Fitch sobe rating de Portugal para 'A' com perspetiva estável

Portugal tornou-se um exemplo financeiro na Europa
Afirmação do primeiro-ministro Luís Montenegro horas antes do anúncio oficial da Fitch.
Mark

Porque é que duas agências em 15 dias decidem subir o rating de Portugal? Há algo que mudou dramaticamente?

Mimi

Não é uma mudança dramática de um mês para o outro. É o reconhecimento de uma trajetória. Portugal tem reduzido a dívida de forma consistente, mantém excedentes orçamentais, e a economia está a crescer acima da média europeia. A Fitch estava já com perspetiva positiva em março — isto era sinalizado.

Luke

Mas a Fitch também desceu França na mesma noite. Portanto não é um ambiente global de euforia. É Portugal a fazer melhor do que os pares. Isso é importante notar.

Mimi

Exatamente. E a agência é clara: há riscos geopolíticos e comerciais. Mas a economia portuguesa está a resistir.

Mark

E quanto aos défices que regressam em 2026? Isso não contradiz a história de sucesso?

Mimi

Não. A Fitch antecipa défices pequenos — 0,7% do PIB — porque o investimento público via PRR vai normalizar. Não é uma deterioração, é o ciclo natural.

Luke

Mas é importante: depois de 2025 com excedente, voltamos a défices. Não é uma trajetória de melhoria contínua. É uma melhoria até um ponto.

Mark

E o desemprego? A Fitch diz que vai rondar 6,2% até 2027. Isso é bom?

Mimi

É relativamente baixo. Mas a agência nota que cair mais será difícil por falta de qualificações. Portanto há um limite estrutural.

Luke

Isso é um detalhe importante que não aparece nos headlines. Não é que o desemprego vá descer mais — é que não pode descer mais sem reformas de educação.

  • A Fitch elevou o rating soberano de Portugal para 'A', tornando o país num dos casos mais notáveis de recuperação fiscal da Europa recente.
  • A decisão surge apenas 15 dias após a S&P ter feito o mesmo movimento, criando uma sequência rara de reconhecimentos externos em tempo comprimido.
  • Na mesma noite, a Fitch desceu a classificação de França, tornando o contraste entre as duas economias europeias ainda mais eloquente.
  • A agência projeta défices a partir de 2026, sinalizando que o ciclo de excedentes tem prazo — e que a gestão futura será o verdadeiro teste à sustentabilidade dos ganhos.

Numa sexta-feira de setembro, a agência Fitch elevou a notação de crédito de Portugal de 'A-' para 'A', reconhecendo uma disciplina orçamental que o país foi construindo ao longo de anos de esforço coletivo. É a segunda subida de rating em quinze dias — depois da S&P —, sinalizando que a trajetória fiscal portuguesa deixou de ser uma promessa e passou a ser um facto reconhecido internacionalmente. Num momento em que outras economias europeias enfrentam rebaixamentos, Portugal consolida uma posição que poucos antecipavam há uma década.

A Fitch elevou na sexta-feira a classificação de Portugal de 'A-' para 'A', mantendo perspetiva estável, numa decisão que chegou apenas quinze dias depois de a Standard & Poor's ter feito o mesmo. O primeiro-ministro Luís Montenegro antecipou o anúncio durante uma visita ao Japão, afirmando que Portugal se tornou um exemplo financeiro na Europa.

A agência fundamentou a subida na redução contínua da dívida e na execução disciplinada da política orçamental. Projeta que o rácio da dívida caia para 88,4% do PIB até 2027, sustentado por excedentes primários sólidos — um percurso que contrasta com o de França, cuja notação foi rebaixada pela Fitch na mesma noite.

Para 2025, a Fitch estima um excedente de 0,1% do PIB, equilibrado entre cortes fiscais e receita resistente. A partir de 2026, porém, antecipa o regresso de pequenos défices, à medida que o investimento público normaliza. O crescimento económico deverá superar a média europeia — 1,8% em 2025 e 2,2% em 2026 —, com o mercado de trabalho estável e a inflação a convergir para os 2%.

A posição externa melhorou graças ao turismo e à redução do défice energético pelas renováveis. O Ministério das Finanças saudou a decisão como reconhecimento do esforço conjunto do Governo, das famílias e das empresas. A próxima avaliação está marcada para novembro, pela Moody's.

A agência de rating Fitch elevou a classificação de Portugal de 'A-' para 'A' na sexta-feira, mantendo uma perspetiva estável para o país. A decisão chega apenas 15 dias depois de a Standard & Poor's ter feito o mesmo movimento, consolidando uma sequência de reconhecimentos externos sobre a trajetória fiscal portuguesa. O primeiro-ministro Luís Montenegro tinha antecipado o anúncio horas antes, durante uma visita oficial ao Japão, afirmando que Portugal se tornou um exemplo financeiro na Europa.

A Fitch justificou a subida com a redução contínua da dívida portuguesa e a execução de uma política orçamental disciplinada. A agência projeta que o rácio da dívida caia para 88,4% do PIB até 2027, sustentado por excedentes primários significativos e por um histórico sólido de gestão orçamental. Este cenário contrasta com a situação de outros países europeus — na mesma noite em que elevou Portugal, a Fitch desceu a classificação de França de 'AA-' para 'A+'.

Para o ano em curso, a agência estima um excedente orçamental de 0,1% do PIB, resultado de um equilíbrio entre os cortes de impostos implementados e os custos dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência, compensados pela resistência do consumo e pela receita fiscal. No entanto, a partir de 2026 a situação muda: a Fitch prevê o regresso de pequenos défices, de 0,7% do PIB em 2026 e 0,4% em 2027, à medida que o investimento público normaliza.

No contexto de incerteza geopolítica global e tensões comerciais, a agência antecipa um crescimento económico português acima da média da zona euro nos próximos dois anos. Estima 1,8% de crescimento do PIB para 2025, aceleração para 2,2% em 2026, e desaceleração para 1,7% em 2027. O mercado laboral apresenta robustez, com a taxa de desemprego a rondar os 6,2% até 2027, embora a agência note que quedas adicionais serão limitadas pela insuficiência de qualificações. A inflação deverá estabilizar em torno dos 2% no período.

A posição externa de Portugal também melhorou significativamente, impulsionada pelo forte aumento das exportações de serviços, particularmente turismo, e pela redução do défice energético graças ao maior peso das energias renováveis. O Ministério das Finanças descreveu a decisão como mais uma conquista para o país e reconhecimento do trabalho do Governo, das famílias e das empresas na promoção do crescimento económico e na redução sustentada da dívida pública.

Esta é a segunda subida de rating em 15 dias. A Standard & Poor's tinha já elevado a classificação portuguesa para A+ a 29 de agosto, sendo a segunda revisão em alta do ano pela mesma agência. A DBRS tinha sido a primeira agência a avaliar Portugal em 2025, em janeiro, com uma subida, mas optou por manter a notação em julho. A Moody's manteve a classificação 'A3' com perspetiva estável em maio. A próxima e última avaliação do ano está marcada para 14 de novembro, pela Moody's.

Portugal é hoje um exemplo na Europa do ponto de vista financeiro
— Luís Montenegro, primeiro-ministro
A decisão é mais uma conquista para Portugal e o reconhecimento do trabalho que está a ser feito pelo Governo, pelas famílias e empresas
— Ministério das Finanças
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