Fux aperta cerco a Moraes após irritação com reunião secreta com chefe da PF

Reunião sem registro nas agendas, com suspeitas de blindagem
O encontro secreto entre Moraes e o chefe da PF alimentou desconfiança sobre atuação enviesada em investigações.
Mark

Por que Fux se irritou tanto com essa reunião? Não é comum ministros se encontrarem?

Mimi

É comum, mas não assim. Sem registro nas agendas oficiais, com três diretores da PF presentes, e enquanto ainda há questões pendentes sobre a validade de um relatório que afastou o próprio diretor-geral.

Luke

Mas qual é exatamente a suspeita? Que Andrei estava blindando Moraes?

Mimi

Sim. Há suspeitas de atuação enviesada da PF no caso Master, no sentido de proteger Moraes de investigações. A reunião secreta alimenta essa desconfiança.

Mark

E o que Fux pretende fazer com o acesso aos processos?

Mimi

Analisar possíveis irregularidades na condução dos inquéritos das fake news, das milícias digitais e da trama golpista. Mas ele mesmo disse que só vai tomar decisões após as eleições.

Luke

Então ele está pedindo acesso, mas não vai decidir nada por enquanto. Isso é análise ou é posicionamento político?

Mimi

Fux diz que precisa dos autos para ter elementos suficientes. Sem eles, não pode analisar o pedido do PP com base apenas em inferências.

Mark

O PP quer que ele declare nula toda a investigação sobre a trama golpista?

Mimi

Exatamente. Argumenta que Moraes não foi imparcial porque seria vítima dos fatos sob investigação.

Luke

Mas Fux votou pela absolvição de Bolsonaro enquanto Moraes votou pela condenação. Como ele fica neutro analisando isso?

Mimi

Boa pergunta. Fux pediu transferência para a Segunda Turma depois desse voto isolado. Mas agora está ampliando seu escrutínio sobre Moraes.

Mark

E a filha de Fux, a desembargadora? Isso é real ou é especulação?

Luke

Segundo o ICL Notícias, ela é cotada para uma vaga na corte se Bolsonaro vencer. Mas a assessoria de Fux nega qualquer correlação com a decisão.

  • Uma reunião secreta entre Moraes e o diretor-geral da PF, ausente de qualquer agenda oficial, acendeu o sinal de alerta de Fux sobre possível atuação enviesada nas investigações.
  • O PP, representado pelo advogado de Bolsonaro, pede a nulidade de todos os atos do inquérito da trama golpista, alegando que Moraes não poderia investigar casos nos quais ele próprio figura como vítima.
  • Fux ordenou acesso completo a três inquéritos centrais para avaliar se houve irregularidades na condução dos processos — uma medida que chega mais de dois anos após o pedido original do partido.
  • Aliados de Moraes interpretam o movimento como manobra política ligada à possível indicação da filha de Fux ao STF em caso de vitória de Bolsonaro, acusação que a assessoria do ministro rejeita categoricamente.
  • Fux sinalizou que aguardará o segundo turno das eleições, em 25 de outubro, antes de tomar qualquer decisão — deixando o desfecho institucional suspenso sobre o calendário eleitoral.

No coração do Supremo Tribunal Federal, uma disputa silenciosa entre dois ministros revela as tensões que permeiam as instituições brasileiras: Luiz Fux, incomodado com uma reunião não registrada entre Alexandre de Moraes e a cúpula da Polícia Federal, ordenou acesso integral aos inquéritos mais sensíveis do país — fake news, milícias digitais e tentativa de golpe. O gesto, carregado de desconfiança institucional, levanta questões sobre imparcialidade, concentração de poder e os limites do escrutínio entre pares dentro da mais alta corte da República. Enquanto o segundo turno das eleições se aproxima, o STF navega em águas onde o direito e a política raramente se separam.

O ministro Luiz Fux decidiu ampliar seu escrutínio sobre a atuação de Alexandre de Moraes no caso da trama golpista depois de tomar conhecimento de uma reunião não registrada entre Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, realizada no gabinete do ministro sem qualquer registro nas agendas oficiais das instituições envolvidas. Para Fux, o sigilo do encontro era sintomático de algo problemático — especialmente diante de questões ainda abertas sobre a validade de um relatório da PF que embasou acusações de abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça, e de suspeitas de que a corporação tivesse atuado para blindar Moraes de investigações.

A ordem de Fux pedindo acesso integral aos inquéritos das fake news, das milícias digitais e da tentativa de golpe de Estado atende, com mais de dois anos de atraso, a um pedido do PP ajuizado em abril de 2024. O partido, representado pelo advogado Paulo Cunha Bueno, solicita a nulidade de todos os atos e provas do inquérito sobre a trama golpista, argumentando que Moraes não teria agido com imparcialidade por ser vítima dos próprios fatos investigados. O PP também questiona se a investigação foi indevidamente derivada de outros inquéritos, permitindo que Moraes concentrasse poder de forma irregular.

Fux afirmou que não possui elementos suficientes para analisar o pedido de liminar apenas com base em inferências, e que precisa examinar, entre outros pontos, se a Operação Tempus Veritatis foi uma investigação autônoma ou uma ampliação indevida de diligências anteriores. O ministro sinalizou a auxiliares que só tomará decisões após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A divisão entre Fux e Moraes é profunda: na ação penal sobre a trama golpista, Fux foi o único a votar pela absolvição de Bolsonaro, vencido pelos demais ministros que votaram por condená-lo a 27 anos e três meses de prisão. Aliados de Moraes leram o movimento de Fux como aceno político a Flávio Bolsonaro, em meio a especulações sobre a filha do ministro como cotada para uma vaga no STF. A assessoria de Fux rejeitou a interpretação, classificando-a como intriga para minimizar a gravidade da decisão. O episódio marca um novo capítulo na tensão institucional que envolve o Supremo, a Polícia Federal e as investigações sobre a tentativa de golpe.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, decidiu na quinta-feira ampliar seu escrutínio sobre a atuação de Alexandre de Moraes no caso da trama golpista. A decisão veio carregada de irritação: dias antes, Moraes havia se reunido em seu gabinete com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sem que o encontro fosse registrado nas agendas oficiais de nenhuma das duas instituições. Além de Rodrigues, estavam presentes o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, e o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali. Para Fux, o sigilo do encontro sinalizava algo problemático.

O incômodo do ministro tem raízes em questões pendentes. Ainda está em aberto o debate sobre a validade de um relatório da PF que embasou acusações de abuso de autoridade que Moraes fez contra o ministro André Mendonça, relator do caso Master. Esse mesmo relatório levou a Segunda Turma a afastar Rodrigues de suas funções, com votos de Fux, Mendonça e Kassio Nunes Marques. Depois, Flávio Dino determinou a reintegração do diretor-geral. Para Fux, não houve ainda uma decisão colegiada definitiva sobre Rodrigues, o que tornava a reunião com Moraes inadequada — especialmente diante de suspeitas de que a PF tivesse atuado de forma enviesada para blindar o ministro de investigações.

Aliados de Moraes interpretam a ação de Fux de forma distinta. Entendem que a decisão funciona como um aceno a Flávio Bolsonaro, do PL. Segundo reportagem do ICL Notícias, a desembargadora Marianna Fux, filha do ministro, é uma das cotadas para uma vaga na corte caso Bolsonaro vença a eleição contra Lula. A assessoria de Fux negou qualquer correlação, afirmando que se trata de intriga para minimizar a gravidade da decisão. Andrei Rodrigues, por sua vez, declarou que a atuação da PF ocorre em estrito cumprimento de seu dever legal e de ordens judiciais.

A ordem de Fux pedindo acesso integral aos processos relatados por Moraes — inquéritos das fake news, das milícias digitais e da tentativa de golpe de Estado — chega mais de dois anos após um pedido do PP, ajuizado em abril de 2024. O partido, representado pelo advogado de Bolsonaro Paulo Cunha Bueno, solicita que Fux declare a nulidade de todos os atos e provas do inquérito sobre a trama golpista. O argumento é que Moraes não teria agido com imparcialidade, já que seria uma vítima dos fatos sob investigação. O PP também alega que a investigação foi indevidamente derivada dos inquéritos das fake news e das milícias digitais, permitindo que Moraes concentrasse poder, e questiona a falta de investigados com foro por prerrogativa de função.

Fux afirmou que não possui elementos suficientes para analisar o pedido de liminar do PP com base apenas em inferências ou nos argumentos do partido. Por isso, considera fundamental o acesso integral aos autos. Um dos pontos que analisará é se o processo que autorizou a Operação Tempus Veritatis foi uma investigação autônoma ou se houve ampliação indevida das diligências requeridas pela PF. O ministro também sinalizou a auxiliares que só tomará decisões após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A divisão interna do STF entre Fux e Moraes é profunda. Na ação penal sobre a trama golpista, Fux foi o único a votar pela absolvição de Bolsonaro, vencido pelos ministros Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia, que votaram por condenar o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão. Após esse isolamento, Fux pediu transferência para a Segunda Turma. O avanço agora coincide com a proximidade do julgamento da revisão criminal de Bolsonaro, como revelou a Folha, e marca um novo capítulo na tensão institucional que envolve o Supremo, a Polícia Federal e as investigações sobre a tentativa de golpe.

A atuação da PF tem ocorrido em estrito cumprimento de seu dever legal e de ordens judiciais
— Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal
Fux não tem elementos suficientes para analisar o pedido de liminar do PP e não pode tomar uma decisão com base em inferências
— Posição de Luiz Fux conforme reportagem
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Folha de S.Paulo ↗
Kontakt FAQ