Dentro de um convento no interior do Paraná, onde havia vivido por mais de meio século, a freira Nádia Gavanski, de 82 anos, foi morta e violentada por um homem que pulou o muro da instituição em plena tarde de sábado. O crime, cometido por alguém que alegava ouvir vozes e havia consumido drogas e álcool, revelou-se ainda mais grave após a perícia — transformando um homicídio em um ato de violência múltipla contra uma mulher que havia dedicado toda a sua vida adulta àquele lugar. A investigação avança agora pelo Ministério Público, carregando consigo a pergunta silenciosa sobre quais espaços a
Freira de 82 anos morta em convento também foi vítima de estupro, aponta perícia
Ela havia passado 55 anos dentro daquele convento, dedicando sua vida à religião
Como uma fotógrafa conseguiu capturar a evidência que resolveu o caso?
Ela estava lá por acaso, registrando um evento. Quando o homem a abordou logo após o crime, nervoso e sujo de sangue, algo não bateu. Ela confiou no instinto e começou a filmar. Sem aquele vídeo, ele poderia ter desaparecido.
Ele confessou rapidamente?
Sim. Quando a polícia o localizou em casa, ele assumiu a autoria. Mas negou a violência sexual, apesar do laudo pericial ser claro. Ele também alegou ter ouvido vozes ordenando a morte — uma defesa que agora está nas mãos do Ministério Público.
Qual era a rotina de Nádia naquele dia?
Ela fazia a mesma coisa todos os dias após o almoço: ia alimentar as galinhas. Era um hábito conhecido pelas outras irmãs. Ele sabia disso ou apenas teve sorte em encontrá-la sozinha?
O convento tinha segurança?
Aparentemente não o suficiente. Um homem pulou o muro e entrou sem ninguém o impedir. Depois de 55 anos vivendo ali, Nádia não estava preparada para ser abordada por um estranho em um lugar que deveria ser refúgio.
Como ele explicou estar ali?
Disse que ouviu vozes na madrugada anterior, enquanto consumia crack e álcool, ordenando que matasse alguém. Isso o levou a pular o muro. É uma alegação que a defesa dele provavelmente usará, mas não muda o que aconteceu.
E quanto aos ferimentos na cabeça?
Ele nega ter golpeado diretamente. Diz que vieram da queda quando a empurrou. Mas há marcas de agressão física documentadas. A perícia terá que determinar a sequência exata dos eventos.
The Pulse
- Uma freira de 82 anos foi encontrada morta no chão do convento onde vivia, com roupas parcialmente removidas e marcas de agressão — e a perícia confirmaria, dias depois, que ela também havia sido estuprada.
- O suspeito, de 33 anos, invadiu o convento pulando o muro, abordou a vítima durante sua rotina de alimentar as galinhas e a asfixiou quando ela questionou sua presença.
- Uma fotógrafa presente no local desconfiou do homem nervoso com roupas manchadas de sangue, registrou o encontro em vídeo e acionou as autoridades — imagens que se tornariam a peça central da identificação do suspeito.
- Confrontado pela polícia em sua casa, o homem confessou o crime, alegando ter ouvido vozes ordenando que matasse alguém após uma noite de crack e álcool.
- O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, com indiciamento por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio — o suspeito já tinha antecedentes por roubo e furto.
Dentro de um convento no interior do Paraná, onde havia vivido por mais de meio século, a freira Nádia Gavanski, de 82 anos, foi morta e violentada por um homem que pulou o muro da instituição em plena tarde de sábado. O crime, cometido por alguém que alegava ouvir vozes e havia consumido drogas e álcool, revelou-se ainda mais grave após a perícia — transformando um homicídio em um ato de violência múltipla contra uma mulher que havia dedicado toda a sua vida adulta àquele lugar. A investigação avança agora pelo Ministério Público, carregando consigo a pergunta silenciosa sobre quais espaços ainda podem ser considerados sagrados ou seguros.
Nádia Gavanski tinha 82 anos e mais de meio século de vida religiosa quando foi encontrada morta no convento da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, no Paraná. Era sábado, 21 de fevereiro, por volta das 13h30. Os policiais militares que chegaram ao local a encontraram com as roupas parcialmente removidas e sinais visíveis de agressão. Dias depois, a perícia confirmaria que ela havia sido estuprada antes de morrer.
O autor do crime, um homem de 33 anos, pulou o muro do convento sem autorização. Segundo seu próprio relato à polícia, havia passado a noite anterior consumindo crack e bebidas alcoólicas e alegava ouvir vozes ordenando que matasse alguém. Nádia seguia sua rotina habitual — alimentar as galinhas após o almoço — quando foi abordada. Ao questionar a presença do invasor, ele mentiu dizendo que trabalhava no local. Ela insistiu. Ele a empurrou, ela caiu e começou a gritar. Para silenciá-la, ele colocou os dedos em sua boca, causando asfixia.
O que permitiu a resolução rápida do caso foi a presença de uma fotógrafa que registrava um evento no convento. Logo após o crime, o suspeito a abordou, visivelmente nervoso, com roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço, repetindo a mesma versão falsa. A fotógrafa desconfiou, gravou parte do encontro em vídeo e pediu ajuda para acionar a polícia. O homem deixou o local, mas as imagens foram suficientes para identificá-lo e localizá-lo em casa, onde confessou.
O inquérito foi concluído em 27 de fevereiro e encaminhado ao Ministério Público. O suspeito, com antecedentes por roubo e furto, foi indiciado por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada. Nádia havia passado 55 anos naquele convento — e foi morta dentro do único lar que havia conhecido por mais de meio século.
Nádia Gavanski tinha 82 anos e havia dedicado mais de meio século à vida religiosa quando foi encontrada morta no chão do convento onde vivia. Os policiais militares que chegaram ao local viram uma mulher com as roupas parcialmente removidas, marcas visíveis de agressão física e nenhum sinal de vida. O que pareceria ser apenas um homicídio se revelaria, dias depois, como algo ainda mais grave: a perícia confirmaria que ela havia sido estuprada antes de morrer.
O crime aconteceu no sábado, 21 de fevereiro, por volta das 13h30, no convento da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, no Paraná. Um homem de 33 anos pulou o muro do local e entrou sem autorização. Segundo o relato que ele próprio faria à polícia, havia passado a noite anterior consumindo crack e bebidas alcoólicas, e alegava ter ouvido vozes ordenando que matasse alguém — uma alegação que o levou até aquele convento.
O que aconteceu em seguida foi reconstruído através de depoimentos e evidências. Nádia estava em um local onde costumava ir após o almoço para alimentar as galinhas, uma rotina conhecida pelas outras irmãs. O invasor a abordou. Quando ela questionou sua presença ali, ele disse que trabalhava no convento. Desconfiada, ela insistiu. Ele a empurrou. Ela caiu no chão e começou a gritar. Para silenciá-la e evitar que outras pessoas ouvissem, ele colocou os dedos dentro de sua boca, causando asfixia. Ele negaria, mais tarde, ter golpeado sua cabeça diretamente, sugerindo que os ferimentos naquela região vieram da queda. Ele também negaria ter cometido violência sexual, embora o laudo pericial indicasse o contrário, com lesões que evidenciavam a gravidade do que havia ocorrido.
O que salvou a investigação foi a presença de uma fotógrafa que estava registrando um evento no convento. Logo após o crime, o suspeito a abordou. Ele estava visivelmente nervoso, com as roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Repetiu a mesma mentira — que trabalhava no local e havia encontrado a freira desacordada. A fotógrafa desconfiou. Registrou parte do encontro em vídeo e pediu ajuda às outras pessoas presentes para chamar a ambulância e a polícia. Nesse intervalo, o homem saiu do convento. Mas as imagens que ela capturou foram suficientes para que a polícia o identificasse e o localizasse em sua casa.
Quando confrontado, ele confessou. O delegado Hugo Santos Fonseca confirmou à imprensa que as provas colhidas — incluindo as imagens de segurança e vestígios de sangue em suas roupas — confirmavam sua autoria. O inquérito foi concluído na sexta-feira, 27 de fevereiro, e encaminhado ao Ministério Público. O homem, que já tinha antecedentes criminais por roubo e furto, foi indiciado por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada. Ele foi encaminhado ao sistema penitenciário.
O que torna este caso particularmente grave é o contexto. Nádia Gavanski havia passado 55 anos dentro daquele convento, dedicando sua vida à religião e à comunidade. Ela foi morta e violentada dentro do único lar que havia conhecido por mais de meio século. O crime não foi apenas contra uma mulher idosa — foi contra alguém que havia construído sua identidade inteira em um lugar que deveria ser seguro.
Notable Quotes
As provas colhidas, incluindo imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue nas roupas do investigado, confirmam a autoria dos crimes— Delegado Hugo Santos Fonseca