Fitch eleva rating de Portugal para 'A-', segunda agência a reconhecer melhoria

Melhor avaliação de risco em 12 anos, com custos mais baixos
Portugal atinge posição de crédito que não tinha desde 2011, abrindo acesso a mais investidores internacionais.
Mark

Porque é que este upgrade da Fitch importa tanto? Não é apenas um número numa tabela?

Mimi

Não. Quando duas agências de topo — Fitch e DBRS — elevam Portugal para 'A' no mesmo ano, isso muda o custo real de financiamento. Investidores internacionais que antes não tocavam em dívida portuguesa agora podem. Juros mais baixos para o Estado, para as empresas, para as famílias.

Luke

Mas espera — a perspetiva mantém-se "estável", não é? Portanto não há sinal de novo upgrade em breve. E a Moody's ainda não se pronunciou. Temos aqui duas agências alinhadas, mas não é consenso universal.

Mark

A queda da dívida de 112% para 96% em dois anos — é realista?

Mimi

A Fitch está a contar com crescimento de 2,1% este ano e excedentes orçamentais. Se a economia abrandar mais do que o previsto, esses números podem não se concretizar.

Luke

Exatamente. Estas são projeções, não factos. A taxa de malparado nos bancos é 3,1% — é baixa, mas o que acontece se as taxas de juro se mantiverem altas durante mais tempo?

Mark

E a inflação? Vai realmente descer de 5,3% para 2,2% em dois anos?

Mimi

A Fitch acredita que sim, com base na dinâmica atual de preços de energia e nas políticas de redução de IVA. Mas há muita incerteza geopolítica.

Luke

Verdade. A Fitch está otimista, mas o cenário base deles depende de várias coisas correrem bem em simultâneo. Não é garantido.

Mark

Então o que é certo nesta história?

Mimi

O que é certo é que Portugal melhorou significativamente a sua posição de crédito. Duas agências reconheceram isso. Os custos de financiamento já estão a cair. Isso é real.

Luke

E o que não sabemos é se isto se mantém. A Moody's pode discordar. A economia pode desacelerar mais. Mas por enquanto, sim, Portugal está numa posição mais forte.

  • Portugal atinge a melhor avaliação de risco da sua dívida pública em 12 anos, com a Fitch a juntar-se à DBRS na atribuição de notação 'A' em 2023.
  • A dívida pública, que chegou a ultrapassar os 135% do PIB durante a pandemia, deverá cair para 96,5% em 2025 — a maior redução projetada pela Fitch para qualquer país nesta categoria.
  • O saldo orçamental surpreendeu: em vez do défice de 1,2% inicialmente previsto, Portugal deverá fechar 2023 com um excedente de 0,5% do PIB.
  • Um rating mais elevado traduz-se diretamente em custos de financiamento mais baixos para o Estado, empresas e famílias, alargando o acesso a investidores internacionais.
  • A Moody's, prevista para se pronunciar em novembro, representa a próxima oportunidade de consolidar — ou testar — este novo reconhecimento internacional.

No final de setembro de 2023, a agência Fitch elevou a notação de crédito de Portugal de 'BBB+' para 'A-', tornando-se a segunda grande agência a reconhecer este ano a solidez crescente das finanças públicas portuguesas. A decisão reflete uma trajetória de redução da dívida sem precedente recente — a maior queda prevista para qualquer país na categoria 'A' — e assinala o regresso de Portugal ao círculo das economias consideradas de baixo risco após mais de uma década de afastamento. Como acontece com toda a confiança, esta foi conquistada lentamente e pode abrir portas que o endividamento havia fechado.

Em setembro de 2023, a Fitch elevou o rating soberano de Portugal de 'BBB+' para 'A-', tornando-se a segunda agência a atribuir uma notação de nível 'A' ao país este ano, depois de a DBRS ter feito o mesmo em julho. O gesto marca o melhor posicionamento de Portugal em matéria de risco da dívida pública em mais de uma década.

A agência fundamentou a decisão no compromisso demonstrado por Portugal em reduzir o peso da dívida pública, que deverá cair de 112,4% do PIB no final de 2022 para 104,3% em 2023 e 96,5% em 2025 — uma descida de mais de 38 pontos percentuais face ao pico pandémico, a maior redução prevista pela Fitch para qualquer país na categoria 'A'.

O desempenho orçamental também surpreendeu positivamente. A Fitch reviu a sua projeção de um défice de 1,2% para um excedente de 0,5% do PIB em 2023, antecipando excedentes moderados nos anos seguintes. Em paralelo, a agência elevou a estimativa de crescimento económico para 2,1% em 2023, acima dos 1,3% anteriormente previstos, e projeta uma inflação a desacelerar progressivamente até 2,2% em 2025.

O setor bancário foi classificado como 'resiliente', com a taxa de malparado estável nos 3,1%, e medidas como o Mais Habitação foram reconhecidas como fatores de alívio para as famílias. O ministro Fernando Medina destacou que um rating de nível 'A' amplia o acesso a investidores internacionais e reduz os custos de financiamento para o Estado e para os cidadãos.

A Standard and Poor's já havia melhorado a perspetiva para 'positiva' no início de setembro, sinalizando uma possível subida futura. A Moody's, cuja decisão está prevista para novembro, poderá representar um novo capítulo nesta recuperação da credibilidade financeira portuguesa.

A Fitch elevou o rating de Portugal de 'BBB+' para 'A-' no final de setembro de 2023, marcando um ponto de viragem na confiança internacional na economia portuguesa. É a segunda agência de notação financeira a reconhecer esta melhoria este ano — a DBRS já tinha feito o mesmo em julho — e representa o melhor posicionamento do país em matéria de avaliação de risco da dívida pública em mais de uma década.

A decisão da agência norte-americana repousa numa avaliação clara: Portugal demonstra um "elevado grau de compromisso" em reduzir o peso da dívida pública, e essa trajetória deverá manter-se em queda acentuada nos próximos anos. A Fitch estima que a dívida pública caia para 104,3% do PIB em 2023, comparado com 112,4% no final de 2022, e que desça ainda mais para 96,5% em 2025. Isto representa uma queda de mais de 38 pontos percentuais face ao pico atingido durante a pandemia em 2020 — a maior redução que a agência prevê para qualquer país na categoria 'A'.

O desempenho orçamental português também surpreendeu em alta. Depois de um défice de 0,4% do PIB em 2022, a Fitch agora antecipa que Portugal termine 2023 com um excedente de 0,5% do PIB, uma revisão substancial face à projeção anterior que apontava para um défice de 1,2%. A agência atribui esta mudança ao fim das medidas de apoio pandémico e à compensação das despesas com energia através da redução do IVA. Para os anos seguintes, a perspetiva mantém-se positiva: um excedente de 0,4% em 2024 e 0,3% em 2025, à medida que a economia desacelera para a sua taxa de crescimento potencial.

No que respeita ao crescimento económico, a Fitch reviu em alta as suas projeções. Espera um crescimento de 2,1% para 2023, acima da anterior estimativa de 1,3%, e prevê uma desaceleração para 1,8% em 2024. A inflação, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, deverá situar-se em média em 5,3% este ano, desacelerando para 3,1% em 2024 e 2,2% em 2025. Além disso, a agência antecipa o regresso do país a um excedente da balança corrente de cerca de 0,8% do PIB, sustentado por preços mais baixos das importações e por uma "forte dinâmica das exportações", particularmente no setor dos serviços.

O setor bancário português também mereceu uma avaliação positiva. A Fitch considera o sistema bancário "resiliente", notando que as taxas de juro mais elevadas não geraram pressão sobre a qualidade dos ativos — a taxa de malparado manteve-se em 3,1% no segundo trimestre. Programas como o Mais Habitação e os apoios ao crédito à habitação podem, segundo a agência, aliviar o stress do serviço da dívida para as famílias.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, sublinhou que Portugal consegue agora "a melhor avaliação de risco da sua dívida pública em 12 anos". O Ministério das Finanças realçou que um rating de nível 'A' abre acesso a um maior número de investidores internacionais, reduzindo o custo de financiamento da República e, consequentemente, os custos para os contribuintes. A recuperação desta posição entre as economias com menor risco de dívida pública traduz-se em juros mais baixos para famílias e empresas.

Esta decisão da Fitch segue-se a movimentos anteriores de outras agências. Em julho, a DBRS tinha já elevado a notação para 'A' com perspetiva estável. No início de setembro, a Standard and Poor's melhorou a perspetiva de "estável" para "positiva", sinalizando um passo anterior a uma possível revisão em alta. A próxima agência a pronunciar-se sobre a dívida soberana portuguesa é a Moody's, previsto para 17 de novembro, deixando em aberto a possibilidade de novos reconhecimentos da melhoria económica do país.

Portugal consegue a melhor avaliação de risco da sua dívida pública em 12 anos
— Fernando Medina, ministro das Finanças
A recuperação de uma posição entre as economias com menor risco da dívida pública traduz-se em juros mais baixos para as famílias e as empresas portuguesas
— Fernando Medina, ministro das Finanças
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