Francesca tem alta após 50 cirurgias e 224 dias internada pelo incêndio de Crans-Montana

Francesca sofreu queimaduras de terceiro grau em todo o corpo e passou por 50 cirurgias; no incêndio morreram 41 pessoas e 115 ficaram feridas, com feridos enfrentando longo processo de reabilitação física e psicológica.
As feridas precisam de tempo para se curar, e todos têm pela frente um longo caminho
Autoridade sanitária reconhece que recuperação vai muito além da alta hospitalar para os sobreviventes.
Mark

Como é que uma rapariga de 17 anos consegue passar por 50 cirurgias e ainda assim sair do hospital?

Mimi

Porque tinha uma razão para o fazer. Tinha amigos que a visitavam, tinha aulas para fazer, tinha um aniversário para celebrar. O corpo humano é mais resiliente do que pensamos quando há algo — ou alguém — pelo qual vale a pena lutar.

Mark

Mas 224 dias é quase oito meses. O que é que muda numa pessoa nesse tempo?

Mimi

Tudo. E nada. Fisicamente, ela passou por reconstrução. Psicologicamente, teve de aprender a viver com a memória de uma noite que matou 41 pessoas à sua volta. Isso não desaparece quando se recebe alta.

Mark

A promessa que Bertolaso fez aos pais — "todos voltarão para casa" — parece quase ingénua agora, não é?

Mimi

Não. Era necessária. Naquela manhã, os pais precisavam de ouvir que havia esperança. E havia. Mas esperança não é o mesmo que cura. É apenas o primeiro passo.

Mark

E quanto às inspeções que não foram feitas desde 2019?

Mimi

Isso é o que fica. Enquanto Francesca recomeça a sua vida, alguém tem de responder por isso. Porque 41 pessoas não tiveram a oportunidade que ela teve.

Mark

Ela vai conseguir voltar à vida normal?

Mimi

Ninguém volta à vida normal depois de algo assim. Mas pode construir uma vida que faz sentido. Isso é diferente. E talvez seja o suficiente.

  • Francesca sobreviveu a queimaduras de terceiro grau em praticamente todo o corpo, tornando-se o símbolo mais duradouro de uma catástrofe que matou 41 pessoas e feriu outras 115 numa única noite de celebração.
  • Cinquenta cirurgias ao longo de sete meses transformaram o Hospital Niguarda num segundo lar involuntário, onde a adolescente chegou a comemorar o seu 17.º aniversário rodeada de amigos que foram visitá-la.
  • A promessa feita pelo secretário de Bem-Estar Social da Lombardia aos pais das vítimas — de que todos os feridos voltariam para casa — ficou finalmente cumprida com a alta de Francesca, mas o caminho de reabilitação física e psicológica está longe de terminar.
  • A investigação sobre o incêndio revela falhas graves: a autarquia local admitiu não ter realizado inspeções de segurança no bar desde 2019, apesar de serem obrigatórias anualmente, deixando em aberto questões de negligência e responsabilidade.

Sete meses e meio depois de entrar numa unidade de queimados, Francesca, uma adolescente italiana de 17 anos, cruzou as portas do Hospital Niguarda em Milão como a última vítima italiana a receber alta após o incêndio que devastou o bar Le Constellation em Crans-Montana na madrugada de Ano Novo. Cinquenta cirurgias e 224 dias separam aquela noite de celebração do momento em que ela voltou ao mundo — um percurso que condensa, numa só história, a fragilidade da vida festiva, a resistência do corpo humano e as perguntas que as tragédias coletivas deixam sem resposta.

Francesca saiu do hospital em agosto, sete meses e meio depois de ter entrado. A jovem italiana de 17 anos passou 224 dias internada na Unidade de Queimados do Hospital Niguarda, em Milão, recuperando-se de queimaduras de terceiro grau que cobriam praticamente todo o seu corpo. Era a última vítima italiana ainda hospitalizada pelo incêndio que destruiu o bar Le Constellation na madrugada de Ano Novo em Crans-Montana, na Suíça.

Naquela noite, Francesca celebrava a Passagem de Ano com amigos quando as chamas deflagraram. Investigadores concluíram que faíscas de velas acenderam a espuma de isolamento acústico no teto do bar, transformando o espaço numa armadilha em poucos minutos. Quarenta e uma pessoas morreram; cento e quinze ficaram feridas. Transferida para Milão a 3 de janeiro, Francesca iniciou uma jornada de cerca de cinquenta cirurgias. Durante o internamento, continuou a estudar à distância e fez 17 anos no hospital, em junho, rodeada de amigos.

Guido Bertolaso, secretário de Bem-Estar Social da Lombardia, descreveu a alta como o cumprimento de uma promessa feita aos pais das vítimas logo após o incêndio. Ainda assim, foi claro: todos os sobreviventes enfrentam um longo processo de recuperação, não apenas física, mas também psicológica.

Entretanto, a investigação prossegue. Um detalhe perturbador veio a público: a autarquia local admitiu não ter realizado inspeções de segurança e de incêndio no estabelecimento desde 2019, apesar de serem obrigatórias todos os anos. Enquanto Francesca dá os primeiros passos fora do hospital, as questões de responsabilidade e negligência permanecem por responder.

Francesca saiu do hospital em agosto, sete meses e meio depois de entrar nele. A adolescente italiana de 17 anos tinha passado 224 dias internada na Unidade de Queimados do Hospital Niguarda, em Milão, recuperando-se de ferimentos que cobriram todo o seu corpo. Ela era a última vítima italiana ainda hospitalizada pelo incêndio que destruiu o bar Le Constellation na madrugada de Ano Novo em Crans-Montana, na Suíça.

Naquela noite, Francesca estava com amigos celebrando a Passagem de Ano quando as chamas começaram. O fogo deflagrou rapidamente — investigadores descobriram depois que faíscas de velas acenderam a espuma de isolamento acústico no teto do estabelecimento. Em poucos minutos, o bar virou uma armadilha. Quarenta e uma pessoas morreram. Cento e quinze ficaram feridas. Francesca estava entre os que sobreviveram, mas com queimaduras de terceiro grau cobrindo praticamente toda a sua pele.

No início, foi levada para um hospital na Suíça. Mas em 3 de janeiro, foi transferida para Milão, onde começaria uma jornada de cirurgias e dor que duraria mais de sete meses. Cinquenta operações. Cada uma delas um passo na tentativa de reconstruir o que o fogo tinha destruído. Durante todo esse tempo, ela continuou estudando à distância. Em junho, no dia 14, fez 17 anos no hospital, cercada por amigos que foram visitá-la.

Guido Bertolaso, secretário de Bem-Estar Social da Lombardia, descreveu a alta de Francesca como o cumprimento de uma promessa. Na manhã do incêndio, tinha dito aos pais das vítimas que todos os feridos voltariam para casa. Agora, com Francesca recebendo alta, essa promessa estava finalmente cumprida. "Era uma notícia que nos enche de orgulho", disse ele.

Mas Bertolaso também foi claro sobre o que vinha a seguir. As feridas precisam de tempo para cicatrizar, explicou. Todos os sobreviventes enfrentavam um caminho longo e difícil — não apenas físico, mas psicológico também. Precisariam de paciência, de força, de tempo para deixar para trás aquilo que tinham vivido e voltar, passo a passo, à vida normal.

Enquanto isso, a investigação sobre o incêndio continuava. As autoridades queriam saber exatamente como tinha começado, se os proprietários do bar tinham cumprido as normas de segurança, e quem era responsável pelas falhas que permitiram que a tragédia acontecesse. Um detalhe perturbador emergiu: a autarquia local admitiu que não tinha realizado inspeções de segurança e de incêndio no estabelecimento desde 2019, apesar de serem obrigatórias todos os anos. Enquanto Francesca começava a sua recuperação fora do hospital, essas questões de responsabilidade e negligência permaneciam em aberto.

Missão cumprida: todos os feridos voltaram para casa. Era a promessa que tínhamos feito aos pais naquela manhã dramática, e é uma notícia que nos enche de orgulho
— Guido Bertolaso, secretário de Bem-Estar Social da Lombardia
As feridas precisam de tempo para se curar, e todos têm pela frente um longo caminho de reabilitação física e psicológica. Eles vão precisar de tempo, paciência e força para deixar para trás aquilo que aconteceu
— Guido Bertolaso
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