Em meio à pressão inflacionária que corrói o poder de compra das famílias brasileiras, o governo federal anunciou a zeragem de alíquotas de importação para uma série de alimentos essenciais — mas deixou de fora justamente o frango e o suíno, as proteínas mais presentes na mesa do brasileiro. A medida, conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, revela a tensão permanente entre o imperativo de conter preços e a necessidade de proteger setores produtivos com forte peso político e econômico no país.
Governo zera imposto de importação em alimentos, mas exclui frango e suíno
Medida emergencial para frear a inflação, sem previsão de término
Por que o governo escolheu zerar impostos sobre alguns alimentos e não sobre outros? Parece arbitrário.
Não é totalmente arbitrário. Frango e suíno são produtos com forte produção doméstica, então reduzir impostos sobre importações poderia prejudicar produtores locais. Já bovino congelado, café, óleos — esses têm dinâmicas diferentes de oferta e demanda.
Mas o comunicado não explica essa lógica. Alckmin apenas disse que não acredita em reação negativa da bancada ruralista. Isso não é uma justificativa pública clara.
E quanto ao café em cápsulas? Por que foi excluído?
Provavelmente porque é um produto mais processado, com maior valor agregado. O governo priorizou café em grão e torrado, que são insumos mais básicos.
Novamente, isso não está documentado no comunicado. É especulação razoável, mas não é confirmado.
O impacto fiscal de R$ 650 milhões parece alto. Isso vai realmente resolver o problema da inflação de alimentos?
É uma medida emergencial, não uma solução permanente. O governo está tentando ganhar tempo enquanto a safra maior de 2025 chega ao mercado.
Importante notar: Alckmin disse que a medida não tem previsão de fim, mas também chamou de emergencial. Essas duas coisas não combinam bem. Não sabemos quanto tempo isso vai durar.
O Pulso
- A inflação de alimentos acumula pressão sobre o orçamento das famílias, com o grupo de alimentação e bebidas subindo 0,70% só em fevereiro e contribuindo com 0,15 ponto percentual para um IPCA mensal de 1,30%.
- O governo zerou impostos de importação para carnes bovinas congeladas, café em grão, milho, massas, biscoitos, azeite, óleo de girassol, açúcar e sardinha — mas frango e suíno, as proteínas mais consumidas no Brasil, ficaram de fora.
- A exclusão das carnes de aves e suínos contraria a sinalização do próprio Alckmin em 6 de março, quando mencionou 'carnes' em geral, expondo a tensão entre o discurso anti-inflacionário e a proteção de setores agroindustriais politicamente influentes.
- O impacto fiscal da medida é estimado em R$ 650 milhões ao ano, e o governo prometeu monitoramento semanal, enquanto apela — sem obrigar — para que os estados reduzam o ICMS sobre alimentos.
Em meio à pressão inflacionária que corrói o poder de compra das famílias brasileiras, o governo federal anunciou a zeragem de alíquotas de importação para uma série de alimentos essenciais — mas deixou de fora justamente o frango e o suíno, as proteínas mais presentes na mesa do brasileiro. A medida, conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, revela a tensão permanente entre o imperativo de conter preços e a necessidade de proteger setores produtivos com forte peso político e econômico no país.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira a zeragem de alíquotas de importação para uma lista de alimentos, em medida emergencial para conter a inflação. A decisão, anunciada pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin após reunião da Câmara de Comércio Exterior, entra em vigor na sexta-feira e não tem prazo de encerramento. Se mantida por um ano, o custo fiscal será de R$ 650 milhões.
Entre os produtos beneficiados estão carnes bovinas desossadas congeladas, café torrado em grão, milho, massas alimentícias, biscoitos, azeite de oliva extravirgem, óleo de girassol, açúcar de cana e conservas de sardinha — esta última com uma quota de 7.500 toneladas para evitar impacto irrestrito sobre o setor doméstico. Café em cápsulas também ficou de fora da isenção.
A grande ausência, porém, é a das carnes de frango e suíno. Alckmin havia mencionado 'carnes' de forma ampla ao antecipar o pacote em 6 de março, mas a medida final restringiu o benefício apenas ao bovino congelado. A decisão expõe a tensão entre o objetivo de baixar preços e a proteção de setores com enorme peso político no Congresso e na economia nacional.
Alckmin atribuiu a pressão inflacionária às variações climáticas e à oscilação do dólar, mas destacou sinais positivos: a cotação da moeda americana recuou de R$ 6,20 para R$ 5,81, e a Conab revisou a safra agrícola para 328 milhões de toneladas, alta de 10,3% em relação a 2024. O governo prometeu acompanhamento semanal das medidas e sinalizou que uma redução do ICMS estadual sobre alimentos seria bem-vinda — sem, contudo, impô-la aos estados.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira um pacote de redução de impostos sobre importações de alimentos, mas a decisão deixou de fora dois produtos que enfrentam pressão inflacionária: frango e suíno. A medida, que entra em vigor na sexta-feira, também excluiu o café acondicionado em cápsulas da lista de beneficiados, apesar de outras formas de café receberem isenção total.
O anúncio partiu do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços após reunião do comitê-executivo da Câmara de Comércio Exterior. Segundo Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro da pasta, trata-se de uma medida emergencial para frear a inflação dos alimentos, sem previsão de término. Se permanecer em vigor por um ano, o impacto fiscal será de R$ 650 milhões. A inflação de alimentos tem sido um desafio para o governo: em fevereiro, o grupo de alimentação e bebida registrou alta de 0,70%, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o IPCA mensal de 1,30%.
Alckmin atribuiu a pressão inflacionária a dois fatores principais: variações climáticas e oscilações do dólar. Ele destacou que a cotação da moeda norte-americana caiu de R$ 6,20 para R$ 5,81, e que a Companhia Nacional de Abastecimento revisou a safra agrícola deste ano para 328 milhões de toneladas, um aumento de 10,3% em relação a 2024. Apesar desse crescimento na produção, o governo optou por reduzir barreiras tarifárias para complementar o esforço de contenção de preços.
A lista de produtos com alíquota zerada inclui carnes desossadas de bovino congelado (que passam de 10,8% a 0%), café torrado não descafeinado em grão (de 9% a 0%), milho em grão (de 7,2% a 0%), massas alimentícias (de 14,4% a 0%), biscoitos e bolachas (de 16,2% a 0%), azeite de oliva extravirgem (de 9% a 0%), óleo de girassol em bruto (de 9% a 0%), açúcar de cana (de 14,4% a 0%) e conservas de sardinha (de 32% a 0%). Para a sardinha, porém, a Câmara de Comércio Exterior estabeleceu uma quota de 7.500 toneladas para a isenção, evitando impacto ilimitado no setor doméstico.
Quando questionado sobre possível reação negativa da bancada ruralista no Congresso diante da isenção de sardinha, Alckmin respondeu que não acredita haver resistência devido ao limite estabelecido. Ele afirmou que o governo fará acompanhamento semanal permanente das medidas. O vice-presidente também sinalizou que uma redução do ICMS estadual sobre alimentos seria benéfica, descrevendo-a como uma ação "correta", mas deixou claro que o governo federal não imporá essa medida aos estados. Ele ressaltou que o governo federal já não tributa alimentos através de PIS, Cofins ou IPI, e que a redução do imposto de importação é o instrumento que escolheu para atuar neste momento.
A exclusão de frango e suíno da lista de isenções é particularmente significativa, já que Alckmin havia mencionado "carnes" em geral quando antecipou o pacote em 6 de março. A decisão final, porém, limitou o benefício apenas às carnes bovinas desossadas congeladas, deixando os dois produtos mais consumidos pela população brasileira fora da medida. Essa escolha reflete tensões entre objetivos de controle inflacionário e proteção de setores domésticos, especialmente considerando o peso político da produção de aves e suínos no Brasil.
Citações Notáveis
A redução do Imposto de Importação é uma medida emergencial para reduzir o custo, sem previsão de ter fim— Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Esse acompanhamento vai ser permanente. Nós vamos semanalmente fazer o acompanhamento— Geraldo Alckmin, sobre monitoramento das medidas