GDA, que comprará SAF do Botafogo, é alvo de processo por transferência fraudulenta nos EUA

Transferiram bens prometidos aos credores e pagaram a si mesmos antes da falência
A acusação contra a GDA Luma descreve como a empresa movimentou fraudulentamente ativos durante processo de reestruturação de dívida.
Mark

Por que um processo nos EUA sobre uma financeira colombiana importa para o Botafogo?

Mimi

Porque a empresa que ofereceu US$ 105 milhões para comprar a SAF está sendo acusada de transferência fraudulenta de ativos. Se há fraude envolvida, há risco real de que a transação não se concretize ou enfrente obstáculos legais.

Mark

Qual é a acusação exata contra a GDA Luma?

Mimi

Que ela e seus sócios transferiram fraudulentamente US$ 43 milhões em ativos de uma empresa colombiana que estava em recuperação judicial. Fizeram isso enquanto fingiam cumprir um plano de reestruturação que prometia usar esses mesmos ativos como garantia para os credores.

Mark

Como isso funcionou na prática?

Mimi

A GDA Luma e seus parceiros movimentaram carteiras de empréstimos e dinheiro para outras contas — principalmente para o banco Ban 100 — sem aprovação da corte e sem dar nada em troca. Também pagaram a si mesmos milhões de dólares dias antes da falência ser decretada, contra o conselho de seus próprios advogados.

Mark

Quem é Gabriel de Alba?

Mimi

O fundador e sócio-gerente da GDA Luma. Ele era consultado regularmente sobre decisões de negócios da Credivalores e tinha controle sobre a estratégia da empresa durante todo esse período.

Mark

O Botafogo sabia disso quando assinou o acordo?

Mimi

Não há indicação de que soubesse. O clube não se posicionou publicamente sobre o caso. O acordo foi assinado em junho, mas o processo só ganhou visibilidade pública semanas depois.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

A GDA Luma terá que se defender nas cortes americanas. Enquanto isso, o Botafogo está em uma posição incômoda: tem um acordo vinculante com uma empresa sob acusação de fraude, mas ainda não comentou publicamente o que isso significa para a transação.

  • A GDA Luma, empresa que prometeu US$ 105 milhões pelo Botafogo, é acusada nos EUA de desviar US$ 43 milhões em ativos de uma financeira colombiana às vésperas de sua falência.
  • O processo alega que os acionistas controladores pagaram a si mesmos US$ 3 milhões na semana anterior ao pedido de falência, ignorando a orientação de seus próprios advogados.
  • Carteiras de empréstimos consignados no valor de US$ 40 milhões — prometidas como garantia aos credores — foram transferidas para outro banco sem aprovação judicial e, muitas vezes, sem contrapartida financeira.
  • A ação foi iniciada em julho de 2026 pelo administrador da massa falida, e a GDA Luma acaba de formalizar sua representação jurídica no tribunal americano.
  • O acordo com o Botafogo permanece formalmente vinculante, mas o silêncio do clube e a gravidade das acusações lançam uma sombra crescente sobre a viabilidade da transação.

Em meio à promessa de uma transformação financeira, o Botafogo assinou em junho um acordo de US$ 105 milhões com a GDA Luma para a venda de 90% de sua SAF — mas documentos judiciais americanos revelaram, semanas depois, que a compradora enfrenta acusações de transferência fraudulenta de dezenas de milhões de dólares de uma financeira colombiana em colapso. O caso, que tramita na Corte de Falências de Nova York, coloca em xeque não apenas a reputação da GDA Luma, mas a solidez de um negócio que o clube ainda não comentou publicamente. É o momento em que o futebol e as finanças globais se encontram num território onde a confiança é tão essencial quanto o capital.

Em junho deste ano, a diretoria do Botafogo assinou um acordo vinculante com a GDA Luma para a venda de 90% das ações de sua SAF por US$ 105 milhões. Semanas depois, documentos judiciais americanos trouxeram à tona um processo que ninguém havia mencionado publicamente: a mesma empresa estava sendo processada na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York por acusações de transferência fraudulenta de ativos.

A ação foi movida por Salvatore LaMonica, administrador da massa falida da Credivalores, uma financeira colombiana em recuperação judicial. O processo acusa Gabriel de Alba, fundador da GDA Luma, e suas empresas associadas de terem transferido fraudulentamente US$ 43 milhões em ativos da Credivalores — US$ 3 milhões em dinheiro e US$ 40 milhões em carteiras de empréstimos consignados. A GDA Luma detinha 20% da Credivalores e atuava como consultora de investimentos registrada na SEC, administrando cerca de US$ 592 milhões em ativos.

Segundo a acusação, quando a Credivalores iniciou sua reestruturação em 2024, os acionistas controladores — GDA Luma, Gramercy e Acon — agiram nos bastidores para proteger seus próprios interesses. No mesmo dia em que a empresa divulgou o memorando da oferta aos credores, os acionistas celebraram secretamente um acordo sobre um empréstimo que eles próprios haviam concedido à Credivalores. Apesar de aconselhados juridicamente a não fazê-lo, pagaram a si mesmos US$ 3 milhões na semana anterior ao pedido de falência.

Mais grave, durante o processo de recuperação, as carteiras de empréstimos consignados — os próprios ativos prometidos como garantia real aos credores — foram transferidas para o banco Ban 100, frequentemente sem contrapartida. Mais de US$ 40 milhões em carteiras mudaram de mãos entre junho e julho de 2024, sem qualquer aprovação da corte de falências.

A ação para recuperar os valores foi iniciada no fim de julho de 2026. Em 23 de julho, a GDA Luma formalizou sua representação jurídica no tribunal, sendo defendida por Sharon I. Dwoskin, do escritório Brown Rudnick LPP. O Botafogo, por sua vez, não se pronunciou publicamente sobre o caso. O acordo de US$ 105 milhões permanece vinculante, mas a existência deste processo levanta questões sérias sobre a reputação e a viabilidade da transação.

Em junho deste ano, a diretoria do Botafogo assinou um acordo vinculante com a GDA Luma para vender 90% das ações de sua SAF por US$ 105 milhões. Semanas depois, documentos judiciais revelaram que a mesma empresa estava sendo processada nos EUA por acusações de transferência fraudulenta de ativos — um detalhe que ninguém havia mencionado publicamente até então.

O processo corre na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York e foi movido por Salvatore LaMonica, administrador da massa falida da Credivalores, uma financeira colombiana. A ação acusa Gabriel de Alba, fundador da GDA Luma, e suas empresas associadas de terem transferido fraudulentamente US$ 43 milhões em ativos da Credivalores — US$ 3 milhões em dinheiro e US$ 40 milhões em carteiras de empréstimos consignados. A GDA Luma, segundo os documentos, detinha 20% da Credivalores e atuava como consultora de investimentos registrada na SEC, administrando US$ 592 milhões em ativos.

O imbróglio começou em maio de 2024, quando a Credivalores iniciou um processo de reorganização pré-acordada para reestruturar sua dívida. Os credores aprovaram um plano em julho de 2024 que trocaria US$ 210 milhões em títulos por US$ 165 milhões em novos títulos garantidos por ativos específicos da empresa. Mas, segundo a acusação, nos bastidores, os acionistas controladores — GDA Luma, Gramercy e Acon — trabalhavam para reforçar sua própria posição. No mesmo dia em que a empresa emitiu o memorando da oferta, menos de 60 dias antes do pedido de falência, os acionistas celebraram secretamente um acordo de suspensão de exigibilidade sobre um empréstimo que eles próprios haviam concedido à Credivalores. Apesar de advogados terem aconselhado contra isso, os acionistas pagaram a si mesmos US$ 3 milhões na semana anterior ao pedido de falência.

Mais grave ainda, durante o processo de recuperação, a GDA Luma e seus sócios fizeram com que a Credivalores transferisse suas carteiras de empréstimos consignados para o banco Ban 100, frequentemente sem receber nada em troca. Essas mesmas carteiras eram os ativos que fundamentavam o memorando de oferta e o plano de reestruturação — ou seja, eram os bens que a Credivalores havia prometido usar como garantia real para os credores em troca da reestruturação dos títulos. Entre junho e julho de 2024, mais de US$ 40 milhões em carteiras foram transferidos para o Ban 100. Nenhuma dessas transações foi aprovada pela corte de falências.

Os documentos detalham a estrutura da GDA Luma: a empresa é constituída sob as leis de Delaware, com sede em Miami e escritório em Nova York. Gabriel de Alba é seu fundador e sócio-gerente. Luis Blaquier, associado sênior da GDA Luma, atuava como diretor no conselho da Credivalores, nomeado pela própria GDA Luma. Martin Kontarovsky, chefe da área de cartões da ARQ, também foi nomeado para o conselho pela GDA Luma e delegou seu poder de voto a um analista júnior da empresa. As decisões sobre a Credivalores eram tomadas no nível do consultor de investimentos e comunicadas aos funcionários e representantes no conselho — Gabriel de Alba era regularmente consultado sobre decisões de negócios da empresa.

O pedido de falência da Credivalores data de 2024, mas a ação para recuperar os valores foi iniciada no fim de julho de 2026. O último movimento do processo foi a inclusão oficial da representação da GDA Luma Capital Management no tribunal em 23 de julho. A GDA será defendida por Sharon I. Dwoskin, do escritório Brown Rudnick LPP. Enquanto isso, a SAF do Botafogo não se posicionou publicamente sobre o caso. O acordo de US$ 105 milhões permanece vinculante, mas a existência deste processo levanta questões significativas sobre a viabilidade e a reputação da transação.

Os acionistas controladores da Devedora trabalhavam assiduamente para reforçar sua própria posição, chegando ao ponto de transferir bens que haviam sido prometidos aos Titulares de Títulos
— Documento do processo na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York
Apesar de os advogados terem aconselhado a não efetuar tal pagamento, os acionistas pagaram a si mesmos US$ 3 milhões durante a semana anterior à data do pedido
— Acusação contra a GDA Luma no processo de recuperação da Credivalores
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