Há jogos que o futebol impõe como lição de humildade: aqueles disputados depois que o sonho maior já escapou. Em Miami, neste sábado, França e Inglaterra se encontram na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo carregando derrotas recentes e motivações distintas — os franceses encerram um ciclo histórico sob Deschamps e Mbappé persegue a artilharia, enquanto os ingleses tentam recuperar a dignidade após uma capitulação tática que reacendeu velhas dúvidas sobre identidade e liderança. O que está em jogo não é apenas uma medalha de bronze, mas o peso simbólico de como cada nação escolhe ence
França e Inglaterra buscam dignidade na disputa pelo terceiro lugar da Copa
A cortina se fecha no sábado. Sentirei falta da seleção francesa.
Por que um jogo pelo terceiro lugar importa tanto se tecnicamente já foi decidido quem vai à final?
Porque para os jogadores e técnicos, é a última chance de contar uma história diferente sobre si mesmos. Para Deschamps, é sua despedida. Para Mbappé, é a chance de ser artilheiro. Para Tuchel, é a chance de não sair completamente desacreditado.
Mas a Inglaterra realmente perdeu porque não tem DNA para posse de bola, como Tuchel disse?
Não. Tuchel tinha jogadores no banco que sabem controlar a bola — Mainoo, Saka — e deixou de fora da convocação talentos técnicos como Foden e Palmer. A crítica de Neville é que Tuchel culpou a cultura quando na verdade fez escolhas que criaram o problema.
Então Tuchel vai ser demitido?
Provavelmente não agora. A federação quer mantê-lo até a Euro-2028. Mas uma derrota para a França vai intensificar a pressão de forma que uma vitória não vai aliviar. Ele está em terreno muito frágil.
E os franceses? Eles realmente querem vencer este jogo?
Deschamps quer. Ele quer sair com dignidade, não com uma derrota. Mbappé quer porque ainda está na disputa pela artilharia. Mas para o resto do elenco, é difícil estar motivado depois de perder uma semifinal.
Qual é o maior risco para cada seleção neste sábado?
Para a França, é sair com uma derrota que mancha a despedida de Deschamps. Para a Inglaterra, é confirmar que os problemas táticos são reais e que Tuchel não consegue resolvê-los.
El Pulso
- A França, favorita ao título, foi eliminada pela Espanha e agora vive o paradoxo de uma despedida histórica em um jogo que ninguém queria jogar.
- Mbappé mantém o foco aceso por uma disputa pessoal: empatado com Messi em oito gols, ele ainda pode terminar como artilheiro do Mundial.
- A Inglaterra entrou em colapso tático após o gol de Gordon contra a Argentina — apenas 12% de posse de bola no restante da partida, uma capitulação que a mídia britânica não perdoa.
- Tuchel virou alvo de críticas ferozes por deixar de fora talentos técnicos como Foden, Palmer e Alexander-Arnold, contradizendo seu próprio discurso sobre as limitações do futebol inglês.
- A federação inglesa não planeja demitir Tuchel agora, mas uma derrota para a França neste sábado pode aprofundar as feridas e tornar sua posição insustentável a médio prazo.
Há jogos que o futebol impõe como lição de humildade: aqueles disputados depois que o sonho maior já escapou. Em Miami, neste sábado, França e Inglaterra se encontram na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo carregando derrotas recentes e motivações distintas — os franceses encerram um ciclo histórico sob Deschamps e Mbappé persegue a artilharia, enquanto os ingleses tentam recuperar a dignidade após uma capitulação tática que reacendeu velhas dúvidas sobre identidade e liderança. O que está em jogo não é apenas uma medalha de bronze, mas o peso simbólico de como cada nação escolhe encerrar uma jornada que prometia mais.
Existe um jogo que nenhuma seleção quer disputar numa Copa do Mundo: aquele que vem depois do fracasso, quando o que resta é um prêmio de consolação com gosto amargo. França e Inglaterra se encontram neste sábado em Miami exatamente nessa condição — chegando por caminhos distintos, mas unidas pela mesma frustração.
Os franceses eram favoritos ao título. A Espanha os eliminou na semifinal, e agora Didier Deschamps enfrenta seu último jogo após 14 anos no cargo, duas finais de Copa e um título em 2018. Ele planeja rodar o elenco, mas deixa claro que não é amistoso. Mbappé, por sua vez, tem motivação própria: empatado com Messi na artilharia com oito gols cada um, ainda há uma partida a disputar — e a chance de terminar como artilheiro do Mundial é o que mantém o francês concentrado numa partida que, de outro modo, seria fácil descartar.
A Inglaterra chega em situação bem mais delicada. Esteve perto de voltar a uma final de Copa pela primeira vez em 60 anos, mas perdeu para a Argentina por 2 a 1 na semifinal. Anthony Gordon marcou aos 10 minutos do segundo tempo e, por um momento, tudo parecia possível. O que veio depois foi uma capitulação: segundo dados da Opta, a Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola do gol até o apito final. A mídia e os torcedores ingleses não conseguem digerir.
Thomas Tuchel, o primeiro técnico estrangeiro a comandar a seleção inglesa, virou o vilão da história. Gary Neville rebateu ponto a ponto a defesa do treinador — que havia sugerido que a posse de bola talvez não esteja no DNA inglês — lembrando que Tuchel deixou de fora da convocação talentos técnicos como Phil Foden, Cole Palmer, Trent Alexander-Arnold e outros. A federação inglesa não considera demiti-lo agora, mas vencer a França é fundamental para sua credibilidade. Uma derrota vai ecoar muito mais alto e alimentar ainda mais o debate sobre se ele é o homem certo para o cargo.
Assim, enquanto a França busca uma despedida digna e Mbappé persegue a artilharia, a Inglaterra tenta juntar os cacos de uma semifinal que não deveria ter perdido. Nenhuma das duas quer estar neste jogo — mas agora que estão aqui, ambas têm razões muito reais para vencer.
Existe um jogo que nenhuma seleção quer jogar numa Copa do Mundo. É aquele que vem depois do fracasso, quando você já perdeu o que importava e o que resta é um prêmio de consolação com gosto amargo. França e Inglaterra se encontram neste sábado em Miami, às 18h, para disputar o terceiro lugar — e ambas chegam lá por caminhos muito diferentes, com motivações que as separam tanto quanto as une a frustração.
Os franceses eram favoritos ao título. Tinham Kylian Mbappé, tinham experiência, tinham a confiança de quem já venceu antes. Mas a Espanha os eliminou na semifinal, e agora Didier Deschamps enfrenta seu último jogo à frente da seleção após 14 anos no cargo, duas finais de Copa e um título conquistado em 2018. O técnico sabe que a cortina se fecha no sábado. Sabe que sentirá falta. Mas também sabe que tem uma responsabilidade: buscar a vitória, mesmo que o duelo pelo terceiro lugar fique muito aquém do que seu elenco poderia ter alcançado. Ele planeja rodar o elenco, fazer mudanças, mas deixa claro que não é um amistoso — há objetivos a perseguir.
Mbappé, por sua vez, segue motivado por uma disputa pessoal. Ele e Lionel Messi estão empatados na artilharia do Mundial com oito gols cada um. Messi aparece à frente no quadro da Fifa por ter mais assistências, mas ainda há um jogo a disputar — a final entre Argentina e Espanha no domingo. A chance de terminar como artilheiro da Copa pode ser o que mantém o francês focado numa partida que, de outro modo, seria fácil descartar.
A Inglaterra chega a Miami em situação bem mais delicada. Ficou perto de voltar a uma final de Copa pela primeira vez em 60 anos — seu único título veio em 1966, quando era anfitriã. Mas perdeu para a Argentina na semifinal por 2 a 1, e a derrota abriu feridas que ainda sangram. Anthony Gordon marcou para os ingleses aos 10 minutos do segundo tempo, e por um momento tudo parecia possível. Depois, a seleção entregou a bola. Segundo dados da Opta, a Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola do minuto seguinte ao gol até o final da partida. Foi uma capitulação tática que a mídia e os torcedores ingleses não conseguem digerir.
Thomas Tuchel, o técnico alemão que se tornou o primeiro a comandar a Inglaterra em janeiro deste ano, virou o vilão da história. As críticas são severas e vêm de todos os lados. Gary Neville, ex-jogador da seleção e comentarista na televisão britânica, rebateu a defesa de Tuchel ponto por ponto. O técnico havia dito que talvez a posse de bola não esteja no DNA do futebol inglês, como está no DNA espanhol, argentino ou brasileiro. Neville respondeu que Tuchel não escalou Kobbie Mainoo, que tinha domínio de bola melhor que a maioria, nem Bukayo Saka, que também dominava bem a bola. Pior: deixou de fora da convocação jogadores técnicos como Phil Foden, Cole Palmer, Adam Wharton, Morgan Gibbs-White e Trent Alexander-Arnold — talentos geracionais que poderiam ter dado à Inglaterra a posse que faltou.
Tuchel está em contrato de 18 meses com a federação inglesa. Balança no cargo após o fiasco na semifinal, mas segundo o site The Athletic, a federação não considera sua demissão neste momento. A ESPN britânica informa que ele deve ser mantido, pelo menos até a final da Euro-2028. Mas vencer a França neste sábado é fundamental para sua credibilidade. Uma vitória não resolve nada — o estrago já está feito. Uma derrota, porém, vai ecoar muito mais alto, vai aprofundar as feridas, vai alimentar ainda mais o debate sobre se ele é o homem certo para o cargo.
Assim, enquanto a França busca uma despedida digna para Deschamps e uma chance de Mbappé terminar como artilheiro, a Inglaterra tenta juntar os cacos de uma semifinal que não deveria ter perdido. Nenhuma das duas quer estar neste jogo. Mas agora que estão aqui, ambas têm razões muito reais para vencer.
Citas Notables
Na minha cabeça, sei muito bem que a cortina se fecha amanhã. Sem querer fazer ninguém chorar, sei que sentirei falta da seleção francesa.— Didier Deschamps, técnico da França
Ele não colocou o Kobbie Mainoo em campo, que tinha um domínio de bola melhor do que a maioria. Ele também deixou de fora Phil Foden, Cole Palmer, Adam Wharton, Morgan Gibbs-White e Trent Alexander-Arnold, jogadores técnicos.— Gary Neville, ex-jogador e comentarista inglês, criticando as escolhas de Tuchel