Em um gesto que entrelaça reabilitação política e memória institucional, Flávio Bolsonaro emprestou sua voz a Eduardo Cunha — figura que presidiu o impeachment de Dilma Rousseff, perdeu o próprio mandato e cumpriu prisão na Lava Jato — agora candidato a deputado federal por Minas Gerais. O vídeo de apoio, divulgado em agosto de 2026, revela como alianças construídas sobre narrativas de ruptura com o passado petista continuam moldando o tabuleiro eleitoral brasileiro, mesmo quando atravessam fronteiras partidárias e históricos judiciais pesados.
Flávio Bolsonaro grava vídeo apoiando Eduardo Cunha à Câmara por Minas Gerais
Derrubou a Dilma e abriu os olhos da população brasileira
Por que Flávio Bolsonaro gravaria um vídeo apoiando alguém que foi cassado e preso? Não é arriscado?
Não é arriscado para Flávio — é estratégico. Cunha ainda tem base no interior de Minas, especialmente entre evangélicos. É voto.
Mas Cunha foi cassado por mentir para a CPI. Como isso não prejudica a credibilidade de quem o apoia?
Porque para o eleitorado que Flávio quer alcançar, Cunha é visto como alguém que "derrubou a Dilma". O impeachment apaga o resto.
E quanto ao Republicanos dizer que é neutro na presidência? Como Cunha faz campanha por Flávio se o partido não apoia?
O partido é neutro oficialmente. Cunha é um membro do partido que escolhe apoiar. Há uma diferença técnica que permite tudo acontecer.
Os R$ 6,15 milhões em emendas para municípios mineiros — isso é construção de poder ou compra de votos?
É ambos. É como funciona a política no interior. Você financia infraestrutura, prefeitos ficam em dívida com você, você colhe votos.
Der Puls
- Flávio Bolsonaro gravou vídeo elogiando Cunha como herói do impeachment, chamando Dilma Rousseff de 'a pior presidente da história do Brasil' — linguagem que acende velhas disputas e reacende polarizações.
- O gesto ignora a neutralidade oficial do Republicanos na corrida presidencial, expondo tensões internas no campo da direita e sinalizando que lealdades pessoais superam diretrizes partidárias.
- Cunha, que saiu da prisão em 2021 e fracassou na tentativa de voltar ao Congresso em 2022, agora reconstrói sua base no interior mineiro com rádio evangélica, recepção de lideranças locais e R$ 6,15 milhões em emendas a 29 municípios.
- O apoio de um candidato presidencial a um ex-cassado e ex-preso normaliza trajetórias marcadas por condenações institucionais, revelando a plasticidade das fronteiras éticas na política brasileira de 2026.
Em um gesto que entrelaça reabilitação política e memória institucional, Flávio Bolsonaro emprestou sua voz a Eduardo Cunha — figura que presidiu o impeachment de Dilma Rousseff, perdeu o próprio mandato e cumpriu prisão na Lava Jato — agora candidato a deputado federal por Minas Gerais. O vídeo de apoio, divulgado em agosto de 2026, revela como alianças construídas sobre narrativas de ruptura com o passado petista continuam moldando o tabuleiro eleitoral brasileiro, mesmo quando atravessam fronteiras partidárias e históricos judiciais pesados.
Flávio Bolsonaro, candidato presidencial pelo PL, gravou um vídeo de apoio a Eduardo Cunha, que disputa uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. A gravação, divulgada nas redes sociais de Cunha em 26 de agosto, apresenta o ex-presidente da Câmara como figura histórica que 'abriu os olhos da população e derrubou a Dilma' — e vai além ao qualificar Dilma Rousseff como a pior presidente da história do país. Cunha retribuiu declarando que faz campanha por Flávio tanto em Minas quanto no restante do Brasil, mesmo com o Republicanos mantendo neutralidade oficial na disputa presidencial.
A trajetória de Cunha carrega peso considerável. Como presidente da Câmara, aceitou o pedido de impeachment de Dilma em dezembro de 2015, processo que culminou no afastamento dela pelo Senado em agosto de 2016. Menos de duas semanas depois, o plenário da Câmara cassou seu próprio mandato por 450 votos a 10, acusando-o de mentir à CPI da Petrobras ao negar contas no exterior. Preso no âmbito da Lava Jato ainda em 2016, permaneceu em regime fechado até 2021. Suas sentenças foram anuladas em 2021 e 2023, e uma tentativa de retorno ao Congresso por São Paulo em 2022 não obteve êxito.
Agora em Minas Gerais, Cunha reconstrói sua base eleitoral sobretudo no interior do estado. Expandiu a rede evangélica 89 Maravilha FM, recebe lideranças locais em suas emissoras e, segundo investigação da Polícia Federal, destinou R$ 6,15 milhões em emendas parlamentares a 29 municípios mineiros por meio da liderança do Republicanos na Câmara. O apoio de Flávio Bolsonaro a essa candidatura ilumina como figuras com históricos controversos continuam encontrando espaço nas estruturas de poder — e como alianças eleitorais em 2026 se constroem sobre narrativas compartilhadas de ruptura, independentemente das fronteiras partidárias formais.
Flávio Bolsonaro, candidato presidencial pelo PL, gravou um vídeo de apoio à candidatura de Eduardo Cunha a deputado federal por Minas Gerais. A gravação foi divulgada nas redes sociais de Cunha na quarta-feira, 26 de agosto, e marca um alinhamento explícito entre duas figuras políticas com trajetórias marcadas por controvérsias e rupturas institucionais.
No vídeo, Flávio descreve Cunha como alguém que teve papel importante na história do país, creditando-lhe especificamente o feito de "abrir os olhos da população brasileira e derrubar a Dilma". Ele vai além e qualifica Dilma Rousseff como a pior presidente da história do Brasil. Cunha, por sua vez, agradece o apoio e afirma fazer campanha por Flávio tanto em Minas Gerais quanto no restante do país — um movimento que ocorre apesar da decisão oficial do Republicanos de manter-se neutro na disputa presidencial.
A trajetória de Cunha oferece contexto para entender por que esse apoio é significativo. Como presidente da Câmara, ele aceitou o pedido de impeachment de Dilma em dezembro de 2015. A Casa autorizou a abertura do processo em abril de 2016, e o Senado afastou definitivamente a petista da Presidência em 31 de agosto daquele ano. Menos de duas semanas depois, em 12 de setembro de 2016, o plenário da Câmara cassou o mandato de Cunha por 450 votos a 10, acusando-o de mentir à CPI da Petrobras ao negar a existência de contas no exterior. Cunha alegou na época ser vítima de perseguição política.
Sua situação se agravou significativamente. Em 2016, foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de ser beneficiário de propinas em contratos da Petrobras e de representar risco à investigação. Permaneceu em regime fechado até 2021. Em 2021, um saldo de contas suas que estavam bloqueadas na Suíça foi enviado ao Brasil, totalizando o equivalente a R$ 12 milhões. Sentenças contra ele foram anuladas em 2021 e 2023. Em 2022, tentou retornar à vida política como candidato a deputado federal por São Paulo, filiado ao PTB, mas não conseguiu se eleger.
Agora, em Minas Gerais, Cunha reconstrói sua base eleitoral principalmente no interior do estado. Expandiu a rede evangélica 89 Maravilha FM e passou a receber prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas em programas e agendas nas emissoras. Segundo investigação da Polícia Federal, o ex-deputado também destinou, por meio da liderança do Republicanos na Câmara, R$ 6,15 milhões em emendas parlamentares a 29 municípios mineiros — um mecanismo que consolida sua presença territorial.
O apoio de Flávio Bolsonaro a Cunha sinaliza alianças políticas complexas para o pleito de 2026, especialmente considerando que ocorre apesar da posição oficial de neutralidade do partido Republicanos na disputa presidencial. O movimento revela como figuras políticas com históricos controversos continuam encontrando espaço e apoio dentro das estruturas de poder.
Bemerkenswerte Zitate
Cunha teve papel importante na história do país e abriu os olhos da população brasileira ao derrubar a Dilma— Flávio Bolsonaro, em vídeo de apoio
Faz campanha por Flávio em Minas Gerais e no país, apesar da decisão do Republicanos de permanecer neutro— Eduardo Cunha, em resposta ao apoio