Datafolha refuta rumores de pesquisas de partidos que esperavam redução na diferença entre Lula (52%) e Flávio Bolsonaro (48%) no segundo turno. Escândalos envolvendo Lulinha e Marcola não impactaram votação de Lula, enquanto ficha corrida de Flávio foi enterrada em inquéritos anulados por irregularidades.
Datafolha frustra expectativas: votação entre Lula e Flávio segue estável
Um voto que não nasce do entusiasmo mas da rejeição
Por que a pesquisa Datafolha "frustrou expectativas"? O que as pessoas esperavam ver?
Esperavam ver a diferença entre Lula e Flávio diminuindo. Havia rumores de pesquisas internas de partidos sugerindo um aperto. Mas os números oficiais mostraram estabilidade total desde maio.
Essa estabilidade é surpreendente em uma eleição tão apertada, não é?
Muito. Em uma disputa com 52% contra 48%, qualquer escândalo ou movimento deveria mexer. Mas não mexeu. Nem as investigações sobre Lulinha, nem nada.
E por que Lula vota melhor do que sua popularidade sugeriria?
Porque o voto não é por amor a ele. É voto estratégico, voto de rejeição. Um terço de quem vota nele está votando principalmente para impedir Flávio.
Flávio tem uma ficha corrida bem mais pesada, não tem?
Tem. Furtos do erário, funcionários fantasmas, ganhos extraordinários com imóveis. Mas para as elites políticas, isso é negócio usual. Escândalo só importa se rende votos.
Então o que vai mudar essa eleição?
A campanha em si. Se Lula conseguir vender sua mensagem quando as coisas esquentarem, talvez reduza sua avaliação negativa. Mas por enquanto, o eleitorado parece ter decidido.
El Pulso
- Lula mantém 52% contra 48% de Flávio no segundo turno desde maio
- Popularidade de Lula está em vermelho desde início de 2025
- Um terço dos eleitores de Flávio vota nele para impedir vitória de Lula
- Escândalos sobre Lulinha e Marcola não impactaram votação de Lula
Datafolha refuta rumores de pesquisas de partidos que esperavam redução na diferença entre Lula (52%) e Flávio Bolsonaro (48%) no segundo turno. Escândalos envolvendo Lulinha e Marcola não impactaram votação de Lula, enquanto ficha corrida de Flávio foi enterrada em inquéritos anulados por irregularidades.
Pesquisa Datafolha mostra que votação entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece estável desde maio, com Lula mantendo 52% contra 48% de Flávio no segundo turno, frustrando expectativas de aperto.
A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira não trouxe a novidade que muitos esperavam. Desde a semana anterior, boatos circulavam nos mercados financeiros e nas centrais de análise política: rumores de pesquisas internas de partidos sugeriam que a diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro estaria diminuindo. Esses rumores, baseados em rastreamentos de confiabilidade impossível de verificar, alimentaram a esperança de um aperto na disputa. A realidade dos números, porém, foi outra.
Desde maio, a votação entre os dois candidatos no segundo turno praticamente não se moveu. Desde março, o movimento foi mínimo. Lula mantém 52% dos votos válidos, enquanto Flávio fica com 48%. Um cenário de estabilidade que frustra quem apostava em mudança. Há um antilula consistente que representa cerca de 40% do eleitorado, enquanto um terço dos eleitores de Flávio vota nele principalmente para impedir a vitória de Lula — proporção bem maior do que os 23% de eleitores de Lula que votam por rejeição ao adversário. Os problemas estruturais de cada candidato permanecem os mesmos: Flávio não consegue vantagem entre mulheres nem no Sudeste; Lula enfrenta resistência na chamada classe média, aquela com renda entre dois e cinco salários mínimos.
O que chama atenção é a desconexão entre a avaliação de Lula e seu desempenho eleitoral. Sua popularidade está em vermelho desde o início de 2025, com flutuações relevantes em uma eleição tão apertada. Ainda assim, no segundo turno sua votação supera sua avaliação positiva em algo entre dez e dezoito pontos percentuais, dependendo da categoria de eleitores analisada — seja por sexo, renda, região ou religião. Isso sugere um voto estratégico, um voto que não nasce do entusiasmo mas da rejeição ao outro lado.
A origem dessa popularidade negativa remonta ao final de 2024 e início de 2025, período em que aconteceu algo importante com o prestígio presidencial. Naqueles meses, o país enfrentou pânico financeiro com o dólar chegando a seis reais, inflação forte de alimentos e uma campanha da direita espalhando a mentira de que Lula cobraria imposto sobre transferências via Pix. Não parece haver relação clara entre as variações no endividamento das famílias e as variações no prestígio de Lula. É difícil apontar outros fatores pontuais que expliquem o mau humor persistente.
Os escândalos que circularam não conseguiram mexer com os números. Gente do mercado e de partidos esperava que investigações sobre Fábio Luiz Lula da Silva — conhecido como Lulinha — e sobre dinheiro que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, teria recebido de uma lobista amiga de Lulinha, pudessem abalar a votação de Lula. Marcola foi chefe de gabinete do presidente, um secretário-geral de assuntos internos. Mas essas investigações não envolveram Lula diretamente e não produziram o efeito esperado. Enquanto isso, a ficha corrida de Flávio Bolsonaro — acusações de furto do erário, funcionários fantasmas, ganhos extraordinários com imóveis em Copacabana e com uma loja de chocolates — foi oficialmente enterrada em inquéritos anulados pelos tribunais por irregularidades de procedimento. Casos com muito mais dinheiro envolvido e muito mais fatos concretos, todos ligados ao candidato a presidente.
Flávio ainda não explicou o que fez com dinheiro que pediu a Daniel Vorcaro e integra um grupo político golpista no Rio de Janeiro com ligações ao crime organizado. Mas para as elites do sistema político, cada vez mais enfiadas em faturamento com lobbies, nepotismos e criação de dinastias bancadas com cargos e dinheiro público no Supremo, no Superior Tribunal de Justiça, nos tribunais estaduais, no Congresso e no Executivo, escândalos assim são apenas negócio usual. O que importa é se rende votos.
A pergunta que fica em aberto é se, quando a campanha esquentar de verdade, Lula conseguirá vender sua mensagem e reduzir essa avaliação negativa que o acompanha. Por enquanto, os números sugerem que o eleitorado já tomou sua decisão, não por amor a Lula, mas por rejeição ao que o outro lado representa.
Citas Notables
Quando a campanha esquentar, Lula vai conseguir vender seu peixe e abater a avaliação negativa?— Análise do colunista sobre o desafio de Lula