No início de setembro de 2026, a Cidade do Rock voltou a pulsar com a abertura do Rock in Rio, reunindo gerações em torno de uma linguagem comum: o rock. O primeiro dia equilibrou a nostalgia das bandas brasileiras no Palco Sunset com a solidez dos Foo Fighters no encerramento, lembrando que festivais como este existem não apenas para celebrar músicas, mas para reafirmar laços entre pessoas e épocas. Dave Grohl, aos 57 anos, e Dado Villa-Lobos, evocando Renato Russo, foram, cada um à sua maneira, guardiões de uma memória coletiva que o público foi buscar na Cidade do Rock.
Foo Fighters abre Rock in Rio 2026 em boa forma; nostalgia marca primeiro dia
Seguro é o que entregaram; seguro é o que o público esperava
Por que o Foo Fighters conseguiu entregar um show tão seguro? Ilan Rubin é realmente tão bom quanto Josh Freese?
Dave Grohl já veio ao Brasil seis vezes antes. A banda conhece o público, conhece o palco, sabe exatamente o que funciona. Ilan Rubin é correto em sua função — tocou com precisão. Mas a questão é que Josh Freese deixou um vazio real. Aquela dedicação a "Aurora" não é só ritual; é luto.
A gente não sabe se o público realmente achou o show melhor ou pior que edições anteriores. Só sabemos que foi "seguro". Seguro é bom? Seguro é entediante? A reportagem não deixa claro.
E por que a nostalgia dominou tanto o primeiro dia?
Porque as bandas brasileiras que tocaram — Detonautas, Biquini, Capital Inicial — são nomes que carregam décadas de história. Seus maiores sucessos são de 20, 30 anos atrás. O público veio para ouvir aquilo, não para descobrir coisas novas.
Mas a reportagem diz que Detonautas tocou faixas do álbum "Rádio Love Nacional", que é recente. Então havia novidade também. A gente não sabe se o público realmente preferiu os clássicos ou se simplesmente gritou mais quando os clássicos tocaram.
Hot Milk parece ter tido um dia ruim. Isso é culpa da banda ou do horário?
Provavelmente dos dois. Um bom horário pode ser uma armadilha — você herda um público cansado, que já viu muito, que está se poupando. Han Mee pediu em português que o público se movimentasse. Isso diz tudo.
A reportagem diz que o público era "modesto" e "bem menos engajado". Mas não diz quantas pessoas estavam lá. Não diz se foi um fracasso real ou apenas uma apresentação morna. "Menos engajado que horas antes" é uma comparação, não uma medida.
Dave Grohl perguntou quem estava vendo o Foo Fighters pela primeira vez. Muitas mãos?
A reportagem não diz. Só diz que ele perguntou, assim como Rise Against e Biquini também perguntaram. É curioso que bandas com décadas de experiência façam isso.
Exatamente. É curioso, mas não sabemos por quê. Será que é para engajar o público? Para medir o alcance? Para homenagear os novatos? A reportagem registra o fato mas não explora o motivo.
The Pulse
- A multidão de camisetas pretas tomou a Cidade do Rock com a expectativa de uma noite que prometia unir décadas de rock em um único espaço.
- O Palco Sunset concentrou a emoção mais intensa do dia, com Detonautas, Biquini Cavadão e Capital Inicial fazendo pais e filhos pularem juntos e homenageando Renato Russo com fogo no palco.
- Nem todas as apostas funcionaram: Hot Milk enfrentou um público apático e The Hives tentou criar caos sonoro sem convencer a maioria, que guardava energia para o headliner.
- Os Foo Fighters entregaram exatamente o que seus fãs esperavam — de 'All My Life' a 'Everlong' —, com o novo baterista Ilan Rubin e uma emocionante dedicatória de 'Aurora' a Taylor Hawkins.
- O festival segue nos próximos dias com metal, pop eletrônico e grandes nomes, mantendo o Rock in Rio como palco de encontros improváveis entre gêneros e gerações.
No início de setembro de 2026, a Cidade do Rock voltou a pulsar com a abertura do Rock in Rio, reunindo gerações em torno de uma linguagem comum: o rock. O primeiro dia equilibrou a nostalgia das bandas brasileiras no Palco Sunset com a solidez dos Foo Fighters no encerramento, lembrando que festivais como este existem não apenas para celebrar músicas, mas para reafirmar laços entre pessoas e épocas. Dave Grohl, aos 57 anos, e Dado Villa-Lobos, evocando Renato Russo, foram, cada um à sua maneira, guardiões de uma memória coletiva que o público foi buscar na Cidade do Rock.
A primeira noite do Rock in Rio 2026 foi dominada pelo preto das camisetas e pela força da nostalgia. Na Cidade do Rock, roqueiros de todas as idades — muitos em família — se reuniram para uma sexta-feira que pendeu claramente para o passado, sem abrir mão de algumas apostas no presente.
O Palco Sunset foi o coração emocional do dia. Detonautas e Biquini Cavadão dividiram o palco em uma hora de show que uniu gerações ao som de clássicos como 'Zé ninguém' e 'Vento ventania'. Em seguida, Capital Inicial, com Dado Villa-Lobos, encerrou o Sunset com efeitos de fogo e uma sentida homenagem a Renato Russo e à Legião Urbana, tocando 'Quase sem querer' e 'Que país é esse' para uma plateia visivelmente emocionada.
Nem tudo brilhou com a mesma intensidade. Hot Milk, banda britânica em estreia no festival, encontrou um público pouco engajado, e a vocalista Han Mee chegou a pedir em português que a galera se movimentasse. The Hives tentou transformar o espaço em um caos barulhento e divertido, mas boa parte do público parecia se poupar para o headliner. Rise Against cumpriu seu papel com punk hardcore bem executado, mesmo sem uma base de fãs apaixonados — muitos na plateia os viam pela primeira vez, apesar de a banda já ter visitado o Brasil outras cinco vezes.
No fechamento, os Foo Fighters entregaram o show esperado. Dave Grohl, aos 57 anos, mostrou boa forma vocal, abrindo com 'All My Life' e encerrando com 'Everlong'. O setlist trouxe novidades em relação ao The Town 2023, com as baladas 'Wheels' e 'Marigold', e o novo baterista Ilan Rubin tocou com precisão. O momento mais tocante foi a dedicatória de 'Aurora' a Taylor Hawkins, o baterista que morreu em 2022 e cuja música favorita era justamente essa balada do álbum de 1999.
O festival continua no sábado com uma programação voltada ao metal — Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon e Sepultura —, antes de abrir espaço para Calvin Harris, Elton John, Maroon 5 e Twenty One Pilots nos dias seguintes.
A primeira noite do Rock in Rio 2026 vestiu-se de preto. Camisetas escuras dominavam a multidão na Cidade do Rock, especialmente as dos fãs do Foo Fighters, que fecharia a sexta-feira (4) como atração principal. Roqueiros de todas as idades, muitos em família, ocuparam o espaço para acompanhar a banda americana, que entregou uma performance segura e bem calibrada no Palco Mundo.
O festival misturou veteranos e novidades, nacionais e internacionais, em um dia que pendeu fortemente para a nostalgia. No Palco Sunset, bandas brasileiras de peso emocionaram o público com seus maiores sucessos. Detonautas e Biquini Cavadão dividiram o palco em uma hora de apresentação que uniu gerações — pais e filhos pulando juntos ao som de "Zé ninguém" e "Vento ventania". Capital Inicial, com Dado Villa-Lobos, encerrou o Sunset com uma exaltação ao rock de Brasília e uma homenagem a Renato Russo e Legião Urbana, tocando clássicos como "Quase sem querer" e "Que país é esse". A banda entrou com efeitos de fogo no palco, cumprindo a promessa de uma apresentação "visualmente estarrecedora".
Nem tudo correu com o mesmo brilho. Hot Milk, banda britânica em sua estreia no festival, enfrentou um público modesto e bem menos engajado que horas antes. A vocalista Han Mee entrou no palco com expressão decepcionada, pedindo em português que o público se movimentasse. A banda é firme e competente — conversa, faz barulho, capricha na "quebradeira" — mas o horário privilegiado mostrou-se mais um fardo que uma vantagem. The Hives, por sua vez, tentou transformar a Cidade do Rock em um daqueles espaços barulhentos onde se sai com os ouvidos zumbindo e a roupa suja de cerveja, no bom sentido. Algumas pessoas compraram a ideia; muitas outras pareciam se poupar para o headliner.
Rise Against cumpriu seu trabalho sem muitas firulas. A banda de Chicago aqueceu o Palco Mundo com punk hardcore bem executado, mas não tinha exatamente uma multidão de fãs apaixonados. Quando perguntados se estavam vendo o Rise Against pela primeira vez, muitos levantaram a mão — apesar de a banda já ter vindo ao Brasil outras cinco vezes.
No fechamento da noite, Foo Fighters entregou aos fãs exatamente o que esperavam. Dave Grohl, aos 57 anos, provou estar em boa forma como cantor, apesar dos sinais de desgastes que sua voz já havia dado por problemas médicos. A banda abriu com "All My Life" e fechou com "Everlong", quase impossível imaginar um setlist deles sem essas duas. Houve mudanças no repertório em relação ao The Town 2023 — inclusões das baladas "Wheels" e "Marigold" — e a maior novidade foi a troca de baterista. Ilan Rubin, que entrou em 2025 após a saída de Josh Freese, tocou com precisão. Como no festival paulistano, "Aurora", do álbum "There Is Nothing Left to Lose" (1999), foi dedicada a Taylor Hawkins, o baterista que tocou no Foo Fighters de 1997 a 2022, quando morreu. A balada era sua música favorita. Curiosamente, mesmo com décadas de experiência, Foo Fighters, Rise Against e Biquini pararam seus shows para perguntar quem estava os vendo pela primeira vez.
O sábado (5) segue na linha roqueira com metal: Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, Sepultura e outros. Calvin Harris, Elton John, Stray Kids, Maroon 5 e Twenty One Pilots são as atrações principais dos próximos dias.
Notable Quotes
Brasil, cadê vocês, p*rra?— Han Mee, vocalista do Hot Milk, ao entrar no palco do Sunset
Essa é para os ministros e políticos que nos devem explicações. A democracia brasileira vai sobreviver a isso.— Dinho Ouro Preto, anunciando 'Que país é esse' do Legião Urbana