Furacão ameaça refinarias dos EUA em momento crítico para energia global

Não há folga no sistema para compensar a perda
Andy Lipow explica por que qualquer interrupção no refino americano teria efeito cascata nos preços globais de combustível.
Mark

Por que exatamente este furacão é tão crítico agora? Não há sempre tempestades na Costa do Golfo?

Mimi

Há, mas o sistema nunca esteve tão apertado. As refinarias americanas estão operando a 95% de capacidade porque precisam compensar crises em outras partes do mundo — Irã, Rússia, China. Não há estoques de sobra. A reserva estratégica está no menor nível desde 1982.

Luke

Espera — a reserva estratégica foi esvaziada deliberadamente para "amenizar o choque energético", segundo o texto. Isso foi uma decisão política. Então parte dessa vulnerabilidade é escolhida, não apenas circunstância.

Mimi

Verdade. E os estoques comerciais também foram reduzidos gradualmente. Gasolina no menor nível sazonal desde 2012. Diesel no menor nível para outubro desde os anos 1980.

Mark

E se o furacão for realmente forte? O que acontece?

Mimi

Se danificar refinarias significativamente, a produção perdida teria que sair de estoques que já estão nos mínimos. Não há colchão. Yawger disse que seria um desastre se a capacidade americana tivesse que sair do mercado — forçaria uma proibição de exportações de diesel.

Luke

Mas as previsões atuais indicam que a tempestade vai atingir a leste de Nova Orleans, poupando a infraestrutura vital do pior. Então o cenário "desastre" não é o mais provável.

Mimi

Correto. Mas mesmo um furacão de Categoria 1 pode levar uma semana para operações retornarem ao normal. E já há 1,3 milhão de barris por dia interrompidos só pela evacuação preventiva.

Mark

Então o dano já começou, mesmo antes da tempestade chegar.

Mimi

Exatamente. As grandes produtoras já evacuaram pessoal e reduziram produção. É 63% da produção de petróleo do Golfo parada, 57% do gás natural.

Luke

Mas isso é temporário, certo? Assim que a tempestade passar, voltam?

Mimi

Em teoria. Mas se houver danos estruturais, pode levar semanas ou meses. E os preços já estão em máximas históricas — diesel nunca foi tão caro, gasolina acima de 4,40 dólares por galão.

  • Refinarias dos EUA operam a 95% de capacidade; 1,3 milhão de barris por dia já interrompidos
  • Reserva estratégica de petróleo no menor nível desde 1982: 283 milhões de barris
  • Estoques de gasolina no menor nível sazonal desde 2012; diesel no menor nível para outubro desde anos 1980
  • Furacão Isaias pode atingir Categoria 2 com ventos de 110 mph; previsões indicam trajeto a leste de Nova Orleans

Refinarias dos EUA operam a 95% de capacidade compensando crises internacionais; estoques de gasolina estão nos menores níveis desde 2012. Guerra com Irã, ataques na Rússia e restrições chinesas já elevaram preços do diesel a máximas históricas; reserva estratégica de petróleo está no menor nível desde 1982.

O furacão Isaias chega quando o sistema energético global opera no limite, com refinarias americanas em máxima capacidade e estoques de combustível historicamente baixos, criando risco de escassez global.

O furacão Isaias se aproxima da Costa do Golfo em um momento em que o sistema energético global não tem espaço para absorver mais um golpe. As refinarias americanas, que representam uma das últimas fontes confiáveis de abastecimento de combustível para o mundo, estão operando a 95% de sua capacidade. Os estoques que funcionariam como amortecedor já foram consumidos. A reserva estratégica de petróleo dos EUA contém apenas 283 milhões de barris — o menor volume desde 1982, quando a reserva ainda estava sendo preenchida durante o governo Reagan.

A tempestade chega em um contexto de pressões múltiplas. A guerra com o Irã danificou refinarias no Oriente Médio e complicou as exportações. Ataques de drones ucranianos destruíram ou danificaram refinarias russas. A China, temendo escassez doméstica, restringiu suas próprias exportações de combustível. Esses fatores já catapultaram os preços do diesel a máximas históricas. A gasolina estava acima de 4,40 dólares por galão na semana anterior ao furacão — nunca havia sido tão cara nesta época do ano.

Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho Securities, descreveu Isaias como potencialmente "um evento gigantesco" e "o pior momento em 25 anos para que algo assim aconteça". Até o meio-dia de quinta-feira, as grandes produtoras — Shell, Chevron e BP — já haviam evacuado pessoal não essencial de plataformas no Golfo do México e reduzido a produção. Cerca de 1,3 milhão de barris por dia de petróleo haviam sido interrompidos, equivalente a 63% da produção regional. Aproximadamente 57% da produção de gás natural no Golfo também foi paralisada.

As previsões indicavam que a tempestade atingiria a região a leste de Nova Orleans, o que pouparia a infraestrutura energética do pior impacto direto. Ainda assim, Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, esperava que refinarias nas regiões de Nova Orleans/Baton Rouge e Mississippi/Alabama tivessem que reduzir significativamente a produção. Cerca de 2,7 milhões de barris por dia — 14% da capacidade de refino americana — estavam dentro ou próximos do trajeto projetado da tempestade. Os petroleiros que entregam petróleo e carregam combustível das refinarias também enfrentariam atrasos, impactando especialmente a Flórida, que depende de remessas do Golfo.

O problema estrutural é que não há margem no sistema. "Não há folga no sistema para compensar a perda de capacidade de refino. A produção perdida terá que sair de estoques comerciais já baixos", escreveu Lipow. Os estoques de gasolina caíram para o menor nível sazonal desde 2012. Os estoques de destilados — principalmente diesel — estavam no menor nível para o início de outubro desde que o monitoramento começou nos anos 1980.

Yawger alertou que seria "um desastre" se a capacidade de refino americana tivesse que sair do mercado, pois isso "basicamente forçaria uma proibição das exportações de diesel". Com refinarias do Oriente Médio, Rússia e China já comprometidas ou restritas, os EUA são agora uma das principais fontes remanescentes para o abastecimento global. Uma interrupção significativa teria efeito cascata nos preços mundiais de combustível.

A intensidade final de Isaias permanecia incerta. As previsões indicavam que poderia atingir o pico como uma tempestade de Categoria 2 com ventos de 110 mph no início de sexta-feira, mas deveria enfraquecer um pouco antes de tocar o solo. Mesmo com um furacão de Categoria 1, poderia levar uma semana para que as operações de refino retornassem ao normal. O risco real era que os danos apertassem ainda mais as cadeias de abastecimento já frágeis, elevando ainda mais os preços de combustível que já estavam em patamares historicamente altos.

Pode ser um evento gigantesco. É o pior momento em 25 anos para que algo assim aconteça.
— Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho Securities
Seria um desastre se a capacidade de refino dos EUA tivesse que sair do mercado. Isso basicamente forçaria uma proibição das exportações de diesel.
— Robert Yawger, Mizuho Securities
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