativos totais alocados em clientes com mais de R$ 20 milhões em patrimônio investido, mas sabia que podia fazer melhor. Fernando Vasconcellos, CEO do Primo, reforçou que a empresa buscava "dar um serviço mais adequado a esse segmento private, segmentando mais o atendimento e com uma proposta mais especializada."

Do lado da Oikos, a lógica era inversa. Renato Mendes, um dos co-fundadores, disse que a empresa estava tentando fazer o caminho oposto: reduzir seu tíquete mínimo de R$ 100 milhões para começar a atender clientes a partir de R$ 20 milhões. A fusão oferecia uma solução elegante para ambos. "Vimos a oportunidade de juntar todo o nosso conhecimento e expertise atendendo grandes famílias com a capacidade de comunicação do Grupo Primo, e tudo que eles desenvolveram de tecnologia e acesso," disse Mendes. Ele ressaltou que a Oikos havia recebido abordagens de outras casas antes, mas queria garantir que não perderia sua independência — um ponto não trivial em um mercado onde conflitos de interesse são endêmicos.

Ambas as empresas compartilham uma convicção sobre como o mercado deveria funcionar: o modelo fee-based multi-custódia. Nigro é enfático sobre por que isso importa. "Parte do mercado está indo para o modelo fee-based, mas com mono-custódia," disse ele. "Achamos que isso continua gerando os mesmos conflitos de interesse, porque essa empresa vai acabar priorizando os produtos de onde ela tem a custódia e não vai ter acesso a tudo que tem disponível." Para o Primo, independência é um pilar do negócio — a empresa pode abrir contas em qualquer instituição e direcionar cada cliente para onde faz mais sentido para ele, não para onde gera mais receita para a casa.

A estrutura de controle do Primo inclui Nigro e uma partnership com executivos da empresa, agora expandida para incluir os sócios da Oikos. A XP Investimentos é acionista minoritária desde 2020, com participação aumentada no final de 2024, mas Nigro deixa claro que ela não tem direito a voto no conselho nem poder de veto. Com a incorporação da Oikos, o Grupo Primo atinge R$ 34 bilhões em ativos sob custódia e projeta fechar o ano com R$ 40 bilhões. A meta ambiciosa é chegar a R$ 100 bilhões até 2028, o que pode envolver outros M&As, embora Nigro diga que essa não é a estratégia principal.

O negócio de consultoria de investimentos já representa uma fatia significativa da receita do grupo. A empresa projeta que neste ano metade de seus R$ 500 milhões em receita venha da consultoria de investimentos e da gestora Grão, com a outra metade vindo de educação e redes sociais. É uma transformação notável para uma operação que começou como um influenciador falando sobre finanças pessoais. O que vem a seguir é consolidar essa posição no segmento ultra high net worth enquanto mantém o acesso em massa que o tornou conhecido.

Temos o maior ecossistema de educação financeira e financial advisory do Brasil. Falamos com mais de 40 milhões de pessoas todos os meses e temos conexões todos os dias com famílias muito tradicionais e empresários muito bem sucedidos. Mas faltava uma Oikos para atender melhor esse perfil de cliente.
— Thiago Nigro, controlador do Grupo Primo
Vimos a oportunidade de juntar todo o nosso conhecimento e expertise atendendo grandes famílias com a capacidade de comunicação do Grupo Primo, e tudo que eles desenvolveram de tecnologia e acesso.
— Renato Mendes, co-fundador da Oikos
Contact Us FAQ