Em outubro de 2026, Flávio Bolsonaro articula uma reforma constitucional que estenderia o mandato presidencial brasileiro de quatro para seis anos — uma duração ausente da política nacional desde o governo do general Figueiredo, cuja passagem pelo poder ficou marcada pela decadência física, pelo isolamento político e pela saída discreta por uma porta lateral do palácio. A proposta revela uma ambição institucional que, como tantas outras na história, carrega em si tanto a promessa de estabilidade quanto o peso dos precedentes que prefere esquecer.
Flávio quer ampliar mandato presidencial para 6 anos; último com esse período foi desastre
Deixou o palácio por uma porta lateral, como quem deseja ser esquecido
Por que Flávio Bolsonaro quer estender o mandato presidencial? Qual é o argumento?
A reportagem não detalha o argumento dele. Sabemos que ele quer ampliar de quatro para até seis anos, mas o texto não explica a justificativa que ele oferece para isso.
Exato. Temos a intenção, mas não temos as palavras dele. É importante notar que falta contexto sobre por que agora, por que essa mudança.
E por que Figueiredo é tão importante para essa história?
Porque ele é o último presidente que governou por seis anos. Se você quer defender um mandato mais longo, você precisa lidar com o fato de que a última vez que isso aconteceu foi um fracasso.
Mas cuidado: a reportagem chama de "desastre", mas isso é análise do colunista, não um consenso historiográfico. Figueiredo teve problemas de saúde graves, sim. Deixou o cargo de forma discreta, sim. Mas o rótulo de "desastre" é uma caracterização, não um fato verificável.
Então Flávio está construindo alianças enquanto o PT se desorganiza?
É o que a reportagem sugere naquele momento. Flávio está em movimento, costurando apoio. O PT está lidando com conflitos internos.
Mas isso é um retrato de uma semana específica. Não sabemos se é tendência ou momento. E não temos números sobre essas alianças — quantas pessoas, quantos votos, quantos deputados.
E esse ajuste fiscal de 2% do PIB?
É parte da plataforma dele. Duzentos e cinquenta bilhões de reais.
Mas o colunista diz que é "um terreno na Lua". Isso significa que é irrealista, que não é viável. Mas não temos a análise técnica de por que não é viável. É uma opinião, não uma demonstração.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro propõe ampliar o mandato presidencial para seis anos, ressuscitando um formato constitucional abandonado desde a ditadura militar.
- A comparação com o governo Figueiredo — marcado por infartos, cirurgias, conflitos com o vice e uma saída envergonhada pelo corredor dos fundos — lança uma sombra histórica sobre a proposta.
- Enquanto o PT expõe suas divisões internas publicamente, Flávio percorre o país costurando alianças que vão de Augusto Cury a setores do MDB, construindo uma base aparentemente mais coesa.
- A promessa de um ajuste fiscal de 2% do PIB — R$ 250 bilhões — é tratada como ficção orçamentária, um terreno inexistente vendido como se fosse endereço nobre, fragilizando a credibilidade da plataforma.
Em outubro de 2026, Flávio Bolsonaro articula uma reforma constitucional que estenderia o mandato presidencial brasileiro de quatro para seis anos — uma duração ausente da política nacional desde o governo do general Figueiredo, cuja passagem pelo poder ficou marcada pela decadência física, pelo isolamento político e pela saída discreta por uma porta lateral do palácio. A proposta revela uma ambição institucional que, como tantas outras na história, carrega em si tanto a promessa de estabilidade quanto o peso dos precedentes que prefere esquecer.
Flávio Bolsonaro articula uma mudança constitucional que ampliaria o mandato presidencial de quatro para até seis anos. A proposta não circula na política brasileira há décadas — desde o general João Baptista Figueiredo, o último a governar por esse período. E aquele governo, segundo a análise disponível, foi um desastre.
Figueiredo assumiu com reputação de homem vigoroso, mas era cardiopata e tinha a coluna comprometida. Durante o mandato, sofreu um infarto, passou por cirurgia cardíaca, entrou em conflito com seu vice e adotou comportamentos erráticos. Quando chegou a hora de passar a faixa a José Sarney, não saiu pela porta da frente — deixou o palácio por uma entrada lateral, como quem deseja ser esquecido. E foi.
Enquanto o PT passava a semana expondo suas divisões internas, Flávio Bolsonaro fazia o movimento oposto: percorria o Brasil tecendo alianças, de Augusto Cury a setores do MDB, construindo uma base que parece mais coesa que a de seus adversários.
Mas a promessa que acompanha essa ambição institucional tem um problema grave. O ajuste fiscal de 2% do PIB — R$ 250 bilhões — oferecido como parte da plataforma é descrito como um terreno na Lua em área nobre da cratera Copérnico: uma cifra que habita o reino da ficção, não da realidade orçamentária.
Flávio Bolsonaro está articulando uma mudança constitucional que ampliaria o mandato presidencial de quatro para até seis anos. É uma proposta que não circula na política brasileira há décadas — desde o general João Baptista Figueiredo, o último presidente a governar por esse período. E aquele governo, segundo a análise disponível, foi um desastre.
Figueiredo assumiu aos 61 anos com uma reputação de homem atlético e vigoroso. A realidade era outra. Era cardiopata, tinha a coluna vertebral comprometida, e conforme suas próprias palavras, sentia "dor de dente na bunda". Durante seu mandato, sofreu um infarto, foi submetido a cirurgia cardíaca, entrou em conflito com seu vice e adotou comportamentos erráticos que marcaram seu governo. Quando chegou a hora de passar a faixa presidencial a José Sarney, Figueiredo não saiu pela porta da frente. Deixou o palácio por uma porta lateral, como quem deseja ser esquecido. E foi.
Enquanto isso, o PT passou a semana anterior expondo suas divisões internas — lavando, nas palavras do colunista, roupa suja e encardida há anos. No mesmo período, Flávio Bolsonaro fazia o trabalho oposto: percorria o Brasil tecendo alianças políticas. Sua rede de apoio vai de Augusto Cury a setores do MDB, construindo uma base que parece mais coesa que a de seus adversários.
Mas há um problema com a promessa que acompanha essa ambição institucional. Flávio Bolsonaro oferece um ajuste fiscal inicial de 2% do PIB — o equivalente a 250 bilhões de reais — como parte de sua plataforma. Nos termos em que está formulada, essa cifra é descrita como um terreno na Lua, em uma área nobre da cratera Copérnico. Ou seja: uma promessa que habita o reino da ficção, não da realidade orçamentária.
Citazioni salienti
Sentia 'dor de dente na bunda'— General João Baptista Figueiredo, descrevendo seus problemas de saúde