Numa sexta-feira de setembro, a agência Fitch elevou a notação de crédito de Portugal de 'A-' para 'A', reconhecendo uma disciplina orçamental que o país foi construindo ao longo de anos de esforço coletivo. É a segunda subida de rating em quinze dias — depois da S&P —, sinalizando que a trajetória fiscal portuguesa deixou de ser uma promessa e passou a ser um facto reconhecido internacionalmente. Num momento em que outras economias europeias enfrentam rebaixamentos, Portugal consolida uma posição que poucos antecipavam há uma década.
Fitch sobe rating de Portugal para 'A' com perspetiva estável
Portugal tornou-se um exemplo financeiro na Europa
Porque é que duas agências em 15 dias decidem subir o rating de Portugal? Há algo que mudou dramaticamente?
Não é uma mudança dramática de um mês para o outro. É o reconhecimento de uma trajetória. Portugal tem reduzido a dívida de forma consistente, mantém excedentes orçamentais, e a economia está a crescer acima da média europeia. A Fitch estava já com perspetiva positiva em março — isto era sinalizado.
Mas a Fitch também desceu França na mesma noite. Portanto não é um ambiente global de euforia. É Portugal a fazer melhor do que os pares. Isso é importante notar.
Exatamente. E a agência é clara: há riscos geopolíticos e comerciais. Mas a economia portuguesa está a resistir.
E quanto aos défices que regressam em 2026? Isso não contradiz a história de sucesso?
Não. A Fitch antecipa défices pequenos — 0,7% do PIB — porque o investimento público via PRR vai normalizar. Não é uma deterioração, é o ciclo natural.
Mas é importante: depois de 2025 com excedente, voltamos a défices. Não é uma trajetória de melhoria contínua. É uma melhoria até um ponto.
E o desemprego? A Fitch diz que vai rondar 6,2% até 2027. Isso é bom?
É relativamente baixo. Mas a agência nota que cair mais será difícil por falta de qualificações. Portanto há um limite estrutural.
Isso é um detalhe importante que não aparece nos headlines. Não é que o desemprego vá descer mais — é que não pode descer mais sem reformas de educação.
The Pulse
- A Fitch elevou o rating soberano de Portugal para 'A', tornando o país num dos casos mais notáveis de recuperação fiscal da Europa recente.
- A decisão surge apenas 15 dias após a S&P ter feito o mesmo movimento, criando uma sequência rara de reconhecimentos externos em tempo comprimido.
- Na mesma noite, a Fitch desceu a classificação de França, tornando o contraste entre as duas economias europeias ainda mais eloquente.
- A agência projeta défices a partir de 2026, sinalizando que o ciclo de excedentes tem prazo — e que a gestão futura será o verdadeiro teste à sustentabilidade dos ganhos.
Numa sexta-feira de setembro, a agência Fitch elevou a notação de crédito de Portugal de 'A-' para 'A', reconhecendo uma disciplina orçamental que o país foi construindo ao longo de anos de esforço coletivo. É a segunda subida de rating em quinze dias — depois da S&P —, sinalizando que a trajetória fiscal portuguesa deixou de ser uma promessa e passou a ser um facto reconhecido internacionalmente. Num momento em que outras economias europeias enfrentam rebaixamentos, Portugal consolida uma posição que poucos antecipavam há uma década.
A Fitch elevou na sexta-feira a classificação de Portugal de 'A-' para 'A', mantendo perspetiva estável, numa decisão que chegou apenas quinze dias depois de a Standard & Poor's ter feito o mesmo. O primeiro-ministro Luís Montenegro antecipou o anúncio durante uma visita ao Japão, afirmando que Portugal se tornou um exemplo financeiro na Europa.
A agência fundamentou a subida na redução contínua da dívida e na execução disciplinada da política orçamental. Projeta que o rácio da dívida caia para 88,4% do PIB até 2027, sustentado por excedentes primários sólidos — um percurso que contrasta com o de França, cuja notação foi rebaixada pela Fitch na mesma noite.
Para 2025, a Fitch estima um excedente de 0,1% do PIB, equilibrado entre cortes fiscais e receita resistente. A partir de 2026, porém, antecipa o regresso de pequenos défices, à medida que o investimento público normaliza. O crescimento económico deverá superar a média europeia — 1,8% em 2025 e 2,2% em 2026 —, com o mercado de trabalho estável e a inflação a convergir para os 2%.
A posição externa melhorou graças ao turismo e à redução do défice energético pelas renováveis. O Ministério das Finanças saudou a decisão como reconhecimento do esforço conjunto do Governo, das famílias e das empresas. A próxima avaliação está marcada para novembro, pela Moody's.
A agência de rating Fitch elevou a classificação de Portugal de 'A-' para 'A' na sexta-feira, mantendo uma perspetiva estável para o país. A decisão chega apenas 15 dias depois de a Standard & Poor's ter feito o mesmo movimento, consolidando uma sequência de reconhecimentos externos sobre a trajetória fiscal portuguesa. O primeiro-ministro Luís Montenegro tinha antecipado o anúncio horas antes, durante uma visita oficial ao Japão, afirmando que Portugal se tornou um exemplo financeiro na Europa.
A Fitch justificou a subida com a redução contínua da dívida portuguesa e a execução de uma política orçamental disciplinada. A agência projeta que o rácio da dívida caia para 88,4% do PIB até 2027, sustentado por excedentes primários significativos e por um histórico sólido de gestão orçamental. Este cenário contrasta com a situação de outros países europeus — na mesma noite em que elevou Portugal, a Fitch desceu a classificação de França de 'AA-' para 'A+'.
Para o ano em curso, a agência estima um excedente orçamental de 0,1% do PIB, resultado de um equilíbrio entre os cortes de impostos implementados e os custos dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência, compensados pela resistência do consumo e pela receita fiscal. No entanto, a partir de 2026 a situação muda: a Fitch prevê o regresso de pequenos défices, de 0,7% do PIB em 2026 e 0,4% em 2027, à medida que o investimento público normaliza.
No contexto de incerteza geopolítica global e tensões comerciais, a agência antecipa um crescimento económico português acima da média da zona euro nos próximos dois anos. Estima 1,8% de crescimento do PIB para 2025, aceleração para 2,2% em 2026, e desaceleração para 1,7% em 2027. O mercado laboral apresenta robustez, com a taxa de desemprego a rondar os 6,2% até 2027, embora a agência note que quedas adicionais serão limitadas pela insuficiência de qualificações. A inflação deverá estabilizar em torno dos 2% no período.
A posição externa de Portugal também melhorou significativamente, impulsionada pelo forte aumento das exportações de serviços, particularmente turismo, e pela redução do défice energético graças ao maior peso das energias renováveis. O Ministério das Finanças descreveu a decisão como mais uma conquista para o país e reconhecimento do trabalho do Governo, das famílias e das empresas na promoção do crescimento económico e na redução sustentada da dívida pública.
Esta é a segunda subida de rating em 15 dias. A Standard & Poor's tinha já elevado a classificação portuguesa para A+ a 29 de agosto, sendo a segunda revisão em alta do ano pela mesma agência. A DBRS tinha sido a primeira agência a avaliar Portugal em 2025, em janeiro, com uma subida, mas optou por manter a notação em julho. A Moody's manteve a classificação 'A3' com perspetiva estável em maio. A próxima e última avaliação do ano está marcada para 14 de novembro, pela Moody's.
Notable Quotes
Portugal é hoje um exemplo na Europa do ponto de vista financeiro— Luís Montenegro, primeiro-ministro
A decisão é mais uma conquista para Portugal e o reconhecimento do trabalho que está a ser feito pelo Governo, pelas famílias e empresas— Ministério das Finanças