Na Festa do Peão de Barretos, Flávio Bolsonaro subiu ao palco onde seu pai não pôde estar — condenado pelo STF a 27 anos por tentativa de golpe — e prometeu retornar em 2027 como presidente. O gesto condensou, em menos de três minutos, a tensão entre uma família política em busca de redenção eleitoral e um país que ainda processa as feridas de 2022. Barretos, palco histórico dos Bolsonaro desde 2017, tornou-se mais uma vez o espelho de uma disputa que vai muito além do agronegócio.
Flávio Bolsonaro promete retornar a Barretos em 2027 como presidente ao lado do pai
O agro vai voltar a ser o grande orgulho mundial
Por que Flávio escolheu fazer essa promessa específica — retornar em 2027 como presidente — justamente em Barretos, e não em outro lugar?
Barretos é território consolidado da direita. É onde o pai dele construiu uma relação com o agronegócio e com o mundo dos rodeios. Fazer a promessa ali é falar para um público que já o conhece, que já o apoia.
E a ausência do pai? Como isso muda o significado do discurso?
Muda tudo. Jair está preso em casa. Flávio está lá dizendo "vou voltar com ele", o que é ao mesmo tempo uma promessa de campanha e uma mensagem cifrada: se eu ganhar, ele sai. É uma forma de manter o pai presente mesmo quando ele não pode estar.
O agronegócio está descontente com Lula. Mas está contente com Flávio?
Não necessariamente contente. Está descontente com a Selic alta e com os preços das commodities. Flávio oferece uma narrativa — que o agro foi atacado, que precisa ser resgatado — que ressoa com essa frustração. Mas não é claro se ele tem respostas concretas.
Lula foi convidado para o evento. Por que não foi?
Porque não é bem-vindo naquele espaço. O agronegócio virou território de direita. Lula ausente enquanto Flávio discursa é uma derrota simbólica, mesmo que os números das pesquisas ainda favoreçam o presidente.
Essa promessa de 2027 — é realista?
Depende do que você quer dizer com realista. Eleitoralmente, Flávio está 6 pontos atrás no primeiro turno. Mas a promessa não é sobre matemática eleitoral. É sobre manter viva a esperança de que o projeto Bolsonaro continua, que o pai pode voltar.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro prometeu retornar a Barretos em 2027 como presidente, com o pai ao lado — uma promessa que carrega o peso da ausência de Jair, preso em casa após condenação por tentativa de golpe.
- O discurso de menos de três minutos repetiu gestos e bordões paternos, sinalizando uma candidatura construída sobre a sombra e o legado do pai condenado.
- O agronegócio, descontente com a Selic elevada e a baixa das commodities, aplaude a direita em Barretos enquanto Lula, convidado, permanece persona non grata nesse território político.
- O Datafolha coloca Lula à frente com 39% contra 33% de Flávio no primeiro turno, revelando uma corrida competitiva mas ainda desfavorável ao candidato do PL.
- Tarcísio de Freitas, que chamou Flávio de 'meu irmão', ancora a aliança entre o bolsonarismo e o agronegócio paulista, consolidando Barretos como quartel-general simbólico da direita.
Na Festa do Peão de Barretos, Flávio Bolsonaro subiu ao palco onde seu pai não pôde estar — condenado pelo STF a 27 anos por tentativa de golpe — e prometeu retornar em 2027 como presidente. O gesto condensou, em menos de três minutos, a tensão entre uma família política em busca de redenção eleitoral e um país que ainda processa as feridas de 2022. Barretos, palco histórico dos Bolsonaro desde 2017, tornou-se mais uma vez o espelho de uma disputa que vai muito além do agronegócio.
Flávio Bolsonaro subiu ao palco da Festa do Peão de Barretos na noite de sábado com uma promessa carregada de ausência: voltaria em 2027 como presidente, com seu pai ao lado. Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses por participação numa trama para reverter o resultado das eleições de 2022, cumpre prisão domiciliar e não pôde comparecer.
O discurso durou menos de três minutos. Apresentado pelo governador Tarcísio de Freitas como 'meu irmão', Flávio repetiu o gesto característico do pai e defendeu o agronegócio como coração do Brasil — um setor que, segundo ele, vinha sendo 'atacado e quase adoecido'. A multidão de até 55 mil pessoas respondeu com entusiasmo e gritos contra Lula.
A presença em Barretos não é casual. A história da família com o evento remonta a 2017, quando Jair ainda era deputado. Em 2019, já presidente, assinou dentro do próprio estádio um decreto que flexibilizava rodeios e limitava entidades de proteção animal. No ano anterior, com Jair em prisão domiciliar, foi Tarcísio quem discursou em seu lugar, ao lado dos governadores Caiado e Zema.
Os números, porém, mostram um caminho íngreme. O Datafolha aponta Lula com 39% e Flávio com 33% no primeiro turno; no segundo, 47% a 43% para o petista. O agronegócio, descontente com a Selic e a queda das commodities, mantém-se como base fiel da direita — mas a festa segue até o dia 30, e a disputa presidencial está longe do fim.
Flávio Bolsonaro subiu ao palco da Festa do Peão de Barretos na noite de sábado (22 de agosto) com uma promessa que ecoou pelo estádio lotado: voltaria àquele mesmo lugar em 2027, mas desta vez como presidente da República, acompanhado por seu pai. A declaração carregava o peso de uma ausência. Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por sua participação numa trama para reverter o resultado das eleições de 2022, cumpre prisão domiciliar e não pôde estar presente.
O candidato presidencial do PL discursou por menos de três minutos, dividido em duas partes, defendendo o agronegócio como o coração do Brasil. Acompanhado pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, que o apresentou como "meu irmão", Flávio repetiu o gesto característico do pai — o "ihulll" que marcou seus discursos presidenciais — e falou sobre um setor que, segundo ele, vinha sendo atacado e enfraquecido. "O agro que bombeia alimento para todo o mundo. Ultimamente nosso agro tem sido muito atacado, tem ficado quase doente. Mas nós não vamos abaixar a nossa cabeça, vamos resgatar o nosso agro, o agro vai voltar a ser o grande orgulho mundial", disse, enquanto o estádio, com capacidade para 55 mil pessoas nas arquibancadas e pista, além de camarotes, o saudava. A multidão também gritava frases como "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão".
A presença de Flávio em Barretos marcou mais um capítulo da convergência entre a direita política e o mundo do agronegócio e dos rodeios. No ano anterior, quando Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, ele ficou fora do evento pela primeira vez desde 2017. Naquela ocasião, Tarcísio discursou em sua defesa, dividindo o palco com outros dois governadores de direita que também disputam a presidência: Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais. A história da família Bolsonaro em Barretos remonta a 2017, quando Jair ainda era deputado federal. Retornou em 2018 como candidato à presidência e, após vencer as eleições, em 2019 assinou um decreto dentro do próprio estádio que flexibilizava a realização de eventos de rodeio e dificultava a ação de entidades de proteção animal. De 2022 a 2024, foi presença constante na cidade, a 423 quilômetros de São Paulo.
Os números da campanha, porém, mostram um cenário competitivo. Segundo levantamento do Datafolha divulgado na noite de sexta-feira (21), no primeiro turno Lula marca 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 33%. Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%. A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.058 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 18 e 19 de agosto em 128 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4%, e Romeu Zema com 3%.
O agronegócio, especialmente produtores de grãos no Centro-Oeste, demonstra descontentamento com a persistência de uma taxa Selic elevada — apesar de quedas recentes — e com a baixa cotação das commodities. Lula, embora tenha sido convidado pela associação Os Independentes que organiza a festa, não é bem-visto em parcelas importantes desse setor. Os principais eventos do agronegócio consolidaram-se nos últimos anos como território de políticos ligados à direita. Ausente da Agrishow em seu terceiro mandato, Lula e seu governo foram alvos diários de pré-candidatos da direita que compareceram àquela que é a principal feira do agronegócio do país. A Festa do Peão de Barretos prosseguirá até o dia 30, com 160 shows distribuídos em cinco palcos, três competições de montarias em touros e provas equestres, com expectativa de receber 990 mil visitas.
Citazioni salienti
O agro que bombeia alimento para todo o mundo. Ultimamente nosso agro tem sido muito atacado, tem ficado quase doente. Mas nós não vamos abaixar a nossa cabeça, vamos resgatar o nosso agro— Flávio Bolsonaro, durante discurso em Barretos