Flávio Bolsonaro cresce e PT enfrenta despertar urgente

Aquele Lula que dominava plateias saiu de moda
Reflexão sobre o desgaste político do presidente após dois anos de terceiro mandato.
Mark

Por que uma pesquisa com números tão próximos — 42% a 40% — causou tanto impacto?

Mimi

Porque é a primeira vez que Flávio fica à frente em um segundo turno. Não é o número em si, é o que ele sinaliza: o desgaste de Lula está se convertendo em votos para a oposição.

Luke

Mas está dentro da margem de erro. Quantos entrevistados? Qual a margem exata?

Mimi

A pesquisa é da Quaest, instituição respeitada. Mas Luke tem razão — tecnicamente, ainda estão empatados.

Mark

Lula está falando sobre terras raras e soberania. Por que isso não funciona?

Mimi

Porque quem está descontente quer soluções para problemas imediatos, não abstrações geopolíticas.

Luke

Mas a coluna não oferece dados sobre o que os eleitores descontentes realmente querem. É uma interpretação.

Mimi

Verdade. Sabemos que rejeitam Lula, mas não temos pesquisa sobre suas prioridades.

Mark

E Flávio Bolsonaro? Qual é a sua proposta?

Mimi

Segundo o texto, ele não tem uma. Seu capital é apenas o sobrenome.

Luke

Isso é uma avaliação do colunista, não um fato verificável. Flávio pode ter propostas que não foram mencionadas aqui.

Mark

Como a campanha petista está respondendo?

Mimi

Procurando culpados — apontaram para o ministro da Comunicação. Mas o colunista diz que a responsabilidade é de Lula.

Luke

Novamente, é opinião. Pode haver fatores estruturais que nenhum ministério controla.

  • Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro supera Lula em simulação de segundo turno, quebrando a narrativa de que o presidente seria imbatível na disputa eleitoral.
  • O antipetismo encontrou destino: eleitores que apoiavam candidatos menores, como Caiado e Zema, migrariam majoritariamente para Bolsonaro em um confronto direto.
  • A campanha de Lula aposta em temas abstratos — soberania, terras raras, escala econômica — enquanto o descontentamento cotidiano dos eleitores permanece sem resposta concreta.
  • Dentro do PT, busca-se culpados em assessores e ministros, mas a direção estratégica sempre esteve nas mãos do próprio Lula, que optou pelo distanciamento em momentos decisivos.
  • André Esteves sintetizou o impasse com precisão: a eleição será 51% a 49%, mas ninguém sabe para quem — e a indefinição favorece o opositor.

No ciclo eterno em que o poder desgasta quem o exerce, uma pesquisa Quaest revelou, em setembro de 2026, que Flávio Bolsonaro ultrapassou Lula pela primeira vez em simulação de segundo turno — 42% a 40%. O movimento não é apenas estatístico: reflete o deslocamento silencioso de eleitores insatisfeitos com o terceiro mandato petista em direção ao campo bolsonarista. Como tantas vezes na história, não é a força do adversário que derruba um governante, mas o momento em que ele sai de moda diante do próprio povo.

Uma pesquisa Quaest divulgada em setembro de 2026 provocou abalo real na campanha presidencial de Lula: pela primeira vez em simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro o ultrapassou, com 42% contra 40%. Dentro da margem de erro, os números ainda não definem um vencedor — mas o movimento revela uma migração concreta de eleitores que rejeitam o terceiro mandato petista para o campo bolsonarista.

O crescimento de Flávio não surgiu do vácuo. A campanha de Lula privilegiou abstrações — soberania, terras raras, escala econômica — temas legítimos, mas distantes da vida de quem está descontente. A avaliação negativa do presidente encontrou um destino natural no adversário. Eleitores que antes se distribuíam entre Caiado, Renan Santos, Augusto Cury e Zema — somando 16% das intenções — fluiriam majoritariamente para Bolsonaro em um segundo turno.

No campo petista, buscou-se responsabilizar Sidônio Palmeira, ministro da Comunicação. Mas desde a fundação do PT, em 1980, quem conduz a orquestra é Lula. Quando o Supremo entrou em turbulência, o presidente optou pelo distanciamento, limitando-se a falar genericamente sobre reformas — palavras sem substância concreta. Nos primeiros mandatos, Lula reformulava programas com pragmatismo em semanas. Lula 3.0 condena problemas sem oferecer alternativas.

Flávio Bolsonaro não representa uma alternativa de qualidade superior — seu principal ativo é o sobrenome, marcado por controvérsias e sustentado por recursos milionários. Mas a apatia do presidente alimenta o antipetismo. Como o historiador Claude Manceron descreveu o ocaso de Luís 15, aquele Lula que dominava palanques também saiu de moda.

A aritmética foi esquecida desde 2022: Lula venceu por apenas 1,8 ponto percentual. Dois anos depois, o candidato petista à Prefeitura de São Paulo perdeu por margem superior a 1 milhão de votos. Os eleitores mandavam sinais. Brasília não ouvia. Agora o presidente enfrenta uma eleição que o banqueiro André Esteves resumiu com precisão incômoda: será 51% a 49%, mas ninguém sabe para quem.

Uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira provocou abalo na campanha presidencial de Lula. Pela primeira vez em uma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro o ultrapassou: 42% contra 40%. Os números estão dentro da margem de erro — eleições se decidem nas urnas, não em levantamentos — mas o movimento revela algo real: eleitores que vinham rejeitando o terceiro mandato de Lula migraram para o campo bolsonarista.

O crescimento de Bolsonaro não veio do nada. Lula tem conduzido uma campanha que privilegia abstrações: terras raras, soberania, escala econômica. São temas legítimos, mas distantes da vida cotidiana de quem está descontente. Enquanto isso, a avaliação negativa do presidente encontrou um destino natural — o adversário. A mesma pesquisa Quaest perguntou aonde iriam os votos de eleitores que apoiavam Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury ou Romeu Zema, candidatos que somavam 16% das intenções. Em um segundo turno, a maior parte desses votos fluiria para Flávio Bolsonaro.

Na campanha petista, buscou-se culpados. Apontou-se para Sidônio Palmeira, ministro da Comunicação Social. Mas a responsabilidade não reside ali. Desde a fundação do PT em 1980, quem comanda essa orquestra é Lula. Quando o Supremo Tribunal Federal entrou em turbulência, Lula optou por se manter afastado das disputas, limitando-se a falar genericamente sobre reformas na política e no Judiciário — palavras que não significam nada concreto.

Flávio Bolsonaro não oferece um debate de qualidade superior. Seu único ativo é o sobrenome, marcado por controvérsias e financiado por recursos milionários de Daniel Vorcaro. Mas a apatia de Lula alimenta o antipetismo. O historiador francês Claude Manceron, que escreveu cinco volumes magistrais sobre a Revolução Francesa, descreveu o ocaso do reinado de Luís 15: o monarca havia saído de moda. Aquele Lula que dominava plateias em palanques também saiu de moda.

Nos seus dois primeiros mandatos, Lula enfrentava problemas com pragmatismo. Quando o Bolsa Família chegou ao seu governo como um programa burocrático e ineficiente, ele o reformulou em poucas semanas, criando a estrutura que persiste até hoje. Lula 3.0 se limita a condenar a facilidade para apostadores, sem oferecer alternativas. Isso não garante que algo melhor ocupará o lugar.

André Esteves, banqueiro do BTG Pactual, ofereceu a previsão mais precisa para a próxima eleição presidencial: será 51% a 49%, mas ninguém sabe para quem. A ideia de que Lula passaria um trator sobre Flávio evaporou. Agora o presidente enfrenta um adversário favorecido pela indefinição.

O retorno de Lula ao Planalto em 2022 foi espetacular, mas a aritmética foi esquecida. Ele venceu por margem de 1,8 ponto percentual — pouco mais de 2 milhões de votos. Dois anos depois, o candidato apoiado pelo PT à Prefeitura de São Paulo perdeu por margem superior a 1 milhão de votos. Os eleitores mandavam sinais. Os poderosos de Brasília não ouviam.

A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem
— André Esteves, banqueiro do BTG Pactual
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Folha de S.Paulo ↗
Nous contacter FAQ