Flávio Bolsonaro viajou em jato de ex-banqueiro investigado, revela piauí

O mesmo avião que transportou Flávio também levou um ministro do STF
A aeronave Legacy 650 conecta o senador a investigações sobre financiamento de filme e a autoridades judiciais.
Mark

Como a revista conseguiu identificar que era exatamente esse avião?

Mimi

Cruzando dados históricos de tráfego aéreo com registros de pousos e decolagens e o Registro Aeronáutico Brasileiro. Não foi trivial — levou investigação de verdade.

Luke

Mas a Polícia Federal já tinha localizado o trajeto semanas antes. A piauí confirmou o que a PF já sabia?

Mimi

Sim, mas a PF não havia divulgado publicamente. A revista conectou os pontos e identificou quem era o cotista — Vorcaro.

Mark

E Flávio sabia que Vorcaro era sócio da empresa que operava o jato?

Mimi

Não sabemos. Ele não respondeu à revista. Tomaz diz que só descobriu em abril que Vorcaro tinha cota.

Luke

Tomaz diz que descobriu em abril, mas Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 até setembro de 2025. Então ele estava lá o tempo todo?

Mimi

Estava. Mas Tomaz afirma que não conhecia Vorcaro e que não fez negócios com ele.

Mark

Como é possível ser sócio de uma empresa e a outra pessoa não saber?

Luke

Boa pergunta. Pode ser verdade se a estrutura era opaca ou se Vorcaro entrou depois. Mas a cronologia sugere que ele estava lá desde 2021.

Mimi

A questão maior é o timing: a viagem acontece dias antes de um repasse de dois milhões de dólares para o filme que Vorcaro estava financiando.

Mark

E Flávio é investigado no STF sobre esse filme?

Mimi

Sim, formalmente. E agora sua campanha pediu investigação de Lula por suspeita de favores a Vorcaro.

Luke

Mas a Presidência nega que Lula tenha recebido presentes ou enviado recados. Então temos acusação, mas sem evidência pública ainda.

  • Flávio viajou de Fort Lauderdale a Brasília em 19 de janeiro de 2025 em jato Legacy 650 prefixo PP-NLR
  • Daniel Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 a setembro de 2025, empresa que operava a aeronave
  • Mesmo avião foi usado por ministro Alexandre de Moraes em agosto de 2025
  • Vorcaro financiou pelo menos R$ 65 milhões no filme 'Dark Horse' sobre Jair Bolsonaro
  • Flávio é investigado formalmente no STF sobre o financiamento do filme

Flávio viajou da Flórida para Brasília em jato Legacy 650 operado por empresa da qual Vorcaro era sócio, conforme dados de tráfego aéreo. Mesmo avião foi usado por ministro Alexandre de Moraes em agosto de 2025; viagem coincidiu com negociações de financiamento para filme sobre ex-presidente.

Senador Flávio Bolsonaro viajou de avião executivo em janeiro de 2025 cuja empresa cotista tinha ex-banqueiro Daniel Vorcaro como sócio, segundo revista piauí. Vorcaro financiou filme sobre Jair Bolsonaro e Flávio é investigado no STF.

Em janeiro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro embarcou em um jato executivo saindo da Flórida rumo a Brasília. A viagem, realizada no dia 19 — véspera da posse de Donald Trump — carregava consigo a família: sua esposa Fernanda e as duas filhas. O que ninguém sabia publicamente, até a revista piauí revelar na quarta-feira passada, era que aquela aeronave Legacy 650, prefixo PP-NLR, tinha entre seus cotistas uma empresa da qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro era sócio.

A descoberta emergiu de um trabalho de cruzamento de dados. A piauí identificou o jato ao comparar históricos de tráfego aéreo, registros de pousos e decolagens, e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro. O trajeto de Fort Lauderdale a Brasília havia sido localizado semanas antes pela Polícia Federal durante investigações sobre fraudes no INSS — e naquela ocasião, a corporação já sabia que Flávio viajava acompanhado pelo advogado e empresário Willer Tomaz, também alvo daquele inquérito.

A propriedade formal da aeronave pertencia à Fraction 024, uma empresa cujo capital se dividia em três partes iguais. Tomaz era dono de uma cota. Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, possuía outra. A terceira foi adquirida pela Prime You no final de 2024, pouco antes do voo de Flávio. Vorcaro integrou a sociedade da Prime You de 2021 até setembro de 2025, conforme dados corporativos consultados pela revista. A operação da aeronave corria por conta da Prime You.

O timing da viagem não era casual. Naqueles mesmos dias, negociações estavam em andamento para que Vorcaro financiasse um filme intitulado "Dark Horse", documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. O cronograma previa um primeiro repasse de dois milhões de dólares para o dia 20 de janeiro — exatamente um dia após o voo. Naquela data, Flávio enviou mensagem a um intermediário cobrando agilidade no retorno do departamento jurídico do investidor. O dinheiro só chegou em 13 de fevereiro. Ao todo, Vorcaro desembolsou pelo menos 65 milhões de reais no projeto, conforme revelações anteriores do Intercept Brasil e da piauí.

O senador é investigado formalmente no Supremo Tribunal Federal justamente sobre esse financiamento do filme. A conexão com Vorcaro não é nova para as autoridades. O que a reportagem agora expõe é a sobreposição de relacionamentos: o mesmo avião que transportou Flávio em janeiro também foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes do STF em agosto de 2025 — um fato que O Globo havia revelado através de vídeo do desembarque. Quando aquele vídeo veio à tona, Flávio criticou Moraes nas redes sociais, escrevendo que o ministro era "o principal responsável por Lula voltar à cena do crime".

Nesta quarta-feira, a campanha de Flávio pediu ao ministro André Mendonça que Lula, seu principal adversário na disputa presidencial, seja investigado sob suspeita de ter atuado em favor de Vorcaro. A Presidência nega categoricamente que Lula tenha recebido presentes ou enviado recados ao ex-banqueiro. Nem o senador nem a defesa de Vorcaro responderam aos questionamentos da piauí.

Willer Tomaz, em nota à revista, confirmou ser proprietário de um terço da sociedade dona do jato e afirmou que cabia à Prime You administrar a aeronave e organizar sua agenda de uso. Disse que só em abril deste ano descobriu que Vorcaro também havia comprado uma cota — informação que o levou a romper o contrato e litigar contra a empresa. Tomaz negou conhecer Vorcaro ou ter feito negócios com ele. Quanto à presença de Flávio e sua família no voo, o advogado não esclareceu se eles viajavam por seu convite, limitando-se a dizer que oferecia lugares vagos a amigos que se dirigiam ao mesmo destino, sem cobrança ou contrapartida.

Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime
— Flávio Bolsonaro, em crítica nas redes sociais após vídeo de Moraes desembarcando do mesmo jato
Só em abril deste ano soube que Vorcaro também teria comprado uma cota e que, a partir daí, rompeu o contrato e passou a litigar com a empresa
— Willer Tomaz, em nota à revista piauí
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