Em meio ao calendário legislativo comprimido e à resistência do setor industrial, o governo brasileiro corre contra o tempo para salvar uma política que elimina impostos sobre pequenas compras internacionais pela internet. A MP 1357/2026, apelidada de 'taxa das blusinhas', expira em 8 de setembro caso o Congresso não a aprecie — e a instalação de uma comissão mista, ainda pendente, é o primeiro passo obrigatório nessa corrida. O embate revela uma tensão mais profunda entre a proteção da indústria nacional e o acesso popular ao consumo globalizado.
Governo pressiona Alcolumbre para instalar comissão da MP das blusinhas
A medida perde validade em 8 de setembro se não for aprovada
Por que o governo está tão pressionado por tempo? Parece que tinha mais tempo para isso.
A MP foi editada em maio, mas o Congresso só tem duas semanas de sessões até as eleições. Depois disso, a medida perde validade automaticamente em 8 de setembro. É uma janela muito estreita.
Mas espera — o governo editou a MP em maio e só agora, em agosto, está pedindo formalmente a instalação da comissão? Isso sugere que deixaram para a última hora.
E se a comissão não for instalada? O que acontece?
A MP simplesmente caduca. A política de isenção desaparece, e voltamos ao imposto de 20% sobre compras de até US$ 50.
Certo, mas a questão é: por que Alcolumbre não instalou a comissão ainda? Ele está hesitando, ou é só falta de prioridade?
A CNI acionou o STF contra isso. Isso pode bloquear a aprovação?
Tecnicamente, sim. Se o STF julgar que a MP viola princípios constitucionais, ela pode ser suspensa ou anulada. Mas o julgamento pode levar tempo.
E aí está o risco real — não sabemos como o STF vai se posicionar. A CNI tem um argumento de proteção do mercado interno que é constitucional.
O governo diz que combate contrabando. Isso é verificado?
O Ministério da Fazenda justificou assim, mas a fonte não apresenta dados sobre o impacto real na redução do contrabando.
Exatamente. É uma justificativa, não uma comprovação. Não sabemos se a isenção realmente reduz contrabando ou se apenas beneficia o comércio eletrônico legal.
Der Puls
- A MP que zera o imposto sobre compras online de até US$ 50 expira automaticamente em 8 de setembro, e o governo ainda aguarda a instalação da comissão mista que precede qualquer votação.
- O Congresso tem apenas duas semanas de sessões de 'esforço concentrado' até as eleições, tornando o calendário legislativo um obstáculo tão urgente quanto a oposição política.
- A CNI levou a disputa ao STF, argumentando que a isenção favorece indústrias estrangeiras e viola princípios constitucionais de proteção ao mercado interno.
- O governo defende a medida como combate ao contrabando e benefício ao consumidor popular, enquanto negocia nos bastidores com líderes do Senado e da Câmara.
- O silêncio do gabinete de Davi Alcolumbre diante do pedido formal do Executivo deixa o destino da política em suspenso — e o prazo avança.
Em meio ao calendário legislativo comprimido e à resistência do setor industrial, o governo brasileiro corre contra o tempo para salvar uma política que elimina impostos sobre pequenas compras internacionais pela internet. A MP 1357/2026, apelidada de 'taxa das blusinhas', expira em 8 de setembro caso o Congresso não a aprecie — e a instalação de uma comissão mista, ainda pendente, é o primeiro passo obrigatório nessa corrida. O embate revela uma tensão mais profunda entre a proteção da indústria nacional e o acesso popular ao consumo globalizado.
Na última terça-feira, o governo federal enviou um pedido formal ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, solicitando a instalação da comissão mista que deve analisar a MP 1357/2026 — a chamada 'taxa das blusinhas'. A medida, editada em maio, elimina a alíquota de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas pela internet. Sem aprovação até 8 de setembro, ela perde validade automaticamente.
O ministro José Guimarães confirmou o pedido e classificou a aprovação como prioridade do Executivo, destacando que a medida foi assinada pelo presidente Lula. O problema é que o Congresso opera com um calendário reduzido até as eleições — apenas duas semanas de sessões de 'esforço concentrado' —, deixando pouco espaço para a tramitação. O gabinete de Alcolumbre optou por não comentar.
A resistência vem de dentro do próprio tecido econômico do país. A Confederação Nacional da Indústria acionou o STF alegando que a isenção viola a proteção constitucional ao mercado interno, favorecendo concorrentes estrangeiros em detrimento da indústria doméstica. O governo rebate com o argumento de que a medida combate o contrabando e democratiza o acesso ao consumo.
Paralelamente, Guimarães sinalizou que o Executivo também negocia com o presidente da Câmara, Hugo Motta, a votação do PLP 114/2026, voltado a regras para renúncias de receita e ao impacto do aumento do petróleo influenciado pelo conflito no Oriente Médio. O destino da 'taxa das blusinhas', porém, depende agora de uma resposta que ainda não veio.
O governo federal fez um pedido formal nesta terça-feira (11 de agosto) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que seja instalada a comissão mista responsável por analisar a medida provisória que elimina o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas pela internet. A MP 1357, editada em maio deste ano, ficou conhecida como "taxa das blusinhas" e representa uma mudança significativa na política fiscal do governo — zerando uma alíquota de 20% que incidia sobre essas transações.
O timing é crítico. A medida provisória perde validade automaticamente em 8 de setembro se não for aprovada pelo Congresso Nacional. O governo está preocupado com a possibilidade de que a falta de instalação da comissão mista resulte na perda de validade do instrumento, deixando a política sem efeito. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, confirmou que fará o pedido formal e publicou em rede social que a instalação rápida da comissão e sua aprovação são prioridades do Executivo, descrevendo a medida como assinada pelo presidente Lula.
O cenário legislativo complica a urgência. O Congresso Nacional tem marcadas apenas duas semanas de sessões de "esforço concentrado" até as eleições, com a última ocorrendo entre 31 de julho e 4 de setembro. Esse calendário reduzido deixa pouco espaço para a tramitação de medidas provisórias, tornando a velocidade de instalação e votação da comissão ainda mais premente. A assessoria de Davi Alcolumbre, procurada para comentar sobre a possível instalação da comissão, optou por não se manifestar.
A medida enfrenta resistência forte do setor empresarial nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal alegando que a isenção viola princípios constitucionais, particularmente a proteção do mercado interno. Em comunicado divulgado quando a MP foi editada, a CNI argumentou que a medida concede vantagem a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional. Empresários criticam a política por favorecer concorrentes externos e prejudicar a indústria doméstica.
O governo, por sua vez, defende a medida como benéfica ao consumo popular. O Ministério da Fazenda justificou a MP como resultado de estratégias para combater o contrabando e regularizar o setor de compras internacionais on-line. Essa justificativa contrasta com a narrativa dos empresários, criando um ponto de tensão central no debate sobre a política.
Além da "taxa das blusinhas", José Guimarães indicou que o governo trabalha para evitar a votação de projetos que possam comprometer o equilíbrio das contas públicas. Ele mencionou negociações com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para a votação do Projeto de Lei Complementar 114 de 2026, que estabelece regras para renúncias de receita. Esse PLP é descrito como uma das prioridades do Executivo e visa mitigar impactos econômicos causados pelo aumento do preço do petróleo, influenciado pelo conflito no Oriente Médio.
O próximo passo depende da resposta de Alcolumbre ao pedido formal do governo. A instalação da comissão mista é condição necessária para que a MP possa ser votada antes do prazo de 8 de setembro. Sem ela, a medida provisória perde validade automaticamente, e a política de isenção do imposto sobre compras de até US$ 50 deixa de existir — um resultado que o governo claramente quer evitar, mas que setores da indústria nacional podem considerar aceitável.
Bemerkenswerte Zitate
É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula— José Guimarães, ministro das Relações Institucionais
Representa uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional— Confederação Nacional da Indústria (CNI)