Fumo é a maior causa de câncer de pulmão, alertam especialistas no Dia Nacional de Combate

Câncer de pulmão causa alta mortalidade (80%) e impacto significativo na qualidade de vida dos fumantes, incluindo redução de capacidade cognitiva, sexual e laboral.
Quando apresenta sintomas, já está em fase avançada
O câncer de pulmão é silencioso e agressivo; 80% dos casos diagnosticados resultam em morte.
Mark

Por que a Fundação do Câncer escolheu terminais rodoviários para essa campanha?

Mimi

Porque é onde as pessoas estão em movimento, em trânsito, com tempo parado. Quarenta mil pessoas por dia na Rodoviária do Rio. São pessoas de todas as classes, todas as idades. E segundo os dados, as classes mais pobres é que mais gastam com cigarro — então você precisa estar onde elas estão.

Mark

Mas se 85% dos cânceres de pulmão vêm do tabagismo, por que a taxa de mortalidade é tão alta?

Mimi

Porque ninguém descobre cedo. O câncer de pulmão não dói, não avisa. Quando você sente algo errado — tosse, falta de ar — já está avançado. É uma doença que mata silenciosamente.

Mark

E a tomografia anual que o médico mencionou — por que não é padrão no Brasil?

Mimi

Porque é caro, porque exige estrutura, porque ainda não há consenso de que vale a pena fazer rastreamento em massa. Mas para quem fuma muito e tem mais de 55 anos, a recomendação é clara: faça. A chance de cura quando você descobre pequeno é completamente diferente.

Mark

Os cigarros eletrônicos são realmente tão perigosos quanto o tabaco comum?

Mimi

Ainda não sabemos tudo. Mas o que sabemos é que adolescentes que usam vape têm mais risco de virar fumantes depois. É como se fosse uma porta de entrada. E cresceu de 0,3% para 1,4% em seis anos — isso é um sinal de alerta.

Mark

Qual é o impacto que ninguém fala sobre o câncer de pulmão?

Mimi

O médico mencionou algo que é invisível nos números: pacientes idosos que descobrem a doença sentem peso na consciência por não poderem brincar com os netos. O tabagismo rouba qualidade de vida antes mesmo de matar — cansaço, redução da capacidade cognitiva, da vida sexual. É uma morte lenta.

  • Tabagismo causa 85-90% dos cânceres de pulmão no Brasil
  • Taxa de mortalidade do câncer de pulmão é de 80% quando detectado tardiamente
  • Consumo de cigarros eletrônicos cresceu de 0,3% para 1,4% em seis anos
  • Nove terminais rodoviários recebem 4,1 milhões de passageiros por mês

Câncer de pulmão tem 80% de mortalidade quando detectado tardiamente; diagnóstico precoce com tomografia é recomendado para fumantes acima de 55 anos. Fumo causa também cânceres de boca, esôfago, pâncreas, bexiga e vias urinárias; fumantes passivos também enfrentam risco aumentado de doenças pulmonares.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialistas alertam que tabagismo causa 85-90% dos cânceres de pulmão. Fundação do Câncer realiza campanha em nove terminais rodoviários do país para conscientizar população sobre riscos.

Nesta terça-feira, 29 de agosto, o Brasil marca mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo com um alerta que não é novo, mas permanece urgente: o tabagismo segue sendo o principal responsável pelo câncer de pulmão. Enquanto isso, representantes da Fundação do Câncer distribuem panfletos em nove terminais rodoviários do país, tentando alcançar milhões de pessoas que passam por esses espaços todos os dias.

O câncer de pulmão é o segundo mais frequente no mundo, atrás apenas do câncer de mama. No Brasil, ocupa a quarta posição em incidência, perdendo apenas para mama, próstata e intestino. Mas os números que realmente importam vêm de quem estuda a doença: entre 85% e 90% de todos os casos de câncer de pulmão estão ligados ao tabagismo. Não é uma correlação fraca. É causal. O tabaco não apenas aumenta o risco — ele é o agente que dispara a doença na maioria dos casos.

Na Rodoviária do Rio de Janeiro, onde cerca de 40 mil pessoas circulam diariamente, a Fundação do Câncer montou uma ação que vai das 7 da manhã até as 6 da tarde. Quem passar pelo setor de embarque superior recebe um panfleto com um código QR que leva a um guia prático para parar de fumar. Há também uma campanha interativa nas redes sociais, #FumoTôFora, onde as pessoas podem tirar fotos e escolher mensagens para compartilhar: "Sou vitorioso! Larguei o cigarro", "Este ano, paro de fumar", "Abaixo o vape!". A campanha se estende a oito outros terminais rodoviários gerenciados pela Socicam — em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Brasília — que juntos recebem 4,1 milhões de passageiros por mês. Parceiros como a Ecoponte e a Onbus amplificam a mensagem em painéis de LED e mobiliário urbano.

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, explica que o foco é atingir o maior número possível de pessoas, especialmente das classes C e D. Um estudo recente do Instituto Nacional de Câncer revelou algo que parece contraditório mas é real: os mais pobres e os mais jovens gastam uma proporção maior de sua renda mensal com cigarros. Não é um problema apenas de saúde. É também de desigualdade.

O tabaco, porém, não mata apenas os pulmões. Wesley Pereira Andrade, médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, lista os danos: cânceres de boca, orofaringe, esôfago, pâncreas e intestino. Há também o câncer de bexiga e das vias urinárias, porque parte do que o corpo absorve do tabaco cai na corrente sanguínea e é excretado pelos rins. O fumo é um agente que viaja pelo corpo inteiro.

Mas talvez o dado mais assustador seja este: quando o câncer de pulmão é descoberto, na maioria das vezes já está em fase avançada. A taxa de mortalidade é de 80%. A chance de cura cai para apenas 20%, não porque os médicos falhem, mas porque a doença é biologicamente agressiva e silenciosa. Ela não avisa. Quando apresenta sintomas — tosse diferente, escarros constantes, dor no peito, falta de ar, emagrecimento — já está tarde demais.

Por isso Andrade defende uma estratégia que ainda não é padrão no Brasil: a tomografia de tórax anual para fumantes com mais de 55 anos. O objetivo é encontrar o câncer quando ainda é pequeno, antes de ele gritar por atenção. Quando detectado precocemente, a cirurgia pode remover a parte afetada do pulmão, frequentemente complementada com quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapia alvo. Para casos avançados descobertos tarde, restam apenas medicamentos e imunoterapia. A diferença entre descobrir cedo e descobrir tarde é a diferença entre viver e morrer.

Enquanto isso, o cenário muda de forma preocupante. O número de fumantes brasileiros caiu de 30% em 2000 para 9% em 2021 — uma vitória de décadas de campanhas. Mas o consumo de cigarros eletrônicos cresce. Em 2017, apenas 0,3% dos adultos usavam esses dispositivos. Hoje, 1,4% — 2,2 milhões de pessoas — consumiram cigarros eletrônicos nos últimos 30 dias. O risco maior é entre adolescentes: quem usa vape agora tem mais chances de se tornar fumante na vida adulta. É como se a indústria tivesse encontrado uma porta dos fundos para manter a próxima geração presa.

A perspectiva é tentar encontrar o câncer de pulmão antes de ele apresentar sintomas, porque quando dá sintomas já está em fase avançada
— Wesley Pereira Andrade, médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica
Adolescentes que usam dispositivos eletrônicos têm mais riscos de se tornarem fumantes na vida adulta
— Rafael Canineu, geriatra e diretor médico de Health Analytics da Alliança Saúde
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