Há histórias que nos lembram que o cuidado pode ser uma jornada solitária, travada sem testemunhas nem parceiros. Sandra Ribeiro, engenheira civil e filha única, carrega sozinha o peso do Alzheimer progressivo de sua mãe Terezinha — sem irmãos, sem cônjuge, sem rede familiar para dividir decisões ou desesperos. Sua trajetória revela o que a doença faz não apenas com quem a tem, mas com quem permanece ao lado, consciente de cada perda. No silêncio que avança entre mãe e filha, Sandra encontrou na terapia, no movimento e no amor inabalável a única forma de continuar.
Filha única relata jornada solitária ao cuidar de mãe com Alzheimer
O familiar é quem mais sofre com Alzheimer
Por que a história de Sandra importa agora, especialmente no Dia de Conscientização do Alzheimer?
Porque a maioria das histórias sobre Alzheimer foca no paciente. Sandra nos mostra o lado invisível — quem cuida, quem sofre sozinho, quem toma as decisões impossíveis.
Mas quantas pessoas estão nessa situação? O texto não diz quantos filhos únicos cuidam de pais com Alzheimer no Brasil.
Não diz números, é verdade. Mas o que Sandra relata — culpa, isolamento, falta de rede familiar — é uma realidade para muitos cuidadores.
Ela menciona preconceito contra internação. Como superou isso?
Através de terapia e de amigos que a aconselharam. Eventualmente entendeu que colocar a mãe em uma casa especializada não era abandono, era cuidado.
A mãe está em uma casa especializada desde quando? O texto não deixa claro quanto tempo faz.
Não especifica. Sabemos que foi após dezembro de 2019, mas não há data exata.
E agora, qual é a relação entre elas?
Silenciosa, mas profunda. Olhares, carícias. Sandra acredita que a mãe ainda compreende tudo, mesmo sem falar.
Acredita ou sabe? Há diferença. O texto deixa isso como interpretação pessoal de Sandra.
Qual foi o ponto de virada para Sandra lidar melhor com tudo isso?
A terapia, principalmente. E depois, adotar pensamento positivo — não negar a realidade, mas recusar-se a ser consumida por ela.
Ela trabalha ainda? Continua como engenheira civil?
O texto diz que está ativa no trabalho, mas não especifica se ainda exerce engenharia ou se mudou de função.
Le Pouls
- Sandra recebeu o diagnóstico da mãe aos 40 anos e, sem nenhum familiar para dividir o fardo, todas as decisões médicas e emocionais recaíram exclusivamente sobre ela.
- Uma internação de emergência no Natal de 2019 acelerou a progressão da doença e destruiu a rotina de cuidados que Sandra havia construído com tanto esforço.
- Confrontada com preconceitos próprios e culpa intensa, Sandra precisou tomar a decisão mais difícil: colocar a mãe em uma casa especializada, sentindo-se traidora antes de entender que era a escolha certa.
- O avanço do Alzheimer apagou a fala de Terezinha — a troca entre mãe e filha agora acontece apenas por olhares e carícias, enquanto o sofrimento consciente recai inteiramente sobre Sandra.
- A terapia psicológica e o pensamento positivo tornaram-se ferramentas de sobrevivência: Sandra trabalha, viaja, ri — e segue em frente sabendo que a presença silenciosa da mãe ainda é seu maior pilar.
Há histórias que nos lembram que o cuidado pode ser uma jornada solitária, travada sem testemunhas nem parceiros. Sandra Ribeiro, engenheira civil e filha única, carrega sozinha o peso do Alzheimer progressivo de sua mãe Terezinha — sem irmãos, sem cônjuge, sem rede familiar para dividir decisões ou desesperos. Sua trajetória revela o que a doença faz não apenas com quem a tem, mas com quem permanece ao lado, consciente de cada perda. No silêncio que avança entre mãe e filha, Sandra encontrou na terapia, no movimento e no amor inabalável a única forma de continuar.
Sandra Ribeiro tinha 40 anos quando sua mãe, Terezinha, foi diagnosticada com Alzheimer aos 81. Engenheira civil e filha única, Sandra não tinha irmãos, marido ou filhos com quem dividir o que viria a seguir. Quando os médicos determinaram que Terezinha não podia mais viver sozinha no interior, toda a responsabilidade recaiu sobre ela.
Nos primeiros anos, ainda havia comunicação. Terezinha esquecia, confundia, mas respondia. Sandra contratou cuidadoras e administrava a situação com dificuldade — o que mais a atormentava era aceitar que a mãe não estava mais plenamente lúcida. Então, no Natal de 2019, tudo mudou: Terezinha sofreu um mal súbito, foi internada e entubada. Quando voltou para casa, havia perdido a capacidade de realizar tarefas básicas sozinha. A cuidadora não conseguiu mais continuar.
Foi o momento mais desesperador de Sandra. Ela resistia à ideia de uma instituição, sentia culpa por não poder estar presente todos os dias, e se via completamente sozinha nas decisões. Buscou conselhos, explorou opções em Belo Horizonte e iniciou terapia — algo que considera indispensável. Por fim, colocou a mãe em uma casa especializada. Com o tempo, reconheceu que sua resistência inicial era apenas preconceito.
Hoje, Terezinha não fala mais. A comunicação entre as duas acontece por olhares e carícias. Sandra acredita que, no fundo, a mãe ainda escuta e compreende — mas sabe que o sofrimento consciente é dela, não da mãe. Diante disso, adotou o pensamento positivo como forma de sobreviver: mantém rotinas, trabalha, viaja, pratica atividade física. A terapia continua sendo fundamental.
Seu conselho é direto: busque apoio psicológico. Se não for possível, construa uma rede que sustente emocionalmente. Terezinha, mesmo silenciosa e transformada pela doença, continua sendo o pilar mais forte de Sandra — a única família que tem, e por isso mesmo, a razão mais poderosa para seguir em frente.
Sandra Ribeiro tinha 40 anos quando sua mãe, Terezinha, recebeu o diagnóstico de Alzheimer aos 81. Engenheira civil, Sandra enfrentaria sozinha — sem irmãos, sem marido, sem filhos — a jornada que se abria diante dela. Não havia rede familiar para dividir decisões médicas, noites de desespero, ou o peso das escolhas que viriam. Quando os médicos disseram que Terezinha não podia mais ficar sozinha na cidade do interior onde morava, a responsabilidade inteira recaiu sobre os ombros de Sandra.
Nos primeiros anos, a doença ainda permitia alguma comunicação. Terezinha esquecia coisas, precisava de supervisão constante, mas ainda falava. Quando Sandra chegava triste e precisava desabafar, a mãe ainda conseguia responder — talvez esquecesse minutos depois, talvez se confundisse, mas havia troca, havia diálogo. Sandra contratou cuidadoras, trabalhadoras domésticas dispostas a oferecer assistência. A situação era difícil, mas gerenciável. O que a atormentava era a aceitação de que a pessoa que a criou não estava mais completamente lúcida, que não podia mais estar plenamente disponível para ela.
Em dezembro de 2019, durante o Natal, tudo acelerou. Terezinha sofreu um mal súbito, foi internada, entubada na UTI. Quando voltou para casa, o quadro havia se agravado drasticamente. Não conseguia mais ir ao banheiro sozinha, não conseguia tomar banho ou se alimentar sem ajuda. A cuidadora que a assistia informou que não tinha mais condições de cuidar dela. Para Sandra, foi o momento mais desesperador — precisava encontrar uma solução, mas tinha preconceitos contra internação, contra colocar a mãe em uma instituição. Sentia-se culpada por não poder estar presente todos os dias, por seu trabalho não permitir visitas diárias. Sentia-se sozinha, sem apoio familiar.
Buscou conselhos de amigos, explorou opções em Belo Horizonte, fez terapia — algo que considera essencial. Finalmente, tomou a decisão de colocar Terezinha em uma casa especializada. Refletindo depois, percebeu que seu receio inicial era apenas preconceito. Ser filha única nesta situação é complicado demais. Não há com quem dividir responsabilidades, decisões, o peso emocional.
Com o avanço da doença, a capacidade de troca desapareceu completamente. Hoje, Terezinha não fala mais. A interação entre mãe e filha acontece por meio de olhares e carícias — o estágio final da doença. Não há resposta verbal, mas Sandra acredita que, no coração, a mãe ainda escuta e compreende tudo o que ela diz. O sofrimento, porém, recai inteiramente sobre Sandra. O paciente, em um estado onde muitas vezes não tem consciência do que acontece, não sente o peso da situação da mesma forma. O familiar é quem mais sofre.
Sandra adotou o pensamento positivo como ferramenta de sobrevivência. Parou de se lamentar excessivamente. Se é algo que não pode mudar — e a condição é progressiva e incurável — precisa encontrar a melhor maneira de conviver com isso. Continua com suas atividades regulares, trabalha, sai para passear, viajar, rir com amigos. Atividade física a ajuda a manter o bem-estar. Não se considera uma pessoa triste ou depressiva. Mas a terapia foi e continua sendo fundamental.
Seu conselho para quem enfrenta situação semelhante é claro: busque apoio psicológico. Se isso não for possível, crie uma rede de apoio que a sustente emocionalmente e em emergências. Terezinha é hoje o pilar mais forte que sustenta Sandra. Apesar de não conseguir mais expressar amor em palavras ou estar fisicamente próxima, Sandra sente sua presença constante. É a única família que tem, e isso a torna ainda mais fundamental. Saber que a mãe está viva lhe dá força para seguir em frente. Ela continua sendo uma presença muito viva e essencial — mesmo que silenciosa, mesmo que transformada pela doença.
Citations marquantes
Queria que tudo fosse apenas um pesadelo— Sandra Ribeiro, ao receber o diagnóstico da mãe
Ser filha única nesta situação é bastante complicado. Não tenho com quem dividir a responsabilidade— Sandra Ribeiro