Diante da escalada nos preços do petróleo alimentada pela instabilidade no Oriente Médio, o governo brasileiro assinou um decreto que suspende temporariamente os impostos federais sobre o querosene de aviação — combustível que responde por quase metade dos custos das companhias aéreas. A medida, válida de 8 de abril a 31 de maio, integra um pacote mais amplo que inclui subsídios para diesel e gás de cozinha, crédito bilionário para a aviação e compensação fiscal via aumento do imposto sobre cigarros. É o Estado tentando, mais uma vez, amortecer os efeitos de uma crise global sobre a economia d
Governo publica decreto que zera impostos sobre querosene de aviação até maio
O combustível representa 45% dos custos das companhias aéreas
Por que o governo escolheu justamente agora para desoneração do querosene? Parece uma resposta reativa.
É reativa, sim. O reajuste de 55% da Petrobras em abril foi o gatilho. Mas o contexto é a guerra no Oriente Médio afetando os preços globais do petróleo. As companhias aéreas estavam pressionando porque o combustível consome 45% dos seus custos operacionais.
Mas preciso perguntar: essa desoneração vai realmente chegar ao passageiro? O decreto obriga as empresas a repassar, mas não há mecanismo de fiscalização claro mencionado na reportagem.
Ótima observação. O texto diz que as empresas "deverão" repassar, mas não especifica como será monitorado. É um ponto fraco.
E a compensação com o cigarro — faz sentido arrecadar de um lado para gastar do outro?
Faz sentido fiscal, mas é uma escolha política. Aumenta o preço do cigarro para financiar a aviação. Quem fuma paga mais.
Quanto à duração: dois meses para o querosene, dois meses para o diesel importado. Por que tão curto? Isso sugere que o governo não sabe se consegue manter isso além disso.
Exatamente. É uma medida emergencial, não uma política estrutural. Quando terminar em maio, a situação pode ser outra — ou pode ser a mesma e precisar de renovação.
Os R$ 9 bilhões em crédito para as aéreas — isso é dinheiro novo ou realocação?
A reportagem não deixa claro. Diz que será operado pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil, mas não especifica se é orçamento novo ou redirecionamento de recursos já alocados.
É uma lacuna importante. Crédito é diferente de subsídio direto — as empresas precisam devolver. Mas sem saber a origem dos recursos, fica difícil avaliar o custo real para o governo.
E o GLP — R$ 850 por tonelada para importado. Isso vai baratear o gás de cozinha?
A intenção é equiparar ao preço do GLP nacional. Mas novamente, depende do repasse. E a reportagem não diz quanto isso representa em redução de preço na prateleira.
El Pulso
- A Petrobras reajustou o querosene de aviação em 55% no início de abril, pressionando companhias aéreas que já dependem do combustível para quase metade de seus custos operacionais.
- A guerra no Oriente Médio ameaça rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, alimentando uma espiral de alta nos preços internacionais.
- O governo zerou PIS e Cofins sobre o querosene até 31 de maio e anunciou subsídios para diesel importado e GLP, tentando conter o impacto em transportes e no custo de vida das famílias.
- Para compensar a renúncia fiscal, o IPI sobre cigarros sobe de 2,25% para 3,5%, deslocando o ônus de um setor para outro sem ampliar o déficit.
- Até R$ 9 bilhões em crédito via BNDES e Fundo Nacional de Aviação Civil foram reservados para sustentar as companhias aéreas durante a turbulência.
Diante da escalada nos preços do petróleo alimentada pela instabilidade no Oriente Médio, o governo brasileiro assinou um decreto que suspende temporariamente os impostos federais sobre o querosene de aviação — combustível que responde por quase metade dos custos das companhias aéreas. A medida, válida de 8 de abril a 31 de maio, integra um pacote mais amplo que inclui subsídios para diesel e gás de cozinha, crédito bilionário para a aviação e compensação fiscal via aumento do imposto sobre cigarros. É o Estado tentando, mais uma vez, amortecer os efeitos de uma crise global sobre a economia doméstica — redistribuindo o peso sem eliminá-lo.
O governo federal assinou nesta quarta-feira um decreto eliminando temporariamente os impostos PIS e Cofins sobre o querosene de aviação — o combustível que abastece aeronaves comerciais no Brasil. A desoneração vale de 8 de abril a 31 de maio e foi publicada no Diário Oficial da União como parte de um pacote de respostas à alta global dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.
O gatilho imediato foi o reajuste de 55% aplicado pela Petrobras no preço do querosene no dia 1º de abril. Como o combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, o impacto foi imediato e severo. A Petrobras controla 85% da produção nacional do produto, e os preços são reajustados mensalmente conforme as oscilações do mercado internacional — mercado esse que vive sob pressão crescente desde que a instabilidade no Oriente Médio ameaça rotas vitais como o Estreito de Ormuz.
Para compensar a perda de arrecadação com a desoneração, o governo anunciou aumento do IPI sobre cigarros, cuja alíquota passará de 2,25% para 3,5%, elevando também o preço mínimo de uma carteira de R$ 6,50 para R$ 7,50. O ônus fiscal é transferido de um setor para outro.
O pacote vai além da aviação. O governo anunciou subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado — custo dividido entre União e estados, podendo chegar a R$ 4 bilhões em dois meses — e de R$ 0,80 por litro para o diesel nacional, com custo mensal estimado em R$ 3 bilhões. Para o gás de cozinha, será concedido subsídio de R$ 850 por tonelada do GLP importado, buscando equiparar seu preço ao do produto nacional e aliviar o bolso das famílias de menor renda. Em todos os casos, as empresas beneficiadas deverão repassar a redução ao consumidor final.
Fechando o pacote, até R$ 9 bilhões em crédito foram reservados para as companhias aéreas, operados pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil. O conjunto de medidas revela um governo tentando distribuir alívio entre setores estratégicos — aviação, transporte terrestre e energia doméstica — enquanto busca manter o equilíbrio fiscal por meio de compensações em outras frentes tributárias.
O governo federal assinou nesta quarta-feira um decreto que elimina os impostos federais PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, o combustível que abastece os aviões comerciais e demais aeronaves do país. A medida é temporária: valerá apenas de 8 de abril até 31 de maio, conforme publicado no Diário Oficial da União. Ela integra um pacote mais amplo de ações anunciadas esta semana para tentar conter o impacto da escalada nos preços dos combustíveis, provocada pela guerra em curso no Oriente Médio.
O timing da decisão não é casual. No dia 1º de abril, a Petrobras havia reajustado o preço do querosene de aviação em 55%, um salto que atinge diretamente as companhias aéreas. O combustível representa aproximadamente 45% dos custos operacionais das empresas do setor, segundo dados da associação que representa a aviação comercial. A Petrobras controla cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação, mas o mercado permanece aberto à concorrência, permitindo que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras. O preço é reajustado mensalmente pela estatal, e a pressão global sobre o barril de petróleo — intensificada pela instabilidade no Oriente Médio — tem alimentado aumentos sucessivos. A região concentra os maiores produtores de petróleo do mundo e controla rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção global, gerando distorções na cadeia de abastecimento e elevação dos preços internacionais.
Para compensar a perda de arrecadação com a desoneração do querosene, o governo anunciou um aumento no Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre cigarros. A alíquota subirá de 2,25% para 3,5%, e o preço mínimo de uma carteira passará de R$ 6,50 para R$ 7,50. É uma escolha que desloca o ônus fiscal de um setor para outro.
Mas o pacote vai além da aviação. O governo também anunciou subsídios para diesel e gás de cozinha, buscando aliviar pressões em setores que afetam diretamente a população. Para o diesel importado, será concedida uma subvenção de R$ 1,20 por litro, com custos divididos igualmente entre a União e os estados. Esse benefício, válido inicialmente por dois meses, pode chegar a R$ 4 bilhões — valor que o Ministério da Fazenda havia estimado em R$ 3 bilhões antes do anúncio final. Adicionalmente, haverá subsídio de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com custo mensal estimado em R$ 3 bilhões. Em ambos os casos, as empresas beneficiárias deverão repassar a redução ao consumidor final.
Para o gás liquefeito de petróleo, o governo concederá subsídio de R$ 850 por tonelada do produto importado. O objetivo é equiparar o preço do GLP importado ao do GLP produzido nacionalmente, reduzindo assim o impacto no custo do gás de cozinha, particularmente para famílias de baixa renda. Por fim, o pacote reserva até R$ 9 bilhões em crédito para as companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil. O conjunto de medidas reflete uma tentativa do governo de distribuir o alívio fiscal entre setores estratégicos — transporte aéreo, combustíveis para transporte terrestre e energia doméstica — enquanto tenta manter o equilíbrio orçamentário através de compensações em outras áreas tributárias.
Citas Notables
O querosene de aviação representa cerca de 45% dos custos das companhias aéreas— Associação do setor aéreo
A Petrobras tem participação de cerca de 85% da produção do querosene de aviação, mas o mercado é aberto à livre concorrência— Informação do governo federal